
do Observatório da Imprensa
Em causa própria: a mão que segura a bengala
Por Luciano Martins Costa
Os jornais concentraram o noticiário e seus comentários nesse aspecto, digamos, mais prosaico, da questão. Mas a nota no Globo informa que o presidente do Senado, Renan Calheiros, pretende regulamentar a nova legislação, exigindo que os atuais ministros sejam submetidos a uma sabatina adicional, com a justificativa de que os cinco anos a mais que serão obrigados a cumprir representam um novo mandato. Essa manobra transferiria para o Senado, na prática, a atribuição que é da Presidência da República, segundo a Constituição.
Se a norma for consagrada, basta que Renan Calheiros articule com seus aliados para que um ou outro ministro seja considerado inapto para seguir no cargo, e estará criada a condição para nomeações que lhes sejam mais convenientes, pois seguirá com os senadores a palavra final sobre eventuais substitutos. Como se sabe, o presidente do Senado, bem como o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, estão na mira da Operação Lava-Jato, e muito provavelmente serão levados a julgamento no Supremo Tribunal Federal num futuro próximo.
Interpretando as cinco linhas da nota no contexto político que mostra os dois líderes do Parlamento alimentando uma crise para fugir do confronto com a Justiça, fica clara a possibilidade de que a emenda à Constituição tenha sido levada apressadamente à votação com esse propósito muito particular, e não como parte da disputa que a imprensa insufla diariamente em suas manchetes. Temos, então, a curiosa situação em que a pregação moralista da mídia ajuda a realizar uma manobra destinada a assegurar a impunidade de políticos citados no escândalo da Petrobras.
Interesses pessoais
Há outras considerações a serem feitas, que parecem não passar pelas cabeças coroadas da mídia tradicional. Uma delas é a insegurança jurídica provocada por uma mudança apressada num dos pontos centrais da Constituição, que se refere ao funcionamento do sistema judiciário. Contraditoriamente, uma das queixas mais comuns de articulistas dos jornais, quando fazem reparos ao ambiente de negócios no Brasil, diz respeito à dificuldade de investidores para superar a burocracia e seguir as constantes mudanças de normas legais.
Quando o Senado produz uma mudança casuística que vai causar um forte impacto no Judiciário, a imprensa se limita a alardear a suposta derrota política da presidente da República. Como se sabe, a PEC da Bengala será inevitavelmente estendida para toda a linhagem do sistema, o que irá retardar a renovação dos tribunais, de alto a baixo, a partir do STF, mantendo em atividade por mais meia década uma geração de magistrados cuja produtividade é contestada diariamente. A substituição natural de muitos juízes que nunca se adaptaram ao computador, por uma geração mais afeita às novas tecnologias, ajudaria a melhorar o fluxo dos processos.
Também é curioso observar que a proposta de extensão da aposentadoria compulsória de ministros do Supremo foi elaborada em 2003 pelo então senador Pedro Simon (PMDB-RS), como registra a Folha de S. Paulo. Sua intenção era corrigir uma injustiça contra seu correligionário Paulo Brossard – recentemente falecido -, que não pôde assumir a presidência do STF porque completou 70 anos um mês antes de ser eleito. Em 2015, as boas intenções de Simon produzem um resultado que ele não esperava.
Alguns comentaristas observam que a mudança pode ser obstruída pelo próprio Supremo Tribunal Federal, fazendo com que os efeitos da nova regra sejam válidos apenas para futuros ministros. Acontece que, com mais cinco anos para a aposentadoria, praticamente todos os atuais ministros terão a chance de vir a presidir o STF, conforme lembra O Estado de S. Paulo. Esse pequeno detalhe pode definir, pelos interesses individuais, uma questão de alta complexidade no campo institucional.
sbernardelli
7 de maio de 2015 4:51 pmMAS PARECE…
MAS PARECE QUE STF GOSTOU…
Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de maio de 2015 4:53 pmO @CNJ_oficial já está
O @CNJ_oficial já está estudando a criação do “auxílio frauda-geriátrica” para os novos ministros super idosos do @STF_oficial ?
Geraldo de Carvalho Jr
7 de maio de 2015 6:18 pmIsso é discriminação com os
Isso é discriminação com os idosos… O correto seria que a modificação fosse aplicada aos novos ministros indicados. Nos mais, escritores, advogados, médicos,professores entre outros tantos, senhores e senhoras ,com mais de 70 anos exercem suas atividades com brilhantismo, experiência e sabedoria.
Ricardo JC
7 de maio de 2015 5:42 pmE se o Lula vencer a eleição
E se o Lula vencer a eleição em 2018? Vamos ter outra PEC para estender a idade da aposentadoria compulsória para 100 anos (é mais hgarantido…)? Por que este salafrários não fazem logo uma lei dizendo “fica vedado a Presidentes da República eleito pelo PT a nomeção de Ministro do STF”. Acho até que teriam um tremendo apoio dos coxinhas, já que todo mundo já rasgou a fantasia mesmo!!!
Ricardo JC
7 de maio de 2015 5:42 pmE se o Lula vencer a eleição
E se o Lula vencer a eleição em 2018? Vamos ter outra PEC para estender a idade da aposentadoria compulsória para 100 anos (é mais hgarantido…)? Por que este salafrários não fazem logo uma lei dizendo “fica vedado a Presidentes da República eleito pelo PT a nomeção de Ministro do STF”. Acho até que teriam um tremendo apoio dos coxinhas, já que todo mundo já rasgou a fantasia mesmo!!!
CB
7 de maio de 2015 5:51 pmUma vez, quando eu era
Uma vez, quando eu era moleque, assisti num festival Elvis Presley da Sessão da Tarde um daqueles filminhos em que ele e uma outra personagem (bonitona, pra variar) faziam um acordo de colaborarem um com o outro. No final, um deles disse uma coisa que nunca mais me saiu da cabeça: “Você coça as minhas costas que eu coço as suas.” Alguém sentou-se em cima da proibição de doações de empresas para campanhas políticas; outro alguém aprovou, na calada da noite, a PEC da bengala… Com isso, a garantia de GM, legítimo produto FHC, foi estendida até 2030, 2031, ou coisa que o valha, não é?, e a turma do Cunha vai continuar gozando de financiamento farto para suas campanhas. No rolo que vier a acontecer da Lava Jato, da-se um jeitinho. Sinto-me vivendo numa república de bananas, parece que caímos naquele túnel do tempo e voltamos aos tempos do Centrão do governo Sarney. Assim, de improviso, mudaram algo que mexe nas instituições.
sergior
7 de maio de 2015 6:21 pmA interpretação de Renan é
A interpretação de Renan é completamente maluca, mas, no atual quadro, pode ser aceita como verossímil, posto que do interesse do próprio Senado e da Câmara. Eduardo Cunha, um artista na arte de manobrar no parlamento, apressou-se nessa votação. Escolheu o momento errado para fazê-la e, ainda, de forma errada. Os atuais ministros do STF, no entendimento lato da nova norma constitucional, que já lá estão, nada devem a ninguém e receberam, gratuitamente, mais cinco anos de importância pública. Não houve pressão do STF para que essa votação ocorresse. Eduardo Cunha perdeu a chance de influir de forma decisiva na escolha de cinco ministros do STF. Esse atual quadriênio de poder, ao que parece, é dele e é difícil dizer que pós-2018 essa situação se manterá. Estranhamente, ele abriu mão dessa possibilidade, mesmo sabendo que o atual STF não lhe é favorável, em sua maioria. Renan, pelo visto, tenta consertar esse erro, lançando um balão de ensaio que dificilmente prosperará, posto que quem dirimi as dúvidas constitucionias são os próprios ministros do STF, diretamente interessados na questão, e não o Senado.
walter araujo
7 de maio de 2015 6:36 pmMudanças nas regras do jogo
Mudanças nas regras do jogo com o jogo em andamento.
Cabe à Presidente a indicação de novos Ministros, já que
eleita com esse atributo.
Se essa PEC tira da Presidência a faculdade da indicação,
a PEC é inconstitucional e deve ser barrada pelo STF
Maria Luisa
7 de maio de 2015 7:05 pmA mão que segura a bengala
Governa o Brasil. Ou pelo menos quer governar, como um trator. Quando é que Renan Calheiros e Eduardo Cunha vão pedir afastamento do comando da Câmara e do Senado ? Isso ai prevaricação.
Quanto a imprensa, não me engana um so momento. Ontem assisti uma parodia da BBC, onde eles mostram os candidatos a primeiro ministro da Inglaterra em campanha. De ulm lado o “socialista” do partido Trabalhista e de outro o Conservador David Cameron, como se os dois, apesar de defenderem programas de governo bem distintos, fossem iguais. Qual o serviço que presta a BBC aos cidadãos? Nenhum. Ao contrario, confunde e faz o telespectador médio dizer que eles são iguais e nesse caso a tendência é votar no candidato conservador ou aquele que ja esta exercendo o mandato para o qual concorre à reeleição. Esse tipo de manipulação é constante da parte dos meios de comunicação.
André Oliveira
7 de maio de 2015 9:28 pmIsso é casuísmo sobre
Isso é casuísmo sobre casuísmo e uma piada de muito mau gosto.
A dupla dinâmica Cunha-Calheiros parece dois rinocerontes na loja de cristais. A falta de sutileza de ambos impressiona.
joao
8 de maio de 2015 4:04 amA Lama foi Jogada!
Articulação entre o judiciário e o congresso. Contra o executivo. Contra o Brasil!
Sempre assim, o servidor público e os três poderes, executivo, congresso e o judiciário. São ilhas independentes que estão em aguas distintas por seus poderes e vantagens. Não pode ser assim. Servidores Públicos. Quando o funcionalismo público deveria cumprir uma só dei e geral para todos eles, aquela tal: O Princípio da igualdade. Princípio segundo o qual todas as pessoas são iguais perante a lei. Isonomia dos funcionários públicos, mais não, os salários diferenciados em cada poder, auto reguladores em uso em interesses próprio e as trincheiras,
Agora uma lei que mexe na isonomia geral, de 75 anos, para qualquer funcionário publica.
O rio de lama na conjutura atual do pior congresso nao tem freios, senso, equilibrio e brasilidade.