5 de junho de 2026

Incerteza com cenário econômico levou à manutenção da Selic

Segundo ata, inflação elevada é decorrente dos ajustes ocorridos em 2015

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Jornal GGN – A maioria dos integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sinalizou que as incertezas relacionadas ao processo de retomada dos resultados fiscais e o comportamento da inflação foram pontos de influência sobre a decisão anunciada na última semana – por seis votos a dois, o colegiado decidiu pela manutenção da taxa Selic em 14,25% pela quinta vez consecutiva. De acordo com o documento divulgado, as incertezas com relação ao cenário externo também continuam, com destaque para o desempenho da economia chinesa e a evolução dos preços do petróleo.

Segundo o documento, o elevado patamar da inflação é decorrente dos processos de ajustes de preços ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que “fazem com que a inflação mostre resistência”. Para os membros do comitê, esses processos têm impactos diretos sobre a taxa de preços, mas a política monetária pode, deve e está contendo os “efeitos deles decorrentes”.

O Copom também fala da necessidade de seguir acompanhando o desenvolvimento nos ambientes doméstico e externo e seus impactos sobre o balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017. “Ressalte-se a importância de se perseverar na promoção de reformas estruturais de forma a assegurar a consolidação fiscal em prazos mais longos”, registra a ata.

Em comunicado, o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, explica que a ata apresentou algumas alterações. Em um dos parágrafos, o Copom dá mais peso ao resultado fiscal “ao externar a preocupação com materialização dos ganhos do ajuste macroeconômico em curso sem o fortalecimento da percepção de sustentabilidade do balanço do setor público”.

Além disso, o economista diz que, no parágrafo 28, “o Comitê dá a entender que na sua leitura atualmente a inflação é ajustes de preços relativos já ocorridos na economia na economia  e que existe um novo componente, a recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que fazem com que a inflação mostre resistência”. Também existe uma referência a um hiato do produto mais desinflacionário do que o previsto – ou seja, a entidade sinaliza que a recessão se aprofundou mais do que o anteriormente imaginado.

“A manutenção da leitura de que as incertezas externas continuam, somada a um hiato do produto (indicador que mede a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial (em % deste último)) maior que o esperado e a um mercado de trabalho com elevada distensão dão o sinal de que o próximo passo do BCB será um ciclo de redução da taxa Selic”, diz Perfeito.

Segundo o economista, a autoridade monetária continua com a estratégia traçada na reunião de janeiro de manutenção da taxa Selic devido à expectativa de que a queda da inflação corrente será maior do que a esperada pelo mercado e a consequente maior abertura do juro real resultará respectivamente em ancoragem da expectativa inflacionária. “Acreditamos que o processo de desinflação corrente começou em fevereiro devendo se intensificar e surpreender o mercado ao longo do primeiro semestre de forma a corroborar com a estratégia do BCB e possibilitar o início da queda do juros na reunião de outubro”, ressalta.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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5 Comentários
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  1. JB Costa

    10 de março de 2016 4:55 pm

    Lembrei do chiste: “Se não

    Lembrei do chiste: “Se não tem tu, vai tu mesmo”.

    Não tem jeito: a elevação da taxa de juros sempre será justificável para qual cenário. No Direito Penal, na dúvida, pró-réu. 

    Já no BACEN, na dúvida, sobe ou mantém os juros. Vai precisar todas as variáveis estejam favoráveis(dezenas) para que os juros declinem. Ou seja: num cenário utópico.

    Um país com 3% de retração no produto, desemprego causando estrago social, atividade econômica numa pasmaceira  danada, e o Banco Central com política monetária “neutra”.

    Afinal, para que serve mesmo essa autarquia? Só para imprimir dinheiro?

     

     

    1. Felipe@

      10 de março de 2016 5:22 pm

      Não é apenas aqui. Na Rússia

      Não é apenas aqui. Na Rússia também estão com sérios problemas.

      A pretexto de garantir a autonomia da política monetária dos BCs, os governos são obrigados, por imposições externas (“ou faz assim ou recebe sanções”) a lá colocar verdadeiros sabotadores, trabalhando o tempo todo contra o país. É inacreditável o estrago que Tombini e a sua turma estão fazendo ao país.

      Como certa feita alguém postou por aqui, agem como os médicos de antigamente – “dor de cabeça? sangria nele.”, “dor de dente? sangria também”…
      Mas esse escândalo não é escandalizado pela grande mídia. Metade do orçamento da União indo para pagar juros da dívida não vem ao caso.

  2. Ninguém

    10 de março de 2016 5:27 pm

    Estamos f*did*s e mal pagos.

    Qualquer desculpa serve para manter a selic nas alturas e contribuir para as desculpas esfarrapadas dadas pelos bancos para manter spreads escorchantes. Só espero que 2018 chegue logo.

  3. W K

    10 de março de 2016 8:32 pm

    Cada vez que ouço esses pseudo gurus falando de juros,

    lembro do George Bush, afirmando existirem armas de destruição em massa no Iraque, e isso justificaria uma invasão, como aconteceu. 

     

    Por outro lado, cabe lembrar também que quando a invasão ocorreu, dirigentes xiitas, sunitas e curdos assinaram um manifesto dizendo mais ou menos o seguinte: “um dia voltaremos a governar o Iraque. Nesse dia anularemos sem indenização quaisquer medidas tomadas contra as riquezas iraquianas.” Fica a lembrança. 

  4. altamiro souza

    11 de março de 2016 12:36 am

    o mais ironico é que se a


    o mais ironico é que se a economia mehorar são capazes de

    argumentar que bem por isso mesmo é preciso aumentar os juros.!!!!

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