21 de maio de 2026

Gilmar Mendes fala em Estado dentro do Estado em artigo contra privilégios de procuradores e juízes

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Jornal GGN – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, assina artigo na Folha desta quarta (28) falando em combater o Estado dentro do Estado criado por setores do Judiciário e do Ministério Público que têm reações corporativistas “exageradas” diante da tentativa do Congresso de acabar com o chamado extrateto – salários acima do teto constituicional. Uma comissão especial do Senado revelou que há membros do MP recebendo mais de R$ 100 mil por mês, juntando todos os benefícios.

“Reiteradas vezes afirmei que o Brasil está a se transformar em uma República corporativa, em que o menor interesse contrariado gera uma reação descabida, de forma que a manutenção e conquista de benesses do Estado por parte de categorias ganham uma centralidade no debate público inimaginável em países civilizados”, disse Gilmar.

Esse tipo de prática alija o Poder Legislativo do processo decisório, tornando, assim, extremamente difícil o exercício de qualquer forma de controle sobre essas medidas”, advertiu.

O magistrado também já se posicionoi em favor de outros projetos que desagradam procuradores e juízes, como uma lei contra abuso de autoridade.

Por Gilmar Mendes

Na Folha

É hora de acabar com vantagens ilegais de juízes e MP e frear o corporativismo

Os pensadores que se propuseram a ensaiar explicações abrangentes sobre a formação de nosso país, de um modo ou de outro, afirmaram as características da colonização portuguesa e o ranço patrimonialista que dela herdamos.

Em seu ensaio sobre o segundo escalão do poder no Império, Antonio Candido afirma que uma das formas de ascensão social no Brasil estava na nomeação para cargo público, o que aproximava o funcionário dos donos do poder, dava-lhe amplo acesso à burocracia, propiciando-lhe, assim, proteção institucional de direitos, interesses e privilégios.

Claro que a crítica se centrava na nomeação de apaniguados, muitas vezes não habilitados para o exercício das funções públicas. A nova ordem constitucional procurou, por meio da regra do concurso público, prestigiar o mérito para a investidura no serviço.

Ocorre que isso acabou por alimentar a capacidade organizacional das categorias de servidores, situação institucional facilitadora da conquista de direitos e privilégios, muitas vezes em detrimento da maioria da sociedade civil, a qual não conta com o mesmo nível de organização.

Infelizmente, a Constituição de 1988 não encerrou esse ciclo. Conta-se que Sepúlveda Pertence, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, costumava dizer que o constituinte foi tão generoso com o Ministério Público que o órgão deveria ver o Brasil com os olhos de uma grande nação amiga.

Na prática atual, no entanto, os altos salários, muitas vezes inaceitavelmente acima do teto constitucional, e os excessos corporativistas dos membros do Parquet e do Judiciário nos levam a enxergar a presença de um Estado dentro do Estado, obnubilando, por um lado, a divisão de tarefas entre as instituições, que deveria viabilizar o adequado funcionamento do governo, e escancarando, por outro, o crescente corporativismo que se revela a nova roupa do nosso velho patrimonialismo.

Em contexto de abalo das lideranças políticas e de irresponsabilidade fiscal, esse cenário nos levou a vivenciar fenômenos como liminares judiciais para concessão de aumento de subsídios a juízes -travestido de auxílio-moradia- e também conduziu o Congresso à aprovação de emenda constitucional que estendeu a autonomia financeira à defensoria pública, o que obviamente se fez acompanhar por pressões de diversas outras categorias para obter o mesmo tratamento.

Tais providências trazem grandes prejuízos, tanto por reduzirem drasticamente a capacidade de alocação orçamentária dos Poderes eleitos para tanto como porque sempre são adotadas em detrimento dos que necessitam de políticas publicas corajosas e eficientes.

Reiteradas vezes afirmei que o Brasil está a se transformar em uma República corporativa, em que o menor interesse contrariado gera uma reação descabida, de forma que a manutenção e conquista de benesses do Estado por parte de categorias ganham uma centralidade no debate público inimaginável em países civilizados.

A autonomia financeira que se pretende atribuir aos diversos órgãos e as reações exageradas contra quaisquer projetos que visem a disciplinar seus abusos são a nova face de nosso indigesto patrimonialismo.

Diante da realidade fiscal da nação e dos Estados, é imperioso acabarmos com vantagens e penduricalhos ilegais e indevidos concedidos sob justificativas estapafúrdias e com base nas reivindicadas autonomias financeiras e administrativas que todo e qualquer órgão pretende angariar para si.

Esse tipo de prática alija o Poder Legislativo do processo decisório, tornando, assim, extremamente difícil o exercício de qualquer forma de controle sobre essas medidas.

No momento em que encerramos um dos anos mais difíceis de nossa história recente, devemos pensar no futuro do país e de nossos filhos e netos. É hora de finalmente ousarmos construir uma sociedade civil livre e criadora e colocar freios em nosso crescente corporativismo.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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16 Comentários
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  1. Roxane

    28 de dezembro de 2016 6:14 pm

    Olha quem fala….. 

    Olha quem fala…..  Resquícios de espumante . Mas não tem nada não daqui há  uns dias tem mais – espumante.

  2. anarquista sério

    28 de dezembro de 2016 6:14 pm

    Gilmar Mendes é um

    Gilmar Mendes é um pándego.

    Não tenho a menor ideia como ganha espaço na mídia.–principalmente neste blog.

    E,geralmente, quem é contra ele.-como este blog.

    Não existe propaganda contrária,

       Existe propaganda.

    1. Ivan de Union

      28 de dezembro de 2016 7:32 pm

      EMBASAMENTO TEORICO, GENTE.

      EMBASAMENTO TEORICO, GENTE.  O livro em qualquer ponto jamais bate com o comportamento de “juiz” de gilmar mentes?

    2. Vagalume do Brejo

      28 de dezembro de 2016 10:55 pm

      Um pándego?

      Você acha ele um bufão engraçado?!

      Mas ele é um facista muito ardiloso.

      Cuidado anarquista, se é que você é sério!

       

  3. Ivan de Union

    28 de dezembro de 2016 6:43 pm

    Hora errada, dia errado.

    Hora errada, dia errado.  Sorry, gilmar.

  4. Felipe Pait

    28 de dezembro de 2016 7:09 pm

    Todo o poder ao Gilmar!

    Todo o poder ao Gilmar!

  5. Ivan de Union

    28 de dezembro de 2016 7:30 pm

    Eu sabia!  EU SABIA!  Se tem

    Eu sabia!  EU SABIA!  Se tem alguem que classifica como “segundo escalao” (de “forca invisivel”, no caso, o partido dele), eh gilmar mentes:

    http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/98/20080627_ascensao_a_brasileira.pdf

    Nao eh o texto original, que ainda nao achei.  Eh uma resenha do livro que confirma varias outras:  gilmar mentes esta limpando a bunda com os escritos de alguem que nao lhe daria suporte nem se ele fosse o ultimo gorducho do mundo:

    “O nervo da narrativa de Antonio Candido é o conflito entre as intenções racionais do burocrata e a politicagem ampla, geral e irrestrita. Não se trata contudo de luta do Bem contra o Mal, pois tal embate tem uma especificação histórica cuja raiz se encontra no próprio surgimento do Brasil como país. A dissolução do Antigo Sistema Colonial em todo o continente americano era parte de uma mudança maior, na qual o capitalismo industrial e o universo burguês se afirmavam em relação aos velhos modos de produzir (…)”

    Ate sem ler ja sei que o livro eh tudo que gilmar mentes nunca reconheceu em si mesmo.  E pra ele, tudo das ideias centrais do livro eh so pra ser usado e descartado igual papel higienico.

    Preciso de confirmacoes independentes, e beeeeemmm rapidas, gente.  Tem alguem ai que leu o livro e nos poderia informar mais?

  6. claudio corrêa

    28 de dezembro de 2016 7:52 pm

    Foi só a Lava jato chegar à

    Foi só a Lava jato chegar à ante sala do tucanato pra Gilmar Mendes despir-se da toga de Ministro do STF e transmudar-se em Advogado Geral do PSDB e circunvizinhos. Enquanto o MP e o Judiciário massacravam o PT, com ou sem indícios de delitos, tudo bem,  mas  “os de casa”, NÃO.

  7. Monier,.,.

    28 de dezembro de 2016 10:39 pm

    Taqueopariu. Vivi para ver um

    Taqueopariu. Vivi para ver um Gilmar falar de patrimonialismo para atacar os outros.

    É por isso que os gênios que inventaram a Democracia foram os mesmos gregos que inventaram o Ostracismo.

    Eles só não conseguiram prever o mal causado pela imprensa e a difusão facilitada pelo tal do Gutemberg em um país com mentes de terceiro mundo. Se os jornalistas colaborarem a gente pode voltar a prestar atenção em gente feito um Chico Buarque, um Mujica. Até um Bento XVI, vá lá. É conservador, mas é fiel ao que prega.

  8. Vagalume do Brejo

    28 de dezembro de 2016 10:49 pm

    Antonio o socialista?

    Esse cara é muito perigoso. Ele é um psicopata!

    O fato do texto começar sitando antônio cândido é tão ardiloso que chega a ser violento. 

    Trabalhando junto com o tucanato e os demos da vida, acompanhando armínio fraga em articulações gastronômicas em pleno golpe de estado. 

    Não deixa algemar Dani Dantas e nem que o gravem a revelia, tem xilique. Mas quando a PRESIDENTE DA REPUBLICA é literalmente atacada por um agente estrangeiro com a ajuda da maior corporação de comunicação do pais, faz cara de paisagem.

    Não preciso continuar, vocês  conhecem este sujeito, sabem de sua moral volátil.

    O Antônio Cândido é o Malwere, é a armadilha colocada no texto. Sua citação não tem a menor relação com o assunto. É o sinal da psicopatia deste pavão, e de seus colegas de confabulação. Talvez tenha algum sociólogo nesta estratégia, seria muito provável, já que sitou um. Por sinal um de esquerda, um que disputou sua cadeira na universidade com o também intelectual de esquerda e socialista, Oswald de Andrade. Pessoas com teses e teorias que destoam completamente da postura deste verdadeiro coronel do século XIX!

    Tenta nos convencer que ele entende o que disse Cândido, porem atua de maneira diametralmente oposta. Cita o morto para embasar seu argumento torto e ao sabor dos desejos dos donos do BRAZIL S.A. sem que o defunto posa se defender!

    Estupra a sabedoria dos intelectuais do pais, zomba da lama que o povo vive e como provindo de uma casta de Brahmanes não se preocupa em ter sua cabeça no lugar.

    Fico abismado com tudo isso, realmente beira a ficção, mas não.

    Talvez do vírus possamos criar anti corpos.

    Precisamos acordar do torpor do medo do conflito para reagir e expor estas mascaras.

    “Mal Sapão, mal Sapão…”

  9. Cesar Cardoso

    28 de dezembro de 2016 10:53 pm

    Gilmar Mendes não é juiz. Gilmar Mendes é político.

    Gilmar Mendes é um político formado em Direito e que foi para o STF fazer política. Não é por acaso que Gilmar Mendes é o ponta-de-lança da reação dos políticos contra a Lava-Jato (o Grande Acordo Nacional do qual Romero Jucá falava). E não vai ser a última de Gilmar Mendes contra juízes e procuradores.

  10. Delano Williams

    28 de dezembro de 2016 11:47 pm

    E ainda assim é o único que
    E ainda assim é o único que tem tido culhões pra enfrentar essa canalhice,e sabemos bem o quanto esse sujeito é canalha mas enfrenta qualquer parada pra proteger seus amigos e seus interesses. No caso em questão ele tá certo, ainda que isso sirva para tirar da reta de serem os próximos alvos seus amigos do psd corrupto golpista.
    Acabar com os super salarios, as aposentadorias a blindagem de intocável dos abusadores no judiciario, essa que uma de muitas sujeiras do judiciário podre antinacional, o reduto de marajás, já era mais do que na hora.

  11. lenita

    29 de dezembro de 2016 12:46 am

    Falou …

    O defensor dos pobres , oprimidos, descalços, descamisados e nús. Desde que sejam do PSDB, logicamente.

    1. Ricardo Homrich

      5 de janeiro de 2017 1:52 pm

      E ele deu a dica para ninguém
      E ele deu a dica para ninguém errar.

      “em detrimento dos que necessitam de políticas publicas corajosas e eficientes”

      Defesa dos empresários. Ele é empresário
      Não é em detrimento.

  12. Rui Ribeiro

    29 de dezembro de 2016 6:31 am

    gigi dantas, o cão de guarda do tucanato e do renan

    O Moro é o cão de guarda dos Tucanos também. Mas os dois juízes disputam encarniçadamente o reconhecimento nas abas do ninho tucano, prá ver quem mostra mais serviços sujo que beneficiem os tucano na sua luta anti-democrática pelo poder, que eles usam contra o povo brasileiro, a quem eles chamam de caipiras vagabundos, enquanto os danadinhos todos se aposentam cedo com salários nababescos.

    São uns cagões; Toda essa elite sanguessuga e seus lacaios, sem exceção

  13. Rui Ribeiro

    29 de dezembro de 2016 8:03 am

    Quem fala pelos cutuvelos é porque não tem nada a dizer

    O Idiota que tagarela demais acaba por dizer verdades em 1% das suas aderbalices; Até relógio parado marcam a hora certa duas vezes por dia. O Gil Dantas Caxoeira tem razão

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