
Jornal GGN – Enquanto o novo presidente da Sabesp reconhece a responsabilidade do governo no agravamento da crise hídrica em São Paulo, o secretário recém-empossado da pasta de Recursos Hídricos, Benedito Braga, se prepara para penalizar os consumidores. Ele propõe que, se a multa da água – uma sobretaxa de 20% na conta de quem consumir até 20% mais água do que a média anterior à crise e de 50% de quem ampliar o consumo em mais de 20% – não trouxer resultados, seja aplicado um sistema de tarifa progressiva. “Vamos ver como é que essa opção reage, porque, no fundo, não estamos querendo aumentar tarifa, queremos reduzir o consumo. Então, vamos observar o processo durante um mês ou dois a partir da implementação, e, a partir dessa observação, tomar medidas mais, digamos, de maior incentivo”.
Secretário propõe tarifa progressiva se multa da água não der resultado
Por Fabio Leite e Igor Gadelha
Do Estadão
Recémempossado na pasta de Recursos Hídricos, Benedito Braga diz que vai aguardar até dois meses para decidir se intensificará punição para quem não economizar água durante a crise
SÃO PAULO O novo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, disse nesta quintafeira, 1º, que deve implantar um sistema de tarifa progressiva na conta de água se a multa para quem não reduzir o consumo a partir deste mês não atingir o resultado esperado.
“Em um mês ou dois nós vamos avaliar se essa medida da tarifa adicional vai surtir o resultado que nós estamos querendo ou não”, disse Braga, após a cerimônia de posse do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e de seu secretariado no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista.
A proposta do governo é de que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) cobre uma sobretaxa de 20% na conta de quem consumir até 20% mais água do que a média anterior à crise; e de 50% de quem ampliar o consumo em mais de 20%. A medida já recebeu aval técnico e jurídico da Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp) e deve ser regulamenta na próxima semana.
“Vamos ver como é que essa opção reage, porque, no fundo, não estamos querendo aumentar tarifa, queremos reduzir o consumo. Então, vamos observar o processo durante um mês ou dois a partir da implementação, e, a partir dessa observação, tomar medidas mais, digamos, de maior incentivo”, afirmou Braga. Ele disse que ainda está estudando como seria a aplicação da tarifa progressiva.
Segundo balanço de novembro divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), 24% dos clientes da Região Metropolitana continuam consumindo mais água do que antes da crise de estiagem do Sistema Cantareira, declarada em janeiro de 2014.
Conforme o Estado revelou, levantamento feito pela Sabesp mostra que 446 mil consumidores da Grande São Paulo que não conseguiram reduzir o gasto com água em novembro, cerca de 10% dos clientes da companhia na região, consumiram naquele mês aproximadamente um terço de toda água produzida pelo Cantareira. Destes, 122 mil estão há cinco meses seguidos gastando água acima da média.
De acordo com o governo, se esse grupo de consumidores, tachados de “gastões” por Alckmin, aderissem ao programa de bônus e reduzissem o consumo de água em ao menos 20%, a economia de água seria de 2.518 litros por segundo, ou 6,5 bilhões de litros. Esse volume equivale a 4,25% da produção total de água para a Grande São Paulo e seria suficiente para abastecer 700 mil pessoas.
Sabesp. Nas primeiras horas no cargo de secretário, Benedito Braga também já anunciou que o novo presidente da Sabesp será Jerson Kelman, engenheiro carioca que já foi presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Light no Rio. O nome dele deve ser confirmado pelo Conselho de Administração da Sabesp ainda neste mês.
Kelman vai substituir Dilma Pena, que deixou o cargo após quatro anos desgastada pela crise hídrica no Estado e alegando problemas de saúde. Braga também anunciou o retorno de Ricardo Borsari para o comando do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (Daee), no lugar de Alceu Segamarchi. Ao lado da ANA, o órgão é responsável pela gestão do Cantareira. Borsari é atualmente presidente da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae). “O governador me pediu para fazer um trabalho técnico, para fazer um trabalho profissional. E eu escolhi os melhores profissionais para essas posições”, disse Braga.
Almeid
2 de janeiro de 2015 3:19 pmÉ exatamente neste ponto que
É exatamente neste ponto que questionei a fórmula:
Uma família A de 4 pessoas na região “x” gasta 1200lts na média anterior e a repete.
Uma família B de 4 pessoas na região “y” 200lts na média anterior e agora gastou 240lts.
Vai ser multada a família B?
magnus
2 de janeiro de 2015 4:35 pmPior que isso, provavelmente
Pior que isso, provavelmente a multa não faria grande diferença no orçamento da familia A, mas compromete o da familia B.
Claudio Augusto
2 de janeiro de 2015 8:02 pmCada descarga vai-se de 3 a 5
Cada descarga vai-se de 3 a 5 litros.
– cada morador deu só 10 discargas o mês inteiro?
ou
Cada minuto de banho é 9 litros, no chuveiro eletrico.
– cada morador tomou menos de 15 minutos de banho o mês todo?
Essa sua suposta familia de 4 pessoas deve ser bem antihigiênica, não?
PS: quem já gasta tão pouco já recebe bonus de baixa renda.
Claudio Augusto
2 de janeiro de 2015 3:21 pmLei da oferta e da
Lei da oferta e da demanda.
Falta-se água, aumenta-se o preço.
Preços controlados e tabelados são a receita certeira para o esquaceamento do produto. Por acaso alguém já viu faltar sorvete ou cerveja no verão?
SP não está numa situação de pessoas morrendo de sede. Qual o problema de fazer as pessoas gastarem menos tempo nos banhos?
Almeid
2 de janeiro de 2015 5:02 pmA Arsesp. Quem são os seus
A Arsesp. Quem são os seus conselheiros ?
magnus
2 de janeiro de 2015 5:07 pmE as perdas?
Funciona assim:
Consumidor(a)
Sei que estou jogando fora 25% da água captada com essa rede meio velha, mas sabe como é, custa caro pra arrumar, o consumo vai cair, a vaca vai emagrecer, e não vai ter como resolver mesmo.
Enquanto isso, pra quebrar um galho, instala aqueles chuveirinhos nas torneiras, coloca um tijolo dentro da descarga, troca as plantinhas por umas de plástico, enfim, essas coisas que o pessoal ensina na TV. Se tudo der certo a gente consegue economizar os 4,25% e estaremos salvos. Ah, quase esqueci, se você não conseguir chegar na meta, tem uma multinha, coisa pouca, só pra você não ficar mole.
abraços cordiais,
Sabesp
alfredo machado
2 de janeiro de 2015 7:56 pmEspecialista marionete
Nassif,
De que adianta entronizar um especialista em hidrologia como Secretário de SRHídricos, se tal pessoa não passa de uma marionete que faz questão de não esconder tal condição ?
Ao invés de ficar obedecendo cegamente ao causador da tragédia, o desgovernador reeleito que só quer saber de punir o cidadão por erros que não são deste, BBraga deveria explicar ao seu patrão aquilo que não explicou, que água potável é um bem caro e que precisa ser bem manejado. Sugerir que irá atirar na sociedade, que já perfura poços artesianos por todos os lados e ninguém faz nada ( todos fingem que não estão vendo), é atitude cretina.
Tony
3 de janeiro de 2015 12:10 amNem ai com o povo
Quem não deve estar nem ai com essa multa nem com qualquer economia de água são os grandes acionistas da SABESP, aquelas aves predadoras de bico comprido…
Devem estar enchendo suas banheiras com agua mineral Perrier. Quem sabe até com Dom Pérignon…
“El vivo vive del sonzo y el sonzo de su trabajo” – Refrão popular