Parallaksis Mundo
Política internacional em debate
SEXTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2011
Egito: tudo começou com uma jovem muçulmana
Quando o medo impede que bilhões manifestem seu descontentamento… quando a voz de bilhões está presa na garganta… alguém tem de mostrar a cara, dar o primeiro passo e o primeiro grito.
No Egito, a primeira cara, e primeiro passo e o primeiro grito foram dados por uma mocinha muçulmana, de fala mansa mas decidida, de voz doce mas firme, de rosto suave e vontade de aço.
Foi ela que chamou a multidão às ruas. Foi ela que, dias antes do histórico 25 de janeiro, foi à Praça da Liberdade, no Cairo, para protestar contra a corrupção, a pobreza, a falta de respeito com que o governo trata a população egípcia — e que já levara quatro jovens egípcios a atear fogo ao corpo, como na Tunísia. Um desses jovens morreu. Nesse dia, a mocinha postou um aviso na sua página do Facebook: iria à praça depois do trabalho e atearia fogo ao corpo se nada fosse feito para mudar aquele estado de coisas.
Três garotos juntaram-se a ela. Com um cartaz de protesto nas mãos, ela começou a gritar, o mais alto que podia, por que decidira queimar a si mesma até a morte: para lutar pela dignidade do povo egípcio. Dezenas de pessoas a cercaram e logo a polícia chegou, impedindo-a de agir.
A mocinha então fez um vídeo caseiro e o postou no You Tube, convocando aqueles capazes de mostrar a indignação, aqueles que não tinham vergonha, aqueles que ainda tinham honra, a juntar-se a ela no dia 25 de janeiro de 2011 na Praça da Liberdade para protestar contra a ditadura de Mubarak.
O nome dela é Asmaa Mahfouz, 26 anos. Egípcia. Árabe. Universal.Salám Aláikum, Asmaa!
Você verá três vídeos. O primeiro é o que Asmaa colocou no Facebook, chamando seus compatriotas para reunir-se a ela, em protesto, em 25 de janeiro. Você perceberá que ela pediu que, se as pessoas não quisessem ir à praça, que se encontrassem onde quer que fosse e protestassem. As pessoas fizeram isso, como você deve ter lido na primeira postagem de Robert Fisk — e, em grupos, acorreram à praça, como Fisk testemunhou.
No segundo, Asmaa comenta suas impressões sobre o 25 de janeiro. Já o terceiro traz uma entrevista dela para a MEMRI TV — The Middle East Media Research Institute.
Agradeço ao amigo palestino Husán Bajis por ter avisado que tudo começou com ela. Saravá, Husán e Asmaa! Estamos com vocês, palestinos, egípcios, jordanianos, tunisianos, sírios, ienemitas e todas as pessoas que ainda têm honra, dignidade e coragem de mudar este mundo.
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