4 de junho de 2026

Música de quem?

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Enviado por Último Vaqueiro

Comentário referente ao post “O samba brasileiro é música de branco”

Debate interessante este. Quero também fazer algumas considerações e discordar de algumas coisas:

a) A música não é formada só de harmonia. Na concepção tradicional, a música tem três elementos: a harmonia, a melodia e o ritmo, todos com igual importância (sendo que se e um ou dois deles for suprimido ainda assim é música).

b) Na questão rítmica, o samba ( o blues, o ragtime, o jazz) não tem nada de europeu, mas sim, vemos uma forte presença e influência da música africana. Experimente fazer um samba sem a sua célula rítmica característica e me diga se é um samba (vira polca, marcha etc, menos samba).

c) Na questão do tonalismo/modalismo aí o buraco é bem mais embaixo, resumindo: c1) Até o advento da chamada música clássica (strictu sensu) com Mozart, Beethoven e Haydn (principais compositores) a música européia era feita, sim, com muito modalismo, já que ainda não se tinha uma idéia bem definida de tonalismo (bem provável que no período barroco já se tivesse iniciado). c2) o tonalismo nada mais é do que uma variante do modalismo, nesse sentido antes se conheciam e se usavam os modos jônico (que depois viria a ser a base para a tonalidade maior), dórico, frígio, lídio, mixolídio, eólico (base para a tonalidade menor) e o modo teórico frígio. c3) Quem ‘batizou’ a música africana de modal? Na verdade chamaram de modal a partir de um ponto de vista eurocentrico, pois os africanos faziam música sem intenção nenhuma de ser modal ou tonal. Assim, o samba surgiu no Brasil sem intenção de ser tonal, apenas já era o que mais se escutava na época (hoje já temos muita música modal)

d) O elemento da música africana que mais influenciou a nossa música brasileira foi o rítmo, pois eles usavam predominantemente instrumentos de percussão, e isso foi trazido para o samba.

e) Quanto ao contraponto (superposição de melodias) tem-se uma clara influência da música europeia, principalmente no choro onde o violão de 7 cordas faz uma melodia paralela àquela principal que está sendo cantada ou tocada por instrumentos mais agudos. Esta técnica, contudo, já era muito usada na música renascentista e barroca e também na música negra africana cantada (ritmicamente também se ouve na música africana e algumas brasileiras rituais e americanos a superposição de vários ritmos distintos na música negra).

f) Apenas uma inferência lógica: ‘A bossa-nova tem muito modalismo, então é música de preto feita por brancos, e o samba por ser tonal, é música de branco feita por pretos.’

g) Dizem que o samba original foi bastante modificado para agradar os ouvidos ‘brancos’, colocando-se mais elementos de música européia (assim como fizeram e fazem com os demais ritmos brasileiros como hip hop, funk carioca, até sertanejo, forró etc). Essa letra ‘g’ é só uma suposição.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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3 Comentários
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  1. altamiro souza

    24 de dezembro de 2015 2:20 pm

    gostei,. ainda  como

    gostei,. ainda  como comentário, antes…

    virou post, legal…

    tô admirando muito esses posts de música porque está

    surgindo uma turma que parece que entende do assunto..

    valeu!!!

  2. lala

    24 de dezembro de 2015 2:41 pm

    Se é que entra, a onde esta

    Se é que entra, a onde esta explicação do Gismont  entra nesta polêmica?

    De onde veio esta influencia diferenciadora

    Não é provocação, é vontade de aprender.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Sf1rb8-aeyI%5D

    1. Ivan de Union

      24 de dezembro de 2015 4:24 pm

      Em como a pessoa sente a

      Em como a pessoa sente a musica, claro.  Ainda na explicacao dos dedos, onde 1 eh dedo e 0 nao eh, a musica arabe eh assim:  1001001000101000.  Bater palmas so na primeira batida durante uma musica arabe eh um desastre ritmico.  A musica de Bob Marley so tinha uma batida forte:  a terceira, que eh sempre onde a acorde unico da guitarra cai e eh tipico de reggae..

      Ha muita, muitas diferencas em como pessoas (no sentido de grandes grupos populacionais e culturais) passam a sentir o passar da musica.

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