Dias após anunciar um bloqueio naval contra embarcações ligadas à Arábia Saudita, o movimento Ansar Allah, conhecido internacionalmente como Houthis, elevou o tom de sua retórica ao afirmar que está disposto a “ir até onde for necessário” para romper o bloqueio imposto ao Iêmen.
A declaração foi feita por Dhayfallah al-Shami, integrante da liderança política do grupo, em entrevista à emissora libanesa Al Mayadeen. Segundo ele, o objetivo do movimento é pôr fim às restrições econômicas e logísticas que, na avaliação dos Houthis, continuam agravando a crise humanitária no país.
“O povo iemenita não aceitará permanecer sob bloqueio, e o Ansar Allah seguirá até onde for necessário para encerrá-lo”, afirmou Al-Shami, segundo a publicação.
Mudança de discurso
A nova manifestação representa um ajuste na narrativa adotada pelo grupo nos últimos dias: enquanto o anúncio do bloqueio naval contra embarcações sauditas foi apresentado como uma resposta militar às ações de Riad, a fala de Al-Shami desloca o foco para o bloqueio imposto ao território iemenita desde o início da intervenção da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em 2015.
Ao enfatizar a questão humanitária, o Ansar Allah procura justificar a ampliação de suas operações como uma reação às restrições sobre portos, aeroportos e rotas de abastecimento do país.
A guerra civil iemenita já provocou uma das maiores crises humanitárias do mundo, segundo sucessivos relatórios das Nações Unidas, com milhões de pessoas dependentes de assistência internacional para alimentação, acesso à água potável e serviços de saúde.
As declarações também reforçam a percepção de que o grupo pretende manter a pressão sobre interesses sauditas e sobre as rotas marítimas da região.
Nos últimos dias, os Houthis anunciaram um bloqueio contra embarcações vinculadas à Arábia Saudita e reivindicaram ataques a petroleiros, ampliando as preocupações com a segurança da navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab al-Mandeb, corredor estratégico para o comércio internacional.
A possibilidade de novas operações aumenta o risco de prolongamento das tensões em uma região já marcada pelos desdobramentos da guerra em Gaza, da rivalidade entre Irã e Israel e da disputa por influência entre Teerã e Riad.
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