4 de junho de 2026

Cunha atua na Justiça para contestar existência de contas no exterior

 
Jornal GGN – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prepara uma estratégia para “provar que não faltou com a verdade”, após o processo de suposta quebra de decoro parlamentar ser aberto no Conselho de Ética da Casa. Como um dos focos do processo, que poderá tirar de Cunha sua cadeira no Congresso, é questionar a inveracidade de suas afirmações na CPI da Petrobras de que ele não possui contas no exterior, o deputado tentará desqualificar as acusações. Uma delas é colocando em sigilo o inquérito que investiga o que abasteceu as suas contas secretas na Suíça.
 
Nesta terça (03), Cunha disse que não mentiu quando negou a existência das contas durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Ainda afirmou que não se sentia constrangido ou via algum problema em continuar presidindo a Câmara, enquanto ocorre o processo no Conselho de Ética. 
 
Apesar de não antecipar pontos de sua defesa no processo de cassação, Cunha informou que vai analisar a representação apresentada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade, e assinada por diversos partidos, que pedem o seu afastamento. “Tudo tem o seu tempo. Eu não menti à CPI. Quando eu apresentar a minha defesa ao conselho vocês vão saber todas as minhas respostas”, disse.
 
No mesmo dia das declarações, a defesa de Eduardo Cunha entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que o ministro Teori Zavascki, relator do processo na Lava Jato, reformule a sua decisão de negar o segredo de Justiça à investigação. 

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A justificativa dos advogados é que há dados bancários e fiscais que são protegidos por lei e não deveriam ser expostos. Contudo, a intenção de Cunha vai além. O presidente da Câmara pretende desqualificar os indícios do crime, com a investigação tramitando em sigilo, e negando as informações já prestadas pelo Ministério Público da Suíça e reafirmados pelo MPF brasileiro. A sinalização foi dada em recurso da defesa de Cunha, classificando como “inverídicos” os seguintes termos utilizados pela Procuradoria: “identificação de contas bancárias mantidas por Eduardo Cunha e sua esposa na Suíça. Confirmação dos pagamentos feitos no exterior por João Augusto Rezende Henriques em favor de Eduardo Cunha”.
 
“Embora inverídicos os termos utilizados na ementa de referido documento, é certo que o seu conteúdo se refere a dados bancários que, como sabido, ostentam grau de sigilo garantido constitucionalmente”, diz o documento, anunciando a tese de Cunha.
 
Enquanto isso, a investigação contra Eduardo Cunha por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras e a possível relação desse crime com as contas secretas no exterior motivaram a Suprema Corte a autorizar o bloqueio e o sequestro de R$ 9,6 milhões que estavam nas suas contas e nas de familiares.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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8 Comentários
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  1. Ivan de Union

    4 de novembro de 2015 5:25 pm

    Ah, gente, que covardia!

    Ah, gente, que covardia!  Voces acham que eu me responsabilizo TODA VEZ que minha esposa gasta dois milhoes de reais no cartao de credito?  Tem doh, ne?

     

     

    (e agora voces sabem porque nem o judiciario nem PF se moveram contra esposa e filha de Cunha mesmo com provas graniticas.  Pura covardia, pois ele seria derrubado instantaneamente e delataria muito mais do que voces estao pensando.)

  2. alexis

    4 de novembro de 2015 5:44 pm

    Detalhe

    O Cunha falou na CPI que não possui qualquer outra conta aqui ou não exterior que não seja aquela declarada na sua declaração de renda.

    Pagando multa, pode retificar a sua declaração de renda incluindo as contas, a qualquer momento.

    Sendo assim, ele estaria “hoje” dizendo a verdade.

    1. Ivan de Union

      4 de novembro de 2015 6:08 pm

      Dinheiro de corrupcao ou

      Dinheiro de corrupcao ou crime nao “leva multa”.  Eh apropriado sem mais explicacoes.

      1. alexis

        4 de novembro de 2015 9:05 pm

        Problema

        O problema, Ivan, é que a câmara iria juga-lo apenas pelo fato de, em tese, ter mentido aos seus ilustres colegas Deputados, não por outra coisa.

        1. Ivan de Union

          4 de novembro de 2015 9:14 pm

          Impossivel, Alexis!  Ele

          Impossivel, Alexis!  Ele movimentou quase meio bilhao nessas contas!  Nao existe maneira desse dinheiro passar por qualquer pente grosso da Receita, por mais grosso que seja:  eh dinheiro de corrupcao mesmo.

          1. alexis

            5 de novembro de 2015 8:38 am

            Concordo

            Mas, essa acusação será feita pelo STF, tendo ele no cargo de Presidente da Câmara.

  3. Maria Silva

    4 de novembro de 2015 6:54 pm

    O que será que esse patife anda tramando?

     Ele écapaz de passar a rasteira em todo mundo, por que conta com conivencia da midia e dos aliados. Tudo é possivel. Se seus adversarios e o governo não tiverem competencia pra enfrentá-lo, ele se safa dessa …

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