Brasília – Um documentário feito para exaltar a nova capital do Brasil em plena ditadura militar mostrou também, nesse domingo (22) à noite, os problemas sociais que já se apresentavam à época e, por isso, foi proibido pela empresa patrocinadora. O filme, de 1967, e os problemas que retrata, foram apresentados ao público no documentário “Plano B”, de Getsemane Silva, durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A produção foi a mais bem recebida pelo público do Cine Brasília nesse domingo (22) à noite.
Muito aplaudido, o filme “Plano B” vai atrás de “Brasília, Contradições de uma Cidade Nova”, patrocinado por uma empresa de máquinas de escrever e, posteriormente, boicotado por ela. A única exibição que o filme teve em décadas foi no Cine Brasília, no Festival de 1967. Imediatamente após sua projeção, o rolo foi escondido para que os órgãos de censura não o confiscassem.
“Não era um filme patrocinado por editais ou pelo Estado. Foi patrocinado por uma empresa e essa mesma empresa proibiu o filme quando estava quase pronto, porque ele revelava os subúrbios escondidos de Brasília”, explica Silva. Segundo ele, a intenção de “Plano B”, além de expor mais um episódio da repressão dos anos 60 e 70 no Brasil, é mostrar como Brasília continua evoluindo no quesito desigualdade social. “Eu conto essa história para dizer que Brasília continua com os mesmos problemas. Hoje, apenas 8% da população do Distrito Federal moram no Plano Piloto. Ou seja, o mito modernista não existe por aqui”.
Passando pelo Cine Brasília na noite de domingo, o casal Paulo e Eliana Gobbi resolveu conferir um pouco do festival e não se arrependeu. “O filme resgata a história da capital e tem esse contraponto, de buscar o filme antigo. Ele mostra que as coisas só pioraram e que a postura dos políticos não muda ao longo dos anos”, disse Gobbi, que se mostrou positivamente surpreso com o filme. Eliana também gostou das críticas incluídas na obra. “Gostei muito desse filme. Ele resgata uma memória crítica e mostra que muitas coisas não se modificaram. Muito bom”.
Presente em “Plano B”, a equipe do documentário de 1967 relembra histórias da produção. O ator Joel Barcellos foi diretor de produção de Brasília, Contradições de uma Cidade Nova e contou à Agência Brasil que os “anos de chumbo” não lhe deram trégua. “Era de machucar o peito as coisas que eles faziam. Em 1968 e 1969, tive filmes e peças censurados. O [diretor italiano] Bernardo Bertolucci escreveu uma história para mim, me levaram para a Itália e livraram a minha cara. E é por isso que estou aqui agora, cheio de emoção”.
Edição: Graça Adjuto
Klaus BF
23 de setembro de 2013 8:19 pmBrasília hoje
Não assisti o filme, mas pelo que li retrata como a cidade foi concebida e como tem relação com o que é hoje. Quem mora aqui sabe que existe uma segregação muito evidente ainda que velada. Inclusive quem mora nas áreas nobres consegue até mesmo nesse micro universo segregar quem pode mais ou quem é mais, ainda que só nas aparências.