Por Monier

Comentário ao post “Xadrez da volta da comunidade de informações“
Discordo do marco temporal. A notícia é que o camarada aí estava atuando há 1 ano no setor de inteligência, hospedado em casa de general. Há 3 anos já estava envolvido com coisa parecida, e é militar há mais de 5 anos. Em qualquer caso, a preparação para esse estado bizarro de coisas começou ainda no governo Dilma, com ou sem o conhecimento de sua equipe, que teoricamente controlava do Exército à Abin. Leia-se por dolo ou culpa. E não podemos esquecer alguns fatos da História.
Dez anos atrás, quando o que a OAB dizia ainda me interessava, estive em um evento em SP que se falou sobre a pressão americana para fazer passar uma lei antiterrorismo. E naquele tempo de Brasil mais avançado o argumento óbvio era que essa paranóia americana não poderia entrar aqui, que lá eles sofreram um ataque traumático nas torres gêmeas enquanto este aqui é o país da diversidade e da alegria e do oba-oba, e que terrorismo é um conceito fluido demais para virar tipo penal em um estado culturamente mais plural como era o brasileiro da década passada.
[Para os leigos palpiteiros em direito: tipo penal é igual tipo do Gutenberg. Ou encaixa perfeitamente, ou o estado que faça um lei melhor e aplique nos casos futuros. Assim se evita que o agente público resolva ampliar a interpretação do crime no calor da hora para que aquela cachacinha do mendigo incômodo vire porte de droga, que a gracinha do seu filho classe-média no volante vire crime de perigo abstrato, que porte de vinagre a caminho de manifestação contra a polícia vire associação para o terrorismo, dentre outras.]
Pois bem, a paranóia americana entrou na legislação brasileira pela sanção da lei antiterrorismo. Pela tinta da caneta da presidenta Dilma, pressionada pelo casuísmo dos casuísmos que é a realização de uma Olimpíada, e iluminada pela inabilidade petista em lidar com os protestos de 2013. Era menos grave ter declarado Estado de Sítio, que ao menos volta para a normalidade do Estado de Direito Democrático depois de um prazo determinado.
E não se pode esquecer outro fato histórico, que é foi o esquisito inquerito 01/2013 do DEIC – o Inquérito Black-Bloc – que parece ter sido o ensaio para esse tipo de operação. Apesar de todo o sigilo e da pouca informação, parece que ali se resolveu migrar a interpretação jurídica do tipo penal do vandalismo ou então crime de dano para o da associação criminosa [gravemente, associação criminosa com base em afinidade ou idéias políticas, uma bomba totalitária].
Não por coincidência, elegeu-se o DEIC para tratar das questões nessas manifestações de 2016, com orientação para que os manifestantes fossem encaminhados para lá. É de a esquerda pensar pensar se a garantia do juiz natural não deveria ser estendida para uma garantia do “delegado natural”, porque o futuro do direito penal é esse das conduções coercitivas por questões ideológicas. Moro ao lado do DEIC, e garanto que não fica mais perto da Paulista do que o distrito dos Jardins, por exemplo.
É grave essa livre manipulação do Direito Penal porque no crime de dano não há o que investigar antes da consumação. Prende-se no flagrante, e se não houver uma prova material, fica difícil de perseguir o indivíduo acusado. Associação criminosa admite esse auê penal que estamos vendo, de prisão cautelar, preventiva, detenção para averiguação, e outra totalitariedades que nossas mentes brilhantes vão inventando para atacar o livre direito à manifestação democrática.
Ao contrário da lei antiterrorismo, no inquérito do Deic não tem a digital da administração petista. Não é preciso dizer que o departamento é estadual, sujeito à dinastia tucana, com o Geraldo no poder. Mas também não se pode admitir ingenuidade de quem tinha todo o serviço de Inteligência nacional nas mãos. Se não consegue pilotar, não peça o tanque de guerra nas mãos. A reação contra essa arbitrariedade já deveria ter sido montada, preparando as leis e as instituições, em especial aquelas que lidam com a defesa de direitos humanos.
José Erivaldo
10 de setembro de 2016 5:30 pmO inimigo
Perfeita análise: mas há uma luz no fim do túnel, há sempre um pouquinho de otimismo.Havera sempre resistência.Digo isso porque embora haja o árbitro de toda essa extrema direita que fecha. Eles não vão conseguir manter no imaginário dos coxas por muito tempo, a figura de um inimigo. Vão morrer de inanição. Toda essa história, da construção de um inimigo externo, lembrou-me o PCC (facção Paulista) que precisa constantemente pra sobreviver desse mito do inimigo. Ou seja, tínhamos o CRBC (criado na Penitenciária de Guarulhos) chamados de vermes pelo PCC
Fabio Nogueira
10 de setembro de 2016 7:45 pmQuem não se lembra que no Rio
Quem não se lembra que no Rio de Janeiro até Bakunin foi indiciado? E lembro bem de amigos petistas que davam todo apoio à polícia nesse caso. Mesmo sabendo que a polícia invadia a casa das pessoas e coletava livros como provas de envolvimento com ideologias de esquerda e, portanto, com o crime.
“Está coberta de razão a polícia do Rio ao se mobilizar, por determinação judicial, para a captura do suspeito Bakunin, de prenome não sabido e suposta nacionalidade estrangeira, criatura reconhecidamente de alta periculosidade, bastando para isso uma rápida consulta à sua folha corrida de anarquista, inimigo das instituições, da fé e da família, com vasta literatura publicada em prol de seus propósitos subversivos.”
http://www.cartacapital.com.br/revista/812/procura-se-bakunin-9772.html
Zarastro
11 de setembro de 2016 1:56 amVocê entendeu que se trata de sarcasmo, né?
Porque senão, estamos mal de leitura e compreensão de texto.
Ivan de Union
10 de setembro de 2016 7:52 pmHavera sempre resistencia
Havera sempre resistencia aas custas de um ou de various massacres, JErivaldo?????