4 de junho de 2026

Egito: o contorcionismo verbal de Merval Pereira

 

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Num mundo em que qualquer um pode pescar a verdade histórica na rede, Merval parece que ainda fala para os leitores da era em que a velha mídia tinha o monopólio da fala.

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O nobre colunista do Globo Merval Pereira esquece comumente que a credibilidade é importante para qualquer gênero jornalístico – com a exceção talvez daqueles mais próximos ao entretenimento.  Em especial, esquece que, no gënero analítico/opinativo, a não contradição é algo vital.

Como ele é pouco hábil com as palavras, suas torções verbais ficam à mostra e as contradições chegam  a se tornar burlescas.

Mas dessa vez ele foi longe demais. Para Merval, “o governo americano parece estar empenhado em defender a liberdade na internet como um instrumento político para espalhar a democracia em regiões como o mundo árabe”.

Ou seja, o colunista está tentando nos dizer que os protestos da Tunísia e do Egito foram desencadeados com o apoio de Washington.

Num mundo em que qualquer um pode pescar a verdade histórica na rede, Merval parece que ainda fala para os leitores da era em que a velha mídia tinha o monopólio da fala.

Merval, num exemplo inacreditável de contorcionismo sofístico, tenta fazer o seu leitor, que deve ser anafalbeto em relações internacionais, esquecer que o ditador Mubarak contou com 30 anos de apoio incondicional dos EUA, inclusive com ajuda financeira para manter o governo autoritário, além de exportação de armas que fizeram daquele país a segunda potência da região.

As armas que matam manifestantes são importadas do mesmo lugar de onde foram proferidas as envergonhadas palavras de Obama.

Entendo que Merval não queira descontentar seus patrões, e goste muito de ganhar mimos, em forma de  premiações,  dos amigos de Washington e Nova Iorque.

Mas a profissão de jornalista exige um pouco mais do que premiações por puxa-saquismo.

Para terminar, o trecho final de Merval Pereira, em coluna publicada domingo, 30, no Globo.

“O Egito, por exemplo, está tentando impedir que imagens das revoltas em diversas partes do país contra a ditadura de Hosni Mubarak sejam enviadas pelo Facebook ou pelos celulares, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo para que fossem restabelecidos os serviços de internet (que classificou de ícone da liberdade), de telefonia celular e redes sociais”.

Bela forma de espalhar a democracia.

 

 

 

Redação

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