Comentário ao post “Vinicius e a importância das políticas de inclusão“
Parabéns e saudações à Eugênia e ao Vinicius.
E o faço com o sentimento de quem acredita na potencialidade das políticas de inclusão a favor de toda a humanidade. E também na condição de ser pai de três especiais: foram crianças afro-brasileiras numa sociedade racista. Hoje, com 23, 21 e 10 anos, eles, como todas as crianças afro-descendentes, sempre foram vistas como ´diferentes´ e alvos de bullings por toda a vida, excluídas, rotuladas, desprezadas por crianças que aprenderam com seus pais a odiosa discriminação racial. Não foram poucas as vezes que chegaram em casa aborrecidas e chateadas: “pai a nossa pele é suja? A nossa ´raça´ é maldita? perguntavam na inocência da primeira infância. A mãe deles, pedagoga, especialista, trabalha a mais de vinte anos em escola de educação infantil que acolhe crianças especiais – desde o berçário até o ensino fundamental – na mesma sala de aula. Os três freqüentaram essa escola até a 1ª série do ensino fundamental e depois a colocamos em outras escolas com o fim de lhes ensinar a conviverem com a diversidade, com as discriminações e as dificuldades distantes do olhar e poder materno.
A mãe pedagoga, a cada dia, mês a mês, ano a ano ela tem novas e extraordinárias histórias da convivência e dos benefícios da diversidade. Ela nos trás também histórias tristes e absurdas, como a de pais pouco atentos que matriculam suas crianças e dias depois quando seus filhos relatam a presença de especiais, de pretos/pardos e até de bolivianos e coreanos, esses pais voltam na escola, apresentam uma desculpa esfarrapada e retiram seus filhos. Outros pais, ao visitarem a escola e conhecerem a linha pedagógica nem fazem a matricula. Estão criando adultos perversos, preconceituosos, discriminadores e egoístas. Preparados para viverem, apenas, em sua própria e medíocre tribo.
A experiência com nossos filhos especiais – por serem vítimas de discriminações racistas – nos dá força e compreensão da imensa luta por políticas públicas de diversidade. E essa diversidade exige o saber de como fazei-lo bem. E a diversidade humana é a lição pedagógica que precisa ser induzida pelo estado. Pois é a convivência humana com os diferentes e os especiais que farão de nossas crianças, diferentemente da maioria dos adultos, cidadãos solidários e sem preconceitos. Cidadãos que no transcorrer de suas vidas e de suas relações sociais estarão sempre atentos à tolerância e a fraternidade.
O carisma exemplar de Vinicius e de outras milhões de crianças especiais vítimas de preconceitos apenas confirma: a sociedade precisa da lição pedagógica cotidiana para assegurar a todos, sem distinção alguma, a igualdade de oportunidade e de tratamento. O imortal NELSON MANDELA, num de seus mais famosos discursos já no exercício da Presidência da nova África do Sul, visando desarmar os espíritos revanchistas de quem desejava vingar-se da perversidade dos beneficiários do regime de apartação racial nos legou a frase lapidar do que significa essa pedagogia tão indispensável e que serve a toda a humanidade. Disse o grande líder uma lição lúcida que há de ser eterna: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, religião, origem ou condição social. Eles foram ensinados a odiar. E se aprenderam, são humanos. Se são humanos, nós podemos lhes ensinar a amar.”
Assim, reiterando a saudação e os parabéns a Vinicius pelo que representa e à Eugênia pelo exemplo, pois a luta pela inclusão, pela igualdade de tratamento e de oportunidade, significa a garantia da dignidade humana. Significa o fim das exclusões injustas, das discriminações estúpidas e de privilégios deformadores, sendo o primeiro e essencial passo para a edificação de uma sociedade justa e fraterna. E essa edificação de uma sociedade nova não deve ser uma missão exclusiva de mães e de pais, indignados, há de ser um dever de todos, pois a diversidade humana a todos beneficia.
Não poderia encerrar sem dizer que essa inclusão de todas as crianças é devida pelo direito à igualdade resultando na salutar diversidade humana e não pode ser feita com nenhum recurso que produza efeitos colaterais prejudiciais aos próprios beneficiários conforme ocorrerão no futuro com políticas públicas de segregação de direitos raciais – cotas raciais – pela razão substancial de as cotas significarem privilégios raciais e isso viola a dignidade humana de quem as recebe por imposição compulsória do estado. Os pretos/pardos e os especiais não querem privilégios: precisam apenas que o estado realize a garantia da igualdade de tratamento e de oportunidades.
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