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Jornal GGN – Em sua coluna no Estadão, José Roberto de Toledo fala sobre os 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca, afirmando que, comparando com russos, árabes e chineses, os brasileiros “não têm chance de ganhar o campeonato mundial de corrupção”. Segundo Toledo, o Brasil é peixe pequeno no ranking de corrupção, um elo de nível médio e semiperiférico.
Os Panamaparpes revelam 40 anos de correspondência da Mossack Fonseca, uma “fábrica” de offshores, mostrando que a corrupção é transnacional. Toledo ainda diz que, em tese, os investigadores da Lava Jato tiveram acesso a uma parte dos documentos, mas que policiais e procuradores confiscaram apenas o que estava na filial brasileira, enquanto os jornalistas puderam acessar dados relacionados a 39 países. Leia mais abaixo:
Do Estadão
Pega-pega global
José Roberto de Toledo
Mergulhar nos 11,5 milhões de documentos sobre o 1% do 1% da elite global cliente da Mossack Fonseca é um banho de humildade. Comparados a russos, árabes, chineses e até islandeses, os brasileiros não têm chance de ganhar o campeonato mundial de corrupção, não disputam pódio como lavador de dinheiro nem sequer o bronze por ocultação de patrimônio. No contexto da maior investigação sobre empresas de fachada que o mundo já viu, o Brasil é elo de nível médio, semiperiférico e nada original.
Nesses tempos em que a seleção brasileira comemora empate com o Paraguai, o reconhecimento internacional no panteão global da sonegação talvez compensasse a decadência futebolística. Nada. Só não tomamos de 7 x 1 graças às empreiteiras empenhadas em superfaturar a imagem do Brasil no exterior. No #PanamaPapers, perdemos da rival Argentina em citação de presidentes, ex-presidentes e até do principal craque de futebol do país.
Ironia à parte, o grande mérito dos #PanamaPapers é revelar – através da exposição de 40 anos de correspondência interna de uma das mais tradicionais “fábricas” de offshores do mundo, a panamenha Mossack Fonseca – como a corrupção é transnacional, como os paraísos fiscais servem propositalmente ou não à ocultação de bens obtidos de maneira duvidosa e como essa é uma prática universal. Não há jabuticaba em matéria de corrupção e sonegação. Também aqui nada se cria, tudo se copia.
Isso não diminui a gravidade dos crimes que eventualmente venham a se comprovar envolvendo lavagem de dinheiro e sonegação fiscal através de empresas de fechada criadas pela Mossack Fonseca para brasileiros. O Brasil é dos raros países onde autoridades haviam tomado medidas práticas contra a Mossack antes de #PanamaPapers vir à tona. Na fase Triplo X da Lava Jato, o escritório da empresa em São Paulo foi alvo da Polícia Federal, funcionários foram presos e todos os computadores foram apreendidos.
Em tese, os investigadores da Lava Jato tiveram acesso a uma parte da documentação eletrônica a que os jornalistas envolvidos no #PanamaPapers também tiveram. A diferença é que os policiais e procuradores confiscaram apenas o que estava na filial brasileira, enquanto a equipe transnacional de jornalistas tem acesso a um banco de dados com e-mails, procurações, certificados de ações ao portador, e cópias de passaportes de clientes, usufrutuários e diretores de offshore em 39 países.
Policiais e procuradores têm uma vantagem fundamental, porém: eles têm meios de cruzar os dados da Mossack Fonseca com registros sigilosos da Receita Federal e do Banco Central para saber se as empresas offshore de brasileiros foram devidamente declaradas. Abrir uma offshore ou manter conta bancária no exterior não é crime, desde que se comunique as autoridades a respeito. Há motivos para empresas que operam no exterior, por exemplo, constituírem offshores. A questão é separar o legítimo do ilegítimo, o legal do ilegal. É o que a Lava Jato pode fazer.
O #PanamaPapers é provavelmente a maior investigação jornalística global de que se tem notícia: 374 repórteres de 109 veículos de comunicação em 76 países. Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que decidiu compartilhá-los com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês), a mesma organização que dera à luz o SwissLeaks, sobre contas do banco HSBC na Suíça.
É uma investigação em curso. Novos casos continuam sendo verificados, cruzamentos continuam sendo feitos. E desdobramentos do #PanamaPapers ainda estão por vir: da eventual queda do primeiro-ministro da Islândia – pego em um inexplicável conflito de interesses – ao presumível pega-pega global que policiais, procuradores e agências de segurança nacionais e internacionais deverão promover a partir de agora – ou não.
CarloB
4 de abril de 2016 11:35 amO problema é que a mídia que eles escolhem
aqui no Brasil sempre tem o rabo preso com a casa grande.
Provavelmente vai ter o mesmo fim das outroa investigações , vide HSBCleaks.
Só vão usar alguma coisa que pode ferrar o governo.
E só vou acreditar na idoneidade desses jornalistas se o Triplex de Paraty aparecer na jogada.
marcio r
4 de abril de 2016 11:57 amO que inventamos?
… tudo por dinheiro. A maior fantasia do sistema financeiro é que se acredita nele.
rdmaestri
4 de abril de 2016 12:13 pmA Raposa cuidando do Galinheiro. Ou “O Império contra-ataca”.
Este tal de Consórcio Internacional de Jornalistas sediado em Washington e com ramificações brasileiras nos grandes jornalões e seus sabujos como “jornalistas independente” me causa uma auternância entre ânsias de vômito e ataques de riso.
É extremamente relevante que políticos norte-americanos não são citados (talvez o Donald Trump por entrar em domínio que não é seu, vá aparecer nesta lista) nem grandes industriais ou coorporações, se analizarmos os nomes internacionais que aparecem pode-se claramente notar que são convenientes ao sistema Norte-Americano.
Todos os ditadores que foram postos e depostos pela CIA e outras agências norte-americanas tem seus nomes citados, também por vias transversas aparece o presidente Russo Putin, simplesmente porque enquanto ele está ajudando a Síria e os Curdos a se livrarem da praga universal que se chama DAESH, libertando a cidade histórica de Palmira, patrimônio histórico da Humanidade, o seu congênere norte-americano Obama aparece nas notícias internacionais tentando explicar porque seus drones matam civis.
A grande novidade é que as famílias reais árabes, que além de financiar o terrorismo do DAESH estão inviabilizando o Shale Oil norte-americano, começaram a aparecer falando sobre tudo que já se sabia há dezenas de anos.
Estes tais de PanamáPapers, poderia ter seu nome substituído por CIA-Papers ou NSA-Papers, pois realmente é um contra-ataque mediático do império norte-americano, atacando pontualmente todos os adversários e inimigos, novos ou velhos.
Jean Baptiste
5 de abril de 2016 3:14 pmSei de aquisições de algumas
Sei de aquisições de algumas das maiores empresas brasileiras por companhias americanas sendo que uma foi adquirida através da corporate estabelecida nas Ilhas Virgens e outra em Luxemburgo.
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
4 de abril de 2016 12:23 pmRicardo Costa ficou
Ricardo Costa ficou desconfiado dos #panamapapers: muito BRICs, nenhum EUA
VIOMUNDO -publicado em 04 de abril de 2016 às 00:16
George Soros, um dos financiadores do ICIJ
por Ricardo Costa, via Facebook
Vamos analisar conjunturas sobre The Panama Papers e “tudo isso que está aí”:
— Denuncia-se em todos os grandes jornais do mundo — capas de sites — que Vladimir Putin (Rússia) tem 2 bi de dólares escondidos em paraísos fiscais;
— O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, está sofrendo um processo de impeachment por [supostamente] ter reformado sua casa particular com 16 mi de dólares não devolvidos aos cofres públicos;
— No vazamento supracitado entrega-se membros do PC chinês, mais exatamente do “ninho do dragão” (quem dá as ordens mesmo!), que teriam valores em offshores;
— Há uma série de nomes e empresas transnacionais indianas envolvidas na operação, políticos, empresários, dentre outros;
— Jogaram no ventilador nomes como Cunha, Joaquim Barbosa, outros envolvidos na Lava Jato — o que é perfeitamente salutar. No entanto, a República de Curitiba tenta a todo custo ligar o nome do Lula com a empresa, mas nessa lista ele não aparece. Lembro-me que no primeiro trabalho que o ICIJ fez sobre o “HSBC leaks”, seguraram um monte de dados de figurões interessados no impeachment (mídia, bancos, empresários, artistas) e só saiu para o cidadão da Folha, que fez um agrado aos patrões. Até o momento não vazou nada da Globo, confirmada por aqui como dona de offshore;
— A FIFA está fora do vazamento. Por sinal é um dos últimos redutos nos quais o governo norte-americano não interfere diretamente. Ele dita as regras na ONU, mas não faz isso na FIFA, onde temos muitas empresas concorrentes com as americanas. Os EUA têm obtido excelentes resultados com sua liga de futebol, entretanto a influência dela na FIFA, se comparada com as ligas europeias e sul-americanas, é quase nula;
— O primeiro ministro britânico aparece nos Panama Papers, no momento em que faz o referendo para sair da UE, o que desagrada boa parte da Europa ocidental e a Alemanha;
— O jornal que divulgou, Süddeustche Zeitung, segundo o Wikipedia foi o primeiro jornal a circular em Munique depois da Segunda Guerra, com permissão “especial dos aliados”; no site da embaixada da Alemanha, identifica-se como “liberal-esquerdista” (fiquei curioso em saber como é isso);
Observe que o vazamento não tem uma empresa norte-americana sequer, nem um figurão (que eles chamam de power player), mas em todos os lugares tidos como “problemáticos” pela diplomacia americana aparecem citados, especialmente nos BRICs. Ou este pessoal dos Estados Unidos usa outras offshore ou são extremamente honestos desde o ano de fundação da Mossack&Fonseca, em 1977. Não é estranho, nenhuma citação sequer? A pulga está atrás da orelha…
Wsobrinho
4 de abril de 2016 12:32 pmNo mínimo estranho.
Quando a esmola é demais o Santo desconfia.
BRICS – esta sopinha de letras diz muita coisa na Geopolítica mundial.
E os principais protagonistas Brasil, Rússia e China estão COINCIDENTEMENTE no centro deste divulgação, e municiando fortemente as oposições liberais internas.
SIMPLES COINCIDÊNCIA – NSA?
vera lucia venturini
4 de abril de 2016 12:38 pmManipulação do Toledo
Manipulação do Toledo engrandecendo a Lava jato. Não foram atrás da Mossack para pegar peixe grande, queriam o Lula. Acharam a Globo, o Joaquim Barbosa e sabe-se lá quem mais e engavetaram rapidinho a operação. Para ressuscitar o caso Celso Daniel em seguida.
O que fizeram com os arquivos? O bando de militantes políticos e manipuladores da Lava Jato vão investigar o caso agora? Vão nada. Mas estão expostos na sua hipocrisia e golpismo.
Ivan de Union
4 de abril de 2016 5:01 pmAh, mas pera la que tem mais
Ah, mas pera la que tem mais “coincidencias” aqui…
Praticamente todo mundo da LavaBunda esta la nos papeis do Panama. Eh o maior trabalho de investigacao do planeta que a PF “descobriu” TODOS eles antes desses papeis aparecerem ou… eles foram vazados especificamente pra PF brasileira antes de tudo? Note se que ate mesmo o nome da compania estava envolvido… ate a rede golpe se enrolar, e o sumico repentinissimo de qualquer mencao aa Mossack Fonseca foi um pouco “subito” demais.
Ate prova em contrario, nao so a policia como ate mesmo a rede golpe ja tinham acesso a esses papeis no ano passado. Como foi que essa operacao da pf brasileira nao fez um unico erro com os acusados, gente? E como a pf brasileira e Moro ambos se sujeitaram a andar de costas no momento exato que o nome da rede golpe foi envolvido?
Tem milagre demais nessa historia!
era republicana
5 de abril de 2016 1:37 amo próprio toledo nas
o próprio toledo nas entrelinha admite ue houve omissão e seletividade na
escolha dos nomes envolvidos nisso aí…
por que putin, chiuneses, oafricano do sul- tudo brics?
a lista só beneficia a geopolítica ianque….
comprova-se com isto que os eua estão envolvidos no golpe?