
Jornal GGN – Uma estudante francesa foi impedida de assistir aula, pois a direção da escola que ela frequenta considerou a saia que ela usava “muito longa”.
A França tem um histórico de proibir manifestações religiosas em instituições de ensino e foi justamente esse o argumento utilizado para barrar a aluna. A peça de roupa foi considerada “um sinal ostensivo de filiação religiosa”.
“Essa saia não tem nada de especial. É muito simples. Não é chamativa nem é um símbolo religioso”, disse a garota de 15 anos para o jornal local.
Enviado por Pedro Penido dos Anjos
Francesa é impedida de assistir aula por usar saia ‘muito longa’
Da BBC Brasil
Muçulmanas fazem compra com véu islâmico, adereço proibido nas escolas
A estudante Sarah K. foi impedida de assistir aula por duas vezes em sua escola em Charleville-Mezieres, no norte da França, por uma razão inusitada: sua saia preta, que cobre até o tornozelo, teria sido considerada “muito longa”.
O problema é que, para os diretores da escola onde Sarah estuda, essa peça de roupa seria “um sinal ostensivo de filiação religiosa”.
Desta forma, violaria uma lei aprovada em 2004 que proíbe a exibição de sinais religiosos nas escolas públicas francesas.
Sarah, que professa a fé muçulmana, retira todos os dias o véu islâmico para ir a escola em cumprimento a essa lei e não concorda com a decisão da escola de proibir também a sua saia.
“Essa saia não tem nada de especial. É muito simples. Não é chamativa nem é um símbolo religioso”, disse a garota, de 15 anos, para o jornal local L’Ardennais.
Nas redes sociais, uma campanha foi criada para apoiar a estudante e a hashtag#JePorteMaJupeCommeJeVeux (“Eu uso minha saia como eu quero”) chegou ao trending topic do Twitter francês.
“Isso é islamofobia e discriminação disfarçadas de pensamento pseudo-laico. Desde quando uma saia longa é um sinal religioso?”, escreveu o usuário identificado como @HamduliAllah.
Alguns twittes em apoio a Sarah incluem imagens de princesas Disney e estrelas de Hollywood vestindo saias longas.
Ministra
A ministra da Educação francesa, Najat Vallaud-Belkacem, defendeu a decisão da escola, alegando que o seu corpo docente teria levado em conta não só o comprimento da saia mas a “atitude da estudante”.
“Nenhum estudante pode ser ou já foi excluído (das aulas) por conta do comprimento ou da cor de sua saia”, disse Vallaud-Belkacem.
“Eles (os diretores da escola) concluíram que havia proselitismo (religioso) por parte da aluna e o que foi decidido não foi uma suspensão (da aluna), mas sim a abertura de um diálogo com a sua família.”
A mãe de Sarah discorda da ministra, mas parece querer acabar com a discussão rapidamente.
“É uma saia simples, sem nenhum símbolo, não é um adereço religioso. Mas se a escola não quer que minha filha a use durante as aulas, ela vai usar outra coisa. Não queremos problemas”, disse.
De acordo com o Coletivo Contra a Islamofobia na França em 2014 houve 130 casos de alunos impedidos de assistir aula por conta do que vestiam..
Rodrigo Lima
4 de maio de 2015 1:18 pmSó pensando…
E pensar que a França nos legou os ideiais dos direitos humanos expressos na Revolução Francesa, mas agora está se tornando essa coisa horrorosa discriminatória!
Wanderson Brum
4 de maio de 2015 2:24 pmSó que o “liberté égalite et
Só que o “liberté égalite et fraternité” desde a revolução sempre se aplicou apenas aos franceses étnicos e aos europeus caucasianos basta ver como os comitês da salvação trataram as colonias e com por fim trataram o Haiti na era Napoleonica e depois o que fizeram com a Argélia durante a 5ª República.
Enfim, a França do humanismo universal sempre foi mais uma propaganda, uma pretensão, um conto de fadas. A França real é um país que se dividiu entre aderir ao nazismo por compatibilidade de ideias ou de resistir a ocupação alemão mais por orgulho nacionalista do que por outra coisa.
rdmaestri
4 de maio de 2015 5:48 pmEu escutei com estes ouvidos
Eu escutei com estes ouvidos que a terra há de comer de um legítimo “fracais de souche” que como oficial das forças armadas francesas tinha lutado contra os alemães (talvez não tanto) que ele se arrependia em ter lutado. Isto foi lá por volta de 1980. Logo há uns tipinhos na França que dão nojo.
Rodrigo Lima
4 de maio de 2015 1:18 pmSó pensando…
E pensar que a França nos legou os ideiais dos direitos humanos expressos na Revolução Francesa, mas agora está se tornando essa coisa horrorosa discriminatória!
janes salete
4 de maio de 2015 1:28 pmO mundo está se tornando
O mundo está se tornando nazista.
Luiz Gonzaga da Silva
4 de maio de 2015 1:29 pm“Alguns twittes em apoio a
“Alguns twittes em apoio a Sarah incluem imagens de princesas Disney e estrelas de Hollywood vestindo saias longas.”
Não precisava ir tão longe, bastava mostrar desfiles de Chanel, Givenchy, S.Laurent, Dior…
vera lucia venturini
4 de maio de 2015 2:27 pmQuanta intolerância! Vão
Quanta intolerância! Vão implicar até com o comprimento da saia dos mulçumanos agora?
A mãe mulçumana deu uma lição nos educadores perseguidores e com sua atitude provou que o uso da saia longa por parte da menina não tinha objetivo de ostentar filiação religiosa.
Ze Borba
4 de maio de 2015 2:34 pmÓtima noticia. As mulheres
Ótima noticia. As mulheres devem ser proibidas de serem submissas. Qualquer sinal de submissão em país sério deve ser punido na lei. Isso deve valer para todas as religiões. Véu, cinto de castidade, saia muito longa,…tudo proibido. Essas religiões só respeitam a democracia para pedirem submissão.
Joel Neto
4 de maio de 2015 2:40 pmFundamentalismo francês
Na França ir a escola de minissaia, topless…tudo bem.
Ir de saia longa, cobrindo as coxas, joelhos e tornozelos…uma aberração.
A mais completa inversão de valores. Triste!
http://blogdobriguilino.blogspot.com.br/2015/05/fundamentalismo-frances.html
Anarquista Lúcida
5 de maio de 2015 12:49 amPor q “inversao de valores”? Haja moralismo…
OK quanto a usar a saia do tamanho que se queira, mas dizer que a saia curta revelaria um valor negativo é o fim da picada do moralismo.
Joel Neto
5 de maio de 2015 1:57 amEu deveria saber falar francês
Pra começo de conversa Cara Anarquista Lúcida, sou anarquista, ateu e tenho certeza que todo moralista não passa de um hipócrita.
Quanto ao tamanho da saia, seja mini ou longa, não revela mais que cada uma queira mostrar.
No caso em questão o que me incomodou é que um símbolo “religioso” para as autoridades francesas, seja motivo para barrar uma aluna de entrar na escola.
Mas, um símbolo da prostituição – minissaia – não seja.
Oraite?
Maria Luisa
5 de maio de 2015 7:34 amMinissaia na escola francesa? Em certas escolas, impossivel.
Joel, ha um equivoco nessa ideia. A França de hoje não é a mesma de algumas décadas. As meninas na França de hoje quase não usam saia e muito menos minissaia. O sexismo religioso imposto pelo machismo magrebino (inlcuindo ai o machismo feminino) e de outras origens também, acabou com as saias na escola. Veja o filme “O dia da Saia”. Eh um murro no estômago.
A escola é um lugar laico na França (alias, a escola francesa vai de mal a pior), onde não se entra com cruz, véu ou qualquer outro adereço de conotação religiosa e ponto. Eh valido para gregos e troianos, apesar de que no Brasil, vitimizam os muçulmanos em qualquer circunstância. Sabe o que esta acontecendo atualmente em Paris ? A classe média tem colocado os filhos, quando consegue, nas escolas publicas dos bairros privilegiados, onde ha menos miscigenação ou nas escolas particulares, que aumentaram significamente por aqui. Por quê ? Porque entre todas as nuances de preconceito, ha a questão de que a escola publica dos bairros populares ficou violenta, com muito bulling, as notas estão abaixo da média nacional e a falta de modos, boas maneiras e a falta de respeito das crianças e adolescente, tudo isso junto, provoca uma grande irritabilidade nos franceses, que prezam bastante pela civilidade no cotidiano.
Anarquista Lúcida
5 de maio de 2015 7:42 pmNao é moralista, mas mini-saia é símbolo de prostituiçao?
Ora, ora…
Quanto à proibiçao da saia longa, estamos de acordo, é abusiva. Mas é sim moralismo dizer que a mini-saia seria símbolo de prostituiçao. É o MESMO CASO. Cada mulher e cada moça deveria ter direito de usar a saia que preferir.
Yannick Naquis Roulé
4 de maio de 2015 11:18 pmPara de sensacionalismo, por
Para de sensacionalismo, por favor !
E mais complicado, parece que não é so por causa da saia… Essa menina ja tem uma historia de provocação com as colegas e escola, mas ecrver assim é masi sensasional.
Mas de qualquer jeito essas coisas se viram realmente preocupantes no meu pais…
Mesmo se não so para stimatização, mas para ser totalmente honesto eu nunca vejo outros casos de problemas come outras religões nas escolas.
O problema são as leis francesas ou a minoria de “musulmanos” que quer imposar as crença deles de qualquer jeito, eu ja tenho minha resposta
Maria Luisa
5 de maio de 2015 7:22 amO dia da saia
Sarah muçulmana ? Eh nome usado na França apenas pelos judeus… Pode ser que exista muçulmana chamada Sarah… Quem sabe sefardita do norte da Africa, nesse caso de origem judaica. As muçulmanas usam batas compridas por cima de calças ou camisetas largas ou casacos, enfim qualquer coisa que cubra os quadris, porém elas nunca, absolutamente nunca, ainda mais na adolescência, usam saia. Vestidos largos por cima de calça usam as mulheres mais velhas. Virou tabu saia nas escolas. As meninas judaicas ortodoxas sim, usam saias bem compridas, em suas escolas privadas… De toda forma, a escola exagerou nessa polêmica que não ajuda nem a gregos nem a troianos nessa dificuldade que é a multidiversidade. A escola na França tem lutado para permanecer laica e um lugar onde todos possam conviver o melhor possivel, ainda que com muitos conflitos.
Sugiro que assita-se o filme O dia da saia (La Journée de la jupe), com Isabelle Adjani, professora numa escola publica, em plena convulsão social.
[video:https://youtu.be/T093-TqZQzQ%5D
rdmaestri
5 de maio de 2015 2:04 pmEscutei na sala de aula uma informação muito preciosa.
Um dos meus alunos que é africano disse algo na sala de aula que me chamou a atenção, dentro da graduação do colonialismo entro o ruim, o “mais” ruim, o pior e o pior “ainda mais”, ele classificou a colonização francesa como pior do que a inglesa, simplesmente porque, segundo ele, os ingleses não se intromentem muito nas culturas nativas e os franceses querem lavar aos povos “incultos” os grandes méritos da civilização francesa. Ou seja, o velho paradigma da diplomacia de algumas décadas atrás, o princípio da autoderminação dos povos, não é e nunca foi respeitado pelos franceses.