5 de junho de 2026

Os métodos do INSS para avaliar a capacidade laboral

Por Gisele Katia Camara oliveira

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Prezado, Nassif

Neste primeiro de maio – Dia do Trabalho – envio um texto que escrevi para fazer  contra-ponto ao novo instrumento (“tempo estimado para recuperação de capacidade funcional baseado em evidências“) que o INSS planeja implantar na concessão dos benefícios por incapacidade (auxílio doença e auxílio doença acidentário) . Este instrumento centra o afastamento do trabalho no diagnóstico da doença e, não na pessoa e suas inserções. 

Atenciosamente,

Gisele Katia Camara Oliveira 
Perita Médica Previdenciária
Delegada da Associação Nacional do Médicos Peritos – ANMP 
Gerência Executiva de Jundiaí – SP

O desafio do retorno ao trabalho

Para nós, Peritos Médicos Previdenciários, é motivo de plena realização quando o periciado, após um tempo de benefício,para a recuperação de um agravo à sua saúde, retorna em plenas condições ao trabalho. É o sentimento de dever cumprido e de, estarmos funcionando como agentes públicos de reconhecido valor social. A busca por esta realidade ideal nos leva instintivamente a procurar uma fórmula alquímica, que ao ser utilizada nos levaria a uma cessação padrão ouro dos benefícios por incapacidade e que pouco pudesse ser contestada.

Mas, a recuperação da capacidade laboral é complexae envolve muitas variáveis. Das quais, algumas fogem ao nosso controle.Quando pensamos tempo estimado de recuperação é preciso considerar:

1) O agravo à Saúde: muitas doenças são simples se isoladas, como por exemplo, uma hérnia inguinal pequena que, após dois meses de cirurgia, o indivíduogeralmente, retorna à sua condição física plena. Já as doenças crônicas agudizadas são mais complexas de se calcular o tempo estimado de recuperação. Por exemplo, pode ser difícil prever o caminho e as sequelas de um surto de agudização do Lúpus Eritematoso Sistêmico.

2) A existência de outras moléstias associadas: É fato que uma doença pode interferir em outra.Por exemplo, uma hérnia inguinal em um diabético e obeso tem uma cicatrização mais lenta e maior suscetibilidade à infecção secundária, e uma vez acontecendo a infecção secundária agrava-se o diabetes.

3) A reação do indivíduo ao(s) agravo(s) à Saúde:Pacientesreagem diferentemente com relação a um diagnóstico e sequelas de um câncer ou SIDA, conforme o estado de sua Saúde Mental. Uma pessoa diabética, hipertensa, obesa, sedentária, tabagista pode ou não encontrar energia vital para modificar o seu estilo de vida e, com isto, melhorar sua condição de saúde.

4)O tipo e a qualidade da assistência à saúde aos quais o indivíduo tem acesso: Este é um fator importante, devido à heterogeneidade da assistência à saúde que existe em nosso universo de atuação. Por exemplo, uma fratura de colo de fêmur em um indivíduo sob os cuidados imediatos de um bom serviço de ortopedia e de uma efetiva assistência fisioterápica posterior segue um caminho bem diverso neste mesmo indivíduo, se este não tiver acesso aos mesmos cuidados.

5) Os processos-organização de trabalho no qual o indivíduo está inserido: Em muitas situações a realidade de trabalho contribui ou é a causadora do agravo à saúde e, mesmo que o afastamento do trabalho e a assistência à saúde recupere o indivíduo momentaneamente, este não pode retornar ao trabalho se os processos-organização de trabalho não forem corrigidos de forma a preservar à saúde do trabalhador. Como exemplo, transtornos psiquiátricos em postos de trabalho com metas adoecedoras, opressão e altos níveis de cobrança.

Diante disso, podemos perceber que o retorno ao trabalho envolve muitos fatores e alguns são próprios da realidade regional, da estrutura particular do trabalho ou do próprio indivíduo. E é impossível colocar todas estas variáveis em uma única fórmula.

Talvez, algo que chegue próximo desta tão desejada alquimia do retorno ao trabalho padrão ouro, esteja na perícia bem realizada, por um Perito, motivado e capacitado. Que tenha conhecimento amplo da medicina, esteja a par da realidade da assistência em saúde de sua região e mostre compreensão do mundo do trabalho. E, utilizando-se de tais elementos, o Perito deve adicionar sua razão e sensibilidade na tomada da melhor decisão.

E, para que isso aconteça, é preciso que o INSS se mobilize, dando as condições necessárias.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. katia lucia

    21 de outubro de 2013 4:02 pm

    hernia inguinal

    boa tarde.

    primeiramente gostaria de saber se hernia inguinal pode aposentar.Como seria o entendimento do perito do inss em relação a solicitar uma aposentadoria por invalidez por lombalgia mie, sendo que ao voltar a contruibuir ele estava ausente de suas atividades por ter feito uma cirurgia de hernia inguinal, podemos analisar que o mes que ele voltou a contribuir estava sem exercer suas atividades, mas voltou normalmente logo apos o periodo do repouso. Entao tenho direito a solicitar aposentadoria por invalidez por lombalgia ou isso me impedi.

  2. ANA PAULA LANA MACIEL MOREIRA ARMOND

    20 de fevereiro de 2014 12:40 pm

    SOLUCIONAR DÚVIDA

    BOM DIA!

    NO MOMENTO ESTOU SEM TRABALHO, APÓS 24 ANOS E 9 MESES DE CARTEIRA ASSINADA. PRECISEI FAZER UMA CIRURGIA DE APENDICITE. VOU DAR ENTRADA NO AUXÍLIO DOENÇA. QUAL SERÁ O PERÍODO QUE TEREI DIREITO, VISTO QUE FOI UMA CIRURGIA DE URGÊNCIA, FICANDO INTERNADA POR 03 DIAS.

     

    AGRADEÇO O RETORNO.

    ANA PAULA

  3. ismaell

    25 de julho de 2014 8:34 pm

    pos operatorio hernia iguinal

    boa tarde,gostaria de saber quanto tempo ficamos  afastado do serviço e depois que volta as atividades se tem estabilidade

     

  4. Gislaine Aparecida froza

    30 de maio de 2017 9:27 am

    obesidade morbida

    Olá doutora, posso tirar uam dúvida com a senhora???

    Eu tenho 30 anos, tenho 1,65 e peso130 kg, sou obesa mórbida , faz quase um ano que estou desempregada e não consigo arrumar trabalho por que sou muito gorda, engordei 50 kg no meu ultimo trabalho devido a ansiedade, fui ao endocrinologista e tomava remedios pra ansiedade, porem depois que fiquei desempregada não consegui mais comprar o remedio , de la pra ca devido ao fato de não conseguir emprego tudoq que eu tinha emgrecido com tratamento engordei novamente devido a ansiedade, e por fazer varias entrevistas e nunca conseguir emprego . queria saber se eu posso entrar com pedido de beneficio no inss, pq sem receber nada eu nao consigo fazer um tratamento adequado?

     

    agradeço se obtiver alguam resposta .

     

    desde ja obrigada

    Gislaine

  5. Paulo Cezar Souza

    23 de novembro de 2017 11:10 pm

    Benefico aux doensa
    Ola tenho doensa cronica e progressiva hernias discal descopatia degenerativa fui encaminhado a reabilitasao fiz 4 meses de curso na escola de ensino pois tenh ha 5 serie do fundamental nao tiv mais condisoes de ir ao curso tenh deficiti nos menbros inf e presiso de acompanhante inf a perita do inss e a mesma me cessou o beneficio a minha pergunta e pode me desamparar a lei nao diz isso fala o contrario pois nao tenho mais condisoes de trabalho sou construtor civil e tenho laudos de incapacidade permanente e laudo de que nao posso permanecer em sala de aula por cid 10 M 51-54 -50 se puderem me responder no meu hemail agradeso

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