28 de setembro de 2026

Para destravar os investimentos públicos

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José Sarney fez a transição democrática; Fernando Collor a implosão do enorme burocratismo do regime militar; Fernando Henrique Cardoso a estabilização inflacionaria; Lula, a ampliação das políticas sociais.

Em seu primeiro governo, Dilma Rousseff tentou implantar a eficiência gerencial. Avançou em alguns pontos, esbarrou em outros e, a partir das marchas de junho de 2013, há uma impaciência no ar que será o motor para a próxima etapa do país.

Independentemente dos resultados, as próximas eleições consagrarão valores típicos de democracias maduras: exigência absoluta dos governantes resolverem problemas estruturais, a impaciência com problemas empurrados com a barriga, a intolerância com toda forma de utilização política da máquina.

Ninguém sai na frente dessa gincana, porque os três candidatos – Dilma, Aécio e Campos – tem virtudes e defeitos típicos da democracia brasileira. De longe, representam a melhor fatia da política brasileira. Mas ainda estão a léguas de distância da visão do dirigente ideal.

Um dos desafios estruturais do próximo presidente será resolver definitivamente os empecilhos burocráticos que atrapalham os investimentos públicos.

Há algum tempo Dilma criou uma nova instituição, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) para trabalhar essa questão fora das amarras burocráticas do Estado. Foi um avanço tipicamente juscelinista: criar uma organização exerna ao Estado, mas para coordenar as ações internas.

A EPL deu início a um trabalho relevante que precisará ser completado e aprofundado.

Grosso modo, o emperramento das obras públicas no país deve-se aos seguintes fatores:

1.     Falta de projetos.

Há dois problemas aí. O primeiro, a insuficiência do chamado Projeto Básico – que serve de base para a licitação. Depois da licitação vencida, prepara-se o Projeto Técnico, mais embasado. E aí surgem diferenças gritantes de custos não previstos no PB e não admitidos pelos Tribunais de Contas.

A EPL incumbiu o Instituto de Engenharia de São Paulo de organizar uma metodologia para o Projeto Básico. Com isso, reduzir-se-á parte dos problemas de licitação.

Outro problema é a carência de projetos tecnicamente embasados em estados e municípios. A Matriz de Responsabilidades da Copa destinou R$ 50 bilhões para obras de mobilidade urbana. Uma parcela mínima foi aproveitada, por falta de projetos na ponta.

Essa carência exigirá uma ação federativa – provavelmente capitaneada pela EPL. Será necessário a montagem de estruturas paralelas em cada estado, para absorver o conhecimento da EPL e transferir para os municípios.

Tem que se sair do lugar comum e recorrer à universidades e institutos de pesquisa para criar metodologias fáceis de serem implementadas – valendo-se de aplicativos de Internet. Há boas experiências a serem colhidas no Ministério da Educação sobre padronização e agilização de obras na ponta.

2.     Fiscalização.

Feita de afogadilho, para responder à reação política ao escândalo dos “anões do orçamento”, a Lei das Licitações 8666 amarrou toda a administração pública. Praticamente eliminou a competitividade das empresas públicas, dentre as quais as teles pré-privatização.

A metodologia quantitativa de fiscalização – contar os tijolos adquiridos para um conjunto habitacional, por exemplo, em vez do número de unidades construídas – tem que ser extirpada de vez.

O RDC (Regime Diferenciado de Contratação) permitiu acumular uma boa experiência. Os próprios quadros técnicos do TCU desenvolveram um conjunto de metodologias para avaliação qualitativa de políticas públicas – valiosas se permitirem alterar os critérios de fiscalização para avaliação de resultados, prejudiciais se utilizadas com propósito de impor o poder do TCU sobre os demais.

Abrindo-se uma discussão técnica com entidades de engenharia, construtoras, TCs, incluindo-se os conselhos de participação – devidamente munidos de ferramentas de Internet – poderá se resolver vez por todas esse imbróglio burocrático.

3.     Licenciamento

Também já existe uma ampla discussão permitindo avançar na agilidade do licenciamento sem perder sua eficácia.

Hoje em dia o meio ambiente e a questão indígena são empecilhos enormes à agilidade dos licenciamentos devido justamente à ausência de fóruns de participação que permitam ampliar o debate e, com isso, extirpar os exageros de lado a lado.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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29 Comentários
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  1. Francisco Antonio da Silva

    22 de junho de 2014 2:18 pm

    “Fernando Henrique Cardoso a

    “Fernando Henrique Cardoso a estabilização inflacionaria”; isto não é verdade e o Estado de Minas está quebrado pelo “xoque de jestão”. Não dá pra esconder esses fatos.

    1. Jurgen2010

      22 de junho de 2014 6:15 pm

      A Estabilização

       

      A estabilização econômica não foi feita pelo Itamar Franco?????

      Já que a análise foi feita pela gestão de Presidentes.

       

  2. Fabiana C.

    22 de junho de 2014 2:38 pm

    Nassif, o ex-presidente

    Nassif, o ex-presidente Fernando Collor seria este Estadista que o país precisa para remover estes entraves burocráticos. Como você escreveu anos atrás sobre as virtudes do Estadista Collor que modernizou o Brasil de forma irreversível. Estes ajustes que o país precisa, para dar o grande salto para se tornar um país moderno e justo, só Estadistas como Collor conseguiriam colocar o Brasil como uma das nações mais dinâmicas, do ponto de vista econômico e social. Os candidatos que se colocam no momento para disputar a presidência estão muito aquém das necessidades e da celeridade que a sociedade exige. A presidenta Dilma parece não ter mais fôlego, demonstra cansaço, impaciência, irritação e não tem a menor disposição em dialogar com a sociedade, haja visto o total desprezo para com os sindicatos e entidades representativas da sociedade. Os outros candidatos sem comentários.

    1. luisnassif

      22 de junho de 2014 2:42 pm

      Collor foi um desastre

      Collor foi um desastre político. Estadista tem que saber não apenas o quê, mas o como fazer.

      1. Fabiana C.

        22 de junho de 2014 2:52 pm

        Dilma também é um desastre

        Dilma também é um desastre político. Como você escreveu algum tempo atrás, nunca viu um governo tão hermeticamente fechado, ministros com pouca expressão e um centralismo absurdo da presidenta, com pouquíssimo diálogo com o Congresso Nacional e sindicatos.. Collor foi vítima de sua arrogância e do despreparo para o cargo, pois era jovem e extremamente voluntarista, não sabia dialogar com o Congresso, mas tinha visão extraordinária de futuro e implantou medidas fundamentais para o Brasil ser o que é atualmente. Mas hoje, com a experiência que adquiriu, poderia ser o grande Estadista que o país necessita para se tornar um grande player da economia internacional. O ex-presidente era extremamente pragmático e destemido, enquanto a presidenta Dilma é teimosa em muitos aspectos que travam o desenvolvimento do país e às vezes claudicadante para tomar decisões mais ousadas, como por exemplo, a troca da equipe econômica, que está a anos luz de entender o dinamismo da economia brasileira.

      2. Fabiana C.

        22 de junho de 2014 3:36 pm

        O estadista e o

        O estadista e o pusilânime

        LUÍS NASSIF
        O ESTADISTA E O PUSILÂNIME

        Derrubada a monarquia pela Revolução Francesa, a Assembléia Nacional Constituinte, dominada por jacobinistas xiitas, sem noção de país, ameaçava naufragar.
        Neste momento, surge Mirabeau. Com uma retórica explosiva, um jogo cênico excepcional e idéias claras e precisas sobre o futuro, em apenas dois dias ele define o novo regime político. Não apenas isso, como também prevê, naqueles dois dias mágicos, os desdobramentos futuros que acabariam liquidando o regime séculos mais tarde.
        Morreu poucos anos depois e foi enterrado no Panteão dos Grandes Homens da França.
        Século e meio à frente, descobriu-se que o grande herói francês era um estróina, um sujeito que brigara com o pai na adolescência, fora preso por inadimplência, sequestrara donzelas indefesas.
        Imediatamente teve início uma campanha na França –liderada por um intelectual cujo nome o tempo apagou–, visando tirar as cinzas de Mirabeau do túmulo dos Grandes Homens. O lema da campanha era: “todo grande homem é um virtuoso”.
        Quem garantiu a Mirabeau o descanso eterno foi um filósofo espanhol, Ortega y Gasset, que produziu um monumento do pensamento político –”Mirabeau e outros temas”–, relançado recentemente pela Editora Universidade Nacional de Brasília.
        A pusilanimidade
        As lembranças vêm a propósito da capa de uma revista semanal, enaltecendo os “Anos Itamar”. Sem negar as trapalhadas do presidente, a conclusão final é que virou virtude de Estado o fato de o medo de Itamar (felizmente) ter sido maior do que sua ignorância.
        Seu governo paralisou o processo de ajuste do Estado. Permitiu a quebra da Previdência e da Saúde. Estourou novamente os limites de gastos correntes do Estado. Perdeu completamente o controle dos salários das estatais. Interrompeu o processo de ajuste dos bancos estaduais. Permitiu a volta do endividamento circular do setor elétrico.
        Mas o presidente é um grande homem, porque sua timidez foi maior que seu desequilíbrio.
        Em seu ensaio, Ortega y Gasset desanca sem dó essa elegia das pequenas virtudes do homem comum –que ele denomina de as virtudes da “pusilanimidade”.
        Em contraposição aos “pusilânimes”, o espanhol traça o perfil definitivo dos estadistas. Não se espere que o estadista seja um homem virtuoso, diz ele. Os estadistas são homens de ação, basicamente inescrupulosos –no sentido de jamais permitirem que uma dúvida escrupulosa interrompa a ação.
        Escrúpulos é coisa de intelectual, é um álibi para a não-ação, diz ele. A única coisa que se pode exigir de um estadista é que se arrependa, mas só depois de ter completado a ação.
        Obviamente, não basta apenas a falta de escrúpulos. O estadista é um intuitivo genial, que define um modelo de país na cabeça e centra todas suas energias para concretizar seu objetivo. Ele trapaceia, mente, engana, alia-se ao diabo.
        Só é absolutamente íntegro quando entra em jogo o Estado.
        Megalomaníacos
        A grande acusação que se fazia a Napoleão é que ele era megalomaníaco. Claro que era –diz Gasset. O sonho de Napoleão era ser Napoleão. Não há nenhuma pessoa que, dispondo-se a mudar um Estado, não seja um megalomaníaco.
        Vai além. Em geral, os estadistas têm uma adolescência extremamente conturbada e polêmica. Todo estadista tem um fogo interno, um vulcão que só se materializa na maturidade, quando ele logra conquistar o poder.
        A visão elegíaca sobre o papel de Itamar é interpretada de maneira magistral por Ortega y Gasset.
        O estadista está distante, é grandioso, seu papel não é acessível a ninguém que não seja estadista. Já o homem comum… é comum. É fácil aceitar que um homem comum deu certo. O diferencial em relação aos demais foi a sorte, não o mérito. E isso conforta o crítico, permite-lhe tornar-se generoso, tratar seu objeto de crítica com a condescendência apenas possível em quem se considera maior que o criticado.
        Já o estadista incomoda. É dotado de grandes virtudes –e de enormes defeitos. Tudo nele é enorme, exagerado, ameaçador. Incomoda a diferença de estatura. Incomoda a perspectiva de sucesso –já que sua ânsia de poder sempre é ameaçadora. Incomoda a arrogância, a falta de limites.
        Só que estadistas forjam nações. E os pequenos virtuosos apenas pontificam com data marcada.
        É duro aceitar. Mais ainda pelo colunista, que foi alvo de perseguições pessoais por parte do esquema Collor. Mas o fato é que esse Brasil memorável, traçado pela revista, foi desenhado por Fernando Collor. O mesmo Collor megalomaníaco, arrogante, inescrupuloso, pouco criterioso que o país conheceu. Mas dotado de uma visão de futuro bendita porque –ao lado do processo de impeachment, fruto de seus enormes defeitos– permitiu mudar irreversivelmente o país.
        O mérito do pequenino Itamar foi apenas ter atrapalhado pouco a colheita –muito mais por conta dos pequenos defeitos da pusilanimidade (o medo da crítica) do que por convicções formadas.
        Apenas isso.

      3. joao

        22 de junho de 2014 4:14 pm

        Eta! Caramba um desastre politico?

         Então me explica como chegou à presidência da republica?

        Não vai me dizer que a mídia foi quem voto nele!

         Outro ponto, se não foi um jogo politico a eleição do Color, como ele executou e fez modificações. O plano econômico por si só foi uma aposta economica enfrentada contra o capital improdutivo a favor do produtivo.

         Um desastre politico, talvez, apos eleito contrariando os poderes estabelecidos, como importação livre de 500 dólares. Dilma foi à folha beijar os pés da mídia e Collor contrariou partindo para a briga politica. Comprar o congresso direto ou indiretamente todos faz com as verbas dos políticos e projeto nos estados ate hoje.

        Podemos dizer que ele era imaturo sim e não conhecia a politica. Inocente mais nunca um “não” estadista. Temo por isto.

         

  3. ROGÉRIO BARBOSA MACEDO

    22 de junho de 2014 2:45 pm

    Destravar investimentos públicos.

    Nassif.

    Parabéns por essa publicação. São muitos os temas que orientarão a campanha presidencial, mas, essa questão levantada por vc é, ao meu ver, de extrema importância.

    Eu que já passei pela experiência de trabalhar no Ministério das Comunicações sei bem o significado destas travas.

    Esse tema precisa ser mais explorado, mais debatido e, principalmente, precisa chegar aos lares das pessoas.

    Não adianta todos os candidatos, e a minha candidata, ter boas intenções se depois de vencer, não poder realizar.

    Por favor, leve este debate para uma série na TV também.

    Parabén!!!

  4. hc.coelho

    22 de junho de 2014 3:13 pm

    O nassif e o pig

    O desbalanço é tamanho entre os governos Dilma/Lula e os outros que o Nassif tenta relativizar para não parecer, não sei porque, talvez, chapa branca. Isto impede de dizer que o pt foi brilhante.

    Não adianta Nassif, o collor foi muito melhor que o fhc, e o Dilma/Lula é duzentas vezes melhor que todos os outros. O que “eles” conseguiram foi brecar o país de todo jeito e impedir um mínimo de progresso. Conseguiram parar o país usando esta linguagem idiota de macro economia e cambio que você as vezes repete. É a relaidade. O governo fhc foi o doce de côco de pig bandido e criminoso, que até agora chora seu retorno, o que dá bem a idéia do que ele foi.

    A Dilma estaria perdida no meio de tanto e tão bom que fez? O pac, as muita leis de valor que foram implantadas, o veio social autentico, etc, e avliação indiscutível do ódio que ela herdou do grupelho banquinho intolerante que segue a gobo, a fsp e a revistinha do esgoto? A copa do Lula/Dilma é o retrato do que diziam e do que há.

    O fato é que o nassif não pode dizer que o empresariado é covarde, preguiçoso e que deitou no colo do pig, e fica numa situação difícil. 

    A Dilma é brilhante, Nassif, e tendo que enfrentar este terrorismo do poderoso pig e do grupelho branquinho e intolerante.

    E o vazio do aécio e do campos? Enorme.

     

  5. renan araújo

    22 de junho de 2014 3:27 pm

    Caro Nassif,
    Você comete um

    Caro Nassif,

    Você comete um erro básico ao analisar  a máquina pública tão somente pela ótica da eficiência burocrática. Na verdade, o desenvolvimento da “burguesia brasileira” se deu através da combinação do binômio patrimonialismo/paternalismo, a máquina pública sofre com o fatiamento dos recursos entre a máfia/burguesia dos transporte, das empreiterias, dos especuladores, dos agiotas e a canalha burocrática subalterna. O TCE representa estes últimos, não são, a rigor, funcionários que cumprem a lei, mas burocratas que aplicam a lei com o devido rigor para os inimigos (governos desenvilvimentistas) e brandura para os aliados. 

    Meu caro, O TCE se pauta pela Revista Veja, Estadão, Folha de SP e O Globo, quando não, vaza informações sobre “corrupção” no governo federal para a mídia golpista. A tese a eficiência burocrática de Weber, nada tem a haver com a apropriação do Estado pela máfia/burguesia nacional. 

  6. Fabiana C.

    22 de junho de 2014 3:38 pm

    O fenômeno Collor
    LUÍS

    O fenômeno Collor

    LUÍS NASSIF

    Ainda há pouco distanciamento histórico para analisar em toda sua dimensão o fenômeno Collor. O tempo conspira a seu favor e nisso reside o nó na cabeça dos especialistas: a enorme dificuldade em admitir que uma pessoa com o passado violento e imoderado de Fernando Collor, proveniente de um dos estados politicamente mais atrasados do país, chefiando um exército de pigmeus inescrupulosos, tivesse a clarividência de definir um novo país –que gradativamente começa a se materializar.
    Como alguns outros analistas, criei cá para mim alguns álibis para não ter que encarar a questão de frente. O máximo que admitia era que Collor foi um fenômeno eleitoral –algo muito menor do que um fenômeno político– e que todos seus atos obedeceram exclusivamente a uma impulsividade irracional que, por vias tortas, conduziram o país às mudanças que agora começam a aflorar em toda sua intensidade.
    Visto assim, Collor representava apenas o fim de um modelo político que havia ficado tão irracional, a ponto de tornar-se autofágico, nas mãos de um louco varrido.
    Ou então, que o país estava pronto para a grande reforma e que Collor foi apenas o intuitivo que se antecipou um pouco ao que era inevitável.
    Mas era uma explicação muito simplista para o fenômeno. Os passos iniciais do governo –até que fosse destruído com o episódio Canhedo-Petrobrás– obedeciam a uma fria determinação, prejudicada, é verdade, por auxiliares medíocres a quem se confiaram tarefas claramente acima de suas possibilidades. Sem contar a enorme rapinagem conduzida por seu pessoal.
    Mas era tão clara e lógica que, bastaram alguns meses de governo Collor, para uma realidade política e econômica que se arrastava há anos ficar irremediavelmente velha da noite para o dia, obrigando a uma reformulação em todo pensamento nacional, inclusive do PT.
    Vicentinho, o maior fenômeno gerado pelo movimento sindical nos últimos dez anos, não teria aparecido como um cometa luminoso se, antes, as estruturas mentais e econômicas do pais não tivessem sido explodidas pelo furacão colorido, abrindo espaço para as câmaras setoriais e para uma nova postura sindical.
    Repito: é muito difícil avaliar o fenômeno, quando se tem tão viva a imagem dos pequenos ratos que o cercavam, a suprema humilhação que causaram ao país com sua falta de limites, jogando o amor-próprio nacional no fundo do poço.
    Mas não se consegue produzir a maior obra política individual que se tem notícia na história do país, simplesmente dando murros ao vento ou com mera intuição.
    Goste-se ou não (o colunista não gosta), mais que um mero fenômeno eleitoral, o personagem Fernando Collor foi um gênio político dos maiores. E a coluna está apenas antecipando, com todos os riscos inerentes a apresentar tais conclusões com as brasas da fogueira ainda vivas, o que vai ser reconhecido mais à frente.
    Valores morais
    Que a conclusão não provoque comentários tipo: se ele era tudo isto, significa que está-se defendendo PC, ou dizendo-se que todas as acusações contra ele eram falsas?
    Não é nada disso. Tinha todos os grandes defeitos apontados e o episódio político do impeachment foi tão relevante e pedagógico quanto seus discursos de modernização. Não se está fazendo o julgamento moral de Collor (o que o condenaria irremediavelmente), mas seu papel como homem de Estado.

    1. luisnassif

      22 de junho de 2014 4:31 pm

      O Estadista tem que ser

      O Estadista tem que ser entendido no tempo correto. Naquele momento, de sociedade civil desorganizada, sem partidos âncora, a impetuosidade dele ajudou a abrir caminhos – mas custou-lhe o pescoço. No quado atual, seria ineficaz. E seu discurso era o da liberalização, em um tempo que exige novos passos..

      1. Fabiana C.

        22 de junho de 2014 4:47 pm

        Mas a liberalização ocorreu

        Mas a liberalização ocorreu de forma gradual, com o fim da reserva de mercado da informática, um verdadeiro dinossauro na economia brasileira. Houve uma redução paulatina e programada na abertura da economia, dando maior previsibilidade para os setores envolvidos, como o automotivo, por exemplo. O que era a indústria automobilística antes do governo Collor? Agora, o ex-presidente, mais maduro e experiente, poderia vir com a bandeira da industrialização e do fortalecimento de setores arrasados com políticas desastrosas dos governos FHC, Lula e Dilma. E com certeza, o diálogo com a sociedade e com o congresso seria mais civilizado, fortalecendo o ambiente democrático do país. Agora, continuar andando a passos de tartaruga é que não dá, caso queira se tornar um país respeitado e competitivo.

  7. Assis Ribeiro

    22 de junho de 2014 4:07 pm

    O Post “Dilma lança

    O Post “Dilma lança plataforma para um “novo ciclo histórico de desenvolvimento”  destrava cada uma das afirmações e dúvidas de Nassif, assim espero.

  8. Aleandro chavez

    22 de junho de 2014 4:12 pm

    Talvez por medo de parecer

    Talvez por medo de parecer “moralista”, não foi citada a corrupção como um dos grandes problemas para destravar os investimentos públicos. A fiscalização é ineficiente e gera por si só um problema? Ok, pense-se outra solução. Mas não se esqueça o combate à corrupção como uma prioridade.

    1. luisnassif

      22 de junho de 2014 4:28 pm

      Tem um item inteiro sobre

      Tem um item inteiro sobre fiscalização.

      1. Aleandro chavez

        22 de junho de 2014 8:02 pm

        Pois é. Deveria ter um outro

        Pois é. Deveria ter um outro item inteiro sobre corrupção.

        1. Roberto L

          22 de junho de 2014 10:36 pm

          Fiscalização é o que combate
          Fiscalização é o que combate a corrupção!

          você a trata como um bruxa que precisa ser queimada, e depois disso tudo será resolvido!

  9. Assis Ribeiro

    22 de junho de 2014 4:15 pm

    Que sai na frente, sai.

    “Ninguém sai na frente dessa gincana, porque os três candidatos – Dilma, Aécio e Campos – tem virtudes e defeitos típicos da democracia brasileira. De longe, representam a melhor fatia da política brasileira. Mas ainda estão a léguas de distância da visão do dirigente ideal.”

    O distanciamento da análise personalística dos candidatos será o “novo” no jornalismo analítico.

    Não adianta pensar que o candidato, seja lá quem for, conseguirá com a sua self resolver os nossos problemas.

    Quando os analistas se deslocarem perceberão que o que faz mudar um país é a correlação de forças que dá sustentação para os passos dos nossos governantes.

    Essa correlação está muito deficiente e não correspondem aos anseios da população, daí que pelo mundo o descontentamento é representado pelas manifestações de ruas.

    Dilma e o PT saem na frente, sim. E a léguas de distância ao convocar o povo às ruas, ao promulgar o Decreto nº 8.243/2014, ao puxar para o debate a ideologia numa nítida percepção, além das manifestações, das necessidades de se quebrar as estruturas paralisantes.

    Essa burocracia que Nassif demonstra em seu post é um dos frutos amargos desse modelo paralisante.

    O loteamento irracional de cargos que atende tanto ao self dos políticos e a sua necessidade de mostrar prestígio quanto à interesses pouco republicano.

    Apenas a quebra desse modelo será suficiente para destravar o Brasil dessas amarras surgidas há muito tempo, desde a “casa grande e senzala”, que formou os nossos coronéis de antigamente e os novos em aparência remodelada, em outras palavras os donos dos partidos.

    1) No Brasil não faltam projetos. Eles existem e não deslancham por guerras de interesses setorizados, pela burocracia favorável a essa guerra de interesses e pelo excesso de etapas, inclusive as de cunho “sustentável” previstas e obrigatórias pela nossa Constituição Federal.

    2 e 3) Fiscalização e Lucenciamento.. Aqui Nassif explora, exatamente como no escopo do meu comentário, a estrutura paralisante e a burocracia a favor dela.

    Concluindo, quanto mais burocrático  mais a dificuldade de se modificar o status quo e as nossas forças ainda estão concentradas na “casa grande” o que acarreta a impossibilidade de se avançar essa nova etapa no Brasil.

    Quando todos falam na necessidade da reforma política e da reforma fiscal/tributária, debates que ocorrem há anos, e elas não saem do papel demostram de forma clara os empecilhos do nosso modelo travante de desenvolvimento.

    E que candidato e partido político reconheceu essa dificuldade e anunciou medidas de corrigir essa situação?

    Portanto, Dilma e o PT saíram na frente.

     

     

  10. Calvin

    22 de junho de 2014 4:33 pm

    Repetindo….

    Saídas para o Brasil:

    a) pacto federativo com algum esvaziamento da União, porém o contrário em relação à Educação (deve-se federalizar o nível fundamental).

    b) Extinguir 80 dos 90 impostos existentes, deslocando do consumo e renda para a herança/propriedade e valor agregado.

    c) inserir a indústria na cadeia global, via acordos bilaterais, livrando-se do mercosul se preciso for. Correr à frente em relação ao tório e ao grafeno, ao invés de esperar a China ir primeiro.

    d) Enxugar o Estado federal (fusão de órgãos, ministérios), redesenha-lo, e somente expandir aonde for estritamente necessário, não apenas no foco X aposentados contrata X pessoas. Um exemplo: porque as agências reguladoras tem cada uma sua área de TI, de contratos, de RH? Poderia haver uma agência reguladora federal com Presidente, e cada agência atual ter uma Vice Presidencia (VP de óleo e gás, VP de telecom, etc.)

    e) Bolsa família restrita ao vale do jequitinhonha, interior do norte e nordeste. Se o resto do sudeste e o sul ainda precisam disso, então fracassamos. Quem ainda quiser receber, poderia ser incentivado a migrar para onde existe a bolsa com o programa Minha Casa Minha Vida (que na realidade são os financiamentos da Caixa que existem desde sempre). Isso também ajudaria a diminuir o tamanho das metrópoles e sua favelização, além de interiorizar o mercado interno.

    f) Na segurança, aumento de pena a menores que pratiquem crimes hediondos mantendo-os afastados dos adultos, triplicar a defensoria pública e realizar anistia libertando todos os presos que cometeram pequenos delitos (furtos, brigas, tráfico em pequena quantidade, delito passional leve), para dar espaço aos criminosos soltos com mandado de execução.

    g) conversão do serviço militar obrigatório em formação técnica obrigatória nas forças armadas em diversas áreas.

    h) por fim, aprovar a reforma política com voto distrital misto, teto para contribuições (que não precisam ser proibidas a partidos, e sim a candidatos ou o PCC vira o maior financiador), unificação da eleição para cada 5 anos e fim da reeleição e da sobra de votos proporcionais. Também deveria ser facultativo, realizado às segundas-feiras, com dispensa de meio turno do trabalho prá quem for votar, e assim incentivar a participação.

  11. juarez.j.j.

    22 de junho de 2014 5:03 pm

    Essas matérias usando o nome

    Essas matérias usando o nome de Lula já encheram o saco.

  12. Marcelo Castro

    22 de junho de 2014 6:14 pm

    visões conceituais diferentes

    1- Não foi foi fhc quem viabilizou a estabilização inflacionária. Tremenda injustiça com Itamar Franco.

    2- Fernando Collor é o principal responsável pela atual desindustrialização brasileira e acabou com qualquer pretensão do Brasil potência tecnológica. A abertura econômica sem critérios de Collor matou no berço toda industria eletrica/eletrônica, acabou com até então vigorosa industria ferroviária ,desintegrou a industria quimica. Só sobrou a agro-industria.

    3- Os governos Lula/Dilma sempre correram atrás das politicas de desindustrialização de Collor e do neoliberalismo tresloucado de fhc. Dilma tem feito um bom trabalho visto que não luta apenas contra os efeitos economicos destas politicas, há todo efeito colateral cultural do neoliberalismo/desindustrialização. 

  13. Cesar Ferreira

    23 de junho de 2014 3:54 am

    Sem soluções a vista

    Tem que se sair do lugar comum e recorrer à universidades e institutos de pesquisa para criar metodologias fáceis de serem implementadas

    Existem dois paradigmas difíceis de quebrar. O primeiro é que burocracia se neutraliza criando burocracias alternativas. O segundo é que a academia é o reservatório de sabedoria da sociedade.

    Burocracia se diminui aumentando a eficácia e eficiência do sistema judiciário. A inter-relação não é óbvia, mas não é difícil de entender. Basta explicar que toda burocracia é em essência um mecanismo feito para evitar a ocorrência de uma irresponsabilidade enquanto o sistema judicial é feito para punir a irresponsabilidade ocorrida. Ou seja, não é a toa que no Brasil existe burocracia de mais e justiça de menos.

    Sobre a academia cabe lembrar um ditado… Quem sabe faz, quem não sabe, ensina. Ou seja, a academia pode ser o pior lugar para se buscar soluções práticas.

  14. Franklin Caetano de Freitas

    25 de junho de 2014 9:03 pm

    Não concordo.

    Não concordo com Nassif. Essa visão dele de por todos os candidatos no mesmo balaio é errada. A visão histórica de que “todos os presidentes tiveram seus méritos é correta”. Agora eu vivi todos esses períodos, esse do PT é o melhor disparado. No tempo de Sarney, Collor, Itamar e FHC eu mau me alimentava, não sobrava para ir ao cinema, comprava as piores roupas. De repente no governo Lula muda tudo isso, eu ,meus irmãos e amigos,  todos dão um salto. Hoje todo mundo tem carro zero, as pessoas viajam para o Brasil inteiro e tem emprego. Pois é, não sinto que todos aqueles governos se nivelaram como Nassif da a entender. A dimensão do Lula e da Dilma no poder está além do que o nobre jornalista pode perceber, talvez porque a vida do Nassif não mudou muito, ele vive em um nível que tanto faz o governo do momento. “Aqui na base da pirâmide o Lula e a Dilma fez muita diferença”. E os candidatos não são iguais não. A Dilma apesar de todos os seus erros tem compromisso com o povo pobre(eu me incluo), o Aécio e o Eduardo tem compromisso com o mercado, isso é o que mostra seus discursos pré-campanha.

  15. Alexandre Morais

    25 de junho de 2014 9:49 pm

    Para destravar os investimentos públicos

    Não acredito que a criação de novas instituições possa colaborar para uma melhoria no planejamento e gestão de projetos por parte do Estado. Basta apenas lembrar das agências criadas por FHC e analisar seu papel secundário.

    Mais importante seria definir uma burocracia mais eficiente, com um novo desenho do organograma federal, limitando a 15 ou 20 o número de ministérios, limitar o número de cargos comissionados, investir em TI, digitalizar arquivos existentes, substituir papelada por processos informatizados.

    Se temos que imitar Juscelino, deveriamos definir metas estruturantes, de preferência pelo Congresso Nacional, para que sejam metas de Estado e não de governo.

    Uma meta prioritária seria a mobilidade, com enfase no trasnporte ferroviário. Neste modal, prioridade para metrô, trens urbanos e transporte de cargas, trem bala só depois de atendidas estas necessidades mais prementes.

     

  16. Pedro Penido dos Anjos

    26 de junho de 2014 8:43 pm

    Os rios, quando desviados,

    Os rios, quando desviados, acabam sempre encontrando o caminho do próprio leito?

    Trata-se da refundação do PFP – o partido da fiesp paulistana?

    Ou é ou tardio ecoar de priscas origens udenistas?

     

  17. Mogisenio

    26 de junho de 2014 9:22 pm

    A análise foi sucinta e

    A análise foi sucinta e razoável.

    Mas, não posso deixar de comentar que  a sensação que se tem sobre essa e outras questões brasileiras é aquela de sempre: muita análise e pouca efetividade.

    Eu também penso que há “muita gente boa espalhada por esse Brasil que vai fazer desse lugar um bom país”, como já dito pelo  competente músico.  

    Todavia, a  impressão que se tem é  a de que não basta gente boa espalhada pelo brasil, pois  há um buraco profundo – uma espécie de caverna platônica –   que separa nossos projetos da realidade. Conclusão: projetos ficam no   papel  a começar pelo principal deles: a CR/88

    Neste projeto – CR/88 –  ainda  há programas que não saem do papel.

    As razões são várias e não creio que o problema seja apenas de  administração pública. Aliás, acho que esse é o menor problema, se é que é problema.

    Por isso, não penso que  se trata de mais reformas administrativas mesmo porque já tivemos várias, a começar pelo DASP dos anos 1930,  depois a dos  militares, depois com a própria CR/88 e ainda a do plano diretor etc.

    Em suma, apenas para contar uma historinha,  de maneira igualmente sucinta, começamos  com  aquele  namoro com a famosa   burocracia  para nos  livrarmos  do nosso terrível  patrimonialista da Silva. Resultado: Casamos em 1936  com a atraente burocracia.

    O tempo passou e diante de tanta falta de flexibilidade  não deu outra:  separamos judicialmente dela.( sem divórcio pois não tínhamos tal permissão).

    Todavia,  arrependemos profundamente.  

    Então, por volta de 1985 conhecemos uma pessoa muito interessante, de ótima família, mas que tinha um nome engraçado: ela se chamava democracia. Ela nos apresentou uma cidadã muitíssimo atraente e não teve outro  jeito,  casamos com a tal cidadã em 1988. Além de muito bonita, colocava ordem na casa. Deixamos de ser o único chefe de família.

    Ocorre que somos cabeças duras e mesmo com toda aquela  organização proporcionada pela  cidadã, mesmo diante de seu bom relacionamento com a democracia,   passamos a nos sentir preso de novo. Daí,  pulamos a cerca mais uma vez  em busca de uma  pessoa  atraente.  Eis que no chega, de novo, o Sr.  Patrimonialismo da Silva para nos apresentar a  Reforma Agency James.

    É certo que Mrs. Reforma Agency James   não era a velhinha de 1936 pois vinha de uma   outra família. Uma família inglesa muito importante. Diziam que tinha o pulso de ferro! Ficamos muitos orgulhosos!

    Então, chamamos um competente amigo para bolar um plano  que nos possibilitasse pular a cerca e pulamos.  Foi um aventura  e tanto!

    Note que  apenas pulamos a cerca pois não nos  divorciamos ainda da linda cidadã, vez que, no fundo, amamos aquela cidadã.

     

    E agora, depois desta longa trajetória de vida , depois de um casamento que já dura 26 anos, repleto de crises sim, mas ainda existente,  não podemos deixar que aquele sujeito , mais conhecido como Patrimonialismo da silva exacerbado individual natural atemporal Pereira, nos venha apresentar a irmã ou a prima da Mrs.  Reforma´s James Teacher  .

    Flexibilizar demais  , pulando cerca aqui, ali, acolá , não fará bem ao nosso casamento com  a lindíssima e ainda jovem cidadã de 1988.

  18. Pedro Henrique Brasileiro

    1 de julho de 2014 4:13 pm

    Texto dos Estadistas
    Excelente texto, só tenho uma correção. A UnB é federal é nacional mas a sigla significa Universidade e de Brasìlia.

  19. Ninguém

    5 de março de 2018 1:00 pm

    .

    .

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