4 de junho de 2026

Os pontos do PT segundo Wellington Dias e Aécio Neves

Os 27 pontos do PT segundo o líder do PT no Senado, Wellington Dias, e os 13 pontos de Aécio Neves.

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Do Brasil 247

“O PT mudou a cara do Brasil. Só não vê quem não quer ver”

Líder do PT no Senado chama de “ressentidos e recalcados” os críticos do partido e da administração Dilma Rousseff; ele tentou listar 45 pontos (o número do PSDB) de acertos do PT em seus dez anos de poder, mas o tempo acabou antes de enunciar todos

Em seguida ao senador Aécio Neves apontar o que são, para ele, os 13 fracassos dos dez anos do PT no poder, o líder do PT no Senado, Wellington Dias, ocupou a tribuna. Deu a sua resposta aos ataques do ex-governador de Minas:

“O Brasil hoje come, se veste e se educa”, disse Dias. “O Brasil mudou e só não vê quem não quer. Hoje a grande maioria dos pobres de antes hoje pertencem à classe média”, acrescentou. “A realidade irretorquível é que a qualidade de vida da população brasileira melhorou muito. Para a família que não tinha moradia, o que importa é o teto sobre a cabeça. Para o indivíduo que antes não tinha luz, o que faz a diferença é ter luz em sua própria casa. Para o estudante pobre que antes não tinha acesso ao ensino superior, o que importa hoje é o acesso à universidade particular ou pública. Para quem não tinha emprego, o que importa é a carteira assinada que ele tem hoje”.

Ele listou 45 acertos do PT em seus 10 anos do poder. O número correspondente ao número do PSDB nas cédulas eleitorais:

1º – PIB dez vezes maior que tempos atrás;

2º – Geração de 19 milhões de empregos contra 5 milhões gerados pelos governos do PSDB;

3º – Aumento de 72% do salário mínimo entre 2002 e 2013; “O PSDB entrou com ação no Supremo contra a política de aumento do salário mínimo pelo PIB”, disse;

4º – Promovemos a inclusão bancária;

5º – Reduzimos fortemente as desigualdades sociais;

6º – Aumentou a mobilidade social;

7º – Eram 36 milhões de pessoas na miséria completa, hoje são apenas 700 mil. “O Bolsa Família, que sempre enfrentou preconceitos aqui, beneficiou 50 milhões de pessoas e virou exemplo para o mundo”;

8º – É inegável a revolução na Educação. “Quando eu governava o Piauí, o PSDB foi contra o piso nacional da Educação”, afirmou;

9º – Dinamizamos a edução profissional, com 208 unidades de ensino em todo o País, com 2,1 milhões de vagas abertas para jovens trabalhadores;

10º – ProUni possibilitou acesso de estudantes pobres ao lado de ricos nas escolas particulares;

11º – Conquista da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. “Trata-se de um Brasil que aceita e cumpre desafios”.

12º – A Cultura chega a cada rincão desse País;

13º – A ampliação do Sistema Único de Saúde;

14º – Estabelecemos a política de cotas, que o povo brasileiro está a favor, apesar de todo o contraditório nesta casa;

15º – A Comissão da Verdade;

16º – Aumentamos o protagonismo internacional do Brasil;

17º – Integramos a Amazônia;

18º – A BR-101 feita pelo PAC;

19º – O programa Minha Casa, Minha Vida que já entregou um milhão de moradias;

20º – A desoneração dos impostos;

21º – A redução das contas de energia;

22º – O lucro de R$ 21 bilhões de reais da Petrobras contra R$ 8 bilhões dos anos FHC;

23º – A indústria naval;

24º – A retomada da construção de usinas;

25º – A dinamização da Polícia Federal;

26º – O resgate do orgulho e da auto-estima do nosso povo;

27º – Nossas políticas a favor das mulheres;

Neste ponto, antes de completar os 45 pontos prometidos, Dias teve seu tempo encerrado. “Poderia citar milhares de pontos positivos, e não apenas 45. Tive de fazer um grande esforço para chegar a apenas esses pontos”, encerrou Dias.

“Nós aceitamos o debate sobre tema definido e de forma abrangente”, afirmou o senador. “Mas queremos o compromisso da verdade. Foi dito aqui que o PT não assinou a Constituinte de 1988, mas está aqui o senador Paulo Paim que assinou, eu assinei. Tínhamos divergências, mas assinamos”.

Ele fez questão de defender o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. “Nós nos orgulhamos dos nossos líderes. Mas veja que o presidente Fernando Henrique Cardoso já sofreu discriminação no PSDB, que chegou a ter vergonha do governo dele. Nós, não, nos orgulhamos das nossas lideranças”.

Aécio: “Hoje, quem governa o Brasil é a reeleição”

“Todas as vezes que o PT precisou optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT”, disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no discurso em que citou o que considera serem os 13 maiores fracassos do PT em seus 10 anos de exercício do poder federal; a legenda comemora a data esta noite, em São Paulo; “O PT não tem humildade nem sabe fazer autocrítica”, cravou

O senador Aécio Neves cumpriu a palavra e, num discurso duro, enumerou o que considera serem os 13 fracassos do PT no dia em que o partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula comemora dez anos de poder. “O PT jamais valorizou a estabilidade da moeda”, disse Aécio. “O PT tem demonstrado a falta de capacidade de reconhecer, com generosidade, que outros governos também tiveram méritos”, completou. “O PT é incapaz de fazer autocrítica”, acrescentou o ex-governador de Minas. Para ele, a gestão atual é falha, a política econômica é mau conduzida e o País está sofrendo as consequências.

Para o senador Aécio, ao falar da tribuna do Senado, os 13 fracassos da gestão de dez anos do PT no poder central são os seguintes:

1º – Biênio perdido de crescimento do PIB;

2º – Caos na infraestrutura;

3º – Desincentivo à indústria;

4º – Falta de compromisso com a estabilidade da moeda;

5º – Criatividade contábil, que esconde erros da política econômica;

6º – Destruição do patrimônio nacional, com a derrocada das estatais, em especial a Petrobras. “Como a Petrobras pode valer hoje menos que a empresa petrolífera da Colômbia?”, perguntou;

7º – Implosão da riqueza do etanol, em nome do mito da autossufiência de petróleo e combustíveis. “Mas hoje somos compradores de derivados e importamos etanol dos EUA”, sublinhou;

8º – Falta de planejamento e risco de apagão no setor elétrico. “Esse risco só não é maior porque o parque termoelétrico herdado do governo Fernando Henrique Cardoso, tão combatido pelo PT, está em pleno funcionamento”.

9º – Desmantelamento administrativo. “Caminhamos rapidamente para sermos um Estado unitário. O governo assiste passivamente o conflagramento entre Estados e regiões, como se não tivesse nada a ver com isso”;

10º – A insegurança pública e o flagelo das drogas. “Apesar da maciça propaganda oficial, 87% de tudo o que é investido em segurança pública vem dos cofres municipais e estaduais. No ano passado, apenas 25% dos R$ 3 bilhões destinados à Segurança Pública foram efetivamente investidos. Essa omissão é inaceitável”, completou Aécio. “Essa omissão faz aumentar o alarmante consumo de crack pelo País”.

11º – Descaso com a Saúde e a Educação. “O governo federal negou-se a contribuir com dez por cento de suas receitas para apoiar os esforços de estados e municípios em Saúde”, afirmou. “Das 6 mil creches prometidas pela atual presidente em sua campanha, apenas sete, se-te foram entregues no final de 2012”;

12º – Autoritarismo. “A grande verdade é que o governo petista não dialoga, reduzindo esta casa apenas à condição de homologadora de medidas provisórias”, afirmou;

13º – A complacência com os maus feitos. “Ao transformar a ética como compromisso menor da ação política, o PT presta um desserviço às atuais e futuras gerações”, disse.

Para Aécio, “é intolerável a apropriação indevida de rede de televisão para atacar adversários”, em referência ao último discurso da presidente Dilma Rousseff em rede nacional. “É intolerável a perseguição a uma cidadã que nos visita”, completou, tratando da visita da blogueira cubana Yoani Sanchez.

O senador abriu o discurso assim: “Qual é o PT que aniversaria hoje?”, perguntou. “Todas as vezes que o PT precisou optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT”, disse, citando o não voto do partido em Tancredo Neves, no colégio eleitoral de 1984, a negação da Constituinto de 1988 e o boicote à presidência de Itamar Franco

Aécio Neves recebeu num aparte do senador Lindbergh Faris (PT-RJ). “Seu discurso não é competitivo para um  candidato a presidente”, disse ele. “Em meia hora, o sr. não usou uma vez sequer as palavras ‘povo’, ‘inclusão social’, ‘combate à miséria’, ‘gente’ ou ‘emprego’.

A resposta foi dada num pedido de intervenção feito pelo líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira. “O senador Aécio fez uma dissecção perfeita dos males do PT, um diagnóstico de alto nível”, afirmou. “Não foi um discurso de candidato. As eleições virão, mas agora essa análise foi excelente. Em todos os momentos o sr. tocou em assuntos que dizem respeito ao povo e, assim, falou do povo”.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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