
Jornal GGN – Ontem, sexta-feira (19), o escritor Umberto Eco faleceu em Milão, na Itália. Ele tinha 84 anos e a causa da morte não foi revelada. Entre os livros que escreveu, destaca-se O nome da rosa, que teve mais de 10 milhões de unidades vendidas e foi adaptado para o cinema.
Umberto Eco nasceu na cidade de Alexandria, na região de Piemonte, norte da Itália, em 5 de janeiro de 1932. Era um observador sagaz da sociedade moderna.
Da Folha de S. Paulo
Morre escritor italiano Umberto Eco, autor de ‘O Nome da Rosa’, aos 84
Morreu nesta sexta-feira (19), aos 84 anos, em Milão, o escritor e ensaísta italiano Umberto Eco. A causa da morte do autor, que tinha um câncer, não foi revelada.
Filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo, Umberto Eco era personalidade de renome no meio acadêmico. Sua obra mais célebre foi “O Nome da Rosa”, livro que mistura a estrutura de um romance policial com referências eruditas. A obra, lançada em 1980, foi adaptada para o cinema seis anos depois pelo diretor Jean-Jacques Annaud.
No longa, Sean Connery interpreta o frade franciscano Guilherme de Baskerville, enquanto Christian Slater vive o noviço Adso von Melk. Ambos os religiosos investigam mortes que ocorreram em uma abadia no século 14.
“O Nome da Rosa”, que vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido para cerca de 30 línguas, foi a primeira obra em que colocou em prática suas teorias sobre a literatura, tendência que seguiria em seus outros romances.
Seu último livro, “Número Zero”, foi lançado no ano passado como uma crítica ao mau jornalismo e à manipulação de fatos. À época, Eco disse: “Essa é a minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas”.
Ele também escreveu obras como “O Pêndulo de Foucault” (1988) e “O Cemitério de Praga” (2010), lançados no Brasil pela editora Record, além de “Tratado Geral de Semiótica” (1975) e “Apocalípticos e Integrados” (1964), publicados no país pela editora Perspectiva. Seus trabalhos eram usados em cursos de comunicação em todo o mundo.
Umberto Eco nasceu na cidade de Alexandria, na região de Piemonte, norte da Itália, em 5 de janeiro de 1932.
Contrariando os desejos do pai, que queria que ele fosse advogado, Eco entrou na Universidade de Turim para estudar filosofia medieval. Escreveu sua tese sobre o teólogo Tomás de Aquino e se formou em 1954. Diz que, enquanto estava na universidade, deixou de acreditar em Deus -um dos pilares de sua educação- e abandonou a religião.
Foi editor de cultura para a emissora estatal italiana RAI e deu aulas na Universidade de Turim. Durante o ofício no meio cultural, entre os anos 1950 e 1960, conheceu artistas que tiveram forte influência em sua decisão de seguir com a literatura.
Entre eles, destaca-se o Gruppo 63, coletivo literário de neovanguarda criado em 1963 por Francesco Agnello.
Em setembro de 1962, casou-se com Renate Ramge, uma professora de arte alemã com quem teve um casal de filhos. Dividia o tempo entre sua residência em Milão -onde tinha uma biblioteca com 30 mil títulos- e sua casa de veraneio em Urbino.
Em 1988, fundou o departamento de comunicação da Universidade de San Marino e, 20 anos mais tarde, tornou-se professor e presidente da escola superior de humanidades da Universidade de Bolonha.
CRONOLOGIA
1932: Nasce Umberto Eco, em Alexandria, na Itália
1946: Vira militante da juventude católica italiana, que vai abandonar em 1954, quando abandona o catolicismo
1954: Forma-se Ph.D na Universidade de Turim
1956: Publica sua tese de doutorado sobre São Tomás de Aquino
1954-1959: Começa a trabalhar na rede de TV italiana RAI
1962: Casa-se com a alemã Renate Ramge e publica “Obra Abera”, antologia com seus ensaios
1963: Ajuda a fundar o Gruppo 63, grupo contracultural influenciado por Roland Barthes, que analisa a cultura de massa
1964: Lança “Apocalípticos e Integrados”, obra na qual analisa a cultura de massa e os meios de comunicação
1971: Começa a ensinar na Universidade de Bolonha
1976: Publica “Tratado Geral da Semiótica”
1980: Lança “O Nome da Rosa”, que vira um best-seller internacional, traduzido para mais de 30 línguas
1981: Ganha o Prêmio Médicis Estrangeiro e o Prêmio Strega por “O Nome da Rosa”
1986: “O Nome da Rosa” vira filme, dirigido Jean-Jacques Annaud
1988: Lança “O Pêndulo de Foucault”
1993: Funda o Instituto das Disciplinas de Comunicação, na Universidade de Bolonha
1994: Publica “Ilha do Dia Anterior”
2000: Publica “Baudolino”
2004: Publica “A História da Beleza” e “A Misteriosa Chama da Rainha Loana”
2010: Lança “O Cemitério de Praga”
2015: Sai o romance o “O Número Zero”
Sergio Saraiva
20 de fevereiro de 2016 10:38 amUma grande perda para o mundo do conhecimento.
E para mim, como se tivesse perdido um velho professor.
Enfim, o tempo não passa, passamos todos por ele.
As ideias ficam.
cezarperin
20 de fevereiro de 2016 10:43 amSabia das coisas
Seu ultimo livro , ao que consa, fala sobre o baixo nível do jornalismo …e pinciplamente asore manipulação
Noctivago
20 de fevereiro de 2016 11:56 amO artista, além do pensador
Penso que é difícil, ou pesarosamente difícil, sofrer criativamente. O livro que se escreve, ou se escreveu, foi tão grande, tão grande, que a nós acaba escrevendo. E escrevendo a todos nós próprios, fica tomado o autor por apenas um de nós. Nunca se consegue escapar dele. Harold Bloom, captando a força do livro, mesmo mais fortes que quaisquer idéias deste mesmo livro, tributa que o ‘inconsciente’ literário é caudaloso, indomável e frequentente engole o autor. É seu o pensamento que o Hamlet (literário, não o arquetípico paciente ) de Freud não tinha ou possuía o famoso complexo de Édipo. Freud, sim, pela grandiosidade do personagem e riqueza da peça (a primeira a aludir diretamente ao inconsciente – ou seja, fundava diretamente a idéia ) tinha um profundo ( nunca superado?), ‘ complexo de Shakespeare ‘.
Penso que o Eco literato, romancista, tropeçou com uma destas obras. Pouco conseguiu acrescentar, diante do caudal criativo (indomável ) evocado por sua obra maior. O conhecimento é uma aventura da qual, desenrolando-se como pergaminho, revela a Adso e William conseguir explicar tanto a nossa e quanto suas próprias biografias. Organizando a vida e roteirizando a razão. Tornar enfim suportável o insuportável. O conhecimento tocaria as fímbrias da transcendência religiosa, nítida a imanência. Ele mesmo, Eco, descreve que a história ou relato base, lhe chegou em meio a uma aventura amorosa. Incompleta esta, ficaram desviados e perdidos, por anos, os supostos originais. Recuperados, ele conta a história com maestria de adereços e densidade, não recusando a narrativa ao ‘eu’ de Adso. Em que medida os originais são maiores que o talento da pena de Eco, nunca ( e muito mais agora ) saberemos.
cearperin
20 de fevereiro de 2016 12:40 pmMau jornalismo
SEu último romande fala que não quis escrever um “tratado de jornalismo”, mas contar uma história sobre os limites da informação, sobre como funciona uma máquina de denegrir, e não tanto sobre o trabalho de informar
altamiro souza
20 de fevereiro de 2016 12:42 pmgrande eco.
grande eco. asdmitrável…
idade média – toda a cultura na abadia.assassinatos…igreja…nome da rosa…
gutenberg, renascença;;;
idade mídia – toda cultura submissa ào espírito da banca….financeirização..
internet – em nome de que?
Casadei
20 de fevereiro de 2016 12:43 pmUmberto Eco
Seu nome de família era declaradamente um acronimo do latim ‘ex caelis oblatus’, “um presente dos céus”, que foi dado a seu avô, um fundador, por um oficial da cidade.
http://u.afp.com/Znxx
Casadei
20 de fevereiro de 2016 12:48 pmUmberto Eco
http://www.ansa.it/sito/notizie/cultura/2016/02/20/morto-umberto-eco-aveva-84-anni_d9e7caad-bf35-4a9d-8a79-9c9b07def883.html https://youtu.be/uM49dWlZAZI
Maria Luisa
20 de fevereiro de 2016 12:51 pmA Nova Idade Média
13. A Transição Permanente
Dessa nossa Idade Média ja se disse que sera uma época de “transição permanente” na qual serão adotados novos métodos de adaptação: o problema não era tanto do de conservar cientificamente o passado quanto o de elaborar hipoteses sobre o aproveitamento da desordem, entrando na logica da conflitualidade. Nascerah, como ja esta nascendo, uma cultura de readaptação continua, nutrida de utopia. Foi assim que o homem medieval inventou a universidade, com a mesma desinibição com que os clérigos vagantes de hoje a estão destruindo; e talvez transformando. A Idade Média conservou a seu modo a herança do passado não para hibernação, mas para continua retradução e reutilização, foi uma imensa operação bricolage em equilibrio instavel entre nostalgia, esperança e desespero.
Sob sua aparência imoblista e dogmatica foi, paradoxalmente, um momento de “revolução cultural”. O processo todo foi naturalmente caracterizado por pestes e massacres, intolerância a morte. Ninguém diz que a nova Idade Média representa uma perpectiva de todo alegre. Como diziam os chineses para maldizer alguém: “Que você possa viver numa época interessante”.
1972
Umberto Eco – Ensaio. Viagem na Irrealidade Cotidiana
9° edição – editora Nova Fronteira
antonio francisco
20 de fevereiro de 2016 1:01 pmGrande Umberto Eco
Seu O Nome da Rosa muito me impressionou. Li e reli. E vi o filme. E revi.
Extraordinário.
Doney
20 de fevereiro de 2016 2:36 pmUmberto Eco, bem como
Umberto Eco, bem como Hobsbawm, Borges, Benedetti, Eduardo Galeano e outros, mereceram muito um prêmio nobel e não receberam (enquanto outras nulidades foram galardoadas).
Fabio !
20 de fevereiro de 2016 11:00 pm!
Como todos os grandes , tem que partir para se tornar imortal . Permanecer neste vale de mediocridade vai se tornando penoso.
A falta de reconhecimento por parte do establishment só afeta áqueles que não souberam reverencia-lo. E o torna maior ainda .