5 de junho de 2026

Democracia não irá se resumir aos desmandos de Cunha, por Jean Wyllys

 
 
Hoje é um péssimo dia para ser Eduardo Cunha: além de acordar às 6 da manhã para receber a Polícia Federal na residência oficial da Câmara dos Deputados e de ter sua sala na presidência da Casa e seu escritório pessoal revistados, Cunha também viu o Conselho de Ética votar e decidir pela continuidade da representação apresentada por nós, do PSOL, junto a outros deputados (mas não os tucanos e democratas que, na época, declaravam apoio a plenos pulmões à permanência de Cunha), que pede sua cassação por corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e por ter mentido em uma CPI sobre a existência de contas secretas na Suíça. As manobras dos aliados de Cunha não foram bem sucedidas!

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Tanto a ação da Polícia Federal e do Ministério Público quanto a votação no Conselho de Ética são bons sinais de uma institucionalidade que começa a acordar graças à mobilização popular e à denúncia constante daqueles que, antes mesmo de Cunha chegar à presidência da Câmara, advertiam que se tratava de um sujeito perigoso para a democracia.
Foram as mulheres que se mobilizaram em todo o país contra a agenda conservadora de Cunha, foram os movimentos sociais que saíram às ruas contra as tentativas de golpe institucional, foram os internautas que mantiveram o Fora Cunha ativo nas redes, foi a pequena (porém, combativa) bancada do PSOL que não parou de denunciá-lo, foi você que acompanha essa página e faz a sua parte. Entre todos e todas conseguimos que as instituições começassem a funcionar! Cunha, que tentou se fortalecer politicamente como inimigo da presidenta, para ganhar o apoio dos movimentos fascistas pró-impeachment, não é amigo de ninguém! Cunha não é a garantia de que investigações prosperem; antes, ele age conforme sua conveniência e conforme a conveniência daqueles que o apoiam. A democracia não pode – e não irá! – se resumir aos seus desmandos.

Esta luta não para aqui. Não temos que nos contentar com uma possível renúncia à presidência da Câmara, algo esperado aqui nos corredores do Congresso Nacional para a coletiva que Cunha convocou mais cedo: ele tem que ser cassado por violar flagrantemente o decoro parlamentar e ser apenado por conta de seus crimes. Não descansaremos jamais! O edifício do poder de Cunha começou a se derrubar. Fiquemos atentos e aumentemos a pressão popular, porque só assim o bandido vai cair!

 

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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