
Jornal GGN – Em artigo, o promotor de Justiça Antonio Alberto Machado aponta polêmicas na Operação Lava Jato, afirmando que é um “verdadeiro absurdo” que as delações premiadas sejam obtidas com a prisão ou ameaça de prisão. Para ele, quando a delação é conseguida através de tortura física e psicológica, “ela deixa de ser esponstêna e se transforma numa prova ilícita”, vedada pela Constituição.
Machado também critica a condução coercitiva do ex-presidente Lula, a prisão – e depois a revogação desta ordem por considerá-la “desnecessária” – do ex-ministro Guido Mantega, e também outros expedientes autorizados pelo juiz Sergio Moro, como o grampo no escritório de advogados de defesa.
Leia o artigo completo abaixo:
Enviado por Antonio Rodrigues
Do Avesso e Direito
Por Antonio Alberto Machado, promotor de Justiça de São Paulo
“HOJE, qualquer opinião que se emita sobre a operação Lava Jato – seja a favor seja contra, seja de crítica seja de apoio -, será sempre entendida e julgada pelo viés ideológico. Não adianta negar – o país ficou dividido entre os que aprovam e os que reprovam essa operação, na mesma medida que se dividiu entre os que apoiavam e os que reprovavam o governo petista. Mas, sejam lá quais forem as ideologias e as preferências políticas de cada um, algumas coisas na operação Lava Jato são muito polêmicas, tanto do ponto de vista político quanto jurídico – e algumas constituem verdadeiros absurdos.
Se não, vejamos.
É polêmico – e, para mim, um verdadeiro absurdo – que as delações premiadas no âmbito da Lava Jato sejam obtidas mediante prisão ou ameaça de prisão. A essência desse instituto, e o que o faz tolerável, é a espontaneidade do delator. Quando a delação é obtida mediante tortura física e psicológica – e decerto que a prisão e a ameaça de prisão constituem suplício físico e psicológico – ela deixa de ser espontânea e se transforma numa prova ilícita – expressamente vedada pela Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, outro absurdo – que os advogados dos réus na Lava Jato só tenham acesso ao conteúdo das delações feitas contra seus clientes na véspera das audiências, dificultando-lhes a articulação e o exercício do direito de defesa; e isso quando a Lei Maior assegura exatamente o contrário, isto é, assegura a todos os réus o direito ao contraditório e à ampla defesa – tal como impõe o “devido processo legal” consagrado na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, autêntico absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado conduzir coercitivamente um ex-presidente da república até uma repartição policial sem intimar previamente o conduzido para comparecer perante a autoridade de polícia. Essa condução constrangedora só tem lugar quando o conduzido teima em não atender à intimação da autoridade – do contrário, é uma medida que ofende abertamente o direito de ir e vir consagrado na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, mais um absurdo – que esse mesmo juiz tenha determinado a interceptação ilegal de uma conversa telefônica entre uma presidenta e um ex-presidente da república, e, depois, tenha revelado através da mídia o conteúdo dessa conversa, com o claro propósito de influenciar no delicado jogo político por que passava o país às vésperas de um processo de impeachment – essa divulgação é crime e ofende o sigilo das comunicações telefônicas consagrado na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, um rematado absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado “grampear” o telefone dos advogados de réus, e do defensor de um ex-presidente da república, malferindo assim a inviolabilidade dos escritórios de advocacia, o direito de defesa, o direito de ampla defesa, o direito ao livre exercício da profissão de advogado e o princípio da lealdade processual – tudo isso configura afronta à lei e aos ditames da Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, outro absurdo – que esse juiz tenha cometido essas arbitrariedades todas, tenha reconhecido publicamente que as cometeu, e, em seguida tenha sido “perdoado” pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo depois de o ministro relator do processo da Lava Jato no STF ter afirmado, nos autos e por escrito, que a atitude do juiz “comprometia um direito fundamental” de dois ex-presidentes da república – aliás, um direito fundamental consagrado na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, um flagrante absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado prender um ex-ministro de estado do governo petista, e, menos de cinco horas depois, porque descobriu que a mulher do ex-ministro estava sendo internada com câncer, tenha revogado essa prisão por considerá-la desnecessária – isso viola o direito constitucional de liberdade, a dignidade humana, e a presunção de inocência consagrados na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, absurdo também – que o juiz da Lava Jato tenha feito aliança com a mídia empresarial para exercer melhor suas funções de magistrado, e, por força dessa aliança fizesse “vazar” informações ao mais poderoso grupo de mídia do país, com o insofismável propósito de predispor a opinião pública contra os réus que ele (juiz) mandava prender – isso viola o sigilo das delações, o direito à privacidade e o princípio da presunção de inocência inscritos na Constituição Federal.
É polêmico – e, para mim, outro injustificável absurdo – que um juiz de direito, no exercício de suas funções públicas, faça alianças com a mídia privada. E, além disso, aceite premiação concedida publicamente por essa mídia, mesmo sabendo que ela é adversária dos réus da Lava Jato, que ela não se cansa de manipular informações, e que no passado até já apoiou ditadura militar – isso fere mortalmente o princípio republicano e a independência do Judiciário consagrada na Constituição Federal.
Porém, o mais polêmico (e absurdo) é ver agora um Tribunal Regional Federal (4ª Região Sul) render-se ao óbvio e reconhecer que as práticas do juiz da Lava Jato são realmente ilegais, pois “escapam ao regramento” do direito. Mas, segundo esse mesmo tribunal, apesar de ilegais, trata-se de “soluções inéditas” que devem ser toleradas porque o processo da Lava Jato é também um “processo inédito”. Em suma, o tribunal afirma, por escrito, que o direito aplica-se aos “casos comuns” em geral; mas, à Lava Jato aplicam-se, não a Constituição e o direito, e sim as “soluções inéditas”, ou seja, as soluções buscadas fora do direito, ou fora do “regramento comum” – com essa retórica canhestra, esse tribunal federal acaba de proclamar que a lei e a Constituição não valem para o processo da Lava Jato, ou, noutros termos, admite expressamente que esse processo tramita mesmo perante uma lei e um juízo de exceção.
Nem no tempo da ditadura militar isso ocorreu. É certo que os militares nos outorgaram uma Constituição autoritária (67-69); é certo também que eles editaram um ato de exceção (AI-5); mas, mesmo a Constituição autoritária dos ditadores, e mesmo o Ato Institucional nº 5, valiam para todos: igualmente, isonomicamente – coisa que não ocorre agora porque, segundo esse tribunal federal do Sul, nem a lei nem a Constituição valem para os réus da Lava Jato.
Isso já não é apenas polêmico, nem somente um absurdo – isso já passa a ser simplesmente assustador”.
Lucinei
1 de outubro de 2016 12:14 pmQue fofo!
Que fofo!
Free Walker
1 de outubro de 2016 12:51 pmGente, quem quer se manter
Gente, quem quer se manter bem informado à direita (à esquerda é melhor ficar aqui no GGN do Nassif mesmo) sobre a Lava Jato tem que frequentar O Antagonista (do Mainardi, do Sabino e do Claudio Dantas), eles estão “furando” direto a grande imprensa que de tão gorda já não anda (não estou fazendo propaganda do Mainardi, que fique bem dito). Estão furando com uma semana ou as vezes com meses de antecedência.
O Antagonista é praticamente o “orgão oficial” de comunicação da Força Tarefa da República de Curitiba. Os vazadores da LJ antes vazam para O Antagonista para sentir o “termometro” das ruas….daí confirmado a aceitação da opinião pública (que a esquerda gosta de chamar opinião publicada) o escândalo (ou a tese de esâncalo) explode na grande mídia (Palocci, p.ex., já era anunciada a sua prisão fazia tempo)
Estou dando a dica, conheça teu inimigo já dizia Sun Zu.
Ou melhor: mantenha teus amigos bem próximos e os inimigos mais ainda.
George Mendes
1 de outubro de 2016 4:54 pmE desde quando O Antagonista
E desde quando O Antagonista serve como referência pra sentir a voz das ruas???
Já viu os comentários que são pstados por lá?
Luciano Lira
1 de outubro de 2016 1:22 pmPara restaurar a instituição
Para restaurar a instituição justiça o povo deve pressionar o STF contra os desmando desse Moro e seus procuradores. Temos que honrar e defender a instituição e fazer a população entender o lado político parcial dessa lava jato. Já passou da hora desse juiz e procuradores serem substituídos por uma junta de juízes e procuradores imparciais para investigarem e analisarem todos os atos da lava jato. Não queremos uma justiça que se curve diante de um juiz qualquer e uma mídia sensacionalista. Uma coisa é entender a justiça sobre os comandos daqueles que agem com imparcialidade e respeito a nossa constituição, diferente daqueles que agem com ódio e posições arbitrárias. Queremos que o STF tenha a coragem de restaurar a instituição justiça brasileira e corrija todos os erros dessa lava jato. Que o STF não se renda as pressões dessa mídia loba vestida de pele de ovelha…
Henrique Finco
1 de outubro de 2016 1:45 pmMuito assustador
O autor ressalta que o mais absurdo, neste quadro de absurdos, é o reconhecimento e “legalização” das ilegalidades da lava jato. Concordo totalmente com ele, pois esta manifestação do 4º TRF consagra o estado de exceção permanenrte, o que é corroborado pela falta de reação do STF. Muito assustador.
Marcia Eloy
1 de outubro de 2016 2:03 pmLava jato
Há muito tempo a operaççao Lava jato deixou de ser uma opração jurídica para se transformar em uma operação política
Manu Guitars
1 de outubro de 2016 2:05 pmBrasil na vanguarda da “Teoria juridica”…
Completamente de acordo com o texto, o Brasil entra na era da “ficção legal”, depois do grampo da conversa entre Lula e Dilma, entramos num novo patamar de *desenvolvimento juridio”, uma nova Teoria que vai buscar sua fundamentação na seguite receita:
1-uma pitada de realismo fantastico(tão presente na alma latino americana)
2-uma dose de teatro do absurdo
3-uma colher de Kafka
Temos aqui a receita para construir nossa teoria juridica ficcional, como em toda obra de ficção, o autor nos faz crer no impossivel e improvavel, misturado fatos com fabulações criando um “espaço simulador de realidade”.
Para min neste “espaço” é onde se encontra a justiça do pais.
So minha opinião
Ugo
1 de outubro de 2016 2:05 pmdesorientado
Caso indiciado pela “puliça” o julgamento pode ser pela planilha do menino moro e da sua ditadura bananeira curitibana ou pelos juízes que fazem a diferença, evidentemente não aquela da globo e sua novelas, posso estar meio preso e meio solto?
Peço aos advogados de verdade uma síntese de sobrevivência.
Peço à oab e lamacchia o retorno a uma boa faculdade, desaconselho as do tio sam.
Manu Guitars
1 de outubro de 2016 2:31 pmmais uma….
Meio fora de contexto mas nem tanto..
Do editorial de hoje da folha
“Desde junho, ao menos 45 aspirantes a cargos eletivos foram alvos de ataques a tiros. Nada menos que 28 morreram, 15 dos quais em plena campanha”
E PF ta aonde?Não tem tempo?Muito ocupada procurando os computadores do Palocci?
Eu acho que tambem não vem ao caso….
Eliane Ribeiro
1 de outubro de 2016 2:32 pmOlha acredito, que o debate
Olha acredito, que o debate dos arbitrios do moro , já está chegando as ruas.Ontem eu estava numa banca que vende DVDs, e o vendedor estava com o radio ligado , Alguém que conhecia de direito estava, falando da conversão da prisão do Palocci, de temporaria, para preventiva.Primeiramente deixando todos cientes que odiava o PT, mas claramente indignado com o despacho do moro, e levantando a tese que os delegados pedem prisão preventiva e moro pede temporaria, tudo combinado.E ele estava explicando o absurdo do despacho do moro justificando tal atidude para defesa da democrácia!
Eu perguntei para o vendedor o nome da rádio era a Jovem Pan! o vendedor olhou para mim entusiasmado e falou eles explicam direitinho, “sabe os grampos do Lula e Dilma, tem um de manhã que explicou que moro cometeu um crime, e isso põe em risco todo mundo”.
emerson57
1 de outubro de 2016 3:24 pmSupremo de phrango
Que tal alguém, algum partido, algum advogado, alguma OAB, algum time de futebol da segunda divisão acionar o STF a respeito de todos os pontos levantados neste artigo?
Como se sabe, com as exceções de praxe, os juizes que lá trabalham se manifestam apenas nos autos.
Seria uma ótima oportunidade de saber o que V. Exias pensam.
Manu Guitars
1 de outubro de 2016 5:35 pmesta é boa…..
http://www.conjur.com.br/2016-out-01/mpf-nao-irregularidade-evolucao-patrimonial-palocci
Wilton Cardoso Moreira
1 de outubro de 2016 7:08 pmeu não preciso ler
eu não preciso ler jornais
mentir sozinho eu sou capaz
(raul seixas)
a classe média
clara esclarecida
delira com curitiba
uma obscura pátria
facista
os doutos
adornados com a missão
de defender o estado
de direito e os direitos
civis se calam
ou facistam
os loucos
e suas alucinações
de gentios gentis
e sociedades solidárias
são lúcidos
os crentes
obrigados por deus
a amar e perdoar
o outro sem condições
odeiam
os jornalistas
pagos para contar
a verdade dos bastidores
dos jogos de poder
mentem
os artistas
que vivem de fingir
mentir e inventar
revelam
mcn
1 de outubro de 2016 9:27 pmVivemos em uma era fascista
Derrotaremos o Golpe e derrotaremos o fascismo da Lava Jato, do TRF-4, da PGR, do STF e de tantos outros.
E a primeira coisa que faremos, quando o povo brasileiro disser Basta!, será punir rigorosamente esses conspiradores.
O Brasil precisa de um contragolpe Judicial. É preciso punir os agentes do Judiciário que destruíram a Democracia brasileira. A punição precisa vir, não somente em corte de salários e privilégios de toda categoria, mas principalmente em um código de conduta restritivo controlado externamente.
Marcelo33
1 de outubro de 2016 11:50 pmO Golpe já venceu !!! Dilma
O Golpe já venceu !!! Dilma não tem condições de voltar !!! MEsmo eleições diretas já tem um ambiente plenamente contaminado. A democracia ruiu.
O que podemos fazer é restyaurar a democracia daqui há uns 20 anos para administramos a terra arrasada… Pr´pe-Sal ??? Será dos estrangeiros e nem pensar em pegâ-lo de volta, pq os militares nos jogam na ditadura de novo, e pq mesmop que quisessem, não temosforça para isso.
Quanto a Punir ?? Nem pénsar, senão os militares nos jogam na ditadura de novo !!!
PAís de merda com povo de merda !!!