4 de junho de 2026

Quando capitalismo não rima com democracia, por Michael Lowy

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Do Outras Palavras

Löwy: quando Capitalismo não rima com Democracia

Para pensamento político tradicional, dois conceitos são complementares. Mas Europa demonstra algo que Max Weber já intuia: liberdade não pode florescer sob leis de mercado

Por Michael Löwy | Tradução: Gabriela Leite

Vamos começar com uma citação de um ensaio sobre a democracia burguesa na Rússia, escrita em 1906, após a derrota da primeira revolução, de 1905:

“É profundamente ridículo acreditar que existe uma afinidade eletiva entre o grande capitalismo, da maneira como atualmente é importado para a Rússia, e bem estabelecido nos Estados Unidos (…), e a ‘democracia’ ou ‘liberdade’ (em todos os significados possíveis da palavra); a questão verdadeira deveria ser: como essas coisas podem ser mesmo ‘possíveis’, a longo prazo, sob a dominação capitalista?” [1]

Quem é o autor deste comentário perspicaz? Lenin, Trotsky ou, talvez, Plekhanov? Na verdade, ele foi feito por Max Weber, o conhecido sociólogo burguês. Apesar de Weber nunca ter desenvolvido essa ideia, ele está sugerindo aqui que existe uma contradição intrínseca entre o capitalismo e a democracia.

A historia do século XX parece confirmar essa opinião: em muitos momentos, quando o poder da classe dominante pareceu ameaçado pelo povo, a democracia foi jogada de lado como um luxo que não pode ser mantido, e substituída pelo fascismo — na Europa, nos anos 1920 e 1930 — ou por ditaduras militares, como na América Latina, entre os anos 1960 e 1970.

Por sorte, esse não é o caso da Europa atual, mas temos, particularmente nas últimas décadas, com o triunfo do neoliberalismo, uma democracia de baixa intensidade, sem conteúdo social, que se reduziu a uma concha vazia. É claro que ainda temos eleições, mas elas parecem ser de apenas um partido, o PMU, Partido do Mercado Unido, com duas variantes que apresentam diferenças limitadas: a versão de direita neoliberal e a de centro-esquerda social liberal.

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O declínio da democracia é particularmente visível no funcionamento oligárquico da União Europeia, onde o Parlamento Europeu tem muito pouca influência, enquanto o poder está firmemente nas mãos de corpos não eleitos, como a Comissão Europeia ou o Banco Central Europeu. De acordo com Giandomenico Majone, professor do Instituto Europeu de Florença, e um dos teóricos semioficiais da UE, a Europa precisa de “instituições não-majoritárias”. Ou seja, “instituições públicas que, propositalmente, não sejam responsáveis nem diante dos eleitores, nem de seus representantes eleitos”: essa é a única maneira de nos proteger contra “a tirania da maioria”. Em tais instituições, “qualidades tais quais expertise, discrição profissional e coerência (…) são muito mais importantes que a responsabilidade democrática e direta” [2]. Seria difícil imaginar uma desculpa mais descarada da natureza oligárquica e antidemocrática da UE.

Com a crise atual, a democracia decaiu a seus níveis mais baixos. Em um recente editorial, o jornal francês Le Figaro escreveu que a situação é excepcional, e explica por que os procedimentos democráticos não podem ser sempre respeitados; apenas quando voltarmos aos tempos normais, poderemos restabelecer sua legitimidade. Temos, então, um tipo de “estado de exceção” econômico/político, no sentido que descreveu Carl Schmitt. Mas quem é o soberano que tem o direito de proclamar, de acordo com Schmitt, o estado de exceção?

Por algum tempo, entre 1789 e a proclamação da República Francesa, em 1792, o rei teve o direito constitucional de veto. Não importavam as resoluções da Assembleia Nacional, ou quaisquer que fossem os desejos e aspirações do povo francês: a última palavra pertencia a Sua Majestade.

Na Europa de hoje, o rei não é um Bourbon ou Habsburgo: o rei é o Capital Financeiro. Todos os atuais governos europeus — com a exceção do grego! — são funcionários deste monarca absolutista, intolerante e anti-democrático. Quer sejam de direita, “extremo-centro” ou pseudoesquerda, quer sejam conservadores, democratas cristãos ou social-democratas, eles servem fanaticamente ao poder de veto de Sua Majestade.

O soberano absoluto e total hoje, na Europa, é, no entanto, o mercado financeiro global. Os mercados financeiros ditam a cada país os salários e aposentadorias, os cortes em despesas sociais, as privatizações, a taxa de desemprego. Há algum tempo, eles nomeavam diretamente os chefes de governo (Lucas Papademos na Grécia e Mario Monti na Itália), escolhendo os chamados “experts”, que eram servos fiéis.

Vamos olhar mais atentamente a alguns desses tais todos-poderosos “experts”. De onde eles vêm? Mario Draghi, chefe do Banco Central Europeu, é um antigo administrador do banco internacional de investimentos Goldman Sachs; Mario Monti, ex Comissário Europeu, também é um antigo conselheiro da Goldman Sachs. Monti e Papademos são membros da Comissão Trilateral, um clube muito seleto de políticos e banqueiros que discutem estratégias internacionais. O presidente desta comissão é Peter Sutherland, antigo Comissário Europeu, e antigo administrador no Goldman Sachs; o vice-presidente, Vladimir Dlouhr, antigo Ministro da Economia tcheco, é agora conselheiro na Goldman Sachs para a Europa Oriental. Em outras palavras, os “experts” que comandam a “salvação” da Europa da crise foram funcionários de um dos bancos diretamente responsáveis pela crise financeira iniciada nos Estados Unidos, em 2008. Isso não significa que existe uma conspiração para entregar a Europa à Goldman Sachs: apenas ilustra a natureza oligárquica dos “experts” de elite que comandam a UE.

Os governos da Europa estão indiferentes aos protestos públicos, greves e manifestações maciças. Não se importam com a opinião ou os sentimentos da população; estão apenas atentos — extremamente atentos — à opinião e sentimentos dos mercados financeiros e seus funcionários, as agências de avaliação de risco. Na pseudodemocracia europeia, consultar o povo em um referendo é uma heresia perigosa, ou pior, um crime contra o Deus Mercado. O governo grego, liderado pelo Syriza, a Coalizão da Esquerda Radical, foi o único que teve coragem para organizar tal consulta popular.

O referendo grego não tinha apenas a ver com questões fundamentais econômicas e sociais, foi também e acima de tudo sobre democracia. Os 61,3% de gregos que disseram não são uma tentativa de desafiar o veto real das finanças. Esse poderia ter sido o primeiro passo em direção à transformação da Europa, de monarquia capitalista a república democrática. Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. A direita alemã fabricou este monstro, e forçou ao povo grego com a cumplicidade de falsos “amigos” da Grécia (entre outros, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi).

* * *

Enquanto a crise agrava-se, e o ultraje público cresce, existe uma crescente tentação, por parte de muitos governos, de distrair a atenção pública para um bode expiatório: os imigrantes. Deste modo, estrangeiros sem documentos, imigrantes de países não-europeus, muçulmanos e ciganos estão sendo apresentados como a principal ameaça aos países. Isso abre, é claro, enormes oportunidades para partidos racistas, xenófobos, semi ou completamente fascistas, que estão crescendo, e já são, em muitos países, parte do governo — uma ameaça muito séria à democracia europeia.

A única esperança é a crescente aspiração por uma outra Europa, que vá além das políticas de competição selvagem e austeridade brutal, e das dívidas eternas a serem pagas. Outra Europa é possível — um continente democrático, ecológico e social. Mas não será alcançado sem uma luta comum das populações europeias, que ultrapasse as barreiras étnicas e os limites estreitos do Estado-nação. Em outras palavras, nossa esperança para o futuro é a indignação popular, e os movimentos sociais, que estão em ascensão, particularmente entre os jovens e mulheres, em muitos países. Para os movimentos sociais, está ficando cada vez mais óbvio que a luta pela democracia é contra o neoliberalismo e, em última análise, contra o próprio capitalismo, um sistema antidemocrático por natureza, como Max Weber já apontou, cem anos atrás.

[1] Max Weber, «Zur Lage der bürgerlichen Demokratie in Russland»,Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik,     Band 22, 1906, Beiheft, p. 353.

[2] Citado in Perry Anderson, Le Nouveau Vieux Monde, Marseile, Agone, 2011, pp. 154,158.

 

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  1. Andre Araujo

    31 de dezembro de 2015 12:01 pm

    E então qual seria a

    E então qual seria a alternativa?

    1. alexandre a.moreira

      31 de dezembro de 2015 12:35 pm

      Acho que é como o comentário

      Acho que é como o comentário do Piketty: “alguma desigualdade é bom”

      a chave para tudo no ser humano fora nos momentos de saltos de mutação é a proporção. 

      O conflito entre “democracia e mercado” pode ser levado se for regulado numa ‘proporção sustentável’, para usar uma palavra da moda.

  2. Moacir

    31 de dezembro de 2015 12:31 pm

    Serve ao Brasil

    A excelente análise de Lowy serve ao Brasil. Aqui, como na Europa, o neoliberalismo instalou uma ditadura, a do modelo econômico aplicado por PT, PSDB, PMDB etc. Há mais de 20 anos, a rigor, o Brasil vive para sustentar o capital financeiro. Os chefes da economia são indicados pelos banqueiros e a para eles trabalham sem cerimônia. Tamanho o controle deles sobre nós que, na crise de 2008, enquanto vários países se resguardaram a fim de evitar a invasão de dólares fake emitidos pelos EUA, nós aumentamos os juros e atraímos este dinheiro de mentira para se converter em dinheiro real às nossas custas e das nossas riquezas. 

    Logo, nós também precisamos lutar para nos libertar desta ditadura que é o neoliberalismo e seus efeitos. Por óbvio, precisaremos lutar contra aqueles que o representam no Brasil hj: PT, PSDB, PMDB et caverna.

  3. Pedro Mundim

    31 de dezembro de 2015 12:55 pm

    Um existe sem o outro, mas o outro não existe sem o um

    Existe capitalismo sem democracia, mas não existe democracia fora do capitalismo. Isso porque, no mundo material – aquele onde viceja o mercado – os direitos garantidos pela democracia só podem existir na prática onde existe o direito à propriedade: em outras palavras, onde o cidadão não precisa do Estado para viver. Do contrário tais direitos tornam-se meras abstrações, sem contrapartida no mundo real. Por exemplo, de que adianta que a constituição de um país comunista garanta a liberdade de expressão, se ali apenas o Estado pode ser proprietário de jornais, e o jornal do Estado só publica a opinião do Estado sobre ele mesmo? Na condição de único proprietário e único empregador, o Estado torna-se onipotente – qual cidadão consegue rebelar-se contra alguém que é a um só tempo seu governante, seu patrão, seu senhorio, o dono da escola onde seus filhos estudam e o dono do jornal que ele lê?

    De resto, não há dicotomia entre democracia e mercado, sendo que este último pode existir sob qualquer regime político, inclusive na condição de mercado negro. O mercado é essencialmente apolítico e não-ideológico, feito de desejos de consumo que nada têm a ver com posições políticas, sejam desejos prosaicos, refinados, excêntricos ou pecaminosos, não importa, mas que nascem do básico da condição humana, daquilo que todos têm em comum. Desta forma, o mercado é a expressão do Desejo Coletivo das massas, e como tal pode contituir um instrumento de democracia bem mais vigoroso que qualquer forma de representação política, uma vez que obriga os poderosos e os donos dos meios de produção a alocar os recursos existentes à produção daquilo que as massas desejam consumir. O mercado, de fato, mostrou-se capaz de derrubar as mais poderosas ditaduras por meio de um lento processo de erosão, demolindo os apelos ao nacionalismo e ao altruismo com o desejo por prosaicos ítens de consumo, sejam salsichas na ex-URSS ou papel higiênico na Venezuela. De resto, é tolice achar que o meracado é controlado por umas poucas cabeças ou instituições, sejam mega-especuladores ou bancos centrais. O mercado é como o clima, uma força da natureza – pode ser previsto, mas não controlado.

    1. calango

      31 de dezembro de 2015 2:44 pm

      Pedro Mundin, desconheço um

      Pedro Mundin, desconheço um povo que viva sem necessitar de Estado. independente do sistema social capitalista ou socialista…pelo menos nesse mundo!

       

      1. Pedro Mundim

        1 de janeiro de 2016 2:22 pm

        Eu também

        Eu também desconheço, mas conheço muitos que têm um Estado agigantado que obstrui o desenvolvimento.

    2. Andre B

      31 de dezembro de 2015 3:46 pm

      democracia do mercado: uma fábula digna dos irmãos Grimm.

      O mercado não expressa desejos, mas poder de compra.Posso desejar um castelo e uma frota de helicópteros, mas se eu não tiver o dinheiro meu desejo não vai ser expresso e muito menos realizado no mercado. Qualquer economista ou cientista social sério, mesmo sendo um liberal, sabe disso. O mais emperdenido economista ortodoxo sabe que existe a tal ‘restrição orçamentária’; o resto é pura propaganda, retórica apologetica, sem nenhum sentido na vida real cotidiana. Na “democracia” do mercado o voto de quem tem mais dinheiro pesa mais – aliás, a democracia politica burguesa de inicio refletia extamente isso: o voto era censitário, os trabalhadores que não tinham propriedade não podiam votar e o voto era ‘pesado’ pelo nivel de renda. Ou seja o capitalismo é compatível com esse arremedo de democracia ‘aristocrática’ mas não com a democracia de massas onde o voto é universal e igualitário. Até os ultraliberais do Instituto Von Mises reconhecem isso – é só ir lá na pocilga deles e ler os textos – mas optam pelo capitalismo em lugar da democracia, é claro.

      Mas digno de um fábula dos irmãos Grimm é a afirmação de que o mercado é uma ‘força da natureza’. Se o mercado é uma força da natureza, porque não vemos cães comprado comida de seus donos ou cobrando pelos serviços de segurança e entretenimento que oferecem aos seus donos? porque qualquer pessoa minimamente instruida sabe que as forças da natureza são a nuclear forte, a nuclear fraca, a eltromagnética e a da gravidade. O mercado é uma invenção tão humana quanto o computador que estamos usando para realizar esse debate. E todo que o homem cria é capaz de modificar.

      Aliás, o homem modifica até a natureza – computadores por exemplo, não existem na natureza. É um total non sense acreditar que a mesma humanidade que é capaz de criar coisas que não existem na natureza, capaz de modificar até mesmo o clima da terra, não seja capaz de criar instituições sociais diferentes do mercado. Diante de um fato tão óbvio, só resta acreditar que o mercado é uma instituição divina e por isso imutável e irrevogável e que qualquer tentativa de fazê-lo levaria a humanidade a danação eterna. Aqui saimos da literatura e entramos na fé religiosa no mercado.

      A capacidade da propaganda capitalista de inventar castelos no ar supera até o maior dos ficcionistas. Afirmações como o ‘mercado expressa e realiza desejos’, ‘o mercado não é concentrado’ ou ‘é uma força da natureza’ contém grandes elementos poéticos, dignos do nobel de ficção literária, mas não explicam em nada a realidade e não tem absolutamente nenhum caráter científico. Pode ser uma opinião, mas é uma opinião que têm tanto valor para a vida prática quanto a de que posso atrevassar paredes porque tudo é imaterial ou que se eu jogar  um objeto pela janela do quinto andar ele vai subir porque na minha opinição a lei da gravidade não existe.

      1. Pedro Mundim

        1 de janeiro de 2016 2:20 pm

        Querer não é poder, mas precisa querer

        Então, se eu desejar um castelo e não puder tê-lo, isso significa que eu não possa ter nada?

        O poder de compra dos pobres, considerado individualmente, é muito inferior ao dos ricos. Mas os pobres existem em muito maior quantidade do que os ricos, de modo que, considerado conjuntamente, o poder de compra dos pobres é maior, eles são a maioria dos consumidores. Os proprietários dos meios de produção sempre lucraram mais produzindo muitos ítens baratos para os pobres do que poucos ítens caros para os ricos. Afinal, é a Volkswagen dona da Rolls Royce, e não a Rolls Royce dona da Volkswagen. É a FIAT dona da Ferrari, e não a Ferrari dona da FIAT. E a Ambev é dona da Bohemia, não é a Bohemia dona da Ambev. Portanto, são os pobres que comandam o mercado, e sob esta óptica, pode-se falar de uma “democracia do mercado”.

        A metáfora do mercado como “força da natureza” é procedente na medida em que a consciência individual se dilui em um imenso coletivo. Uma pessoa, considerada individualmente, é um ser racional de reações previsíveis. Mas reunidas em multidão, as pessoas tornam-se muito menos racionais e suas reações são bem menos previsíveis. E o mercado nada mais é do que uma imensa multidão, aproximando-se da irracionalidade e da incontrolabilidade das forças da natureza.

        Sim, assim como os computadores, o mercado não existe na natureza. Mas à medida em que os humanos inventam coisas que não existem na natureza, eles se tornam incapazes de viver da mesma maneira que antes. Antes havia a economia natural, ou de subsistência – o produtor e o consumidor eram a mesma pessoa. Depois que a invenção de novos meios de produção impôs a divisão do trabalho, foi criada a economia de mercado, onde o produto e o consumidor são pessoas diferentes. Mas embora não esteja na natureza, metafóricamente o mercado se assemelha a uma força da natureza, pelas razões que expliquei no parágrafo acima. Não há nada de contraditório nisso, invenções humanas podem emular fenômenos da natureza, como o próprio computador, que copia o pensamento.

    3. Almeida

      31 de dezembro de 2015 4:40 pm

      E quem garante o direito de propriedade, pedro bó?

      Para você afirmar que “os direitos garantidos pela democracia só podem existir na prática onde existe o direito à propriedade… onde o cidadão não precisa do Estado para viver”. Quanto mais direitos de propriedade tem, mais o cidadão depende do estado para garanti-los. Aliás, o estado surgiu para garantir os “direitos” das classes proprietárias, de possuirem terras, escravos… Você já reparou que o poder econômico sempre orbitou em torno do estado? Que sem o poder político o poder econômico fica encurralado?

      Veja o caso dos ultra-plus-pós-neoliberais, os que se dizem “libertarianos” e “avessos” e “independentes” do estado. Deviam fazer como os verdadeiros libertários, os anarquistas, que cagam e andam para a política partidária ao redor do estado, mas não, estão sempre enchendo o saco, não largam um minuto de opinarem sobre as políticas em torno do estado, muito menos abrem mão de terem o poder do estado.

      Como é que fica na sua “democracia” as imensas maiorias, os que não têm propriedade ou a têm insuficiente para seu sustento e sobrevivência? Não rola democracia para os sem propriedades, como fica claro na sua proposição: “os direitos garantidos pela democracia só podem existir na prática [para quem] existe o direito à propriedade”.

      Em que mundo você vive para afirmar que “é tolice achar que o mercado é controlado por umas poucas cabeças ou instituições, sejam mega-especuladores ou bancos centrais”. Sob o capitalismo na fase atual monopolista, você tem a “liberdade” de beber uma cerveja comecializada pela Ambev ou pela… Ambev.

      Tolice mesmo é acreditar que “mercado é como o clima, uma força da natureza”. Você deve achar que existe mercados fora das sociedades humanas, transcendendo elas. Na maior parte da existência da humanidade não existiu mercado, nem estado ou propriedade privada. Mercados existem sobre regras estabelecidas socialmente, são controlados por aqueles que dele se apropriam e estabelecem as regras do seu funcionamento; sem regras e quem as estabeleça e garanta, não existe mercado; em nosso tempo, o mercado está sob controle do capital monopolista e dos estados que lhe dão suporte.

      1. Pedro Mundim

        1 de janeiro de 2016 1:48 pm

        Estado e direito de propriedade

        Não concordo que quanto mais direitos à propriedade existem, mas é necessário o Estado para garanti-los. A questão é capciosa. É evidente que o Estado precisa existir para fazer a justiça funcionar, arbitrar conflitos a assim garantir esse e outros direitos, quanto a isso não há dúvida. O problema começa quando o Estado torna-se também um proprietário. Aí é como o juiz de futebol que não quer ficar só apitando, quer também jogar bola e marcar gol. Ninguém é juiz de si mesmo. Se o Estado agiganta-se e garante para si vastos direitos à propriedade, ele necessariamente limita os direitos à propriedade dos demais cidadãos. No extremo, quando só o Estado tem direito à propriedade, todos os cidadãos ficam em uma situação de total dependência para com o Estado.

        Uma democracia não é democracia se a maioria dos cidadãos não têm propriedades? Está confundindo direito a uma coisa com a coisa em si. Ter direito à propriedade não é sinônimo de ter aquela propriedade, pois não se pode criar riqueza por decreto. Do mesmo modo, ter o direito de ir e vir não significa que o Estado seja obrigado a dar condução grátis para qualquer lugar. Os cidadãos são livres para usufruir seus direitos dentro das limitações do mundo material.

        Sou livre para beber uma cerveja comercializada pela Ambev ou pela… Ambev? Mas quem permitiu que a Ambev se agigantasse e comprasse todas as outras marcas? Foram os consumidores que dentro de um regime de livre concorrência, preferiam as cervejas da Brahma e da Antártica ao invés das outras marcas. Assim a Brahma e a Antártica enriqueceram enquanto as demais marcas ficaram em dificuldade e acabaram vendidas para os proprietários da Brahma e da Antártica, que formaram a Ambev. Foi o Desejo Coletivo das massas de consumidores que sinalizou quais marcas eram as preferidas e deveriam predominar.

        Na maior parte da história da humanidade não existiu mercado? Não concordo. O mercado já existia na época de Cristo, tanto que ele expulsou os mercadores do templo. Só não existe mercado e propriedade em sociedades pré-históricas onde não há bens duráveis, e portanto não há sistema de trocas nem acumulação.

        1. Almeida

          2 de janeiro de 2016 2:07 am

          O mundim do Pedrim.

          Além de viver no mundo criado pelos irmãos Grimm, como certeiramente aponta Andre B no comentário abaixo, o Pedrim demonstra uma acentuada deficiência de leitura.

          Eu escrevi: Quanto mais direitos de propriedade tem, mais o cidadão depende do estado para garanti-los.

          Ele resolveu discordar do que não escrevi e mandou: “Não concordo que quanto mais direitos à propriedade existem…”

          Para o Pedrim ter e existir é a mesma coisa, dado o seu arraigado apego à propriedade; se ele não a tiver, deve se considerar vazio ou inexistente. O Pedrim parece com aquelas pessoas ocas, para quem ter e ser é o mesmo.

          Vamos reescrever para ver se o Pedrim compreende: Quanto mais direitos de propriedade ele [o cidadão] tem, mais [ele] o cidadão depende do estado para garanti-los. Com isso quis dizer que a propriedade não é garantia de independência do estado, pelo contrário, os estados surgiram na história como instrumentos de classes proprietárias, para fazer valer seus “direitos”, entre eles o da propriedade. Quem tem muito precisa também muito do estado, para garantir o que tem, sem aval do estado ele não tem nada..

          Depois escrevi de maneira clara: Na maior parte da existência da humanidade não existiu mercado, nem estado ou propriedade privada.

          Para discordar, Pedrim resolveu “interpretar” o que escrevi com a pergunta: “Na maior parte da história da humanidade não existiu mercado”?

          Usei a palavra existência, para não se confundir com a História, os fatos registrados e documentados do passado de algumas sociedades, que abrangem somente uma parte recente da existência da humanidade e se limita a uma parcela dos povos que a compõem. Não estaria errado em falar da História da Humanidade, entendendo esta como a soma do que se convenciona chamar História e Pré-História, pois a humanidade não apareceu quando surgiram a escrita e os registros históricos, o Homo sapiens apareceu na Terra, pelo menos uns cinquenta mil anos antes da escrita. Pedrim diz que na época de Cristo havia mercado, mas “esquece” de lembrar que na mesma época, não havia mercado para numerosas populações que viviam ao sul do Saara, no norte da Europa, nas estepes russas, nos continentes americanos, etc.

          Por falar em Cristo, é dele a primeira crítica contra a liberdade total do mercado, para ele não tinha esse negócio de colocar o mercado acima de tudo, sem ética, sem limitações, para ser feito em qualquer espaço e fazer de tudo mercadoria; o mercado não pode pairar sobre os homens como um deus pagão, são os homens que devem controlar e limitar o mercado, não o contrário, como acreditam Pedrim e seus gurus neoliberais. Ética é a primeira barreira para controlar os mercados. Para obter plena “liberdade de mercado”, que nada mais é do que privilégios totalitários para o capital, o liberalismo deslocou a ética pelos interesses pragmáticos. Na época em que surgiu o liberalismo, era lícito o comércio, a compra e a venda de seres humanos. Locke, o pai do liberalismo, era sócio de uma empresa dedicada ao comércio internacional de escravos; nos dias atuais, aparecem espiroquetas liberais em defesa do comércio de sangue, de ógãos humanos, de patentes para genes e seres vivos, em nome da suprema e totalitária “liberdade de mercado”. A crença no “deus” mercado leva a isso.

          Pedrim acredita que ganhou presente de Papai Noel neste último Natal, agora espera a chegada do coelhinho da páscoa, pois acredita em coisas como a formação de um monopólio ser provocada pelos consumidores; assim ele faz a defesa de monopólios tipo da Ambev: “Foram os consumidores que dentro de um regime de livre concorrência, preferiam as cervejas da Brahma e da Antártica”.

          Que piada. Alguém que quer se passar por liberal em economia e fazer defesa descarada de monopólios é como um flamenguista comemorar gol que levou do Vasco. Só pode ser um liberal de merda, ou um neoliberal, que a mesma merda.

          Um monopólio se forma com abuso do poder econômico, com a supressão da concorrência, até com eliminação física se for necessário, e com muita, mas muita mesmo, corrupção. Começa com “generosas” compras de publicidade nos meios, para deixar a turma caladinha, sem dar um pio contra quem a corrompe com “espaço publicitário”; depois vem as “doações de campanha”, para os principais partidos, da situação e “oposição”, não importa qual deles legalizará o monopólio, importa que quando um deles legalizar, o outro não criará onda; o judiciário também é “azeitado”, se for preciso.

          Não, Pedrim, a democracia não é verdadeira onde oligarquias predominam , onde poucos são donos de tudo, pois as oligarquias falseiam, deturpam a democracia. Gore Vidal constatou que seu país era dominado, por um sistema de partido único com duas alas de direita; esse é o arquétipo da democracia liberal moderna, um por cento com tudo e noventa e nove por cento sem nada, não é sem razão que o modelo alcança cada vez mais descrença e desconfiança das massas.

          1. Pedro Mundim

            2 de janeiro de 2016 4:16 pm

            Tergiversações

            No tempo que eu frequentava o Centro de Mídia Independente eu já havia notado que quando o pessoal era vencido em uma discussão, lançava mão de certas técnicas de tergiversação a fim de enganar e dar a impressão de que a discussão continuava. Com o tempo fui identificando algumas e até montei uma página em meu site onde as enumero:

            http://www.pedromundim.net/Tergiversacao.htm

            A discussão sobre Quantos direitos de propriedade tem ou Quantos direitos de propriedade existem encaixa-se no número 1 da lista: dar um sentido duro e literal à minha redação, de modo que qualqer falha semântica aparente falsear meu raciocínio. Dessa maneira uma discussão política transforma-se em uma discussão semântica. Mas mesmo sem ser um especialista no assunto, eu sei que os verbos Ter, Haver e Existir podem significar a mesma coisa conforme o contexto. De resto, continuo não concordando com a sua argumentação de que o Estado é necessário para garantir o direito à propriedade, e cito o exemplo de nosso próprio país. Desde os tempos das sesmaria e capitanias hereditárias, a presença do Estado aqui era rala, o rei ficava do outro lado do oceano, e manter as propriedades era tarefa de quem conseguia fazê-lo por seus próprios meios, geralmente tendo homens armados sob seu comando. Embora existisse um documento como selo do rei assegurando a posse daquela capitania ou sesmaria ao donatário fulano, a grande maioria foi perdida, invadida por índios, posseiros ou outros latifundiários que tinham jagunços sob suas ordens. Antes de ser uma obrigação do Estado, o direito à propriedade é garantido por iniciativa dos mesmos proprietários que são representados pelo Estado.

            Já a discussão sobre a troca dos termos Existência e História é mais refinada. Realmente não se trata de sinônimos. A espécie humana existe há 500 mil anos, mas que me importa se durante 493 desses 500 mil anos não existiu mercado, só aparecido após a revolução agrícola? O mundo onde hoje vivemos é produto da revolução agrícola. Eu também sei que na época de Cristo o mercado não existia para as populações que viviam ao sul do Sahara, no norte de Europa, nas estepes russas e no continente americano, mas quem deu forma a nossa civilização atual foram os povos que viviam no Oriente Médio, na Grécia, na península itálica, na Índia e na China, onde já existia o mercado. Os povos que você citou não conheciam o mercado porque ainda viviam em um estágio anterior à revolução agrícola, mas assim que puderam, eles também adotaram as características dos povos mais evoluídos, inclusive o mercado.

            Concordo que Cristo tinha razão ao limitar a atuação do mercado de sua época, ao menos para não invadir o espaço sagrado do templo, mas esta separação dizia respeito ao caráter material do comércio em oposição ao caráter espiritual da veneração. Nada que diga respeito ao mundo material, inclusive o mercado, deve ser admitido em um local de veneração. Mas na vida quotidiana, Cristo não mostrou nenhum veto ao mercado, tanto que usava dinheiro, fazia compras, tinha um tesoureiro (Judas) e citava com frequência práticas comerciais como metáforas em suas parábolas.

            Então a Ambev formou seu monopólio à custa de assassinatos, ameaças e subornos, apoiada por juízes corruptos? Você poderia citar quem foi assassinado, quem foi subornado, e qual causa milionária a Ambev ganhou? Ou vai dizer que não sabe, mas supõe? Não aconteceu nada disso. Assassinatos são necessários somente quando se trabalha em ramos ilegais da economia, onde não se pode contar com advogados. Subornos são necessários somente quando o sucesso depende de uma autoridade do Estado que tem um poder decisório, mas o comércio de cerveja é um ramo totalmente privado da economia, sem a participação do governo. Do que você citou, somente é vrdade ma maciça publicidade, mas se a Brahma e a Antártica tiveram recursos par bancar tl publicidade, foi porque já estavam vendendo mais cerveja do que seus concorrentes, e o consumidor é livre para escolher a ceveja na prateleira do supermercado.

            A democracia existe enquanto existirem os direitos e garantias individuais. De resto, os governantes sempre serão algum tipo de oligarquia, pois a grande maioria dos cidadãos não se interessa nem tem tempo para participar da política. É coisa para especialistas.

             

          2. Almeida

            3 de janeiro de 2016 4:17 am

            A manobra foi toda sua.

            Você modificou palavras em duas de minhas frases, para apresentá-las com sentidos, para os quais tinha “refutações” prontas. Você praticou o que me acusa de praticar, tem até um manual pronto para esse tipo de prática. Qualquer criança com instrução primária entenderia que o verbo ter, na oração aplicado depois da palavra propriedade, possui, tem o significado de possuir. Só um analfabeto funcional, ou uma personagem intelectualmente desonesta, para confundi-lo com sentido de haver ou existir.

            Além de desconhecer os usos da língua, você também desconhece a História. A “presença do Estado aqui era rala”? Pergunte aos índios, aos escravos e aos inconfidentes. Portugal impôs o monopólio do comércio da colônia por mais de trezentos anos; nesse período, o monopólio foi quebrado esporadicamente, em episódios de invasões de algumas regiões, a mais significativa, que causou mais estrago aos interesses da coroa, durou menos de vinte e cinco anos. As capitanias eram concessões a vassalos a serviço do rei, que recebiam dele armas, soldados, delegação de poderes e patentes de comando militar, para aqui desenvolverem e apoiarem empresas de agroindústria mercantil, no interesse do comércio monopolista da corte. Os donatários das capitanias não eram donos delas, não podiam vendê-las, podiam apenas passar a delegação recebida do rei por herança. Quando as capitanias fracassavam na empreitada ou ficavam sem herdeiros, o rei pegava de volta para entregá-las a outro donatário; não tem essa de que o donatário dispunha de força militar para garantir sua propriedade, ele tinha força para fazer valer a vontade da coroa, exercer os poderes que lhe foram delegados, era um agente do estado.

            Por dependerem de levantar capitais para a empresa agromercantil, muitas capitanias não se concretizaram ou fracassarm em sua empresa e, ao perceber o abandono de territórios e ocupações por outras potências marítimas, principalmente a França, logo Portugal nomeou um governador geral, que tinha por missão expulsar os invasores e organizar a empresa colonial. Esses governadores conseguiram feitos como, por exemplo, expulsar franceses do Rio de Janeiro e do Maranhão, além de inviabilizar os negócios da Companhia das Índias Ocidentais. Uma presença rala do estado não alcançaria feitos de sucesso contra duas potências marítimas européias. Foi tão “rala” a presença do estado aqui, que a colônia sob domínio português alcançou uma extensão maior do que toda Europa excetuando a Rússia, são escassos os estados com tamanha extensão territorial. Capitães e governadores eram a presença do estado colonial.

            Mais uma vez você manobra sobre o que escrevi. No parágrafo onde descrevo práticas indecorosas registradas na História de formação de monopólios, em nenhuma frase ou oração aparece o nome da Ambev para ligá-la diretamente a essas práticas. Você insiste em “advogar” para a Ambev; se faz isso profissionalmente e devidamente bem remunerado, parabéns, mas se faz “di grátis” é porque é idiota mesmo.

            Mas a Ambev faz publicidade farta e ampla nos meios, como aparece no texto daquele parágrafo. Isso é uma atividade legal. Mesmo com o monopólio do mercado para seus produtos, o que em tese diminuiria a necessidade de tanta propaganda, “obviamente”, ela faz isso para promover atividades esportivas e artísticas, incentivar a “indústria” da publicidade e assim gerar empregos e mover a economia nacional, etc e tal. É apenas uma coincidência, que as leitoas e sardembergues da vida, todos com opiniões favoráveis ao “livre mercado”, não critiquem o atentado ao verdadeiro livre mercado que é a formação de monopólios e cartéis, que destroem a concorrência. São profissionais muito “conscientes” do dever de informar bem seus leitores e espectadores, são bem tratados e bem remunerados pelos meios que os contratam; têm “autonomia”, possuem ampla “liberdade de opinião” concedida por seus patrões, prezam muito seus empregos e por isso mesmo não querem perdê-los… somente isso, é compreensível um assalariado defender seu emprego.

            A Ambev fez doações para campanhas eleitorais como menciona o texto? Ora, isso também é legal, infelizmente nossa legislação não impõe limitações ao poder econômico sobre o poder político. Mas, “obviamente”, nossa “classe” política é formada de homens probos, não se deixam influenciar por qualquer doação milionária; parafraseando Mark Twain, nós temos os políticos mais honestos que o dinheiro pode comprar. Para você não acreditar mais em histórias de fadas, você deveria ler a história dos barões ladrões no EUA, ou a biografia do Assis Chatteaubriand, para ver como se formam monopólios.

            Cristo levantou um obstáculo ético para a liberdade de comércio, baseado numa ética religiosa, mas não deixa de ser uma restrição ética para o comércio. Quando alguém registra uma empresa com o nome de jesus.com e posa publicamente de “cristão”, fala tudo sobre seu maucaratismo e total falta de ética, que a substitui pela ganância, pelo culto à acumulação de dinheiro e poder. Se alguém se disser cristão, mas que não segue o primeiro mandamento, então, de nada adianta jurar que segue os demais. O primeiro mandamento do liberalismo econômico é a concorrência. Se alguém faz defesa de cartéis e monopólios, está defendendo o avesso da concorrência; se disser liberal, então é um liberal de merda.

            Não precisa ser necessariamente socialista, para compreender que o direito de propriedade não é absoluto. Não precisa ser obrigatoriamente um religioso cristão, para rejeitar a “liberdade de comércio” relacionado à pedofilia ( embora certos religiosos a pratiquem). Do mesmo modo, devemos abominar o princípio do mercado para a compra venda de pessoas como escravos, bancos de sangue privados, comércio de órgãos humanos e assuntos afins. O mercado não pode estar acima da ética dos homens e fora do seu controle político, pairar sobre as sociedades como uma “força da natureza”, como você defende. Só pessoas desprovidas de princípios éticos assim agem.

  4. altamiro souza

    31 de dezembro de 2015 1:36 pm

    a saída muito propalada é a

    a saída muito propalada é a regulação dos mercados, especialmente o financeiro,

    o quaL é o responsável principal dessa crise desde 2008 nos eua;;;..

    o bode expiatório na europa é a questão dos imigrantes.

    e aqui? a corrupção?

  5. rita scaramuzzi

    31 de dezembro de 2015 4:45 pm

    o capitalismo nasceu sobre o

    o capitalismo nasceu sobre o manto de reis absolutos. e se fortaleceu nesse periodo. quando veio as revoluções na europa todos pediam democracia. mas de fato só podiam participar dela quem era considerado mais evoluido do que outros…eu sempre acreditei que capitalismo e democracia um casamento estranho.  democracia é algo de Atenas. liberdade é um conceito iluminista. mas sem grana.. fiquemos sem liberdade..

    1. Free Walker

      31 de dezembro de 2015 10:39 pm

      NADA A VER.Completamente fora

      NADA A VER.

      Completamente fora da história e da realidade. As pessoas deveriam reconhecer suas limitações e deixar de inferir, inferir….. sobre o que tem o mínimo de conhecimento.

    2. rita scaramuzzi

      1 de janeiro de 2016 5:32 pm

      o sistema capitalista é um

      o sistema capitalista é um fenomeno ingles. é  certo que desde o século XIII os nobres ingleses proprietarios de terras tentavam enquadrar os reis atrávés da carta magna de 1215. Mas o rei Jõao conspirou contra a nobreza e ela ficou sem garantias legais. Com a  guerra dos cem anos(1337-1453) contra a França e mais tarde a Guerra das Rosas(1455-1485), lançaram a Inglaterra numa crise profunda. E o poder real ganhou força. Foi neste contexto que a Dinastia Tudor assumiu o trono ingles. A rainha Isabel( 1558-1603) foi quem lançou as estacas do desenvolvimento economico ingles . A rainha isabel foi a mais poderosa governante de seu tempo. E ela era uma soberana absoluta.  Depois da revolução Gloriosa( 1688)  surgiu uma nova carta de direitos. e ela continha uma clausula de que o herdeiro do trono ingles não podia ser catolico. e a Coroa passou para um parente protestante da casa de Hanover, de ascendencia alemã. A casa de Hanover terminou a obra iniciada pela a Dinastia Tudor e foi nesse periodo que a revolução industrial ocorreu.

      e na França? o sistema feudal aprofundou-se com a formação do reino franco.. o capitalismo comercial frances tem uma face diferente da inglesa.

      a democracia ateniense também era de alcançe restrito. assim como foi na revoluções na europa do seculo XVIII. a restrição baseava-se justamente na ideia daqueles que são mais iguais ao sistema economico vigente.

  6. jose antonio santosj

    31 de dezembro de 2015 6:02 pm

    A França de ontem e a Europa de hoje.

    Bom post,

    Coincidentemente estou lendo um livro de historia do periodo das revoluções de 1789 – 1848. O livro é centrado na França. Estou no capitulo em que Napoleao se torna imperador.

    O que acontece hoje e uma copia surrada do que aconteceu no passado. Pouco mudou o modo como as classes sociais se relacionam e como resolvem seus conflitos.

    Se a coisa piorar muito chamamos um Napoleão (agora tem outro nome a escolher).

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