
Jornal GGN – A maioria dos integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sinalizou que as incertezas relacionadas ao processo de retomada dos resultados fiscais e o comportamento da inflação foram pontos de influência sobre a decisão anunciada na última semana – por seis votos a dois, o colegiado decidiu pela manutenção da taxa Selic em 14,25% pela quinta vez consecutiva. De acordo com o documento divulgado, as incertezas com relação ao cenário externo também continuam, com destaque para o desempenho da economia chinesa e a evolução dos preços do petróleo.
Segundo o documento, o elevado patamar da inflação é decorrente dos processos de ajustes de preços ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que “fazem com que a inflação mostre resistência”. Para os membros do comitê, esses processos têm impactos diretos sobre a taxa de preços, mas a política monetária pode, deve e está contendo os “efeitos deles decorrentes”.
O Copom também fala da necessidade de seguir acompanhando o desenvolvimento nos ambientes doméstico e externo e seus impactos sobre o balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017. “Ressalte-se a importância de se perseverar na promoção de reformas estruturais de forma a assegurar a consolidação fiscal em prazos mais longos”, registra a ata.
Em comunicado, o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, explica que a ata apresentou algumas alterações. Em um dos parágrafos, o Copom dá mais peso ao resultado fiscal “ao externar a preocupação com materialização dos ganhos do ajuste macroeconômico em curso sem o fortalecimento da percepção de sustentabilidade do balanço do setor público”.
Além disso, o economista diz que, no parágrafo 28, “o Comitê dá a entender que na sua leitura atualmente a inflação é ajustes de preços relativos já ocorridos na economia na economia e que existe um novo componente, a recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que fazem com que a inflação mostre resistência”. Também existe uma referência a um hiato do produto mais desinflacionário do que o previsto – ou seja, a entidade sinaliza que a recessão se aprofundou mais do que o anteriormente imaginado.
“A manutenção da leitura de que as incertezas externas continuam, somada a um hiato do produto (indicador que mede a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial (em % deste último)) maior que o esperado e a um mercado de trabalho com elevada distensão dão o sinal de que o próximo passo do BCB será um ciclo de redução da taxa Selic”, diz Perfeito.
Segundo o economista, a autoridade monetária continua com a estratégia traçada na reunião de janeiro de manutenção da taxa Selic devido à expectativa de que a queda da inflação corrente será maior do que a esperada pelo mercado e a consequente maior abertura do juro real resultará respectivamente em ancoragem da expectativa inflacionária. “Acreditamos que o processo de desinflação corrente começou em fevereiro devendo se intensificar e surpreender o mercado ao longo do primeiro semestre de forma a corroborar com a estratégia do BCB e possibilitar o início da queda do juros na reunião de outubro”, ressalta.
JB Costa
10 de março de 2016 4:55 pmLembrei do chiste: “Se não
Lembrei do chiste: “Se não tem tu, vai tu mesmo”.
Não tem jeito: a elevação da taxa de juros sempre será justificável para qual cenário. No Direito Penal, na dúvida, pró-réu.
Já no BACEN, na dúvida, sobe ou mantém os juros. Vai precisar todas as variáveis estejam favoráveis(dezenas) para que os juros declinem. Ou seja: num cenário utópico.
Um país com 3% de retração no produto, desemprego causando estrago social, atividade econômica numa pasmaceira danada, e o Banco Central com política monetária “neutra”.
Afinal, para que serve mesmo essa autarquia? Só para imprimir dinheiro?
Felipe@
10 de março de 2016 5:22 pmNão é apenas aqui. Na Rússia
Não é apenas aqui. Na Rússia também estão com sérios problemas.
A pretexto de garantir a autonomia da política monetária dos BCs, os governos são obrigados, por imposições externas (“ou faz assim ou recebe sanções”) a lá colocar verdadeiros sabotadores, trabalhando o tempo todo contra o país. É inacreditável o estrago que Tombini e a sua turma estão fazendo ao país.
Como certa feita alguém postou por aqui, agem como os médicos de antigamente – “dor de cabeça? sangria nele.”, “dor de dente? sangria também”…
Mas esse escândalo não é escandalizado pela grande mídia. Metade do orçamento da União indo para pagar juros da dívida não vem ao caso.
Ninguém
10 de março de 2016 5:27 pmEstamos f*did*s e mal pagos.
Qualquer desculpa serve para manter a selic nas alturas e contribuir para as desculpas esfarrapadas dadas pelos bancos para manter spreads escorchantes. Só espero que 2018 chegue logo.
W K
10 de março de 2016 8:32 pmCada vez que ouço esses pseudo gurus falando de juros,
lembro do George Bush, afirmando existirem armas de destruição em massa no Iraque, e isso justificaria uma invasão, como aconteceu.
Por outro lado, cabe lembrar também que quando a invasão ocorreu, dirigentes xiitas, sunitas e curdos assinaram um manifesto dizendo mais ou menos o seguinte: “um dia voltaremos a governar o Iraque. Nesse dia anularemos sem indenização quaisquer medidas tomadas contra as riquezas iraquianas.” Fica a lembrança.
altamiro souza
11 de março de 2016 12:36 amo mais ironico é que se a
o mais ironico é que se a economia mehorar são capazes de
argumentar que bem por isso mesmo é preciso aumentar os juros.!!!!