5 de junho de 2026

PMDB precisa superar a própria pluralidade antes de mirar a sucessão de Dilma

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Jornal GGN – Nas ruas das principais capitais brasileiras, ao mesmo tempo em que colaborava com a campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT), o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, aproveitou para dizer a quem tivesse ouvidos que, em 2018, seu partido não se contentará em ocupar a vice-presidência da República. O PMDB quer o que é do PT desde 2003: a Presidência. O divórcio é questão de tempo. 

Mas quem será a liderança peemedebista a encabeçar a chapa majoritária rumo à sucessão de Dilma? “O sonho de Eduardo Cunha é ser esse candidato”, disse o senador Roberto Requião (PMDB), em entrevista ao GGN, pouco antes de acrescentar que essa “história de impeachment” de Dilma com uma “forcinha” do novo presidente da Câmara deve ser esquecida. “Cunha não vai facilitar nada para o PSDB”, argumentou. “O partido de Eduardo Cunha chama-se Eduardo Cunha. A vocação é presidencial, a desse rapaz.”

Leia: Requião: Esqueçam do impeachment, que Cunha não vai facilitar para o PSDB

Mas a leitura de cientistas políticos consultados pelo GGN é que o desafio de qualquer cacique peemedebista com a ambição de ser presidente, inclusive se for Eduardo Cunha, será o de superar, antes, a fragmentação e pluralidade dentro do PMDB. A disputa interna que se seguirá envolve a construção de uma figura com força para apontar o caminho a ser respeitado. Pois Temer até tem a coroa, mas não reina absoluto. Se reinasse, o empresário Paulo Skaf não tocaria a campanha a governador de São Paulo, em 2014, à revelia da orientação nacional.

“Para entender o PMDB, a gente nunca pode falar no singular. Não existe unidade dentro desse partido. Mesmo apoiando a Dilma formalmente, o PMDB está rachado nos estados. [Na eleição de 2014] Não queria falar de PT em São Paulo, mas apoiou o PSB em Pernambuco, flertou com o PSDB no Rio de Janeiro, foi contra o PT no Rio Grande do Sul. É um conglomerado plural. É o primeiro dos desafios”, disse Humberto Dantas, professor do Insper.

Na visão de Dantas, pode não ser “consenso”, mas o PMDB tem sim a preocupação de protagonizar a eleição de 2018. “Não à toa, lançou 18 candidatos a governador agora, em 2014, um número muito maior que 2010.” Ao final, o partido foi o que mais conquistou governos estaduais, encerrando o segundo turno com 7 governadores eleitos, à frente do PSDB e PT, que têm cinco cada um. 

Para Dantas, entretanto, a estrela do partido pode até sair do Rio de Janeiro, mas não será Eduardo Cunha. “O PMDB tem os olhos muito claramente voltados para o Eduardo Paes [prefeito do Rio], aposta muito nas Olimpíadas. O partido quer muito que o Rio de Janeiro se transforme em uma vitrine expressiva para o país e para o mundo, porque vê em Paes uma possibilidade nas eleições”, apontou.

Requião já tentou ser o presidenciável do PMDB em duas ocasiões, mas foi barrado. Ele aposta que Cunha tentará ser o candidato de 2018. Os analistas Humberto Dantas e João Feres Junior ressaltam as chances de Eduardo Paes, mais do que teria Sergio Cabral. Como ficaria o vice-presidente Michel Temer?

 

Para João Feres Junior, cientista político e professor da UERJ, “o cálculo é que o PSDB é um partido que está enfraquecido. Se o PT também estiver muito enfraquecido até 2018, haverá uma uma tábula rasa em que o PMDB poderá pensar: ‘Por que não vou lançar um candidato?’ Acho que Eduardo Paes tem mais perfil que Eduardo Cunha. Ele conversa com Dilma, com o PT, ele é do Rio, o Jorge Picciani [presidente estadual do PMDB] está logo ali. Paes tem mais capacidade política de amarrar essa candidatura do que tem Cunha. Tem mais potencial que Sérgio Cabral, inclusive.”

Romper com o governo para apoiar o PSDB?

Feres, porém, acha difícil que o PMDB consiga superar os desafios a tempo da próxima eleição presidencial. “Se você olhar para o passado, nada mudou. O PMDB continua fragmentado e dependente das lideranças regionais, que tem mais força em relação às lideranças nacionais. Quem são estes? O Temer é um cara de São Paulo, que tem poder bom, mas ele, nacionalmente, não resolve nada. Se resolvesse, o Eduardo Cunha não faria o que faz”, disse.

“Já o Cunha é da turma do Rio. Requião, do Sul, que é de outra jogada. Acho que eles são todos muito heterogêneos do ponto de vista ideológico. Tem uns que são de centro-esquerda, outros totalmente fisiológicos, outros de direita… Acho difícil que rompam com o PT para apoiar o PSDB, mesmo que os tucanos quase tenham tirado a vitória de Dilma. Iria rachar mais o partido. Mas é difícil dizer. Futurologia.”

Colaborou Patricia Faermann

 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

15 Comentários
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  1. chico da dilma

    6 de fevereiro de 2015 6:10 pm

    No leilão o PMDB é o lote

    No leilão o PMDB é o lote Nº15,quem pagar mais leva mas,ciente de que,a mercadoria não vale nada.

  2. Athos

    6 de fevereiro de 2015 6:17 pm

    Isso é mentira para o PT

    Isso é mentira para o PT baixar a guarda…

     

    O PMDB, todos sabem, não tem qualquer chance. Cunha como O Nome é uma ofensa a inteligência de qualquer um.

    Para lançar um factóide destes na imprensa, só podem estar tramando MESMO o impeachment!

    Dilma, lembre-se de Jango, o Banana!

    1. Calvin

      6 de fevereiro de 2015 6:42 pm

      Paradoxo

      Eleitor de Dilma falar em ofensa à inteligência é um paradoxo, né não?

  3. altamiro souza

    6 de fevereiro de 2015 7:14 pm

    pmdb é opartido da divisão –

    pmdb é opartido da divisão – qual delas é que omplicado saber.

    1. Ivan de Union

      6 de fevereiro de 2015 8:44 pm

      O PMDB eh um partido de

      O PMDB eh um partido de negocios.  Cunha eh a cara e focinho deles.

  4. DeBarros

    6 de fevereiro de 2015 7:18 pm

    Não resta a menor duvida que

    O PMDB eh o escorpião na cabeça do elefante PT, que se ofereceu para ajuda-lo durante a travessia do lago. Como se sabe, o escorpião vai aplicar uma ferroada letal a qualquer momento. Não resta a menor duvida que o golpe esta vindo.

    Uma das indicações eh de que esta semana o Globo passou a exigir o numero do telefone celular para qualquer um que queira postar comentários em suas reportagens. A intenção eh clara de identificar e quica banir, ou chantagear / perseguir todo aquele que postar comentários pro-legalidade em suas colunas. Quem não informar qual o numero do seu celular esta fora.

    De agora em diante somente quem for reaça e golpista de carteirinha pode postar comentários no jornal dos Marinhos. Isso eh para dar a impressao de que todos os seus leitores apoiam o golpe que se avizinha. Acabou esse negocio de opiniões divergentes por la.

  5. Bernardo F Costa

    6 de fevereiro de 2015 9:37 pm

    O PMDB caminha para ser uma

    O PMDB caminha para ser uma oposição a direita do PT capaz de agregar a si um eleitorado conservador mas que tenha pouca ou nenhuma simpatia pelo neoliberalismo mais rasteiro do PSDB. Seria uma maneira de tentar conciliar uma visão mais progressista ou pelo menos de desenvolvimento de economia (ou menos neoliberal se preferirem) com uma visão mais conservadora de costumes. Em quase todos os estados é oposição ao PT, em muitos chegando a serem ambos as forças políticas principais e grandes rivais históricos. De cabeça, me lembro apenas de SP e PR entre os estados que são aliados políticos. Nos demais, o perfil de disputa está mais para RS. RJ é uma aberração nacional pois alí o PT inexiste, tanto assim que tiveram que chamar o PSOL para representar a esquerda, ainda mais depois de o brizolismo ter morrido sem ter deixado nenhum herdeiro.

  6. Roberto São Paulo-SP 2015

    6 de fevereiro de 2015 11:06 pm

    Precisa de um candidato com pelo menos 20% dos votos

    Antes de qualquer coisa precisa de um candidato para enfrentar Lula e ocupar o espaço de Marina Silva e do PSDB.

    Dificilmente qualquer candidato do PMDB obteria mais de 5% dos votos numa eleição para presidente, com Lula, Marina Silva e um candidato do PSDB na disputa.

     

  7. Luis Craveiro

    6 de fevereiro de 2015 11:18 pm

    O PMDB, não passa de um

    O PMDB, não passa de um cabaré de beira do cais; e o PSDB ,de um Night Club  de luxo.O PMDB. não tem dentro de seus quadros,alguém que possa disputar a presidência…Mesmo com Lula e o PT apoiando…Entendo que em 2018 seria de bom tom, que o PT cedesse o lugar na disputa, para um bom nome de um  dos partidos coligados e formar uma frente ampla, que isole o PSDB e tente reverter os números na câmara e no Senado , já que foram perdidas muitas cadeiras…

    1. Flavio Martinho

      22 de junho de 2015 6:36 pm

      Dificil vai ser encontrar

      Dificil vai ser encontrar esse nome. Com relação ao PT serão todos trairas. Vide Eduardo Campo, que Deus o tenha e não o deixe voltar, O PMDB não oferece o menor perigo pois seu cndidato, seja quem for, terá o apoio e a votação que teve o grande Ulisses Guimarães.

      A trairagem em relação ao PT está tão seria que o partido está cheio de quinta-colunas.

  8. MacCain

    7 de fevereiro de 2015 4:05 am

    isso não é partido…é um

    isso não é partido…é um ajuntamento….Só salva o Requião!

  9. margot riemann

    7 de fevereiro de 2015 9:35 am

    O PMDB  não é um partido

    O PMDB  não é um partido político. Como todas as outras agremiações políticas do país, à exceção do PT e outros de esquerda, é uma federação de caciques com projetos estritamente pessoais. Tem uma identidade mais ligada ao nacionalismo em função das raízes varguistas e conseguiu criar lealdades no meio do povo, mas nada disso é muito consistente. prevalecem mesmo os projetos de poder e os projetos pessoais. O Paes é apenas um político mais moderno, mas não dá conta de preencher o vazio de propostas que é a marca do PMDB.

  10. margot riemann

    7 de fevereiro de 2015 12:31 pm

    O PMDB  não é um partido

    O PMDB  não é um partido político. Como todas as outras agremiações políticas do país, à exceção do PT e outros de esquerda, é uma federação de caciques com projetos estritamente de poder e pessoais. O que coesiona esses grupos é a perspectiva de controle da política econômica e das estatais (BB, Caixa, Petrobrás, e outros muitos). Em função do peso do Estado na economia brasileira, ter ou não ter este controle, faz toda a diferença. Por isso a disputa política é tão pesada,  inescrupulosa, beirando o golpismo.

  11. Lilo Moura

    7 de fevereiro de 2015 3:38 pm

    O PMDB e o financiamento privado de campanhas

    O PMDB vai de Requião a Katia Abreu, ou seja de um posicionamento de esquerda nacionalista e ligado aos movimentos sociais à extrema direita, que prega o extermínio de indígenas para tomar o que restou de suas terras.

    Na verdade o Requião deveria aproveitar a oportunidade e procurar outro partido, ou fundar um novo partido. Já passou da hora de pular fora desse balaio de gatos àvidos por sangue e dinheiro.

    O que está por trás de toda a movimentação em torno do Eduardo Cunha é o financiamento privado das campanhas eleitorais, ou melhor, sendo mais direto: quem elege os “representantes do povo” é quem manda no Congresso Nacional, os grandes magnatas nacionais e estrangeiros, além do poderoso lobby do PIG, das teles e o ruralista. Não por acaso o JBS patrocinou a campanha vencedora da presidência da Câmara, o mesmo JBS que abriu as doações ao Leilão do Extermínio de Indígenas, em Mato Grosso do Sul.

    O final desse processo de financeirização da política podemos ver neste vídeo, é o mesmo que provocou a tragédia norte-americana nos dias de hoje: https://www.youtube.com/watch?v=Zzjdwi1dG_w

    Neste video Alex Gibney examina a desigualdade nos Estados Unidos sob o prisma desses dois locais próximos e antagônicos. Em duas décadas, a desigualdade aumentou consideravelmente nos Estados Unidos e muitos sentem que o antigo ideal de que esse é o país das oportunidades, está morrendo. Mas, como isso aconteceu? Quem são os novos ricos e os novos pobres?

  12. Lionel Rupaud

    22 de junho de 2015 3:21 pm

    Ao que me parece, os cientistas e comentaristas do blog

    não estão considerando:

    – a perda de força eleitoral do PT, só analisar com calma os resultados para deputados, senadores e governadores em 2014, e a perda de qualidade dos seus quadros, só ver quem está em volta da Dilma (Mercadante, Cardozo..) e na direção do partido (Rui Falcão…). Lula ficou sozinho, quando eliminaram Dirceu e Genoíno os donos do PIG sabiam muito bem o que faziam, e

    – a “liquefação” do PSDB, com Aécio Neves sendo o grande perdedor de 2014, abandonando agora quem estava com ele (Anastasia e Andrade Gutierrez enfiados na Lava Jato mas ele safa), a guerra esperada entre os paulistas Serra e Alkmin, sendo um pronto para explodir tudo se precisar,

    Há um enorme vazio que está sendo preenchido com terrível eficiência pelo E. Cunha, sendo PMDB uma mera etiqueta sem nenhum significado, já que o que atrai políticos (menores sim mas são muitos) é outra coisa…

    Tem grandes chances E. Cunha sim para 2018. E não acho que Lula deva e será candidato (cuidará de reerguer o PT mas para fazer isso precisará estar na oposição).

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