
Jornal GGN – Morreu na noite de ontem, sexta-feira (12), o escritor e compositor mineiro Fernando Brant. Ele era famoso, entre outras coisas, pela composição de Travessia, imortalizada por Milton Nascimento.
Faleceu de complicações em uma cirurgia de transplante de fígado. Ele tinha 68 anos.
Do O Tempo
Morre Fernando Brant, escritor e compositor mineiro
Por Nathália Lacerda
Em 1967, Milton conseguiu convencer o então hesitante Brant a escrever sua primeira letra. Era “Travessia”, composição que, no mesmo ano, ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro

Morreu às 21h20 desta sexta-feira (12), aos 68 anos, no Hospital das Clínicas, o jornalista, escritor e compositor mineiro Fernando Brant, depois de complicações em uma cirurgia de transplante de fígado.
O velório acontece neste sábado (13), no cemitério do Bonfim. O sepultamento está marcado para o fim da tarde. Segundo familiares, a intenção é que amigos, músicos e artistas que moram em outras cidades tenham tempo para se despedir.
Fernando Brant estava internado no Hospital das Clínicas da UFMG desde segunda-feira, quando se submeteu a um primeiro transplante. Após uma semana internado, ele teve que ser submetido a um segundo procedimento, mas não resistiu. Ele já havia se submetido a outra cirurgia, há dois anos, para a retirada de um tumor no órgão.
De acordo com a filha, Ana Luiza Brant, 39, a equipe médica deu toda a assistência. “Fomos muito bem tratados. Ele entrou para sala de cirurgia super confiante”, disse. O compositor deixa três filhos: duas mulheres de 39 e 37 anos respectivamente, e um rapaz de 25 anos, além de dois netos e a esposa. O velório será aberto ao público.
Fernando Brant é de uma família de 10 filhos, seis homens e quatro mulheres. Ele é o primeiro a morrer.”É uma perda tão grande. Vamos demorar para assimilar a morte do meu irmão. Ele veio fazer o transplante andando, sorrindo. Vai ser uma ausência muito dolorosa. Era uma pessoa muito especial, única”, diz a irmã Vina Brant, 50 anos.
Clube da Esquina:
No início dos anos 60, Fernando Brant conheceu o amigo Milton Nascimento. Em 1967, Milton conseguiu convencer o então hesitante Brant a escrever sua primeira letra. Era “Travessia”, composição que, no mesmo ano, ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, funcionando como o estopim da carreira de sucesso de Milton. Em 1969, conseguiu trabalho como jornalista na revista “O Cruzeiro”.
Nesse mesmo ano, em Belo Horizonte, Brant e os amigos começaram a articular o projeto que se tornaria o Clube da Esquina. A parceria com Milton, Lô Borges, Tavinho Moura e outros membros do Clube mostrou-se muito produtiva, gerando mais de 200 canções, entre as quais há clássicos como “San Vicente”, “Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)”, “Ponta de Areia”, “Maria, Maria”, “Para Lennon e McCartney”, “Canção da América” e “Nos Bailes da Vida”, entre muitas outras.
Fernando Brant gravou um depoimento para o Museu do Clube da esquina contando sobre seu envolvimento com o grupo:
https://www.youtube.com/watch?v=Mr6CjRIsMrY height:394]
Complicações clínicas:
Fernando Brant foi diagnosticado com câncer no fígado há três anos, e foi submetido a uma cirurgia para retirada do tumor. No entanto, novos tumores foram descobertos este ano. Os médicos aconselharam o transplante.
A cirurgia ocorreu na segunda-feira quando ele recebeu um novo órgão, vindo de um doador de 15 anos.
Já na terça-feira, uma das artérias do fígado entupiu, necrosando o órgão e liberando toxinas no organismo. Os médicos então decidiram submete-lo a um novo transplante, após a localização de um outro doador. No entanto, o músico não resistiu ao novo procedimento e morreu na noite dessa sexta-feira.
Primeira história:
No Livro “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, o autor Márcio Borges assim descreve o primeiro encontro entre Milton Nascimento, o Bituca, e Fernando Brant, apresentados por uma amigo em comum:
“Contaram e recontaram seus parcos trocados.Davam para duas cervejas e um ovo cozido. Bastante. Em torno dessa duas cervejas e do ovo cozido, dividido irmamente por Bituca (extraordinário!), os dois conversaram a tarde inteira e fizeram amizade. Fernando gostava de poesia, sabia de cor versos inteiros de García Lorca e Fernando Pessoa. Era sorridente e bem-humorado. Estava gostando muito de conhecer um músico, um compositor. Antes de se levantarem, Bituca perguntou:
– E você escreve?
– Escrever o quê? Contos, essas coisas?
– Você escreve poemas como os que acabou de recitar?
– Eu nunca escrevi nada
– Então vai ter que escrever.
Assim, combinaram de se encontrar outro dia para tentar realizar a tal empreitada. Nenhum dos dois sequer poderia imaginar as estupendas conseqüências daquele encontro casual, que fizera cruzar a linha de suas vidas.
Escute algumas de suas composições mais importantes:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=t9b3QzemYZM?list=PLZTBf_V6nUXGfc-fTxmlOt9FfgOWDpKg7 height:394
Personalidades lamentam perda nas redes sociais:
“Meus sentimentos à familia desse grande e querido parceiro e amigo, Fernando Brant”
– Lô Borges
“Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coraçao Fernando Brant, parceiro querido de tantas belas cancoes, partiu em sua travessia para outra vida. Um menino, um moleque morando sempre em nosso coração…”
– Vermelho, do grupo Quatorze Bis
“Estou chocado com a morte do cantor, quem ele respeitava e via como um símbolo da música brasileira. “É muito significativa a presença dele na música brasileira. É difícil falar. Ele deixou uma história muito bonita. Participei recentemente, ao lado de Brant, na releitura da música Travessia, gravada em conjunto com os músicos Felipe Fantone e Lenis Rino, em coletânea produzida em homenagem a Milton Nascimento. Para mim é um marco especial da minha vida ter feito essa releitura de Travessia. É muito simbólico para mim em todos os sentidos”.
– Pedro Morais
“Foi embora não só um super compositor, um parceiro, um amigo e uma referência para toda a minha geração. Faltam palavras e sobra tristeza. Obrigado por tudo Fernando Brant”.
– Flavio Henrique, cantor e compositor, via Facebook
“Forte eu sou mas não tem jeito , hoje eu tenho que chorar…..foi-se mais que o autor de uma das músicas mais lindas da historia desse país…na sua Travessia Fernando Brant.”
– Ronaldo Fraga, estilista, via Facebook
“Acabo de ficar sabendo da morte do compositor Fernando Brant. Acho que vamos levar um tempo pra entender o que isso significa pra música brasileira. Tínhamos várias discordâncias ideológicas, já discutimos mais de uma vez por desavenças relativas à legislação de direitos autorais e ao sistema de arrecadação, mas eu sempre reconheci e me inspirei no seu trabalho como letrista e como um dos articuladores do Clube da Esquina. Ficamos todos mais tristes aqui hoje!”
– Makely Ka, cantor e compositor, via Facebook
“Porque a vida é feita de Encontros e Despedidas. Meu querido tio, que fez do meu pai América Mg Futebol e consequentemente me fez também. Como diria vc, ainda continuo com a estranha mania de ter fé na vida. Mande notícias do mundo de lá…. saudades eternas”
– Ana Clara Brant, jornalista e sobrinha de Fernando Brant, via Facebook
“Foi com profundo pesar que recebi a notícia da morte do amigo e compositor mineiro Fernando Brant. Eu e minha família nos solidarizamos com o seus familiares e amigos.”
– Nilmário Miranda, Secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social do Estado de Minas Gerais, via Facebook
“Triste ao saber da morte de Fernando Brant , gigante da poesia do Brasil, homem gentil e generoso. Ontem mesmo aqui na Australia falavamos do clube da esquina. sad to hear about the death of Fernando Brant, giant of brazilian poetry, gentle and generous man.”
– Alda Resende, cantora, via Facebook
“Ainda estupefato pela notícia, acaba de morrer o mais importante letrista mineiro …Fernando Brant … Triste 2015 …”
– Pablo Castro, cantor e compositor, via Facebook
“Acabo de receber a notícia da morte do meu querido amigo Fernando Brant. Fernando foi, durante décadas, um grande companheiro. Partilhamos os mesmos sonhos de Minas e de Brasil. Estivemos juntos em muitas lutas e partilhamos as mesmas esperanças. Grande poeta. Grande brasileiro.
Com muita tristeza, faço silêncio nesse momento, manifestando a minha homenagem e enviando, com emoção, o meu abraço à sua família, ao Roberto, ao Paulo e aos amigos do Clube da Esquina.
Essa é a imagem do meu último encontro com o grande mineiro, ocorrido em Belo Horizonte, há algumas semanas.”
– Aécio Neves, senador
“Passei uma semana em Diamantina, a cidade para onde Fernando Brant (nascido em Caldas) se mudou, aos cinco anos, ouvindo e cantando aquelas belezas todas que ele criou com Milton e seus outros parceiros. Estou desolado.”
– Ricardo Aleixo, poeta
“Meu amigo e parceiro Fernando Brant esse diamante de Minas Gerais agora é uma estrela!!!Há-de-o!!!Travessia”
– fala do violonista Gilvan de OIiveira através do WhatsApp.
“Morreu Fernando Brant, pai de Travessia, uma das mais belas letras da nossa música popular brasileira.”
– Padre Fábio de Melo, pelo Twitter
Enviado por Walter Decker
Do UOL
Fernando Brant, um dos integrantes do Clube da Esquina, morre aos 68 anos
O jornalista e compositor Fernando Brant morreu nesta sexta-feira (12) aos 68 anos, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Brant foi parceiro de Milton Nascimento e Lô Borges e integrou o Clube da Esquina nos anos 70.
O compositor morreu em decorrência de problemas no fígado após ter se submetido a um transplante do órgão na terça-feira passada (2). O novo fígado foi rejeitado pelo corpo e ele passou por uma outra cirurgia na sexta-feira (5), mas não resistiu.
Fernando compôs com Milton Nascimento mais de 200 canções, entre elas clássicos como “Travessia”, “Maria, Maria”, “Planeta Blue”, “Promessas do Sol” e a letra da versão em português de “Canção da América”.
Nas redes sociais, o senador Aécio Neves lamentou a morte do compositor. “Fernando foi, durante décadas, um grande companheiro. Partilhamos os mesmos sonhos de Minas e de Brasil. Com muita tristeza, faço silêncio nesse momento, manifestando a minha homenagem e enviando, com emoção, o meu abraço à sua família, ao Roberto, ao Paulo e aos amigos do Clube da Esquina”.
Fernando Brant deixa duas filhas, Isabel e Ana Luisa e um filho, Diógenes. Ele também deixa dois netos e a mulher Leise.
Odonir Oliveira
13 de junho de 2015 11:37 amEm memória de Fernando Brant, poeta da canção, por Jair Fonseca
[video:https://www.youtube.com/watch?v=jdHTbkrj5eg%5D
“Descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da
Panair”
Encontros dos quais só temos de nos orgulhar e agradecer a cada dia mais
Esse é um deles.
Que gênios, que poesias, que melodias, e que vozes coroando toda essa genialidade.
Também eu ” Descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair”
Muitos que ouvem essa letra, por exemplo, nada sabem dos tempos da falência da Panair, de suas intercorrências, enfim, “dos dias que eu vivi”.
Fernando Brant, obrigada por isso também !
[video:https://www.youtube.com/watch?t=85&v=FeSwpP6JRK0%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ds2SiN28uvY%5D
Select ratingRuimBomMuito bomÓtimo Excelente
Odonir Oliveira
13 de junho de 2015 11:43 am“San Vicente”
[video:https://www.youtube.com/watch?v=FeSwpP6JRK0%5D
Lionel Rupaud
13 de junho de 2015 11:52 amM…!
Estou de saco cheio dessa p… de c…., palavra maldita que ataca tanta gente querida.
Mais um irmão que eu não conheço pessoalmente que se vai.
Vou passar o dia ouvindo suas letras definitivas, que foram algumas das coisas mais bonitas que entendi quando comecei a entender essa linga portuguesa tão bonita.
lucianohortencio
13 de junho de 2015 12:00 pmPaz e luz na TRAVESSIA!!!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=bMf6rLG_RK4%5D
lucianohortencio
13 de junho de 2015 12:16 pmTravessia – Orquestra Tabajara
[video:https://www.youtube.com/watch?v=tHY5T0IAqx0%5D
Fernando J.
13 de junho de 2015 1:06 pmFernando Brant e Tavinho Moura
O Google ajudou a recuperar a data. A primeira e única vez em que vi Fernando Brant foi dia 25.06.2012, no show com o Tavinho Moura, num local improvável (SESC Carmo), num dia improvável, uma segunda-feira, para uma platéia improvável de não mais do que 30 pessoas. Fez a letra de Travessia com 20 anos! É o primeiro do Clube da Esquina que se vai.
Cris Kelvin
13 de junho de 2015 1:55 pmNos bailes dessa vida
Brant deixa o movimento,
a paixão e fé na estrada
à travessia do tempo.
Dos Gerais a essa mesa,
lembrando o que já foi,
vemos da ponta da areia
o que foi feito do amor.
Aquele verso, o menino
que ouviu continua a cantar
Pedro Rinck
13 de junho de 2015 2:08 pm“Ao lado da mãe, Inês Maria,
“Ao lado da mãe, Inês Maria, do senador eleito pelo PSDB, Antonio Anastasia, do governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), e de lideranças políticas de todo o país, além do compositor Fernando Brant, do cantor Raimundo Fagner, da dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, e dos atores Milton Gonçalves e Cláudia Rodrigues, Aécio agradeceu “do fundo do coração” a presença dos milhares de apoiadores no último ato político de sua campanha.” Do psdb.
Jair Fonseca
13 de junho de 2015 7:32 pmE daí?
E daí que Fernando Brant apoiou o Aécio? Sua família tinha ligações com os tucanos.E ele tinha direito de apoiar quem quisesse, como qualquer pessoa. Aliás, apoiou Patrus na prefeitura de BH e participou de seu governo na área da cultura, a convite dos petistas. A patrulha não perdoa nem recém-falecido, mesmo sendo gente boa e um dos melhores letristas brasileiros.
lenita
13 de junho de 2015 2:28 pm“Forte eu sou, mas não tem
“Forte eu sou, mas não tem jeito, hoje tenho que chorar”. Fernando Brant, um dos maiores poetas brasileiros. Meus sentimentos a toda a sua grande família e a todos os seus grandes amigos.
pedro lorençon
13 de junho de 2015 2:59 pmRaça
Esta música, de Fernando Brant e Miton Nascimento ( letra e música respectivamente) sempre me inspirou nos momentos mais difíceis. Pena que não teremos o grande Fernando em nosso meio. Lamento muito a sua passagem.
anarquista sério
13 de junho de 2015 3:52 pm1 04 da matina ela
1 04 da matina ela escreveu:
Mara L. Baraúna
Morre Fernando Brant, escritor e compositor mineiro
sab, 13/06/2015 – 01:04
Então ela merecia o crédito
Até a foto é a mesma.
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Mara L. Baraúna
Morre Fernando Brant, escritor e compositor mineiro
sab, 13/06/2015 – 01:04
Morre Fernando Brant, escritor e compositor mineiro
Em 1967, Milton conseguiu convencer o então hesitante Brant a escrever sua primeira letra. Era “Travessia”, composição que, no mesmo ano, ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro
De Nathália Lacerda
De O Tempo
Morreu às 21p0 desta sexta-feira (12), aos 68 anos, no Hospital das Clínicas, o jornalista, escritor e compositor mineiro Fernando Brant, depois de complicações em uma cirurgia de transplante de fígado.
O velório acontece neste sábado (13), no cemitério do Bonfim. O sepultamento está marcado para o fim da tarde. Segundo familiares, a intenção é que amigos, músicos e artistas que moram em outras cidades tenham tempo para se despedir.
Fernando Brant estava internado no Hospital das Clínicas da UFMG desde segunda-feira, quando se submeteu a um primeiro transplante. Após uma semana internado, ele teve que ser submetido a um segundo procedimento, mas não resistiu. Ele já havia se submetido a outra cirurgia, há dois anos, para a retirada de um tumor no órgão.
De acordo com a filha, Ana Luiza Brant, 39, a equipe médica deu toda a assistência. “Fomos muito bem tratados. Ele entrou para sala de cirurgia super confiante”, disse. O compositor deixa três filhos: duas mulheres de 39 e 37 anos respectivamente, e um rapaz de 25 anos, além de dois netos e a esposa. O velório será aberto ao público.
Imagens históricas de Fernando Brant
Fernando Brant é de uma família de 10 filhos, seis homens e quatro mulheres. Ele é o primeiro a morrer.”É uma perda tão grande. Vamos demorar para assimilar a morte do meu irmão. Ele veio fazer o transplante andando, sorrindo. Vai ser uma ausência muito dolorosa. Era uma pessoa muito especial, única”, diz a irmã Vina Brant, 50 anos.
Clube da Esquina:
No início dos anos 60, Fernando Brant conheceu o amigo Milton Nascimento. Em 1967, Milton conseguiu convencer o então hesitante Brant a escrever sua primeira letra. Era “Travessia”, composição que, no mesmo ano, ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, funcionando como o estopim da carreira de sucesso de Milton. Em 1969, conseguiu trabalho como jornalista na revista “O Cruzeiro”.
Nesse mesmo ano, em Belo Horizonte, Brant e os amigos começaram a articular o projeto que se tornaria o Clube da Esquina. A parceria com Milton, Lô Borges, Tavinho Moura e outros membros do Clube mostrou-se muito produtiva, gerando mais de 200 canções, entre as quais há clássicos como “San Vicente”, “Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)”, “Ponta de Areia”, “Maria, Maria”, “Para Lennon e McCartney”, “Canção da América” e “Nos Bailes da Vida”, entre muitas outras.
Fernando Brant gravou um depoimento para o Museu do Clube da esquina contando sobre seu envolvimento com o grupo:
Complicações clínicas:
Fernando Brant foi diagnosticado com câncer no fígado há três anos, e foi submetido a uma cirurgia para retirada do tumor. No entanto, novos tumores foram descobertos este ano. Os médicos aconselharam o transplante.
A cirurgia ocorreu na segunda-feira quando ele recebeu um novo órgão, vindo de um doador de 15 anos.
Já na terça-feira, uma das artérias do fígado entupiu, necrosando o órgão e liberando toxinas no organismo. Os médicos então decidiram submete-lo a um novo transplante, após a localização de um outro doador. No entanto, o músico não resistiu ao novo procedimento e morreu na noite dessa sexta-feira.
Primeira história:
No Livro “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, o autor Márcio Borges assim descreve o primeiro encontro entre Milton Nascimento, o Bituca, e Fernando Brant, apresentados por uma amigo em comum:
“Contaram e recontaram seus parcos trocados. Davam para duas cervejas e um ovo cozido. Bastante. Em torno dessa duas cervejas e do ovo cozido, dividido irmamente por Bituca (extraordinário!), os dois conversaram a tarde inteira e fizeram amizade. Fernando gostava de poesia, sabia de cor versos inteiros de García Lorca e Fernando Pessoa. Era sorridente e bem-humorado. Estava gostando muito de conhecer um músico, um compositor. Antes de se levantarem, Bituca perguntou:
– E você escreve?
– Escrever o quê? Contos, essas coisas?– Você escreve poemas como os que acabou de recitar?– Eu nunca escrevi nada– Então vai ter que escrever. Assim, combinaram de se encontrar outro dia para tentar realizar a tal empreitada. Nenhum dos dois sequer poderia imaginar as estupendas consequências daquele encontro casual, que fizera cruzar a linha de suas vidas.
Veja mais aqui:
Escute algumas de suas composições mais importantes:
Personalidades lamentam perda nas redes sociais:
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Mara L. Baraúna
14 de junho de 2015 5:25 amMuseu Clube da Esquina
Tô chegando agora, vi a publicaçãoe achei que outras pessoas poderiam ter tido a mesma ideia de divulgar a triste notícia. Mas é isso mesmo, você tem razão, anarquista sério, eu postei logo assim que eu soube.
Viva Fernando Brant!!
Vai aí tudo sobre o movimento, o Museu Clube da Esquina
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Nilva de Souza
13 de junho de 2015 8:55 pmSem palavras!
Sem palavras!
Jair Fonseca
14 de junho de 2015 12:20 am“Já não quero mais a morte”
As últimas participações poético-musicais de Fernando Brant foram com as jovens do ótimo trio vocal Amaranto, e o músico Geraldo Vianna. Seguem alguns desses momentos.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=7nrI8w3ZiqQ%5D
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[video:https://www.youtube.com/watch?v=j-WkthL742U%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ueL8cOjm2IA%5D
jc.pompeu
15 de junho de 2015 1:07 am[…]”Muitos dias depois
[…]
“Muitos dias depois Tubi ainda chorava a morte do Mangarito, e mais ainda quando se lembrava dele sendo arrastado para debaixo do angico, os homens puxando com força, gritando uns com os outros e rindo sem respeito, como se estivessem arrastando uma pedra ou um pedaço de pau, e o pobre do Mangarito raspando o pelo nas pedras e gravetos, largando chumaços de cabelos pelo caminho e se sujando de terra.
Uma tarde, já quase de noitinha, Belmiro chamou Tubi para visitar o Mangarito debaixo do angico. A mãe não gostou, o menino ainda estava tão choroso; Belmiro percebeu a desaprovação e fez sinal pedindo que deixasse.
Quando pisou distraído a terra fofa do lugar onde estava o Mangarito, Tubi caiu no choro.
– Se eu fosse você não chorava – disse Belmiro alisando a terra com o pé.
– Eu gostava dele.
– Eu sei. Por isso mesmo é que você não deve chorar.
– Eu choro porque sinto falta dele. Nunca mais vou ver ele.
– Aí é que está. Você chora porque está pensando mais é em você. Ele também não vai ver você, e aposto que não está chorando.
– Mas ele morreu. Como é que ia chorar?
– Você tem certeza de que ele morreu? Quem é que garante?
– Então não morreu? Não foi enterrado? – disse Tubi quase indignado.
– Aí é que está. Pare de chorar e enxugue esses olhos que eu vou explicar como é que entendo a situação. Para todo mundo ele morreu. Parou de respirar, de mexer, foi enterrado. Isso é o que todo mundo diz. Mas eu acho é que ninguém morre. Quando dizemos que uma pessoa, ou um bicho, morreu, o que aconteceu foi que mudou de morada. É assim, ó – e riscou uma linha no chão com um graveto.
– Esta linha é a divisa. De um lado os que a gente diz que morreram, de outro os que estão vivos. Quando a pessoa, ou o bicho, passa de um lado para o outro, dizemos que morreu. Mas quem é que sabe qual é o lado dos vivos, e qual o dos mortos? Para nós, que estamos do lado de cá, é o lado de lá; mas para eles deve ser o lado de cá. Quando uma pessoa atravessa a linha, morre de um lado mas nasce de outro. Você entendendo isso vai ver que quando Mangarito morria de cá, nascia de lá. E você vai chorar só porque o seu cavalo mudou de morada? Tem cabimento isso?
Tubi pensou, quis se entusiasmar mas ficou na dúvida, perguntou se o Mangarito quando nasceu do outro lado nasceu pequenininho, se precisava mamar de novo, se nasceu sabendo marchar ou se tinha esquecido, se ia ter saudade do Amanhece e dele, Tubi. Belmiro ia ouvindo e respondendo de maneira a sossegar o menino e fazê-lo esquecer o choro.
– Então quer dizer que de verdade ninguém morre – disse Tubi afinal.
– É isso mesmo. Vejo que você já entendeu.”
Trecho do conto Na Estrada do Amanhece do livro A Estranha Máquina Extraviada, de José J. Veiga. Ed. Bertrand Brasil, 2010.