4 de junho de 2026

Defesa da fusão Sadia-Perdigão é derrubada no Cade

Do Estadão

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Relator do Cade derruba principais pontos de defesa da fusão da BRF

Para conselheiro, há ‘falhas de hipóteses’ nos estudos apresentados pelas companhias e uma ‘tentativa demais ambiciosa’ de expansão de mercado

Célia Froufe e Suzana Inhesta

BRASÍLIA – Ponto a ponto, o relator do processo da BRF Brasil Foods no Cade, Carlos Ragazzo, derrubou nesta quarta-feira, 8, os principais pontos apresentados pela companhia para aprovação da união das companhias Sadia e Perdigão. Segundo ele, as apresentações econométricas, por exemplo, não são “confiáveis”. “Há falhas significativas de programas para resultar equivocadamente em mercados diferentes da realidade”, avaliou.

Um exemplo foi a alegação das empresas de que, com a fusão, não haverá mudanças de preços de produtos finais para o consumidor. Esta afirmação deve ser vista com “fortes ressalvas”, segundo o relator. Ele disse também que o enquadramento de alguns produtos em alguns mercados relevantes não foi feito da melhor forma e que há necessidade de separação em alguns casos.

Para o conselheiro, há “falhas de hipóteses” nos estudos apresentados pelas companhias ao longo do processo e uma “tentativa demais ambiciosa” de expansão de mercado. “Os dados são contraditórios na comparação entre eles mesmos”, disse.

Por conta disso, o Cade decidiu apresentar um trabalho sobre o mercado relevante de atuação das companhias, chegando a 25 segmentos, que não foram citados pelo relator. “O Conselho valeu-se de todos os elementos qualitativos e quantitativos: das empresas, da Seae e da Procade”, citou. “Utilizamos o máximo de dados para embasar esta votação”, considerou, acrescentando que essa análise concluiu que os mercados relevantes são mais desagregados do que sugeriram Sadia e Perdigão.

Mercado de peru

Dando continuidade nas argumentações contrárias aos principais pontos apresentados pela Sadia e Perdigão na defesa da união de suas operações, o conselheiro relator do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Carlos Ragazzo, afirmou que há concentração da companhia no mercado de carne in natura de perus. Segundo ele, ainda na leitura de seu voto, as empresas apresentaram que as duas companhias teriam cerca de 20% da fatia desse mercado e que a principal concorrente da companhia, seria a Marfrig.

“Isso é discrepante, senão a Marfrig teria que ter quase a totalidade dos abates de perus”, disse o relator, ressaltando que a Marfrig informou que não tem capacidade ociosa nessa operação, o que fica mais difícil de competir com as rivais. Na avaliação dele, a participação de mercado da companhia no mercado de perus, é de 70%.

Ragazzo também explicou que antes de 2009, atuavam no mercado Sadia, Perdigão e Doux Frangosul, essa última com participação pouco relevante. Após a compra das operações da Doux pela Marfrig, em junho de 2009, houve somente a substituição de controle, ficando a Marfrig com a participação pequena de mercado. “Sem fusão – e isso acontecia antes -, a Sadia contestava preços da Perdigão e vice-versa e agora, se houver a fusão, não haverá poder de rivalidade nesse mercado, já que se configurará um duopólio de mercado”, declarou o relator.

Já no abate de aves e suínos, o Cade identificou uma participação de mercado da sadia e da perdigão acima de 20% e em bovinos, a fatia das companhias é pouco relevantes, já que a empresa não realiza abates próprios. “Não há dúvidas de que se trata de um ato de concentração de magnitude incomum”, declarou Ragazzo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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