5 de junho de 2026

Medida provisória permite acordos com empresas envolvidas em casos de corrupção

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Da Rede Brasil Atual

MP do Acordo de Leniência é 1ª resposta de Dilma a fórum de centrais e empresas

MP permitirá que empresas envolvidas em corrupção possam firmar contratos com o governo, mediante regras internas e mudanças de procedimentos. Iniciativa objetiva combater o desemprego no país
 
por Hylda Cavalcanti
 
A presidenta Dilma Rousseff assinou, hoje (18), uma medida provisória que permite acordos de leniência entre empresas envolvidas em escândalos de corrupção com a União, estados e municípios. A medida foi anunciada por Dilma como a primeira das respostas prometidas por ela aos representantes de 70 entidades, entre centrais sindicais e patronais, que lhe entregaram na terça-feira (15) uma carta com sugestões e propostas pra acelerar o desenvolvimento do país em 2016. O intuito da iniciativa é construir uma agenda econômica positiva, de emprego e renda para o próximo ano. E o acordo de leniência foi uma das solicitações.

A assinatura aconteceu após a reunião da presidência com os representantes de todas estas entidades, além de vários ministros, no Palácio do Planalto. De acordo com a presidenta, que foi breve em suas palavras, seu governo apoia totalmente o combate à corrupção. Conforme destacou ela, a medida provisória vai permitir que empresas investigadas e declaradas inidôneas possam voltar a fechar negócios com o governo, de forma a preservar empregos. Os termos da MP foram acordados em conjunto entre representantes do Executivo e destas entidades sindicais e patronais.

Dilma Rousseff também explicou que embora a medida provisória possua itens análogos à proposta que trata do tema no Senado, o governo não pôde esperar o término da tramitação da matéria, diante do período de recesso do legislativo e da perspectiva dos trabalhos no Congresso Nacional só terem continuidade a partir de fevereiro. Segundo destacou, “o país precisa urgentemente de mecanismos mais céleres. E a preservação do emprego dos brasileiros e brasileiras não pode esperar”.

Atenção para o desenvolvimento

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a MP vai ajudar a resolver o problema do desemprego no Brasil. “Só nos estaleiros, temos milhões de trabalhadores ficando desempregados. A agenda do Brasil para 2016 precisa ser o desenvolvimento e medidas que levem o país a crescer e gerar empregos, e não o impeachment e a crise política”, disse.

Vagner Freitas também acentuou que em paralelo a essa movimentação feita por entidades de vários setores para melhorar o país, também foi significativa a ida de cidadãos às ruas em todo o Brasil nos atos de quarta-feira (16). “O ato foi organizado pelas centrais sindicais em defesa do Estado Democrático de Direito, mas o que vimos foram pessoas que foram para as ruas espontaneamente, interessadas em lutar pela democracia e contra o retrocesso”, acrescentou.

Adilson Araújo, presidente da CTB, também demonstrou entusiasmo com a iniciativa. “Confesso que não acredito em Papai Noel, mas confesso também que essa medida vai fazer com que muitos voltem a sonhar com o Natal”, disse. Araújo ressaltou que o fórum criado recentemente – reunindo todas estas entidades – é fruto da maturidade política alcançada pelo Brasil nos últimos anos.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que a MP não é boa apenas para o setor automotivo, mas para todas as organizações que se aliaram na parceria por um Brasil melhor. Na sua avaliação, o governo deu um excelente sinal, que foi o de agilidade e disposição no atendimento das propostas. “E agilidade é o que o país mais precisa neste momento para sair da crise.”

Segundo o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o acordo de leniência constrói uma solução para dar mais efetividade às investigações sobre esquemas de corrupção em empresas que tenham lesado o Estado. “A lei detalha a necessidade de as empresas indicarem como vão colaborar com a investigação. Não basta apenas dizer que vai colaborar, tem que mostrar isso”, ressaltou.

Obrigações e contrapartidas

A medida, no entanto, não tratará de punições a crimes cometidos pelas empresas, porque caberá ao projeto que tramita no Congresso deliberar sobre este tema. Entre as contrapartidas previstas na MP está a obrigatoriedade de as empresas que firmarem acordo possuírem mecanismos de controle. Tais empresas também serão obrigadas a melhorar e aprimorar procedimentos internos para evitar novos atos ilícitos.

O controlador-geral da União, Valdir Simão, disse que a medida reflete algumas adaptações propostas e que vinham sendo discutidas anteriormente sobre a Lei 2.846, a chamada lei anticorrupção. E é fruto de muitos debates entre a controladoria e órgãos como o Ministério da Justiça, Advocacia-Geral da União e Ministério Público Federal. Na prática, a MP permite que o acordo de leniência seja assinado juntamente com o Ministério Público e também no âmbito da lei de improbidade administrativa.

O próximo encontro do fórum criado pelas 70 entidades está programado para 16 de fevereiro. O ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto, disse que durante o mês de janeiro várias equipes vão trabalhar para dar sequência ao estudo e atendimento das demais propostas apresentadas ao governo. E que a intenção do Executivo é continuar tratando de forma célere o encaminhamento dessa agenda positiva apresentada para o país.

 

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9 Comentários
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  1. JB Costa

    20 de dezembro de 2015 1:21 pm

    Clap, clap. clap(royalties

    Clap, clap. clap(royalties para a Anarquista Lúcida). Isso, isso, isso……(roayties para o Chaves).

    Por que só agora, presidente? Tal iniciativa deveria e poderia ter sido tomada no nascedouro da dita Operação Lava a Jato; antes que o Dr. Moro fosse “coroado” pela Globo “rei” do Brasil. A senhora, infelizmente, perdeu o que os pernósticos chamam de “time” e nós, simplórios, avaliamos como “passar batido(a)”. Não fica bem para uma gestora, a responsável pelo cargo mais importante do país, só fechar a porta depois do ladrão levar tudo.

    Empresas, entes abstratos, não podem, jamais,  serem penalizadas por conta dos erros de seus proprietários ou acionistas-controladores. Que estes paguem pelos seus crimes e não uma estrutura que serve ao país e particularmente a milhões de pessoas que dela dependem para viver.  

    Se houve uma ação(no caso, uma falta de ação) emblemática em termos de irresponsabilidade e obtusidade desse atual governo, esta se deu nessa quase criminosa omissão quanto à desestruração da cadeia do petróleo e gás no momento em que a conjuntura econômica mais prescindia da mesma. 

    Bem, antes tarde do que nunca. Pelo menos isso. 

  2. maria rodrigues

    20 de dezembro de 2015 1:28 pm

    Sem substituição às empresas

    Sem substituição às empresas envolvidas na operação Lava a Jato as notícias, como não poderiam deixar de ser, são todas no sentido de obras paralizadas, virando canteiros Brasil afora. Isso não poderia continuar assim, visto que acarreta desemprego, e um custo altíssimo para o governo que investiu muito para o andamento dessas obras, todas elas de grande porte, e necessárias ao nosso desenvolvimento.

     

  3. Raí

    20 de dezembro de 2015 1:44 pm

    1@ Medida do Nelson Barbosa

    Esta solução meio que inesperada, e aparentemente desesperada, estva “no bolso do colête” do atual Min.da Fazenda, desde sua convocação, para ser Min. do Planejamento, porém a visão mercantilista- banqueira do Joaquim Levy, impediu que fosse colocada em ação, assim que os Presidentes e diretores das maiores construtoras e empregadoras brasileiras, começaram a ser presos, e consequentemente paralizaram as obras em andamento e ainda nas pranchetas.

    Efetivamente, 34 das obras geradoras de emprego e renda no Brasil, dependem das encomendas das Estatais e especialmente da Petrobras, e desde o início da Lava Jato, que 90% das obras, praticamente pararam, e pararam o Brasil.

    Governar com medidas provisórias, não é efetivamente, a melhor forma de administrar, porém nas atuais circunstâncias, é a única e mais coerente medida, para destravar os gargalos que impedem a continuidade das atuais obras federais, estaduais e municipais, que estão paradas, pela falta de um “horizonte” para as empresas cujos donos estão presos, e que com esta MP, saem da paralizía atual, e voltam a operar.

  4. altamiro souza

    20 de dezembro de 2015 2:39 pm

    enfim o país  poderá

    enfim o país  poderá destravar, com esses acordos de leniencia,

    não a favor da corrupção,mas em benefício da nação brasileira…

    paralisia  é o que querem os goipistas de sempre…

    esse acordo pode ser um divisor de águas nessa crise que

    paralisava 

    o país…

  5. Frederico69

    20 de dezembro de 2015 2:45 pm

    vamos mulher, arranca desse atoleiro!! vai!!!

    empurra essa máquina do governo, para o país andar!

  6. aliancaliberal

    20 de dezembro de 2015 2:52 pm

    Se isso passar no congresso

    Se isso passar no congresso pode esquecer o país.

    1. Mário Latino

      20 de dezembro de 2015 10:44 pm

      Medida provisória não tem que

      Medida provisória não tem que ter a chancela do congresso.

  7. José Carlos - Spin

    20 de dezembro de 2015 9:58 pm

    Os acordos de leniências

    Os acordos de leniências existem em vários paises, estamos chegando bem atrasados, nada mais é do que uma forma de manter a economia de pé, até mesmo para que as empresas que vierem a sofrer condenações em multas pecuniárias possam quitar tais dívidas sem que se exclua o processo criminal:

    http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14475&revista_caderno=16

  8. Ze Guimarães

    20 de dezembro de 2015 11:16 pm

    Excelente noticia

    Até que enfim. A Justiça serve para corrigir erros e não para destruir empresas. Prender petistas corruptos tudo bem, mas preservem as empresas envolvidas, e os empregos.

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