Discutindo com um grupo de amigos a entrevista dada pela Dra. Maria Lucia Fattorelli ao DCM (Diário do Centro do Mundo), publicada ontem nesta coluna, ficamos pasmos com as colocações daquela pesquisadora:
Comecemos pelo começo, ou seja, pela primeira pergunta feita pelo DCM:
DCM – QUAL O OBJETIVO DA REFORMA?
MLF- Qual é o objetivo da reforma?
DCM – “O principal objetivo dessa reforma é introduzir um sistema de capitalização numa modalidade muito específica em que só o trabalhador contribui para uma conta individual e que não exige que as empresas participem. A participação patronal é colocada na PEC como uma ‘possibilidade’. É claro que essa possibilidade não vai acontecer porque se uma empresa contratar só pela capitalização o custo dela vai ser mais baixo. Até por uma questão concorrencial nenhuma empresa vai ser boazinha, pois o produto fica mais caro. O projeto ainda proíbe a participação governamental. Ou seja, é uma conta individual. CONSIDERANDO A VANTAGEM QUE TRARÁ PARA AS EMPRESAS, TODAS AS VAGAS QUE FOREM ABERTAS COLOCARÃO ESSA CONDIÇÃO DE CONTRATAÇÃO. Diante dessa crise fabricada pelo Banco Central, o trabalhador vai aceitar a proposta da vaga com opção pela capitalização. A partir daí não tem volta, terá que se aposentar na modalidade capitalização.
DCM – A senhora tem dito que a reforma poderá quebrar o país caso seja aprovada. Por quê?
MLF: “Vamos pegar um exemplo de um trabalhador desempregado que já teve carteira assinada e tenha contribuído durante 15 anos para o INSS. Ela não pode entrar zerada numa continha, pois ela já pagou, o INSS recebeu 15 anos de contribuição. É evidente que o Estado terá que fazer um aporte a essa conta individual.
DCM – E é um universo grande…
MLF – Enorme, estamos falando de cerca de 60 milhões de brasileiros que estão na informalidade ou desemprego. No Chile, que implantou esse modelo e que tem um contingente de trabalhadores muito menor que o Brasil, o custo dessa transição foi de 136% do PIB. Esse parâmetro aqui – e arrisco que será mais – estamos falando de mais de R$ 9 trilhões. Quem vai pagar isso? É impagável. Por isso falo que ao contrário do que o governo diz, se aprovar a PEC 6/2019 o Brasil quebra.”
DCM – Além do Chile, outros 29 países já testaram a capitalização e quase todos se arrependeram. Quanto tempo demora para sentir o impacto da mudança?
MLF – “Há um estudo da Organização Internacional do Trabalho que analisou os 30 países que enveredaram por essa modalidade de capitalização e ali compreende-se que 18 já voltaram atrás e os 12 restantes estão entrando em colapso, estudando formas de sair. O Chile, que na época recebeu muitos elogios do FMI e do Banco Mundial por ter adotado o sistema, reimplantou a previdência única para dar algum amparo a seu povo já que 80% dos idosos recebem menos de meio salário mínimo. Ouvimos um representante chileno aqui na Frente Parlamentar da Previdência no Congresso Nacional e seu depoimento foi dramático. Aposentados chilenos estão precisando optar entre morar, ou comer, ou comprar remédios. O Chile tornou-se campeão de idosos indigentes pelas ruas, gente que era de classe média e que contribuiu a vida inteira. O número de suicídios entre eles é alto.”
MLF – “Há um estudo da Organização Internacional do Trabalho que analisou os 30 países que enveredaram por essa modalidade de capitalização e ali compreende-se que 18 já voltaram atrás e os 12 restantes estão entrando em colapso, estudando formas de sair. O Chile, que na época recebeu muitos elogios do FMI e do Banco Mundial por ter adotado o sistema, reimplantou a previdência única para dar algum amparo a seu povo já que 80% dos idosos recebem menos de meio salário mínimo. Ouvimos um representante chileno aqui na Frente Parlamentar da Previdência no Congresso Nacional e seu depoimento foi dramático. Aposentados chilenos estão precisando optar entre morar, ou comer, ou comprar remédios. O Chile tornou-se campeão de idosos indigentes pelas ruas, gente que era de classe média e que contribuiu a vida inteira. O número de suicídios entre eles é alto.”
DCM – O economista Eduardo Moreira fez uma conta e, segundo ele, nos próximos 20 anos a carga ficará somente para os mais pobres, aprofundando ainda mais a desigualdade.
MLF – “Isso. Na própria PEC há um documento chamado ‘Exposição de Motivos’. Isso é obrigatório, está lá, assinado pelo Paulo Guedes. Nesse anexo tem uma tabela que mostra de onde vai sair o R$ 1,2 trilhão que ele quer economizar. R$ 715 bi sairão do Regime Geral de Previdência que é onde estão as pessoas que recebem até 2 salários mínimos. Imensa maioria. Outros R$ 182,2 bi sairão do BPC que é pago a idosos miseráveis e deficientes físicos. Mesmo abatendo a redução da alíquota, isso representa mais de R$ 800 bi dos mais pobres. Mais de 70%. Então é mentira de que essa PEC será para combater privilégios.”
DCM – Por que é preciso essa economia?
MLF – “Esse pessoal que mente muito tem hora que deixa escapar uma verdade. Na posse do presidente do Banco Central ele disse com todas as letras que esse trilhão é para impulsionar a transição para o esquema de capitalização. Afirmou: ‘É pra isso que a gente precisa de um trilhão’. Então não vamos nos iludir, a proposta dessa PEC é implantar o sistema de capitalização. Mas é uma transição cara e, portanto, eles precisam de um trilhão logo de saída.”
DCM – Mas existe um déficit ou não?
MLF – “Quem fala em déficit nunca leu o artigo 195 da Constituição Federal. O modelo que temos não é de uma previdência isolada. É um sistema integrado que junta previdência, assistência e saúde. É uma seguridade social. Para se trabalhar é preciso ter acesso à saúde. Nossa previdência é para garantir uma assistência àqueles que estão à margem e para garantir uma aposentaria digna para aqueles que já cumpriram sua idade laboral. Além dos benefícios para todas as situações de vulnerabilidade: doença, invalidez, maternidade, desemprego, na orfandade. Nosso modelo é maravilhoso. A reforma que precisamos seria para melhorar isso.”
DCM – Não tem déficit?
MLF – “Desde 1988, promulgação da Constituição, até 2015 o conjunto de contribuições sociais que está previsto no artigo 195 foi mais do que suficiente para pagar as despesas com previdência. E o governo nem precisou participar com orçamento fiscal. A partir de 2016 o governo precisou pagar, mas isso está previsto na Constituição Federal! Então a história do déficit tem vários erros. O primeiro, abusivo, é quando se pega somente a contribuição da classe trabalhadora e da folha paga pelo empregador e esse total contribui com toda a despesa da previdência. Que conta é essa? Essa conta não tem amparo na CF. O segundo erro é afirmar que existe déficit na seguridade, ignorando que a CF prevê a participação do orçamento público.”
DCM – Se está previsto que deve completar, não pode ser considerado déficit. Entendi. E sempre teve sobras?
MLF – “Até 2015, sim. Durante vários anos sobraram mais de R$ 80 bi.”
E onde foi parar isso?
“É desviado por meio da DRU (Desvinculação da Receitas da União) e vários outros mecanismos para cumprir a meta de superávit primário e pagar juros da dívida pública que nunca passou por uma auditoria integral. Esse é o rombo que amarra o Brasil. Durante 20 anos, de 1995 a 2015, produzimos mais de R$ 1 trilhão de superávit primário. E NESSE MESMO PERÍODO A DÍVIDA INTERNA SALTOU DE R$ 86 BI (bilhões) PARA R$ 4 TRI (trilhões).
DCM – O que fez a dívida explodir?
“Não foi gastança com servidor público, nem com a previdência, como diz o governo apoiado pela grande mídia que se locupleta desse sistema da dívida. O QUE FAZ EXPLODIR SÃO OS MECANISMOS QUE GERAM DÍVIDA
E CRISE, assim o estoque da dívida aumenta, mas o dinheiro não chega no orçamento para que sejam feitos os investimentos necessários ao desenvolvimento socioeconômico. É um esquema que paga os maiores juros do planeta e evita que o dinheiro chegue ao crédito.”
DCM – Como se muda isso?
MLF – “Precisamos ter em mente que todo ano que alcançávamos superávit primário produzíamos um déficit nominal graças aos juros da dívida, ao custo financeiro, COMO A REMUNERAÇÃO DA SOBRA DE CAIXAS DOS BANCOS, O QUE É UM ABSURDO. A principal causa da quebra de empresas dos últimos anos foi a falta de acesso a crédito e isso levou milhões de brasileiros ao desemprego. Daí, empresa quebrada e trabalhador desempregado não pagam impostos. Quem ganha com isso? Só a cúpula dos mercados financeiros. Precisamos sair da caverna de Platão.”
Em vídeo postado anteriormente nesta coluna, Maria Lucia Fattorelli mostra quais são os mecanismos de transferência dos impostos dos contribuintes brasileiros para o bolso dos BANQUEIROS. Mas o principal deles é sem dúvida A REMUNERAÇÃO DA SOBRA DE CAIXAS DOS BANCOS, MAIOR ASSALTO A MÃO DESARMADA DE TODOS OS TEMPOS AO CONTRIBUINTE BRASILEIRO. Nesse caso, quem remunera os bancos é o Banco Central, com dinheiro dos nossos impostos. Ou seja, emprestando ou não dinheiro, os banqueiros enchem o rabo da mesma forma, pois a escassez de crédito permite a cobrança de juros escorchantes sobre aquela pequena parcela do crédito emprestada diretamente aos consumidores. E as sobras de caixa são remuneradas pelo Banco Central pela taxa selic em vigência, com o dinheiro que nós, brasileiros trouxas, pagamos de impostos.
E eu volto a velha frase de Bertholt Brecht : “O que é o crime de assaltar um banco comparado com o crime de fundar um banco?” Brecht já está morto, mas se vivesse hoje no Brasil ele optaria pelo assalto. Mas ele precisaria considerar que a polícia de todos os países do mundo é 100% a favor dos banqueiros.
Para a Lava Jato, o problema não é a sintonia fina, feita não de moda institucional mas pessoal, entre judiciário e o Ministério Público. O pobrema é a descontextualização das trocas de mensagens.
Brasil é “governado” por canalhas
Xavier: abaixo Bolsonaro, Moro e a quadrilha que assalta o país
Publicado em 10/06/2019 no Conversa Afiada
O Conversa Afiada publica sereno (mais do que nunca!) artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:
Não há mais dúvidas. A extensa documentação do The Intercept, reproduzida pelo Conversa Afiada, mostra que o Brasil foi tomado de assalto.
Sérgio Criminoso Moro não passa disso. Um criminoso. O procurador tal dal alguma coisa é outro. Ambos, com a ajuda de todos que conhecemos, montaram uma operação para pilhar dezenas de milhões de brasileiros.
Gente que morre à míngua nas esquinas de fome, frio, miséria.
O Brasil, espero, não é uma republiqueta de bananas como esta gang desejaria. Embora a “elite” nativa lute como nunca para sempre se fantasiar de aristocrata pronta a beijar a mão de um Eisenhower, Kennedy, Trump.
Já há algum tempo ignoro solenemente qualquer envio dos chamados órgãos oficiais, bancos graúdos e cia. Rasgo sem ler. Desde o golpe de 2016 não reconheço governo de fato e de direito neste país. Muito menos “Justiça”. O STF, ressalvadas as exceções de praxe, virou uma cesta de lixo institucional.
Nem todo brasileiro considera que pode agir do modo como atuo. Sei disso e entendo. A pressão de redes Globo e coadjuvantes é sufocante. Mas conheço o suficiente deste mundo para identificar a latrina em que seus chefes se acostumaram a operar. Que fiquem nela e deixem o povo brasileiro fora disto.
E bota canalhas nisso. Vamos chegar a uma greve por tempo indeterminado. E durante essa greve temos que estabelecer uma pauta mínima de reivindicações. Antecipo-me fazendo uma sugestão em termos de pauta:
1 – Não à reforma da previdência do banqueiro Paulo Guedes (envolvido em escândalo de corrupção)
2 -Lula livre
3- Cassação imediata do governo corrupto de Jair Bolsonaro
4 – Eleições diretas para todos os cargos eletivos.
Thiago
10 de junho de 2019 7:08 amO MAIOR ASSALTO À MÃO DESARMADA DO MUNDO
Discutindo com um grupo de amigos a entrevista dada pela Dra. Maria Lucia Fattorelli ao DCM (Diário do Centro do Mundo), publicada ontem nesta coluna, ficamos pasmos com as colocações daquela pesquisadora:
Comecemos pelo começo, ou seja, pela primeira pergunta feita pelo DCM:
DCM – QUAL O OBJETIVO DA REFORMA?
MLF- Qual é o objetivo da reforma?
DCM – “O principal objetivo dessa reforma é introduzir um sistema de capitalização numa modalidade muito específica em que só o trabalhador contribui para uma conta individual e que não exige que as empresas participem. A participação patronal é colocada na PEC como uma ‘possibilidade’. É claro que essa possibilidade não vai acontecer porque se uma empresa contratar só pela capitalização o custo dela vai ser mais baixo. Até por uma questão concorrencial nenhuma empresa vai ser boazinha, pois o produto fica mais caro. O projeto ainda proíbe a participação governamental. Ou seja, é uma conta individual. CONSIDERANDO A VANTAGEM QUE TRARÁ PARA AS EMPRESAS, TODAS AS VAGAS QUE FOREM ABERTAS COLOCARÃO ESSA CONDIÇÃO DE CONTRATAÇÃO. Diante dessa crise fabricada pelo Banco Central, o trabalhador vai aceitar a proposta da vaga com opção pela capitalização. A partir daí não tem volta, terá que se aposentar na modalidade capitalização.
DCM – A senhora tem dito que a reforma poderá quebrar o país caso seja aprovada. Por quê?
MLF: “Vamos pegar um exemplo de um trabalhador desempregado que já teve carteira assinada e tenha contribuído durante 15 anos para o INSS. Ela não pode entrar zerada numa continha, pois ela já pagou, o INSS recebeu 15 anos de contribuição. É evidente que o Estado terá que fazer um aporte a essa conta individual.
DCM – E é um universo grande…
MLF – Enorme, estamos falando de cerca de 60 milhões de brasileiros que estão na informalidade ou desemprego. No Chile, que implantou esse modelo e que tem um contingente de trabalhadores muito menor que o Brasil, o custo dessa transição foi de 136% do PIB. Esse parâmetro aqui – e arrisco que será mais – estamos falando de mais de R$ 9 trilhões. Quem vai pagar isso? É impagável. Por isso falo que ao contrário do que o governo diz, se aprovar a PEC 6/2019 o Brasil quebra.”
DCM – Além do Chile, outros 29 países já testaram a capitalização e quase todos se arrependeram. Quanto tempo demora para sentir o impacto da mudança?
MLF – “Há um estudo da Organização Internacional do Trabalho que analisou os 30 países que enveredaram por essa modalidade de capitalização e ali compreende-se que 18 já voltaram atrás e os 12 restantes estão entrando em colapso, estudando formas de sair. O Chile, que na época recebeu muitos elogios do FMI e do Banco Mundial por ter adotado o sistema, reimplantou a previdência única para dar algum amparo a seu povo já que 80% dos idosos recebem menos de meio salário mínimo. Ouvimos um representante chileno aqui na Frente Parlamentar da Previdência no Congresso Nacional e seu depoimento foi dramático. Aposentados chilenos estão precisando optar entre morar, ou comer, ou comprar remédios. O Chile tornou-se campeão de idosos indigentes pelas ruas, gente que era de classe média e que contribuiu a vida inteira. O número de suicídios entre eles é alto.”
MLF – “Há um estudo da Organização Internacional do Trabalho que analisou os 30 países que enveredaram por essa modalidade de capitalização e ali compreende-se que 18 já voltaram atrás e os 12 restantes estão entrando em colapso, estudando formas de sair. O Chile, que na época recebeu muitos elogios do FMI e do Banco Mundial por ter adotado o sistema, reimplantou a previdência única para dar algum amparo a seu povo já que 80% dos idosos recebem menos de meio salário mínimo. Ouvimos um representante chileno aqui na Frente Parlamentar da Previdência no Congresso Nacional e seu depoimento foi dramático. Aposentados chilenos estão precisando optar entre morar, ou comer, ou comprar remédios. O Chile tornou-se campeão de idosos indigentes pelas ruas, gente que era de classe média e que contribuiu a vida inteira. O número de suicídios entre eles é alto.”
DCM – O economista Eduardo Moreira fez uma conta e, segundo ele, nos próximos 20 anos a carga ficará somente para os mais pobres, aprofundando ainda mais a desigualdade.
MLF – “Isso. Na própria PEC há um documento chamado ‘Exposição de Motivos’. Isso é obrigatório, está lá, assinado pelo Paulo Guedes. Nesse anexo tem uma tabela que mostra de onde vai sair o R$ 1,2 trilhão que ele quer economizar. R$ 715 bi sairão do Regime Geral de Previdência que é onde estão as pessoas que recebem até 2 salários mínimos. Imensa maioria. Outros R$ 182,2 bi sairão do BPC que é pago a idosos miseráveis e deficientes físicos. Mesmo abatendo a redução da alíquota, isso representa mais de R$ 800 bi dos mais pobres. Mais de 70%. Então é mentira de que essa PEC será para combater privilégios.”
DCM – Por que é preciso essa economia?
MLF – “Esse pessoal que mente muito tem hora que deixa escapar uma verdade. Na posse do presidente do Banco Central ele disse com todas as letras que esse trilhão é para impulsionar a transição para o esquema de capitalização. Afirmou: ‘É pra isso que a gente precisa de um trilhão’. Então não vamos nos iludir, a proposta dessa PEC é implantar o sistema de capitalização. Mas é uma transição cara e, portanto, eles precisam de um trilhão logo de saída.”
DCM – Mas existe um déficit ou não?
MLF – “Quem fala em déficit nunca leu o artigo 195 da Constituição Federal. O modelo que temos não é de uma previdência isolada. É um sistema integrado que junta previdência, assistência e saúde. É uma seguridade social. Para se trabalhar é preciso ter acesso à saúde. Nossa previdência é para garantir uma assistência àqueles que estão à margem e para garantir uma aposentaria digna para aqueles que já cumpriram sua idade laboral. Além dos benefícios para todas as situações de vulnerabilidade: doença, invalidez, maternidade, desemprego, na orfandade. Nosso modelo é maravilhoso. A reforma que precisamos seria para melhorar isso.”
DCM – Não tem déficit?
MLF – “Desde 1988, promulgação da Constituição, até 2015 o conjunto de contribuições sociais que está previsto no artigo 195 foi mais do que suficiente para pagar as despesas com previdência. E o governo nem precisou participar com orçamento fiscal. A partir de 2016 o governo precisou pagar, mas isso está previsto na Constituição Federal! Então a história do déficit tem vários erros. O primeiro, abusivo, é quando se pega somente a contribuição da classe trabalhadora e da folha paga pelo empregador e esse total contribui com toda a despesa da previdência. Que conta é essa? Essa conta não tem amparo na CF. O segundo erro é afirmar que existe déficit na seguridade, ignorando que a CF prevê a participação do orçamento público.”
DCM – Se está previsto que deve completar, não pode ser considerado déficit. Entendi. E sempre teve sobras?
MLF – “Até 2015, sim. Durante vários anos sobraram mais de R$ 80 bi.”
E onde foi parar isso?
“É desviado por meio da DRU (Desvinculação da Receitas da União) e vários outros mecanismos para cumprir a meta de superávit primário e pagar juros da dívida pública que nunca passou por uma auditoria integral. Esse é o rombo que amarra o Brasil. Durante 20 anos, de 1995 a 2015, produzimos mais de R$ 1 trilhão de superávit primário. E NESSE MESMO PERÍODO A DÍVIDA INTERNA SALTOU DE R$ 86 BI (bilhões) PARA R$ 4 TRI (trilhões).
DCM – O que fez a dívida explodir?
“Não foi gastança com servidor público, nem com a previdência, como diz o governo apoiado pela grande mídia que se locupleta desse sistema da dívida. O QUE FAZ EXPLODIR SÃO OS MECANISMOS QUE GERAM DÍVIDA
E CRISE, assim o estoque da dívida aumenta, mas o dinheiro não chega no orçamento para que sejam feitos os investimentos necessários ao desenvolvimento socioeconômico. É um esquema que paga os maiores juros do planeta e evita que o dinheiro chegue ao crédito.”
DCM – Como se muda isso?
MLF – “Precisamos ter em mente que todo ano que alcançávamos superávit primário produzíamos um déficit nominal graças aos juros da dívida, ao custo financeiro, COMO A REMUNERAÇÃO DA SOBRA DE CAIXAS DOS BANCOS, O QUE É UM ABSURDO. A principal causa da quebra de empresas dos últimos anos foi a falta de acesso a crédito e isso levou milhões de brasileiros ao desemprego. Daí, empresa quebrada e trabalhador desempregado não pagam impostos. Quem ganha com isso? Só a cúpula dos mercados financeiros. Precisamos sair da caverna de Platão.”
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/se-fizer-a-reforma-o-pais-quebra-diz-maria-lucia-fattorelli-sobre-a-pec-da-previdencia/
Em vídeo postado anteriormente nesta coluna, Maria Lucia Fattorelli mostra quais são os mecanismos de transferência dos impostos dos contribuintes brasileiros para o bolso dos BANQUEIROS. Mas o principal deles é sem dúvida A REMUNERAÇÃO DA SOBRA DE CAIXAS DOS BANCOS, MAIOR ASSALTO A MÃO DESARMADA DE TODOS OS TEMPOS AO CONTRIBUINTE BRASILEIRO. Nesse caso, quem remunera os bancos é o Banco Central, com dinheiro dos nossos impostos. Ou seja, emprestando ou não dinheiro, os banqueiros enchem o rabo da mesma forma, pois a escassez de crédito permite a cobrança de juros escorchantes sobre aquela pequena parcela do crédito emprestada diretamente aos consumidores. E as sobras de caixa são remuneradas pelo Banco Central pela taxa selic em vigência, com o dinheiro que nós, brasileiros trouxas, pagamos de impostos.
E eu volto a velha frase de Bertholt Brecht : “O que é o crime de assaltar um banco comparado com o crime de fundar um banco?” Brecht já está morto, mas se vivesse hoje no Brasil ele optaria pelo assalto. Mas ele precisaria considerar que a polícia de todos os países do mundo é 100% a favor dos banqueiros.
SOCORRO!!!
Rui Ribeiro
10 de junho de 2019 8:54 amPara a Lava Jato, o problema não é a sintonia fina, feita não de moda institucional mas pessoal, entre judiciário e o Ministério Público. O pobrema é a descontextualização das trocas de mensagens.
Rui Ribeiro
10 de junho de 2019 9:07 amO eventual arrombador do apartamento em que a Najila Mora é profissional: não deixou impressões digitais. Nada que uma luvinha básica não resolva.
João
10 de junho de 2019 10:17 amOS COMERCIANTES NÃO QUEREM MAIS VENDER OS SEUS PRODUTOS À VISTA COM DESCONTO. POR QUÊ?
Você quer comprar um refrigerador e pergunta pelo preço ao vendedor.
Suponhamos que ele fale R$ 2.000,00 (dois mil reais)
– E a vista? – você pergunta
-Tanto faz à vista como em 10 prestações. O preço é o mesmo – ele responde.
E o comprador raciocina: como à vista é o mesmo preço de a prazo, eu vou comprar a prazo.
Como pode ser isto?
Isso é uma imposição do BANCO que financia a compra por aquela loja. Porque nesse preço (R$ 2.000,00) está embutida um taxa elevadíssima de juros.
No final, o consumidor é quem se lasca.
Mas sai da loja morrendo de feliz por achar que está comprando o refrigerador a prazo pelo preço de à vista.
E o Banco Central, a boca de fumo dos banqueiros, não está nem aí para este tipo de transação inescrupulosa.
Acorda, Brasil!
Silva
10 de junho de 2019 11:24 amBrasil é “governado” por canalhas
Xavier: abaixo Bolsonaro, Moro e a quadrilha que assalta o país
Publicado em 10/06/2019 no Conversa Afiada
O Conversa Afiada publica sereno (mais do que nunca!) artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:
Não há mais dúvidas. A extensa documentação do The Intercept, reproduzida pelo Conversa Afiada, mostra que o Brasil foi tomado de assalto.
Sérgio Criminoso Moro não passa disso. Um criminoso. O procurador tal dal alguma coisa é outro. Ambos, com a ajuda de todos que conhecemos, montaram uma operação para pilhar dezenas de milhões de brasileiros.
Gente que morre à míngua nas esquinas de fome, frio, miséria.
O Brasil, espero, não é uma republiqueta de bananas como esta gang desejaria. Embora a “elite” nativa lute como nunca para sempre se fantasiar de aristocrata pronta a beijar a mão de um Eisenhower, Kennedy, Trump.
Já há algum tempo ignoro solenemente qualquer envio dos chamados órgãos oficiais, bancos graúdos e cia. Rasgo sem ler. Desde o golpe de 2016 não reconheço governo de fato e de direito neste país. Muito menos “Justiça”. O STF, ressalvadas as exceções de praxe, virou uma cesta de lixo institucional.
Nem todo brasileiro considera que pode agir do modo como atuo. Sei disso e entendo. A pressão de redes Globo e coadjuvantes é sufocante. Mas conheço o suficiente deste mundo para identificar a latrina em que seus chefes se acostumaram a operar. Que fiquem nela e deixem o povo brasileiro fora disto.
Joaquim Xavier
https://www.conversaafiada.com.br/politica/brasil-e-governado-por-canalhas
E bota canalhas nisso. Vamos chegar a uma greve por tempo indeterminado. E durante essa greve temos que estabelecer uma pauta mínima de reivindicações. Antecipo-me fazendo uma sugestão em termos de pauta:
1 – Não à reforma da previdência do banqueiro Paulo Guedes (envolvido em escândalo de corrupção)
2 -Lula livre
3- Cassação imediata do governo corrupto de Jair Bolsonaro
4 – Eleições diretas para todos os cargos eletivos.
Jackson da Viola
10 de junho de 2019 11:26 amhttps://www.washingtonpost.com/world/the_americas/brazil-justice-minister-laments-hack-of-prosecutors-phones/2019/06/09/13e4dc22-8b29-11e9-b6f4-033356502dce_story.html?utm_term=.3d2e89ce7304
https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-06-10/leaked-carwash-messages-raise-political-temperature-in-brazil
https://www.aljazeera.com/news/2019/06/brazil-lula-convicted-2018-election-report-190610055731589.html
https://www.lanacion.com.ar/el-mundo/brasil-sergio-moro-lava-jato-lula-da-nid2256456
https://elpais.com/internacional/2019/06/10/actualidad/1560128085_319045.html
https://www.lemonde.fr/international/article/2019/06/10/bresil-selon-the-intercept-la-vaste-enquete-anticorruption-visait-a-empecher-le-retour-au-pouvoir-de-lula_5474140_3210.html
http://www.leparisien.fr/international/bresil-l-enquete-lava-jato-visait-elle-a-empecher-lula-de-revenir-au-pouvoir-10-06-2019-8090118.php
http://www.ansa.it/sito/notizie/mondo/americalatina/2019/06/10/legali-di-lula-deve-essere-liberato_a068a31b-0975-478f-a16f-2a1c778fde44.html
https://www.tagesspiegel.de/politik/schwere-vorwuerfe-in-brasilien-ex-praesident-lula-angeblich-gezielt-in-haft-gebracht/24441110.html