17 de junho de 2026

Livro conta história de Eny Cezarino e seu bordel

Da Editora Planeta
 
Eny e o grande bordel brasileiro 
 
Vera Holtz, Serginho Chulapa, Ciro Batelli e Guga de Oliveira desvendam o universo da cafetina mais famosa do Brasil 
 
Eny e o grande bordel brasileiro terá um lançamento digno da sua personagem principal: Eny Cezarino. Na companhia do escritor da obra, Lucius de Mello, o evento começa com a leitura dramática da atriz Vera Holtz – dirigida por Rodolfo Vázquez, de Os Satyros – e é seguido de um bate-papo com Serginho Chulapa, Ciro Batelli e Guga de Oliveira, todos frequentadores ilustres do bordel que recebia de presidentes da república a empresários e fazendeiros. O evento é hoje, segunda-feira, a partir das 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
 
 A história da maior cafetina do Brasil será declamada e debatida na loja das Artes. A obra Eny e o grande bordel brasileiro ganha novas páginas, disponíveis em duas versões, uma impressa e outra em formato e-book, ambas da Editora Planeta. Na primeira, destaque para dois contos inéditos e fotos que foram acrescidos ao livro; já na versão online, além desses dois novos relatos, outros 10 contos inéditos revelam histórias pitorescas vividas por personagens inusitados e curiosos. 

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“Eny era leal, extraordinária. Nos tornamos amigos íntimos, quase parentes!”, relata o goleador Serginho Chulapa, que na época era um dos principais centroavantes do Brasil, no São Paulo Futebol Clube, e também líder de um grupo de pagode. O jogador era frequentador assíduo do bordel e cliente preferencial, muitas vezes fechando a casa só para ele e amigos. Muitas farras, risadas e histórias aconteceram no casarão nos anos 1970. Hoje, Serginho é casado e um pai de família exemplar e a amiga Eny é apenas lembrança da rica vida desse ex-jogador e agora integrante da comissão técnica do Santos Futebol Clube.
 
Antes de ser o Mr. Vegas, responsável pelas noites mais badaladas da Cidade do Jogo, o empresário Ciro Batelli, o “Vóiz”, era um jovem estudante de direito que, ao contrário dos outros homens, frequentava o bordel mais para ganhar do que para gastar dinheiro. Ciro morava em São Paulo e, pelo menos duas vezes ao mês, revendia lingeries, perfumes e estojos de maquiagem importados que ele mesmo comprava no Paraguai e ia até Bauru mostrar as novidades. Uma delas fez tanto sucesso que tirou a Eny do sério: um portátil ventilador a pilha. Essa é uma entre várias histórias relembradas por Ciro Batelli 
 
Janete Clair batia todos os recordes de audiência com a novela O Astro, na Globo, enquanto na TV Tupi, O Profeta rivalizava. E foi numa noite dessas, com o bordel inteiro parado em frente à televisão, que a trupe de Carlos Augusto de Oliveira, mais conhecido como Guga de Oliveira, chegou ao bordel da Eny. Naquela época, o irmão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, acabara de receber um convite para ser diretor de programação da TV Tupi. Ele também era um dos sócios da Blimp Filmes – a maior produtora de cinema e documentários da América Latina nos anos 1960 e 1970. 
 
Guga, Ciro e Serginho são só alguns dos grandes personagens que deram a fama de “mais famoso bordel brasileiro” à casa de Eny Cezarino. Entre os outros casos que o escritor Lucius de Melllo descreve estão o conto O sertanejo nu no Paraíso, que narra episódio inusitado envolvendo o cantor sertanejo Sérgio Reis e o conto A filha do sapateiro, que traz um personagem curioso ligado às atividades cotidianas do bordel: o profissional que cuidava dos sapatos das meninas da casa, que era o pai da, hoje, famosa quituteira Palmirinha. 
 
Mello aproveita para contar também sobre as mulheres que trabalharam no famoso bordel, instalado em Bauru, interior de São Paulo e seus famosos e ilustres clientes. Entre eles, artistas do porte de Vinicius de Moraes (1913-1980), o notório poeta e diplomata da Bossa Nova, e também donos de empresas, agentes da lei, religiosos, deputados, prefeitos e até um presidente da República. 
 
Relatos pitorescos 
 
O livro, lançado pela primeira vez em 2002, é resultado de pesquisa de mais de 10 anos feita pelo autor, fundamentada em entrevistas, material iconográfico e em jornais e revistas, apresenta com riqueza de detalhes a trajetória da “Casa da Eny” — como era conhecido o bordel da famosa personagem de alcova. Nele, é contemplada praticamente toda a trajetória de Eny Cezarino (1917-1987). Da infância, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, aluna em um colégio de freira, até sua transformação em uma das mais conhecidas cafetinas do país e sua morte, numa cama de hospital. 
 
Mello aproveita para contar também sobre as mulheres que trabalharam no famoso bordel, instalado em Bauru, interior de São Paulo, bem como de seus famosos e ilustres clientes. Entre eles, artistas do porte de Vinicius de Moraes (1913-1980), o notório poeta e diplomata da bossa-nova, e também donos de empresas, agentes da lei, religiosos, deputados, prefeitos e até um presidente da República. 
 
Misto de livro-reportagem e romance, ao revelar a relação entre Eny e poderosos a prosa de Lucius de Mello também faz uma correlação entre os segredos de alcova e os tratados culturais e políticos alinhavados no Brasil das décadas de 1950 até 1980. 
 
Sobre o autor: 
 
Mestre em Letras pelo programa de estudos judaicos e árabes da Universidade de São Paulo, Lucius de Mello é pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) e do Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (ARQSHOAH), ambos da USP. Jornalista de formação, acumulou experiência como repórter, editor e roteirista de TV por mais de duas décadas, com passagens pela Rede Globo, SBT e Record. O escritor foi finalista do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, em 1997 e 1998, e do Jabuti, em 2003, na categoria melhor reportagem-biografia com o livro Eny e o Grande Bordel Brasileiro. Também é autor de Um Violino para Os Gatos, A Travessia da Terra Vermelha, Mestiços da Casa Velha e do ensaio Dois Irmãos e Seus Precursores: o Mito e a Bíblia na obra de Milton Hatoum. 
 
Serviço: 
Eny, o grande bordel brasileiro 
Lucius de Melo 
ISBN 978-85-4220-466-7 
Não ficção 
16 x 23 cm / 424 páginas 
R$ 44, 90 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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7 Comentários
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  1. jns

    1 de junho de 2015 7:39 pm

    História Contemporânea

    A CASA DA ENY SARINO EM BAURU, SAO PAULO

    A memória de quem trabalhou lá (os garçons e as novas donas de bordéis locais, iniciadas por Eny) evoca: Chico Anísio, Juca Chaves, Clodovil, Roberto Carlos, Vinicius de Morais, Jô Soares, Laudo Natel, Paulo Maluf, José Sarney, Orestes Quércia…, para citar os mais conhecidos.

    No inicio dos anos 1960, um compositor da musica popular italiana compôs uma canção com o titulo A casa da Irene. “Na casa da Irene, se canta se ri, É gente que entra, é gente que sai”. Podia ser uma casa de família, aonde muita gente ia e voltava de visitas que sabe de uma família numerosa. Mas não, para quem ouvia, a letra se referia há um Bordel. 

    ENY CESARINO (OU SARINO) com aquilo na mão

    Mas muitos anos antes dessa musica, no estado de São Paulo já tinha A Casa da Eny, a maior casa do meretrício de São Paulo, quem sabe do Brasil. Ficava na cidade de Bauru, há 500 quilômetros distantes da capital. Foi a casa mais comentada pela imprensa ou em qualquer recinto onde o sexo era mencionado. Qual o time de futebol varzeano, quando foi jogar em Bauru, ou cidade próxima, que não parou na porta do “amor” para fazer uma visita e conhecer as belas mulheres do local?

    A proprietária era a Eny Cesarino (ou Sarino, segundo outras fontes), filha dos imigrantes José Cesarino, italiano, e de Angelina Bassoti Cesarino, francesa. Eny nasceu em 1916 no bairro da Aclimação em São Paulo, morou em Uruguaiana e aportou aos 23 anos, em 1940, para trabalhar como inquilina de Nair, na Pensão Imperial. 
    Passou a gerente, arrendou e finalmente comprou o “ponto” e a casa da antiga zona de meretrício, na rua Rio Branco 5-50, esquina com a Costa Ribeiro, tendo logo se destacado dos demais, pela sofisticação e luxo que seu bordel oferecia.

    Em função da lei municipal, que proibiu a permanência da zona do meretrício em área central da cidade, no final dos anos 50, Eny, antes proprietária da Pensão Imperial, transferiu-se para fora do perímetro urbano, construindo o “Eny’s Bar” em propriedade particular, ao sul da cidade, em área transacionada através da Prefeitura, em sentido oposto das outras casas que foram confinadas no extremo leste da cidade, no “formigueiro” ou Novacap, a zona determinada pelo poder municipal para o baixo e médio meretrício, em terrenos de Edgar Bicudo.
    A casa da Eny situava-se, agora, junto ao trevo rodoviário que liga as rodovias Mal. Rondon, Cte. João Ribeiro de Barros e Eng. João Batista Cabral Rennó – hoje oficialmente denominado Trevo da Eny. A fase áurea do seu luxuoso bordel se deu entre 1963 e 1983.

    O maior e mais luxuoso bordel do Brasil, inigualável na América Latina, tinha 5.000 m² de área construída, distribuídos em 12 conjuntos, 7.000 m² de jardins e alamedas floridas, protegidas por muros, com a maior piscina particular da cidade, sauna, restaurante e lanchonete, além dos quarenta quartos e suítes, com cama redonda e poltronas Luís XV, e uma suíte presidencial, com entrada privativa. A pista de dança, ao ar livre, tinha formato de violão, cujo “braço” era a entrada para a churrascaria: tudo de uma beleza e requinte inconcebíveis para um bordel em 1963 (muitos anos antes do La Licorne, na capital).
    Contudo, os serviços mais destacados eram a qualidade das mulheres e o sigilo e a discrição garantidos pela proprietária – na verdade, sua marca registrada, como se verá.

    As lindas moças vinham de toda a parte, recrutadas até do Paraguai, Argentina e Uruguai. Eny nelas investia: antecipava-lhes dinheiro para roupas finas, jóias caras e salões de beleza (o da Dirce era o melhor, também freqüentado por “senhoras da sociedade”); tudo do bom e do melhor para a clientela constituída por gente muito rica, famosa, políticos e afins.

    Segundo se diz, passaram pelos aposentos da Eny, dois terços de todas as assembléias legislativas do Estado de São Paulo nos últimos anos, muitos governadores de Estado e prefeitos da região, boa parte dos grandes plantadores de cana e os filhos deles e pelo menos um Presidente da República.

    A memória de quem trabalhou lá (os garçons e as novas donas de bordéis locais, iniciadas por Eny) evoca: Chico Anísio, Juca Chaves, Clodovil, Roberto Carlos, Vinicius de Morais, Jô Soares, Laudo Natel, Paulo Maluf, José Sarney, Orestes Quércia…, para citar os mais conhecidos.

    O fato é que Le Bordel fazia às vezes de “Centro de Convenções” do Estado, muito antes de terem sido criados os primeiros deles. Bauru já era o lócus para fechamento de grandes acordos de empresas e indústrias de porte – como noticiava a imprensa local, inúmeras vezes -, pois a comemoração com chave-de-ouro, na Eny, era obrigatória. 

    A Bardahl e a Dedini, ali promoviam as suas convenções de final-de-ano para diretores e representantes, além das reuniões para os delegados das convenções políticas, no período da ditadura militar.

    Ora, nada mais previsível que esta hábil administradora (que, dizem, deteve a maior fortuna de Bauru da época, com 24 casas só no Parque Vista Alegre), exercesse também grande força política, que foi demonstrada quando, em menos de 24 horas, fez revogar a ordem do Delegado Regional de Polícia, Francisco de Assis Moura, que determinara o fechamento da sua Casa, por não estar no local determinado ao meretrício, na Novacap, e elegeu, em 1963, o vereador Marco Aurélio Brisolla.

    Conta Nicola Avallone Jr., ex-prefeito, em entrevista à Revista Bauru e Região (Ano I nº 1, set/93) que um delegado de polícia – querendo agradar Jânio Quadros, o grande derrotado em Bauru – fechou a Casa da Eny. O fechamento durou três horas. “Reabri com a presença do Juiz Otávio Stuchi – uma personalidade fantástica. Fizemos um comício em prol da Eny e provamos ao Juiz que a Eny era um elemento agregador e não desagregador. E essa mulher teve tanta visão que se transformou na Dama da Caridade. Porque queríamos tirar a zona da 5-50 da rua Rio Branco, porque ficava a 50 metros do cinema, na área central. Nós ajudamos a transferência do bordel para a rodovia Bauru-Ipaussu. Quem decidiu o local fui eu. Arrumei mais nove companheiros para ajudar. O local estava abandonado. Era um posto de gasolina. A área foi comprada e transformou-se em coqueluche nacional. Ela financiava escola, creche, entidades de freiras. Mulher fantástica, de marcante presença na vida fraterna de Bauru.”

    Os fundos da casa e a piscina que ficava no amplo terreno.

    Nicolinha conta também que “até candidato era definido ali. Era o pólo mais importante de Bauru. Os meus hóspedes assinavam o ponto na Casa da Eny. Ela era anfitriã. Até um príncipe austríaco, que veio a Bauru instalar uma cervejaria – a Vienensse –, visitou a Eny. Ele e quatro engenheiros ficaram tão encantados que depois voltaram para visitar o bordel.”

    Eny era bastante conhecida na cidade e na região desde os anos 40, quando se mudou para Bauru; mas, de 1963 ao início dos anos 80, sua fama cresceu e seu bordel tornou-se um dos mais notáveis do país, até ser desativado em 1983 (a propriedade foi vendida ao grande empresário de ônibus da região, Dolírio Silva, que a revendeu e, hoje, pertence ao médico psiquiatra, ex-deputado estadual, Fauzer Banuth, e permanece fechada, sem uso algum).

    O neon da casa da Eny ficou para a posteridade

    Mesmo não existindo mais, a “Casa da Eny” é ainda referência para e sobre Bauru, citada, até hoje, em jornais e na TV.

    FONTE:  Site Bauru Chic – [email protected] | Texto de Mário Lopomo

  2. braga - sc

    1 de junho de 2015 7:48 pm

    saudade.

    saudade.

  3. stanilaw Calandreli II

    1 de junho de 2015 8:23 pm

    Eny de Bauru

    Quando servi o exército em Bauru, e bebia água dessa fonte.

  4. Jair Fonseca

    1 de junho de 2015 8:31 pm

    Puta história.

    Puta história.

    1. Hamilton

      1 de junho de 2015 8:51 pm

      Ou

      Vice e  versa.

    2. Hamilton

      2 de junho de 2015 11:15 am

      Ou

      Vice e versa.

  5. Jofran Oliva

    3 de junho de 2015 12:35 am

    Bauru ficou conhecida como a cidade. . .

    Bauru ficou conhecida como a cidade do mais famoso bordel do país, a Casa da Enny, mas pelo que me consta ele ficava no município de Agudos, na estrada Marechal Rondon entre Agudos e Bauru. Passei minha infância em Agudos, onde muitos times de futebol preferiam ficar no hotel dessa cidade antes dos jogos contra o Noroeste de Bauru, pois além da tranquilidade dessa aprazível cidade, ficavam próximos da Casa famosa. 

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