
Da Rede Brasil Atual
Mesmo ausente, FHC é escrachado por intelectuais em Nova York, e tenta negar golpe
Depois de fugir do maior Congresso de Estudos da América Latina no mundo, ex-presidente escreve carta para explicar impeachment, sem citar que plataforma deTemer foi reprovada nas urnas
São Paulo – Alvo de uma petição de 499 intelectuais e de um protesto em Nova York neste fim de semana, que o fizeram desistir de participar de um debate acadêmico para evitar ser escrachado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) divulgou hoje (28) uma carta em que tenta negar que a presidente Dilma Rousseff tenha sofrido um golpe.
Vídeo publicado pelo coletivo Mídia Ninja no Facebook mostra a manifestação que fez o ex-presidente FHC fugir da sessão de abertura da LASA, maior Congresso de Estudos da América Latina no mundo. Espectadores se vestiram de preto, para manifestar luto pelo atentado contra a democracia atualmente em curso no Brasil.
Entoando palavras de ordem, acadêmicos, ativistas e intelectuais de todo continente mostraram, no coração de Nova York, que ‘golpistas e fascistas não passarão’.
Abaixo o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=tMxQFlBc_bA height:394
Em resposta ao escracho organizado por intelectuais de boa parte do mundo, FHC emitiu uma carta, rapidamente divulgada pela mídia tradicional. “Estranho golpe no qual ela continua na residência Presidencial, cercada de colaboradores e sob condições de segurança devidas aos chefes de estado, à espera de decisão do Senado”, escreveu.
O ex-presidente não diz que o governo interino está colocando em prática um programa oposto ao vitorioso nas urnas e sem citar que uma série de áudios vazados para a imprensa revelam que a grande motivação dos parlamentares para o impeachment foi barrar investigações de esquemas de corrupção, sobretudo as da LavaJato, para não serem incriminados.
Leia a íntegra:
“Estimados colegas diretores da LASA:
Reitero meus agradecimentos pelo convite para participar da celebração dos 50 anos de LASA, instituição que acompanho desde seu nascimento e de cujas reuniões participei em algumas ocasiões.
Agradeço também a reafirmação do convite, feita diante de manifestações de pesquisadores e professores que, levados por paixões ideológicas, imaginaram que eu poderia aproveitar o evento para discutir problemas políticos locais, brasileiros. Os que me conhecem sabem que fui treinado como cientista social quando, a despeito de crenças e valores, os intelectuais procuravam manter a objetividade científica como um valor central em seus labores acadêmicos. Não obstante, a vaga ideológica existente em alguns setores universitários parece confundir, nos dias de hoje, a posição de ativistas com a de cientistas.
Fui e sou comprometido com valores democráticos no mundo e na politica brasileira. Exilado pelo golpe militar de 1964, obrigatoriamente afastado da Universidade de São Paulo pelos autoritários brasileiros em 1969, criei centros de resistência intelectual e política no Brasil (como o CEBRAP) e ajudei, quanto possível, a luta contra as ditaduras latino-americanas. Não só perdi a cátedra que tinha por concurso na Universidade de São Paulo, como sofri processos e fui levado a interrogatórios, com capuz na cabeça, em conhecido centro de tortura. Eleito senador na oposição ao regime, mais tarde, em momento de reconstrução democrática, fui relator-adjunto da atual Constituição. Sob ela, fui Chanceler, ministro da Fazenda (na época do Plano Real) e duas vezes eleito, por maioria absoluta, Presidente da República. Em nenhum momento desonrei nessa trajetória minhas credenciais democráticas.
Na conjuntura brasileira atual, setores políticos querem fazer crer que a Presidente Roussef, ao sofrer processo de impeachment (ainda em curso), procedido na estrita obediência da Constituição e sob a supervisão do Supremo Tribunal Eleitoral (oito dos 11 ministros foram nomeados pelos governos Lula ou Roussef), sofreu um “golpe”. Estranho golpe no qual ela continua na residência Presidencial, cercada de colaboradores e sob condições de segurança devidas aos chefes de estado, à espera de decisão do Senado. Este só poderá afastá-la definitivamente se 3/5 dos senadores considerarem que, de fato, incorreu em desrespeito a regras fundamentais da Constituição. Até ao início do processo de impeachment, que pela Constituição depende preliminarmente da aceitação da acusação por 31 da Câmara dos Deputados) o governo Roussef dispunha do voto de cerca de 80% do Senado.
O pano de fundo deste processo foi o desvendamento de uma organização criminosa que desde o mandato do anterior presidente, uniu empresários, funcionários dos governos, políticos e partidos para aumentar o custo dos contratos públicos e desviar parte dos recursos assim ganhos para obterem votos e, eventualmente, riqueza pessoal. Processos objeto de condenação judicial ou que estão em tramitação na Justiça do país. Mais ainda, o desgoverno financeiro dos últimos dois anos levou à perda de oito pontos percentuais do PIB (algo nunca ocorrido na história), e 11 milhões de brasileiros ao desemprego, além de haver gerado uma dívida pública crescente. Os artigos constitucionais que foram feridos dizem respeito, entre outras, à desobediência da Lei de Responsabilidade Fiscal, graças ao que o governo Roussef utilizou recursos não aprovados pelo Congresso e mascarou a verdadeira situação fiscal do país durante o ano eleitoral.
Nada do acima referido, que motivou minha inclinação a aceitar o impeachment, tem a ver com qualquer questão que arranhasse os princípios democráticos.
Dito isso como explicação pessoal aos que me convidaram a aos que me apoiam, não pretenderia, reitero, utilizar a LASA para discutir essas questões, mesmo porque, como já dito, elas nada têm a ver com a questão democrática.
Peço apenas que compreendam que a esta altura da vida, aos 85 anos, não quero dar pretexto a espíritos radicalizados e imbuídos de paixão partidária a me usarem para uma imaginária luta “contra o golpe”, um golpe que não houve.
Agradecendo uma vez mais o convite e desculpando-me por não dever aceittá-lo pelas razões expostas, subscrevo-me”,
FHC
Maria Luisa
30 de maio de 2016 7:42 pmFHC é Golpista
Fernando Henrique Cardoso pode reescrever sua historia o quanto seu desejo lhe impuser, falando em quão democratico ele é, que a Historia vai contar a realidade de sua participação em toda a conspirata para a queda de Dilma Rousseff e, logo, dar um golpe branco no Estado de Direito. E agora espera que Temer agonize até 2017 pelo menos e depois eleger um seboso palatavel do PSDB para continuar a privatizar o Brasil para poucos.
José Luis Pereiraj
30 de maio de 2016 7:54 pmO Boca de Sovaco exala
O Boca de Sovaco exala velhacaria, soberba e naftalina até via web.
W.Gusmão
30 de maio de 2016 8:00 pmPara reescrever …
É preciso que se tenha história a se reescrever.
Contar o quão degradante foi, e continuar sendo, sua postura como ex-presidente não encontrará corações para receber.
Ninguém se importa com ele. Sua opinião pouco importa. Ele teve a oportunidade de se posicionar de forma decente, mas, preferiu o contrário, alinhando-se nas fileiras dos golpista.
Nem posso dizer que é lamentável. É o que é.
As únicas coisas dele que nos pode honrar é sua ausência e seu silêncio, fora isso, nada.
anac
30 de maio de 2016 9:56 pmQuando se for para o inferno
Quando se for para o inferno será comemorado o evento, como foi o de Margareth Thatcher, quando os ingleses gritavam comemorando: Ton Ton! a bruxa morreu!
Motoboy
30 de maio de 2016 8:48 pmAo sugerir a renuncia de
Ao sugerir a renuncia de Dilma, fhc deu o recado e o aval ao golpe. Quem cria é o pai da criança, e quem endossa é o maior implicado / responsável.
davidoliveira_
30 de maio de 2016 9:29 pmcorreu do pau.
não me
correu do pau.
não me esquecerei de quando o FHC foi a evento em NY, envento para empresários e investidores, e foi ele lá, falar mal do Brasil, e só.
Sempre falou mal do Brasil em suas palestras, nunca falou bem. A história cobrará a viralatice.
Hmagalhaes
30 de maio de 2016 9:36 pmGolpista
Golpista total. Mais um título para sua triste história. GOLPISTA.
Fábio de Oliveira Ribeiro
30 de maio de 2016 9:46 pmFHC é mau caráter desde que
FHC é mau caráter desde que era criança, algo que alguns esqueceram.
Temer, por sua vez, deve destruir a memória do GOLPE.
Vinum memoriae mors.
O vinho é a morte da memória.
Se não quer ser lembrado como GOLPISA Michel Temer terá que criar o Bolsa Vinho do Porto.
Marcos Antônio
30 de maio de 2016 10:06 pmSatisfação IMENSA com estes
Satisfação IMENSA com estes intelectuais…
Depois de ver tanta NEGAÇÃO VINDA DO JUDICIÁRIO, PRINCIPALMENTE STF E DO LEGISLATIVO…
É reconfortante saber que este golpe além de ofender a constituição, ofendeu a inteligência e valores de MUITAS PESSOAS!
Andre Araujo
30 de maio de 2016 10:08 pmSeria curioso ver qual é a
Seria curioso ver qual é a opinião da LASA sobre a degradante situação economica e social da Venezuela.
Vão dizer que há excesso de democracia.
Flics
30 de maio de 2016 10:32 pmE a de Cuba e não a de Aruba?…
E a do Paquistão e não a do Japão?…
E a da Grécia e não a da Suécia?…
E a das Ilhas Malvinas e não a da China?…
E a da Coréia ( do Norte, claro) e não a da Libéria?…
E a do Parguai e não a do Uruguai?…
… e na Conchinchina, não vai nada?…
enfim… tergiversar
(teɾxiβeɾ’saɾ) verbo transitivo
Almeida
30 de maio de 2016 10:28 pmBem feito!
Não foi ele mesmo quem disse “esqueçam o que escrevi”?
Pois esqueceram.
Juliano Medina Corrêa
30 de maio de 2016 10:34 pmLamentável essa carta
Lamentável essa carta tentando explicar o inexplicável. Respeito o FHC, perdeu vários pontos depois dessa. Minha opinião sobre o impeachment: prender Lula , o presidente da falsa moral e enganador (pra não chamar de ladrão, opa chamei) e após encerrar essa palhaçada de impeachment e deixar a Dilma governar . Então, prender essa máfia instaurada em todos ambientes políticos desse país chamado BraZil (eu sei, isso é utopia) Chega de passividade por parte do povo há séculos massacrado pelos detentores do poder. REVOLUÇÃO já. Tá na hora da queda da Bastilha tupiniquim
Hänsel
30 de maio de 2016 10:48 pmPelo menos no exterior o
Pelo menos no exterior o pessoal já sabe que o FHC tem lugar reservado na cloaca da História.
Roxane
31 de maio de 2016 12:06 amComo semnpre cheio de
Como semnpre cheio de empáfia( esta veio do fundo do baú – empáfia) mas é perfeita para este Sr. Ele acha que ainda somos do tempo em que a ciência se considerava neutra.
Andre Araujo
31 de maio de 2016 12:57 amA LASA, segundo meu amigo
A LASA, segundo meu amigo William Perry, é um solido ninho da esquerda academica americana, já foi a favor de Castro, do Sendero Luminoso, das FARC segundo ele, 2/3 do membership é completamente esquerda e do terço restante a maioria é simpatizante sem ser radical, os conservadores já deixaram a LASA há muito tempo.
Frederico Firmo
31 de maio de 2016 4:34 amNão entendi André!!!!!!
Caro André sempre o leio com atenção e cuidado, mesmo que não comunguemos muitas idéias., mas acho que desta vez eu devo respeitosamente discordar com veêmencia. pois voce tenta desqualificar a LASA, para aparentemente salvar a biografia, já bastante carcomidade FHC
A Lasa presidida por G Joseph da Yale University, por Armony da Univ. of Pittsburgh, Chazkel, da Universidade de Nova York não me garante a principio que sejam da “esquerda americana”, talvez o sejam, ou talvez sejam apenas Democratas, o que em terras do Tio Sam é a esquerda. Mas isto não pode servir para desqualificar a LASA, talvez esteja ai um grande mérito, pois olhando o rol de convidados e a variada posição política dos mesmos, isto indica que a LASA estaria sendo acadêmica. André se você olhar a lista de conferencistas verá entre eles Bresser Pereira, Ricardo Lagos assim como verá Chomsky. Não creio que nem Bresser nem Lagos se encaixem perteitamente na sua definição de esquerda, assim como, o antes convidado, FHC. Com relação a Chomsky, eu diria com certeza que ele está dentro da esquerda acadêmica, e com certeza isto conta muitos pontos para a esquerda acadêmica. Afinal além de ser provavelmente o maior linguista vivo, Chomsky é um pensador profundo , um intelectual como poucos, e também um ativista .
Me parece que os membros da LASA estão se opondo a um golpe o que é muito importante e não pode ser desqualificado apenas com os velhos chingamentos dos anos sessenta.
Andre Araujo
31 de maio de 2016 12:19 pmVoce conhece algum
Voce conhece algum posicionamento da LASA em relação à desintegração da Venezuela, que agora tambem não tem mais voos aereos de outros Paises, talvez só de Cuba? A questão nada tem a ver com FHC, uma entidade desse tipo deve ser plural até pela propria natureza de um centro de debates de pensadores sobre uma região. Pode-se perfeitamente dizer que a LASA é de esquerda assim como que o American Heritage Foundation e o Center for Strategic and International Studies são conservadores. Não é ofensivo dizer quem é o que nos EUA, o Perry é brasilianista há 40 anos, foi professor da Universidade de Brasilia e conhece profundamente o setor, ele ontem me mandou um e-mail com um longo historico da LASA.
AlvaroTadeu
8 de junho de 2016 6:33 pmAA é de André Araújo ou Associação Anticomunista?
André Araújo, na Rua Padre João Manuel, em frente àquele espaçozinho que a Prefeitura (Fernando Haddad) criou, com bancos, lixeira, etc. e tal, “sacrificando” duas vagas de estacionamento, bem em frente abriu uma sorveteria em pleno inverno paulistano, bons sorvetes, preços razoáveis “porque está muito frio em São Paulo”. Vá lá, tome um sorvete e pare de defender seus ídolos tucanos. Eles não precisam de você, têm a Rede Globo, William Bonner, Veja e outras fezes degradadas para fazerem o serviço. Se você não estiver resfriado, um sorvete lhe fará bem. A propósito, o sorvete não é da marca da maior laranja do Brasil, a filha do Serra, dona Verônica, aquela mesma que recebeu um investimento das Ilhas Virgens Britânicas de 5 milhões, numa empresa com apenas 42 dias de vida. Se demorasse mais 3 dias, dava 45, número muito conveniente.
Teodoro Isnard Ribeiro de Almeida
31 de maio de 2016 1:21 amFHC é escrachado
Esse canalha ser escrachado em NY deve ser mais sentido que nas terras brasileiras, que ele sempre renegou ao vender a preços via, ao ajoelhar-se aos pés dos poderosos.
James Gresslerj
7 de junho de 2016 11:24 pmff
Impressionante que esse elemento ainda se refira àquele voluntário exílio de luxo, do qual voltou no ” ano da graça” de 68.
Railma Carvalho
5 de junho de 2016 1:09 pmSaída conveniente do FHC.
Não entendo como é que esse sujeito abjeto ainda é chamado para proferir palestras, um indivíduo entreguista, cínico,que chamou os aposentados de vagabundos, que vendeu o noso patrimônio, que fechou escolas técnicas federais, que através de projeto de lei proibiu construir escolas, que acabou com a indústria naval, que recorreu ao FMI por 3 vezes, que promoveu o apagãoetc. É o fim da picada, devia ficar no ostracismo, enterrado de vez.
Plinio Smith
12 de junho de 2016 2:09 amA carta de FHC é paradoxal:
A carta de FHC é paradoxal: nela, o ex-ociólogo diz que não usaria a LASA para falar de questões políticas e, no entanto, em sua carta, praticamente só fala disso. E do que mais ele falaria? De suas pesquisas recentes em teoria política? Se na carta ele procura somente tentar justificar sua postura golpista (com argumentos ridículos), imagine o que ele faria se estivesse presente na LASA? Aliás, como não discutir política numa reunião como essa? Se ele tivesse sido (bem) treinado como cientista político, ele não invocaria em vão a ideia (altamente problemática) de “objetividade cientifica”. A oposição ideologia x objetividade já caiu faz tempo; aliás, já tinha caído quando ele ainda se dedicava à academia. Embora com carreira acadêmica curta e, para ser franco, não mais do que razoável, ele continua embolsando uma bela aposentadoria como professor cassado até hoje; justo ele que, quando presidente, sufocou e tentou destruir a universidade pública.
jose carlos salles
27 de junho de 2016 11:24 amfugitivo
Onde se lê exilado, leia-se FUGITIVO. Esse comunistitinha de bosta não foi exilado, a exemplo dos demais, eles fugiram do País, por ficaram com medo de ser presos, por se oporem a regime que estava em vigor no País. Ele e sua turma eram comunistas e queriam implantá-lo no Brasil. Esse cara não é heroi, é um aproveitador que fez uma constituição para se manter no poder e foi enganado pelos comunistas mais radicais que elegeram um analfabeto para presidente e uma guerrilheira. É por isso que o Brasil está nesta merda. Quem criou o Bolsa escola, ONGS e outras porcarias mais que levaram o País a esse caos, foi o Fernando Henrique e sua turma. Não precisamos de governo populista, precisamos de pessoas comprometidas com os anseios populares que lhes garantam boa educação, saude e segurança. É isso que o povo sempre espera dos politicos, mas que eles nunca atendem, pois preferem ser corruptos para se manter no poder.
Robison Sa
23 de julho de 2017 1:03 amPRIVATIZACAO
O que FHC tem a dizer sobre as privatizações de seu Governo, antecedente aí de Lula? Nunca houve liberdade para a PF e a PGR Qt no governo vermelho. Penso que fazer a coisa certa nesse país de bananas é realmente um erro, talvez se Dilma beijasse a mão de Cunha e aderisse aos joguetes desses canalhocratas que se apresentam imaculados, fizesse o rolo compressor passar por sobre a Nação brasileira sem ser sentido!