4 de junho de 2026

A visão do Banco Central sobre a inflação

Da apresentação do presidente do Banco Central à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, extraem-se as seguintes conclusões.

Sobre a inflação

Em 2012 desviou-se da meta em função do choque de preços de alimentos e do repasse da desvalorização cambial.

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Ambos os fenômenos são  pontuais.

 Mas nos últimos meses, segundo o BC, a inflação foi pressionada por três fatores:

  • Pressão dos alimentos in natura.
  • Inflação de serviços.
  • Maior difusão do aumento de preços na economia.

O item mais relevante é o terceiro.

Em relação ao item 1, pelo que se observa no decorrer da apresentação, o índice tende a se estabilizar. Em relação ao item 2, na página 20 o BC admite que é fruto de “mudanças estruturais observadas nos últimos anos que levaram a taxa de desemprego a um mínimo histórico e melhoraram a renda do trabalhador.

No quadro 32, em que decompõe a taxa de inflação de 2012, dos 5,84% do IPCA, 2,90% (ou 49,7%) foram efeito de preços livres; contra 0,79% de preços administrados. A tabela não identifica os preços dos comercializáveis (aqueles influenciados por cotações internacionais e dos domésticos.

Sem a pressão do item Alimentação e Bebidas, o IPCA seria de 5%, como mostra o quadro 34.

Mas o quadro 35 traz uma informação relevante: os preços de Alimentação no Domicílio reage aos movimentos do IPA-M agrícola (que mede os preços no atacado). Nos últimos meses, observa-se um movimento de queda no IPA-M.

Os preços de serviços votaram a subir nos últimos meses, conforme mostra o quadro 36.

O quadro mais importante é  37, ao mostrar os Índices de Difusão (percentual dos itens com preços pressionados). Nos últimos meses houve aumento tanto no IPCA Geral, como no Alimentação no Domicílio e no IPCA sem Alimentação no Domicílio.

Nas análises sobre o nível e atividade, o BC apresenta um quadro otimista em todas as análises. Fala em “ritmo mais intenso” de recuperação da atividade econômica. Pouco importa se o “mais intenso” ainda é tímido. É otimista em relação a emprego, renda, crédito, investimento interno, investimento externo. E se vale do relativo para dourar a pílula: em relação ao semi-morto ano de 2012, o país mostra sinais de vida.

Todas essas indicações levam a se acreditar que, em algum momento, ele poderá interferir na chamada demanda global da economia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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