
Da Revista Pazes
Os 7 princípios da etapa média da educação finlandesa:
1. Igualdade…
… das escolas;
Lá não existe isso de ’escola de elite’. A maior das escolas acolhe 960 alunos, e a menor, 11, mas todas possuem as mesmas qualidades, recursos e financiamento, proporcionalmente ao seu tamanho. Quase todas as escolas são estatais, embora meia-dúzia delas sejam em parte privadas. O diferencial dessas escolas particulares, além das mensalidades, é que os alunos levam um ritmo mais pesado; em geral são colégios de formação especial que seguem modelos pedagógicos específicos: o de Montessori, de Freinet, de Morton ou de Waldorf. Escolas de idiomas, como de inglês, francês e alemão, também são particulares.
E, seguindo esse mesmo princípio de igualdade, na Finlândia existe um sistema paralelo de ensino da língua finlandesa que vai do jardim da infância à universidade. E também, no norte do país, na Lapônia, onde vive o povo lapão (e o Papai Noel), há o ensino de seu idioma nativo.
Antes, os finlandeses eram proibidos de escolher em qual escola seus filhos deveriam estudar e tinham de levá-los à que estivesse mais perto de casa. Hoje se revogou essa proibição, mas a maioria dos pais continua levando seus filhos nas escolas que ficam em seus bairros, já que todas são igualmente boas.
… de todas as matérias;
Se especializar numa matéria em detrimento das outras não é algo bem visto. Por exemplo, lá ninguém pensa que matemática é mais importante do que educação artística. Pelo contrário: alunos com queda para o desenho, para a música ou para os esportes são o critério para a formação de classes especiais.
… dos pais;
A profissão ou status social dos pais dos alunos são informações que os professores ficarão sabendo apenas se for necessário. Eles são proibidos de perguntar aos alunos qualquer coisa nesse sentido.
… dos alunos;
Os finlandeses não classificam os alunos segundo suas capacidades ou aspirações profissionais, tampouco há alunos ’bons’ e ’maus’. É proibido fazer comparações entre alunos. Tanto os alunos mais inteligentes quanto os que têm dificuldade para aprender estão misturados aos demais, inclusive aqueles com deficiências físicas, apesar de que podem ser formadas classes especiais para alunos com deficiência visual ou auditiva. Os finlandeses tentam ao máximo integrar à sociedade aquelas pessoas que necessitam de atenção especial; a diferença de desempenho entre os alunos finlandeses é a menor do mundo!
… dos professores;
Não há professores favoritos ou odiados, nem os professores têm alunos ou classes favoritas. Qualquer desvio dessa harmonia estabelecida é passível de anulação do contrato do professor. Os professores finlandeses têm o dever de cumprir na íntegra o que se espera de seu trabalho, nem mais nem menos, além do que, todos se consideram igualmente importantes na sala de professores. Por exemplo, os professores de física, de artes, de literatura são igualmente estimados.
… de direitos entre adultos e crianças.
Os finlandeses chamam isso de ’tratamento respeitoso aos alunos’. Desde a primeira série são explicados aos alunos os seus direitos, inclusive o direito de prestar queixa de algum adulto a um assistente social. Isso estimula os pais a entenderem que seus filhos são indivíduos independentes, e que as pessoas são não podem ofende-las com palavras ou com violência física. Humilhar os alunos é outra coisa que os professores são proibidos de fazer, mesmo que lá as leis trabalhistas lhes permitam fazê-lo. A peculiaridade mais notória é que cada professor é contratado por apenas um ano, havendo possibilidade de se renovar ou não esse contrato. E além de tudo, professores auxiliares recebem um salário de 2500 euros, e os titulares, de 5000 euros.
2. Gratuidade
Além da educação, também são gratuitos:
As refeições;
As visitas a museus e atividades extra-classe;
O transporte que leva e traz os alunos se a escola estiver a mais de dois quilômetros de suas casas;
Todos os livros didáticos e material escolar, como calculadoras, computadores individuais e tablets.
É proibido cobrar qualquer taxa dos pais!
3. Individualidade
Para cada aluno se estipula um plano individual de estudo e desenvolvimento. Essa individualização tem a ver com o conteúdo dos livros didáticos, dos exercícios, quantidade de deveres de classe, de casa etc, e com o tempo com que se planeja realizá-los. O mesmo ocorre com o material que os professores proveem: quais alunos recebem o conteúdo mais complexo e quais os mais simples.
Na mesma aula os alunos realizam exercícios de diferentes níveis de dificuldade e a nota final varia de acordo com as diferentes capacidades de cada um. Se hoje, por exemplo, um aluno consegue fazer os exercícios básicos satisfatoriamente, amanhã lhe será dado um exercício mais complexo. Se ele não conseguir, não tem problema… serão dados exercícios com o nível de dificuldade de ontem.
Nas escolas finlandesas, além da formação-padrão, há duas peculiaridades no processo educativo:
Apoio acadêmico aos alunos retardatários — o que em muitos países seria o papel de um professor particular. Na Finlândia os professores particulares são muito raros, uma vez que que os professores titulares nas escolas já ajudam seus alunos voluntariamente, durante ou depois das aulas.
Educação ’corretiva’ — Está relacionada aos problemas de compreensão do material didático escrito na língua suomi, que é falada em grande parte das escolas da Finlândia. Também serve para atender problemas de memória, dificuldades com matemática ou o comportamento antissocial de alguns alunos. A educação ’corretiva’ é conduzida em grupos pequenos ou individualmente.
Os finlandeses dizem: «É possível prepará-los ou para as provas ou para a vida. Escolhemos a segunda opção». É por isso que não se dá provas nas escolas da Finlândia, apesar de que, se o professor quiser, ele pode fazer exames de controle. Só existe uma prova obrigatória, no fim do período médio, mas ela pouco influi na avaliação feita pelos professores, nem afeta a nota final dos alunos. E o mais interessante é que os alunos não são preparados para essa prova; eles a farão usando tudo o que aprenderam até então. Nada de passar um mês antes da prova estudando em desespero!
Na escola só se ensina o que pode vir a ser útil na vida. Saber como funciona a caldeira da metalúrgica não tem utilidade. Agora, os alunos finlandeses desde criança sabem o que é um portfólio, um contrato, um talão de cheques, sabem calcular a porcentagem do imposto sobre heranças ou a renda pessoal, como criar um site, como calcular descontos em produtos, desenhar a Rosa dos Ventos e localizar o lugar onde vivem etc…
5. Confiança
Primeiro, não se supervisiona o trabalho de funcionários e professores, nem lhes é dito como devem trabalhar ou como e o que devem ensinar. Existe um sistema centralizado de educação no país, mas ele só propõe um alinhamento básico e recomendações superficiais. Assim, cada pedagogo aplica a seus alunos o método de ensino que lhe parecer melhor.
Segundo, a confiança nos alunos: durante as aulas é permitido fazer qualquer coisa. Se, por exemplo, durante a aula de literatura apresentam um vídeo educativo, e um aluno não estiver interessado, ele pode ir ler um livro se quiser. Há a percepção de que é a própria pessoa quem deve escolher o que é importante para sua vida.
6. Voluntarismo
Estuda quem quiser estudar. Os professores tentarão atrair a atenção dos alunos, mas, se algum não quiser prestar atenção, não tiver interesse ou não for capaz de entender a aula, será orientado depois a que busque por uma profissão prática, porém útil. Um trabalho fácil. A ideia é não ficar recheando o boletim do aluno com zeros e pontos negativos. Claro… saber construir aviões e usinas nucleares não é para todos… alguém vai ter de ser um bom motorista de ônibus!
Tendo isso em mente, os finlandeses dão valor também à escola secundária e técnica: deve-se saber se vale mesmo a pena um aluno continuar o estudo acadêmico num liceu ou se ele deve continuar os estudos na secundária, e é aí que se recorre às escolas técnicas. Na Finlândia ambas as opções são honoráveis.
As aptidões de cada aluno são avaliadas por meio de exames e de consultas com orientadores vocacionais nas escolas.
À primeira vista, o sistema educacional finlandês parece suave e delicado, mas isso não quer dizer que não seja sério. Por exemplo, existe um rígido controle do horário de aulas, todas as faltas devem ser ’repostas’. Se um aluno da 6ª série faltar à aula, seu professor tentará encaixá-lo em algum outro horário de outra turma da 6ª série, para que este reponha a aula… como se lhe dissessem: «Sente aí e repense sua vida». E se esse aluno começar a perturbar os colegas na aula de reposição, o tempo que passou ali deixará de ser contado; se ele não quiser fazer os exercícios na aula de reposição, ninguém vai chamar os pais, nem ameaçá-lo, repreendê-lo, gritar com ele… nada disso. Já que os pais desse aluno são descuidados com a educação doméstica de seu filho ou filha, o que vai acontecer é uma reprovação no fim do ano. Simples!
E repetir de ano na Finlândia não é nenhuma vergonha, especialmente depois da 9ª série, pois é necessária uma preparação séria para a vida adulta e por isso mesmo é que as escolas lá têm a 10ª série — que, como dissemos no início, é opcional.
E outra coisa… os pedagogos nas escolas não interferem nos conflitos entre alunos, dando-lhes assim a oportunidade de prepararem para as diferentes situações da vida e de desenvolverem sua capacidade de se defenderem corretamente.
cezar perin
3 de fevereiro de 2016 1:34 pmestão certos
É um modelo ideal..Um professor que usar esse método será taxado de relapso..por que certamente não estará ” puxando os alunos”…aqui queremos ” salvadores da pátria”…..
professora do Paraná
4 de fevereiro de 2016 2:09 amQuantas crianças na Finlândia
Quantas crianças na Finlândia passam metade do dia na rua porque a mãe está trabalhando enquanto o pai está preso ou não existe e vivem sua vida à margem da violência ou do abandono e que talvez por isso não “estejam interessadas” em determinados assuntos porque vão para a escola para se alimentar e na esperança apenas de serem tratadas com dignidade?
Cláudio José
3 de fevereiro de 2016 1:43 pmVamos copiar com urgência o
Vamos copiar com urgência o que é bom!
Cunha
3 de fevereiro de 2016 2:07 pmQuando vemos como é a
Quando vemos como é a educação no Brasil a da Finlândia parece tão inacreditável quanto o Papai Noel.
sergio ribeiro
3 de fevereiro de 2016 2:08 pmSe um dia for prefeito de uma cidade
Mando buscar esse modelo imediatamente. É verdade que somos países diferentes, com culturas diferentes, mas muita coisa boa dali pode sim ser imitada.
adolpho
3 de fevereiro de 2016 2:52 pmE o principal: não há
E o principal: não há estabilidade de emprego na docência, com esse contrato sempre renovado a cada ano… hummm… preocupante… daria certo por aqui? Acho que o pessoal do sindicato teria algo a dizer a respeito.
Henrique Finco
3 de fevereiro de 2016 4:35 pmMentira.
Sou professor e tenho amigos professores na Finlândia – e o que o adolpho fala não é verdade. Não só há uma estabilidade maior do que as dos nossos professores do sistema público, como o salário deles é cerca de vinte vezes maior do que o que se paga em média por aqui, equiparando pelo dólar. Ah! o movimento sindical deles é fortíssimo.
Cardoso
3 de fevereiro de 2016 5:50 pmCampeão…
Não é o Adolpho
Campeão…
Não é o Adolpho que está dizendo que “não há estabilidade para os professores na Finlândia”…é o texto principal quem diz. Ele apenas comentou.
E você está correto quando diz que há SIM estabilidade para os professores na Finlândia. Em diversos artigos da web encontramos esta informação.
Porém…
…encontrei um artigo na Revista Época, onde certo parágrafo diz assim:
“Reduzir a estabilidade de emprego dos professores é apenas uma das várias estratégias adotadas por países como EUA, Finlândia, Polônia e Chile. Todos já fizeram ou conduzem reformas educacionais, para chegar a um objetivo: melhorar a qualidade do professor e, dessa forma, melhorar o aprendizado do aluno.”
Ou seja, já é política educacional na Finlândia a redução da “estabilidade” dos professores.
Pessoalmente, como professor, tenho visto tanto despreparo de alguns professores “efetivos”, que me questiono sobre a validade desta tal estabilidade.
http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/11/o-bprofessorb-e-o-fator-que-mais-influencia-na-educacao-das-criancas.html
adolpho
3 de fevereiro de 2016 7:01 pmFui eu que falei não, acerca
Fui eu que falei não, acerca da estabilidade. Tá no texto: o contratoi dos professores é revisto anulamente.
Diego Rayol
3 de fevereiro de 2016 3:15 pmQual é o salário de um professor na Finlândia?
Concordo com tudo que foi dito na reportagem acima. Mas gostaria de saber qual é o salário dos professores na Finlândia. Será que ganham muito menos do que um juiz? Com o salário que ganham dá pra ter uma vida boa na Finlândia?
jc.pompeu
3 de fevereiro de 2016 3:32 pmDCM no GGN-NASSIF
… educação discriminal diferencial segregacionista: só vejo lourinhos brancos coradinhos na ilustração exemplar de uma sala de aula finlandesa…
… fica até parecendo que a gelada silenciosa alcoólica eólica Finlândia até então não padecera da nossa herança maldita dos 300 anos de escravidão colonial negra e ameríndia…
joel lima
3 de fevereiro de 2016 3:37 pmAqui há escola em SP, cidade
Aqui há escola em SP, cidade com PIB maior do que muitos países do mundo, que não tem papel higiênico e falta merenda por desvio de verba. Comparado aos filandeses, estamos na idade da pedra.
jasantos
3 de fevereiro de 2016 4:07 pmcem anos de atraso
Estamos atrasados cem anos!
Mas vamos ser serios não é só os governos que são culpados a familia e a sociedade como um todo também muita culpa.
Boa parte so esta interessa no canudo!
A instrução e a cultura não é levada a serio, interessa somente a grana que val resultar do estudo.
Conseguiu um bom salario, está otimo!
O resto é o resto!
Snaporaz
3 de fevereiro de 2016 4:37 pmFinlândia com 5,5milhão de
Finlândia com 5,5milhão de habitantes e 33milk2.,com temperaturas polares,torna bem mais fácil ações comunitárias,além de etnicamente se constituírem quase como uma imensa família. Os EUA, contribuíram com um “Plano Marshall”,debaixo dos panos, pois aquela região encontrava-se ,politicamente, sob tutela soviética. Isso contribuiu para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país. A Finlândia, entrou como peão no xadrez da guerra fria,estrategicamente bem posicionada,pois, fazia fronteira com então URSS.
evandro condé de lima
3 de fevereiro de 2016 5:27 pmBeleza
Faltou dizer, no que toca os (aos?) professores, quantas aulas dão por semana, quantos alunos possuem por sala e qual apoio recebido para realizar tarefas dadas ou propostas. Quantos aos alunos, quantas disciplinas fazem qual horário de aulas, etc.
Pedro Mundim
3 de fevereiro de 2016 6:27 pmEngraçado que no fim das contas não há muita diferença
É engraçado constatar que no fim das contas o sistema finlandês e o brasileiro não têm muita diferença: aqui também não existem escolas públicas de elite (todas são igualmente ruins, exceto as menos ruins), aqui também há estabilidade do professor no emprego, aqui também não se classifica os alunos como bons ou maus (no fim todos passam), aqui também não se interfere nos conflitos entre os alunos (deixam eles se matarem), aqui também se deixa os alunos fazerem o que quiserem nas aulas (inclusive quebrar tudo), aqui também se apregoa que a real funçao da escola é ensinar o aluno a “ser um cidadão independente”, como reza Paulo Freire. Mas na Finlândia funciona, e aqui não funciona. Por que?
Acredito que no fim, tudo isso que foi citado é perfumaria. O aluno finlandês aprende porque ele está interessado em aprender, o aluno brasileiro não aprende porque ele não está interessado em aprender, nem acredita que a escola vai lhe proporcionar um futuro melhor. Como diz o ditado, pode-se levar um cavalo até a água, mas não se pode obrigá-lo a beber.
Liana Montero Valdez Placenti
17 de outubro de 2016 6:36 pmEducação na Finlândia
Sou professora aposentada, tenho 68 anos, mas gostaria de ver nossas crianças e jovens tendo uma educação como a da Finlândia. Se vários professores brasileiros foram enviados, pelo Mec, para à Finlândia, deveriam repassar o que aprenderam. Nós temos que mudar esse método que foi bom. Mas estamos no século XXI e precisamos evoluir. As crianças clamam por isso.
Mas, infelizmente, nosso país é governado por pessoas que não priorizam a educação. Um país que não prioriza a educação, onde os politicos escolhem os ministros do Supremo Tribunal e que não tem leis rigidas para combater a corrupção não é uma nação.