4 de junho de 2026

O caso Gautama e o grampo “contra” Sarney

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O ano de 2009 foi aquele em que a mídia descobriu que o senador José Sarney não era um santo.

Surpreendentemente, quando a imprensa descobriu o que todos já sabiam, houve uma forte campanha contra Sarney.

Numa das muitas acusações, estava a sua “suspeita” relação com uma empreeiteira, a Gautama, que enfrentou uma saraivada de acusações, a partir de investigações da Polícia Federal, na operação que ficou conhecida como Navalha, desencadeada em 2006.

Em 2009, tínhamos o seguinte quadro político: Lula em seu segundo mandato, tendo como Sarney um forte aliado. O vice do Senado era Marconi Perillo. 

Em certo momento, veio à tona um grampo, atribúido à PF, e uma montagem. A matéria abaixo da Isoté chega a cogitar que a escuta e a montagem teriam sido feitas pela polícia, mas nestes tempos estranhos é sempre bom duvidar.

Duas singelas perguntas precisam ser feitas: quem ganharia com denúncias contra Sarney e Gautama?

Abaixo, a reclamação da Gautama em relação a notas publicadas na coluna Radar da Veja.

 

Istoé.

A Perícia Do Grampo

Laudo revela que gravação contra o senador Sarney foi montada. Se a culpa for da PF, o País poderá sofrer uma crise institucional

Mário Simas Filho

 

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Na última semana, a divulgação de uma conversa telefônica gravada pela Polícia Federal durante a Operação Navalha, em 2006, serviu para aquecer a fervura em que se encontra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Trata-se de um diálogo ocorrido no dia 9 de agosto às 17h33 entre o empreiteiro Zuleido Verás, dono da Gautama – a empresa-alvo da operação –, e um interlocutor que se identifica apenas como Mauro. Na época, a Gautama era responsável pela ampliação e modernização do Aeroporto de Macapá, que Zuleido define como uma obra de Sarney.

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A primeira frase gravada atribuída pela Polícia Federal a Zuleido diz o seguinte: “Vou chegar à casa de Sarney já, já”. A agenda de Zuleido mostra que naquele dia ele de fato esteve em Brasília e a divulgação da gravação foi o suficiente para que parlamentares da oposição elevassem o tom do coro que pede a renúncia de Sarney. O grampo da Operação Navalha seria a prova da ligação do senador com o empreiteiro que em 2007 foi preso e denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de formação de quadrilha, corrupção, superfaturamento de obras públicas e tráfico de influência. O problema é que não passou uma semana e a prova não se mostrou tão robusta como queria a oposição. Na quarta-feira 29, depois de analisar a gravação, o perito Ricardo Molina de Figueiredo, emitiu um laudo em que atesta que a frase atribuída a Zuleido não foi dita pelo empreiteiro. “Há fortes indícios de que houve uma montagem na gravação”, disse Molina à ISTOÉ, na sexta-feira 31.

Se ficar comprovado que a Polícia Federal produziu provas montadas visando atingir o presidente do Congresso, chefe do Poder Legislativo, o País estará diante de uma crise institucional. Recentemente, a mesma Polícia Federal, em conjunto com agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), foi acusada de promover gravações clandestinas no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, chefe do Poder Judiciário. “A PF, durante todo o governo Lula, praticou com grande tranquilidade o vazamento de informações”, disse Mendes.

A gravação divulgada no inicio da última semana foi feita pelo Guardião, equipamento usado pela Polícia Federal para fazer as escutas. O aparelho começa a gravação no momento em que o telefone investigado é acionado e antes mesmo de a ligação ser completada. Dessa forma, a Polícia Federal tem obtido uma série de gravações ambientes, segundos antes de começar o diálogo telefônico. Foi nessas condições que teria sido captada a frase “vou chegar à casa de Sarney já, já”. “A frase é gravada, há uma interrupção e em seguida Zuleido atende o telefone e começa um diálogo que não tem nenhuma relação com a frase”, explica Molina. O laudo a que ISTOÉ teve acesso é composto por 10 páginas e cinco gráficos. Segundo o perito, a voz que diz a frase relativa ao senador José Sarney e a voz de quem se identifica como Zuleido na conversa telefônica “não pertencem ao mesmo interlocutor”. “A partir do momento que começa o diálogo não há sinais de que a gravação tenha sido editada ou montada. Mas a frase dita antes pode ter sido enxertada a qualquer hora”, explica Molina.

Outra observação feita pelo perito que, segundo ele, pode caracterizar um indício de que houve montagem é o fato de que frase foi dita em um ambiente que não aquele em que estava Zuleido no momento do telefonema. Isso, se for verdade que a frase tenha sido proferida segundos antes da conversa telefônica. “No diálogo fica claro que é Zuleido quem atende a ligação, o que significa que alguém ligou para ele e não o contrário. Nesse caso, a frase dita antes de se iniciar o diálogo foi dita ou por um homem que estava próximo ao autor da ligação e não de Zuleido”, afirma Molina. “E com certeza não foi dita por quem conversou com Zuleido, pois as vozes são diferentes”, concluiu o perito.

Na sexta-feira 31, ao tomar conhecimento do conteúdo da perícia, Zuleido desabafou: “Armaram contra mim e o laudo confirma o que estou dizendo”, disse o empreiteiro à ISTOÉ. “Nunca estive na casa do presidente Sarney e é muito estranho que essas gravações, que oficialmente fazem parte de um processo que tramita sob segredo de Justiça, só surjam agora, depois de três anos”, afirmou Zuleido.

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A divulgação da suposta relação de Sarney com Zuleido também provocou reações entre os aliados do presidente do Senado que cobraram do ministro da Justiça, Tarso Genro, um maior controle sobre os vazamentos da PF. O ministro é o responsável pela Polícia Federal, mas se limitou a lavar as mãos. “Não há mais segredo de Justiça no Brasil”, admitiu o ministro, que em seguida transferiu a culpa aos defensores dos investigados pela PF. “O advogado vai tomar informações nos inquéritos e, se ele achar bom para a defesa de seu cliente, vai divulgá-las amplamente.” Tal declaração provocou a ira da Ordem dos Advogados do Brasil, instituição à qual o ministro pertence. O presidente da OAB, Cezar Britto, interpelou o ministro para que ele aponte nominalmente quais os advogados que estariam vazando grampos. Saber quem está por trás dos vazamentos talvez seja hoje menos importante do que descobrir quem teria montado um grampo contra o presidente do Congresso, José Sarney, embora isso não possa de maneira alguma minimizar a importância das investigações sobre sua conduta no trato com o dinheiro público.

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A grita da Gautama. Nota distribuída em fevereiro daquele ano pela Assessoria de Imprensa.

 

Gautama contesta reportagem da Veja

 
A respeito da nota “Inquérito da PF liga Sarney a desvios da Gautama”, publicada neste blog e que teve por ponto de partida matéria da revista “Veja”, edição número 2101, que está nas bancas, a Construtora Gautama e seu titular Zuleido Veras informam que são, mais uma vez, vítimas de calúnia e difamação por parte daquela revista semanal. Por isso, em respeito à opinião pública (e aos leitores deste blog), cabe esclarecer:

1) A revista “Veja” é useira em caluniar a Gautama e o seu titular, não apresentando provas do que publica, baseando suas matérias em documentos destituídos de qualquer credibilidade.

2) Em nenhum momento repórteres da “Veja” procuraram a Gautama, seus diretores e/ou advogados apresentando as acusações que lhes imputaram na reportagem agora publicada, buscando o outro lado da notícia, como deveria ser e é norma nos órgãos da imprensa que praticam com imparcialidade o jornalismo informativo e honesto.

3) Em carta enviada à revista “Veja”, em atenção ao diretor de redação Eurípides Alcântara, em 8 de janeiro deste, às 11h36min (temos o registro eletrônico do recibo), a Gautama rebate nota caluniosa da coluna “Radar”. Não houve o menor interesse por parte da “Veja”. Na realidade, acreditamos que a “Veja” está sendo induzida a erro, claramente usando a empresa Gautama como munição para intrigas políticas.

4) Sindicância Interna, em ação na própria Polícia Federal, poderá demonstrar o como e o porquê da farsa da “Operação Navalha”, que tinha por objetivo investigar os ilícitos praticados pelos próprios funcionários da Instituição e não a Gautama – daí a denominação de Navalha porque visava cortar a própria carne.

5) A revista “Veja” sequer publicou a correspondência da Gautama, nem enviou seus jornalistas para ouvirem os representantes da empresa – o que comprova a parcialidade e a ação a serviço dos mesmos que montaram a “Operação Navalha”. Portanto, no que tange à Gautama, a nota não se reveste de qualquer credibilidade.

6) Sobre a reportagem em pauta, é mais uma calúnia perpetrada pela “Veja”. A Gautama desafia a revista a provar quem é o tal lobista José Ricardo, inventado e apresentado como tendo ligações com a empresa; também que prove as demais afirmações que apresenta.

7) Ao contrário do afirmado pela VEJA, todas as obras de responsabilidade da Construtora Gautama tiveram origem em certames lícitos, inexistindo nesse sentido, de conhecimento da empresa, qualquer acusação.

8) Na realidade a Gautama vem sendo condenada perante a opinião pública sem o devido processo legal e por oportunistas de plantão, detentores do poder, que se aproveitam da ocasião para não honrar os pagamentos das obras devidamente concluídas e entregues.

9) Por fim, queremos, nesta oportunidade, esclarecer os leitores de que, diferentemente do que se tem afirmado na imprensa, o Tribunal de Contas da União (TCU) não mantém sob suspeita a Gautama. Nem poderia, uma vez que as supostas irregularidades em algumas obras tem sido devidamente esclarecidas naquela corte.

10) Não só a Gautama, mas todas as grandes e não tão grandes empreiteiras do país, respondem perante o TCU por alguma irregularidade em obras, não se configurando tal aspecto, entretanto como desabonador ou conclusivo. Ao contrário. Tal fato é comprobatório do respeito ao devido processo legal e não de condenação sumária, por suposições não convalidadas pelos Tribunais de forma irreversível.

Em respeito à opinião pública, aos nossos amigos e clientes, informamos que medidas judiciais estão em andamento no fórum competente em defesa da empresa e do seu titular.

Assessoria de Imprensa da Construtora Gautama

São Paulo, 26 de fevereiro de 2009

 

 

 

 

Redação

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