
por Beatriz Carla dos Santos
“Enquanto a sociedade estiver fundada sobre a injustiça, as leis terão por função defender e sustentar a injustiça. E parecerão tanto mais respeitáveis quanto mais injustas forem.” [1]
Após golpear um governo tendente a convicções de esquerda, os manifestantes patriotas circundados de discursos vagos e ociosos, diante da hodierna gerência (ilegítima) de um executivo faltosa e degenerado, avança omissa, desempenhando gloriosamente seu papel letárgico.
Porquanto, a classe média, dinastia oprimida (apesar de ainda não ter notado isso), patrocinada pelos meios de comunicação, em nome da expansão do capital, constrói e reafirma sua própria sujeição- o antes “sujeito de” direitos mínimos, torna-se o “sujeito à” passividade e alienação, consoante o que Foucault já prognosticava ao retratar os mecanismos disciplinares que arquitetam o homem dócil politicamente e útil economicamente.
Nessa toada, sobrevém o raciocínio desvelado por Marshall Berman, em sua obra “Tudo que é solido desmancha no ar”, segundo qual o potencial liberado pela revolução de acepção burguesa deixa de ser revolucionário para se tornar a própria preservação do modo de vida instituído.
A ordem burguesa é o que é, universal e absoluta, desta feita, a performance revolucionária burguesa não é outra coisa que o próprio desdobramento de si mesma. A lógica é a permanência do status quo, e, para tanto, foram traçados protestos (leia-se patos brancos batedores de panela com camisas da CBF), com intuito de alcançar um progresso relativizado – um ideal de levante que coincide com a própria retenção da ordem conservadora – eis a façanha tradicionalista: vislumbrar que o futuro nada mais seja que um reflexo piorado do presente.
Diante desse cenário calamitoso, o que esperar de um Direito que representa mais um instrumento servil do capital?! O que esperar de um judiciário que avança nulificando direitos básicos e chancelando uma ordem que promove o estado de caos e opressão?!
Embaraçoso comensurar o horror que ecoa da radical brutalidade regurgitada pelo firmamento jurídico, o tapa na cara, o tombo, o chute, o tiro. A anomalia tornou-se procedimento, à proporção que, violência hoje é sinônimo de prazer e autoafirmação do discurso que petrifica direitos mínimos e elementares. Nesse trilho, a impetuosidade que imobiliza uma autêntica resistência ante deliberações do judiciário, aniquila a própria acepção de cidadania e transforma palavras que sacam da garganta em inação.
A soberania jurídica, qual serve à cúpula de interesses opressores, impera na periferia, e da sua coroa escorre o vermelho do sangre do negro, do pobre, do estereotipado “marginal”. Doravante, o odor dos óbitos decompõe-se meio ao discurso que legitima a carnificina e compactua com o silêncio de um extermínio social.
A envergadura forense, como mecanismo descentralizado, feito encruzilhada, atravessa e disciplina o ser, ditando um horror que se consubstancia em legítimo, correto e justo, porque gerado de uma violência legalizada. Logo, desse raciocínio, materializa-se o entendimento de Deleuze:
“Os Stálins de pequenos grupos, os justiceiros de bairro, os micro fascismos de bandos… fizeram com que disséssemos que, para nós, o esquizofrênico era o verdadeiro revolucionário.”
Ora, Direito é um jogo , e, por vezes, um Jogo triste de se jogar, contudo, aos operadores do direito cabe acentuar que, mais triste ainda é consentir com esse placar, e anuir com a esterilização do pensamento. Nesse sentido, é necessário esclarecer: sua indiferença é inútil, sua mórbida recusa é inútil, e sua neutralidade não tem sentido nenhum. Já é hora de se perder a “elegância”, aterrar seu Vade Mecum versão 3000 mega hiper over máster plus, e, de veras, partir para o enfrentamento.
Beatriz Carlos dos Santos é advogada, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
Ivan Pedro
18 de novembro de 2016 7:00 pmFinalmente !
Um texto de primeira, desmascara o direito como deveria ser desmascarado: instrumento burguês, a serviço do poder econômico, contaminado por enorme hipocrisia e sob a orientação de uma (pseudo) metodologia ! É isso aí ! O direito se tornou isso (como campo de conhecimento, como sistema institucional, como prática forense, como ideal): um áulico do poder, e sob o comando de “operadores” (kkkkk) que são meros fantoches dos próprios interesses e dos poderosos a quem servem.
É o segundo texto que leio no blog (será que existem outros na internet ?) que propõe respostas ao sistema baseadas no enfrentamento. Em outras palavras — chega de conciliação ou da busca de mediadores “neutros”, pois ele servem à manutenção do status quo.
Depois deste texto, percebo que o caldeirão já ferve. Vamos ver quanto vai transbordar.
A autora está de parabéns !!!
anarquista sério
18 de novembro de 2016 8:24 pmNesta foto, Carmem Lucia
Nesta foto, Carmem Lucia parece Maria a Louca.
Leiam sobre ela.
É cultura FUNCIONAL.
Ao contrário de tantas ”culturas” inúteis.
Genaro
18 de novembro de 2016 10:07 pm“Poder” PODRE
O judiciário do
“Poder” PODRE
O judiciário do Brasil é parcial, hipócrita, lerdo (vagabundo) , perdulário, corporativista, midiatico, narcisista, procrastinador, elitista, escravocrata, sem conhecimento jurídico e CORRUPTO.
É o causador que perpetua a desigualdade social do Brasil.
Basta!!! fim desta excrescência, que tem como presidente uma figura bizarra e despreparada.
Reforma já!
Genaro
Carlos Alberto Freitas Lima
19 de novembro de 2016 11:56 amO MAIS CURIOSO É QUE A OAB VAI NO MESMO CAMINHO, NEM UIVA MAIS.
Não existe contraponto no desmantelar da constituição, a OAB nem uiva mais, juízes viraram arautos da língua e analises mirabolantes e espiritas arremete as leis ao lirismo poético da necessidade de atender o “hodierno” como disse a autora do texto. A justiça deixou a tecnicidade da lei e passou ser contemporânea do ilegítimo, ao “digitalismo” e “celebrismo” de redes sociais e mídia. Outro comentarista citou o narcisismo do judiciário, penso que ao olharem no espelho perguntam: espelho, espelho meu, existe algo mais injusto do que eu? E o espelho responde, não, vocês perguntam na mesma hora, assim não dá, assim não pode. Quebraram um país desse tamanho e desempregou seu povo em nome da lei, seria a lei do cão? Um juiz por força do cargo tem também que saber aplicar a lei, pois era possível prender toda essa turma sem quebrar o Brasil, más o ódio encrustado em suas mentes, e o poder que lhes colocam como reis de um olho só em terra de cegos, tornou o judiciário uma monarquia dentro do estado de direito, agem por decretos em causa própria.
Rui Ribeiro
19 de novembro de 2016 6:44 pmEspero que ocorra com eles o que aconteceu em Bogotá
Cê sabe o que aconteceu em Bogotá em 6 e 7 de novembro de 1985?
Espero que os juízes daqui mudem antes que o povo mude de atitude passiva