31 de julho de 2026

Israel diz que só deixará Gaza após ‘desarmamento genuíno’ do Hamas, mas grupo condiciona entrega de armas à retirada israelense

Impasse surge horas depois de o Hamas confirmar aceitação de acordo anunciado por Trump; Israel ainda não se pronunciou oficialmente
Gaza - Foto de Al Jazeera - Flickr

Israel não retirará tropas da Faixa de Gaza até o Hamas realizar um desarmamento genuíno, diz autoridade israelense.
Hamas aceitou proposta de acordo mediada por Trump, condicionando entrega das armas à saída das tropas israelenses.
Trump chama acordo de “histórico” e prevê força internacional para estabilizar Gaza após desarmamento do Hamas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma autoridade israelense afirmou nesta sexta-feira (31), em declaração à agência Reuters, que Israel não retirará suas tropas da Faixa de Gaza até que o Hamas passe por um “desarmamento genuíno”. Segundo o oficial, não haverá recuo das Forças de Defesa de Israel da chamada Linha Amarela, a linha de demarcação militar das zonas de segurança prevista no cessar-fogo, enquanto essa condição não for cumprida.

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A fala, ainda não confirmada oficialmente pelo governo israelense, vem poucas horas depois de o Hamas declarar que aceitou a proposta de acordo apresentada por mediadores e anunciada na quinta-feira (30) pelo presidente americano Donald Trump.

Ghazi Hamad, negociador do grupo, e duas fontes de alto escalão do Hamas, ouvidas sob anonimato pela agência AFP, afirmaram que o movimento pretende entregar suas armas ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), instância criada para assumir o governo do território após os anos de conflito. Contudo, isso só deve acontecer se Israel também cumprir sua parte, retirando as tropas de Gaza.

Hamad afirmou que o grupo está fazendo concessões para poupar a população de Gaza da morte e do deslocamento, e cobrou que os mediadores garantam o cumprimento do acordo por parte de Israel. As mesmas fontes disseram que o Hamas conta com o apoio dos mediadores e do Conselho da Paz para assegurar que os israelenses honrem o que foi combinado.

Trump chama acordo de “histórico”

Donald Trump anunciou o acordo na noite de quinta-feira em sua rede social, Truth Social, classificando-o como um “acordo histórico” e um passo relevante rumo a uma paz duradoura na região. O Conselho da Paz, organismo criado por Trump para atuar na reconstrução e manutenção da paz em Gaza, confirmou em publicação no X que o Hamas aceitou um roteiro detalhado para as próximas etapas do cessar-fogo, e que o NCAG deve iniciar em breve uma transição gradual até assumir plena autoridade sobre o território.

Segundo Trump, uma vez desarmado o Hamas, as forças israelenses devem se retirar, abrindo espaço para que a Força Internacional de Estabilização, ainda em formação, reunindo tropas de diversos países sob comando do Conselho da Paz, trabalhe ao lado de uma nova força policial palestina na administração de Gaza. A entrada dessa força multinacional no território já havia sido autorizada por Israel no domingo (25).

Caminho até o acordo

O entendimento é resultado de semanas de negociações no Egito, que buscavam viabilizar a segunda fase do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hamas em outubro, com o objetivo de encerrar definitivamente o conflito. O desarmamento do grupo islamista, que controla Gaza desde 2007, era apontado como um dos principais entraves para o fim da guerra.

De acordo com Trump, a entrega das armas é etapa essencial para a formação de um novo governo palestino no território, hoje sob controle israelense em mais de 60% de sua extensão. Israel vinha exigindo o desarmamento total do Hamas e de outros grupos palestinos como condição para avançar no plano.

Apesar dos anúncios, uma fonte política israelense disse à AFP que a proposta não atende de forma satisfatória às exigências de Israel por uma desmilitarização completa de Gaza, e que o tema sequer foi discutido no encontro entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.

No início de julho, o Hamas já havia anunciado a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis de Gaza desde 2007, sinalizando a intenção de transferir essas atribuições ao NCAG.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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