4 de junho de 2026

Crise russa atual não deve contaminar restante da Europa, por José Paulo Kupfer

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do Estadão

Primeiras reações não mostram sinais de contaminação

José Paulo Kupfer

Ainda não dá para saber se a crise russa, edição 2014, como a crise russa de 1998, vai contaminar outras economias, sobretudo emergentes. Os sinais, em princípio, são de estresse isolado, talvez com respingos aqui e ali. Mas é grande a tentação de comparar o que se passou há 16 anos com o que ocorre agora.

Com uma economia frágil – inflação alta, crescimento baixo, dívida externa elevada e reservas insuficientes em moeda forte -, a Rússia já cambaleava com as sanções ocidentais, em represália ao seu apoio ativo aos separatistas na Ucrânia e à ocupação da Crimeia. A queda livre das cotações internacionais era o que faltava para colocar a nocaute o maior produtor mundial de petróleo.

Alvo de um clássico ataque especulativo à moeda nacional, o rublo, a Rússia reagiu com as armas também clássicas: elevou o juro básico de 10,5% para 17%, numa escalada que ainda não parece indicar um teto, e insinua, embora jure que não adotará, algum tipo de controle de capitais. Mas, com uma dívida externa que soma quase o dobro de suas reservas, difícil que escape de um calote.

Esse enredo é o mesmo do segundo semestre de 1998, quando o rublo foi atacado pela primeira vez e a Rússia entrou em moratória e balançou uma fieira de economias emergentes – Brasil na linha de frente. Em menos de seis meses, de agosto a janeiro, no governo FHC, o Brasil, ainda com câmbio fixo, viu as reservas caírem de US$ 60 bilhões para US$ 16 bilhões, nível em que se encontravam quando o regime de câmbio flutuante foi adotado, os juros básicos subiram a 45% ao ano e o real caminhou para uma maxidesvalorização.

Os tempos felizmente são outros e a maior parte dos emergentes – Brasil inclusive – está mais preparada para enfrentar episódios desestabilizadores desse tipo. Nos mercados de ativos globais, as primeiras reações à crise russa não indicam contaminação, pelo menos nos moldes da ocorrida há pouco mais de uma década e meia. Seguindo o resto do mundo emergente, o real acelerou um movimento de desvalorização que já estava em curso e que se vincula a outras origens.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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5 Comentários
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  1. vera lucia venturini

    18 de dezembro de 2014 11:09 am

    Claro que não vai contaminar.

    Claro que não vai contaminar. Se estão ferrando a Rússia com o preço do petróleo lá em baixo e o país fornece o produto para a Europa…

    É muita sacanagem quebrar um país e submeter o seu povo por interesses geopolíticos e ainda vir com análises tecnicas sobre a crise.

  2. Marcos Antônio

    18 de dezembro de 2014 11:34 am

    Se o Banco dos Brics foi

    Se o Banco dos Brics foi criado para servir para alguma coisa…

    Então a hora é agora!

  3. Mário Mendonça

    18 de dezembro de 2014 12:47 pm

    Nassif
    “Marolinha”…..acho

    Nassif

    “Marolinha”…..acho que o chilique bancado por wall street vai durar no maximo um mês.

  4. Tom

    18 de dezembro de 2014 1:51 pm

    Há controvérsias…

    North Sea oil industry ‘close to collapse’

    http://www.bbc.com/news/business-30525539

    Analisando o quadro todo, o mundo está entrando numa fase de grande aversão ao risco, com a perspectiva de alta nos juros americanos, a maior crise geo-política desde o fim da guerra fria, e a derrubada dos preços do petróleo.

    Tanto que todas as moedas estão caindo frente ao dólar, embora o rublo por motivos óbvios seja a maior vítima por enquanto.

    A última vez que o preço do petróleo despencou desse jeito foi antes da crise de 2008, portanto petróleo em queda não é sinônimo de boa notícia necessariamente.

    Os emergentes, para variar, serão os mais afetados. Reservas altas compostas por empréstimos de curto prazo evaporam em semanas.

     

    1. Tom

      18 de dezembro de 2014 2:01 pm

      PS

      “Ocupação” ou “anexação” da Criméia são petardos semânticos que devem ser desarmados em nome da verdade histórica.

      A Província Autônoma da Criméia é étnica e históricamente parte da Rússia. Foi doada para a Ucrânia como um saco de batatas por Kruschev em 1954, portanto sua união com a Ucrânia só fazia sentido no contexto da antiga URSS.

      Com o fim da mesma em 1991, tentaram fazer um plebiscito para conquistar de volta sua autonomia mas a Ucrânia bloqueou militarmente a iniciativa.

      Sua separação da Ucrania foi feita por plebiscito, não por anexação ou ocupação.

      Desinformação tem limites.

       

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