4 de junho de 2026

O depoimento de um pai de aluno que fez ENEM

Por Arnobio Rocha

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Referente ao post Apesar da campanha da mídia, o ENEM venceu

O ENEM venceu

Uma belíssima matéria do jornalista Luis Nassif (Blogueiro, Empreendedor e Desbravador de Portal independente) – “Apesar da campanha da mídia, o ENEM venceu” -, no seu ótimo portal (Jornal GGN), deu uma dimensão pública e republicana do melhor programa de educação superior dos últimos 50 anos, que foi idealizado no MEC na gestão de Fernando Haddad, de como foi a luta cruenta para que ele se estabelecesse como política pública e de todos os seus detratores ao longo destes últimos cinco anos, até ser, agora, reconhecido e aceito pela sociedade e, mesmo sem autocrítica, pela mídia que tanto lhe fez oposição.

Vale a leitura do excelente texto de Nassif, mas meu depoimento é de pai de aluno que fez ENEM nos últimos dois anos e posso dizer como é satisfatório acompanhar minha filha ao exame. A qualidade de todas as provas, tanto do ano passado como deste ano, ao contrário das imbecilidades colocadas em redes sociais, as tais “pérolas do ENEM”, não passavam de campanha contra o exame e a dificuldade de aceitação de algo tão importante e democrático para o Brasil. Provas extremamente bem elaboradas, explorando muito bem o que deveria ser o conteúdo do ensino médio geral.

Aqui é que entra a segunda ponta do processo, a mais importante, para mim, a necessária mudança de paradigma do ensino médio e primário, a lógica do ENEM, a exploração das “Competências” e o a indicação do tipo de aluno/ensino que o exame exige. As cinco habilidades fundamentais – dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas. Tudo isto rompe com a velha formação  e ilógica do ensino no Brasil, que não responde a este novo momento do mundo e da sociedade. As escolas têm de se adaptar ao exame, não o contrário, pois o ENEM é uma proposta excelente para remodelar o ensino do país.

Os meios intermediários de acesso, com as cotas sociais e por escolas públicas com índice mais adequados à realidade deles, ajudam e democratizam o ingresso ao ensino superior, dando oportunidade ampla, tratando os desiguais de forma coerente, na justa medida da sua desigualdade. O processo de mudança será longo e deve-se usar de todos os meios possíveis para trazer para Universidade Pública e privada o maior contingente de estudantes, principalmente das camadas mais pobres da população, para fazer, através da Educação, justiça social, não apenas ficar nas promessas e nos discursos eleitorais.

Minha filha fez como treino o ENEM nos últimos dois anos, assim ela vai aferindo o que aprende, onde pode melhorar e como vai se preparar para o próximo ano. É cansativo demais, provas pesadas, que exigem força mental, alto grau de concentração e esforço. O que percebi é que houve uma completa mudança no colégio que ela estuda (escola privada de São Paulo), para melhor preparar seus alunos. A metodologia ENEM está sendo aplicada desde o 6º ano, o tipo de exigência e preparação visando o futuro exame. Minha filha que está no 7º ano já está habituada ao novo modelo, com certeza sentirá menos pressão que a mais velha.

Mas o que mais me deixou feliz foi no final do domingo, mesmo perdendo o jogo do timão, ouvi da minha filha que ela estava agradecida por ter feito o ENEM do ano passado, como se sentiu melhor fazendo as provas deste ano. O mais importante de tudo isto é o que o exame “pegou” no gosto da garotada. Aliás, todos eles questionam a razão da USP, UNICAMP e UNESP continuarem fora do ENEM, pois ainda não entendem a questão política partidária mesquinha que tomou conta de São Paulo (PSDB), mantendo o velho esquema de vestibulares (e dos cursinhos), completamente ultrapassados e antidemocráticos.

Percebemos o quanto ainda precisa-se avançar nos ensinos básico e fundamental (primário e médio), mas o ENEM induz às mudanças, sem medo de erra pode-se dizer que o ENEM venceu, se consolidou nacionalmente.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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10 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    11 de novembro de 2014 2:34 pm

    Arnóbio, excelente.A forma

    Arnóbio, excelente.

    A forma de avaliação do ENEM irá revolucionar o pensamento brasileiro

    De repetidores dos mainstream para uma sociedade reflexiva

  2. Xandão

    11 de novembro de 2014 2:54 pm

    Vestibular, você está com os

    Vestibular, você está com os dias contados.

     

  3. Marco St.

    11 de novembro de 2014 3:25 pm

    Enquanto o ENEM cresce a cada ano…

    Com menos inscritos, concorrência na Fuvest diminui

    Vestibular recebeu 141.888 inscrições — 30.149 a menos que no ano passado. Curso de medicina é o mais disputado, com 55 inscritos para cada vaga

    Estudantes realizam prova do vestibular da Fuvest 2014, em São Paulo

    Estudantes realizam prova do vestibular da Fuvest 2014, em São Paulo (Nelson Antoine/Fotoarena/VEJA)

    CARREIRA20142015Medicina58,5755,02Medicina – Ribeirão Preto62,9150,51Psicologia48,5740,69Engenharia Civil – São Carlos50,8540,03Artes Cênicas – Bacharelado41,5337,47Curso Superior de Audiovisual41,2337,46Jornalismo45,1036,75Publicidade e Propaganda49,9835,84Relações Internacionais38,2333,57Arquitetura – São Carlos30,5127,89Engenharia Aeronáutica – São Carlos28,6326,83Psicologia – Ribeirão Preto28,2826,55Medicina Veterinária29,3325,76Arquitetura – FAU31,4325,54

    *Atualizado às 19p2

    O vestibular 2015 da Fuvest está menos concorrido do que o anterior. A fundação responsável pela prova, que seleciona estudantes para a Universidade de São Paulo (USP) e para a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, divulgou nesta segunda-feira a relação de candidatos por vaga dos catorze cursos mais disputados em 2015.

    A disputa para todos esses cursos será menor do que no vestibular 2014. A explicação é o menor número de inscritos: a Fuvest recebeu 17,5% inscrições a menos do que ano passado. São 141.888 candidatos contra 172.037, uma redução de 30.149 de inscritos. É a primeira queda desde 2010.

    O número total de vagas abertas na USP foi mantido: 11.057. Na Santa Casa, a oferta aumentou de 100 para 120 vagas. A carreira de medicina da USP, por exemplo, tem 55,02 inscritos para cada vaga aberta. Em 2014, eram de 58,57 candidatos por vaga. Os cursos de medicina na USP de Ribeirão Preto (SP) e de publicidade e propaganda tiverem maior queda no número de candidatos. Em 2014, medicina tinha 62,91 inscritos por vagas contra 50,51 deste ano. Publicidade e propaganda teve a procura reduzida de 39,98 para 35,84 candidatos por vaga.

    Em nota, a pró-reitoria de graduação da USP informou que o número de inscritos está dentro da média histórica do vestibular Fuvest e creditou a redução na procura pelo vestibular ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A queda no número de inscritos no vestibular Fuvest 2015 sofreu reflexos da greve na USP e também o efeito da consolidação do Enem. A universidade está discutindo formas alternativas de ingresso, incluindo o Enem.”

    Vestibular — As provas da Fuvest 2015 serão realizadas em 32 municípios do Estado de São Paulo. A primeira fase ocorre em 30 de novembro, a partir das 13 horas. Os estudantes terão cinco horas para responder a 90 testes de múltipla escolha sobre conhecimentos gerais e específicos do conteúdo obrigatório do ensino médio. A lista para aprovados para a segunda fase será divulgada no dia 22 de dezembro.

    A segunda etapa será realizada entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2015. A primeira chamada com os nomes de aprovados será divulgada no dia 31 de janeiro.

    Neste ano, não haverá inscrição prévia no Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp), que dá bônus na a alunos da rede pública. O candidato será incluído na lista de bonificação de acordo com a situação escolar declarada no momento da inscrição.

    Na edição 2014 do vestibular, a Fuvest registrou 72.000 inscritos, sendo que 24.400 eram treineiros, ou seja, estudantes que não concluíram o ensino médio e não podiam concorrer a vagas.

  4. mcn

    11 de novembro de 2014 3:37 pm

    Concordo em gênero, número e grau

    As 5 competências a que vc se refere – dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas – correspondem aos 5 grandes eixo cognitivos da matriz do Enem e se desdobram em 120 habilidades nas 4 grandes áreas do conhecimento curricular (Linguagens, Matemática Ciências Naturais e Ciências Humanas).

    As capacidades (1) de se expressar em diversas linguagens, (2) de compreender fenômenos naturais e sociais do mundo em vivemos, (3) de analisar criticamente os problemas da realidade, (4) de  construir argumentação consistente e (5) de mobilizar recursos para solucionar desafios é o que se espera de um aluno no final do ciclo básico de escolarização.

    É para desenvolver competências por meio de conteúdos que a escola existe. Desse modo, como seu texto explicita, uma notável inovação do Enem é promover um efeito retroativo nas formas de ensinar e aprender nos ensinos fundamental e médio nas escolas brasileiras, principalmente, nas públicas. Como vc bem captou, o Enem é difícil, mas os meninos gostam. Sabem que o desafio é bom e não se recusam a enfrentá-lo.

    O professor Nilson Machado, da Faculdade de Educação da USP, no vídeo abaixo, acrescenta mais uma macro competência além das 5, que é a capacidade de inovar, pensar e criar o novo ou o que ainda não existe. Isso também é papel da escola básica.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=GNpgoLlRcg%5D

  5. EduardoR

    11 de novembro de 2014 5:15 pm

    Acho que USP, UNICAMPe UNESP

    Acho que USP, UNICAMPe UNESP não adeream ao ENEM ou por arrogânica ou por dinheiro.

    Cada uma das três têm seu próprio vesibular, com uma ‘fundação universitária’ própria pra cuidar dos seus processos seletivos. As 3 não querem saber nem de unificar o vestibular entre elas (um avanço foi unificarem a lista de livros de literatura nacional).

    Mas pode ser também que FUVES, CONEST e VUNESP sejam lucrativas.

    As 3 universidades paulsita usam o ENEM como ‘complemento’ da nota final do vestibular na 1º fase (no caso da Unesp é fase única), mas o peso é bem pequeno. 

  6. evandro condé de lima

    11 de novembro de 2014 5:32 pm

    A propósito

    Postei outro dia e repito. Com o resultado do Enem e mesmo sem eles, alguma coisa vem acontecendo que ninguém quer mostrar:

    Escrevo com receio de que caso o que segue der algum problema, eu seja penalizado. Mas são ossos do ofício.

    Como todo professor, tenho de corrigir provas e trabalhos. E como já estou no ofício há algum tempo já pude perceber que a mudança no alunado está se processando em um ritmo que não existia e numa direção que julgo nefasta. Vamos aos fatos.

    Tendo de corrigir relatórios me deparei com um que me chamou atenção, mais ainda que os outros. Segue o encontrei: dimenções, concluzão, cruzão, determinão, atravez, cauza, resistensia, univerçal, comprecível e por último au (descubram o que ele quis escrever). Registro também que não havia acentos em qualquer palavra, não só as mostradas aqui.

    Pois bem, algumas observações cabem. Este é um aluno universitário que passou, portanto, por no mínimo dez anos de escola e estudando português. Uma sondagem a outros professores parece sinalizar que os alunos realmente não sabem português (atenção, não é apenas ortografia e conjugação verbal). Indo um pouco mais além, já havia constatado que há alunos que não conseguem preencher tabela de dados, sentem dificuldades em fazer operações com calculadora e mesmo substituir valores numéricos em alguma fórmula algébrica. Poderia não ser problema se não fossem alunos de Engenharia.

    Ora, casos isolados não devem ser tomados estatisticamente. Mas será que meu caso é isolado? Sondando outros professores  (eu fiz a sondagem) aparece a mesma realidade. Há um bom número alarmado, triste, desanimado – mas tem-se de ganhar a vida….Vejamos mais, as Faculdades estão chamando em seus vestibulares um número muito grande de alunos, maior mesmo que a necessidade. Mas sabedoras que são que um bom número irá desistir ou por questões financeiras, tempo ou, ressalte-se, por não conseguirem acompanhar o conteúdo programático, elas tocam o barco, pois já garantiram uma senhora grana.

    Há alunos, provenientes de Escolas Públicas, ingressando em Curso de Licenciatura de Matemática que NUNCA tiveram uma aula de Física no segundo grau. E estão cursando a Faculdade graças a bolsas. E como fica o professor (não só neste caso)? Há um conteúdo supostamente a se cumprir, mas evidentemente os alunos não possuem , digamos, as ferramentas necessárias para apreender, se houver reprovação ele fatalmente perderá a bolsa e muito provavelmente abandonará o curso.

    Sendo direto:  a sensação é que o simples fato do indivíduo de ingressar na escola (aos seis anos) já está garantido que ele sairá na outra ponta, independente do foi feito ou não. O sistema está funcionando assim. Seja em escolas particulares ou públicas, e parece que aceito por alunos e, o que é pior, pais.

    E nós (eu incluso) defendendo governos por ter mais pessoas nas Universidades. Que apareçam então as estatísticas que não se quer mostrar ( ou por não terem sido feitas ou por se omitir). Por que essas, para mim, já perderam o significado.

    1. Odonir Oliveira

      11 de novembro de 2014 8:24 pm

      “Erros de português” (sic)Então, de

      Talvez o senhor devesse ler mais sobre origem das palavras em português, sobre “erros ou sobre a diversidade dos tipos de  erros ortográficos”, suas variantes, suas aquisições… e mais, procure saber como tem sido o ensino de língua francesa e de outras neo latinas- nem falo do inglês pela simplicidade de sua escrita, gramática etc.- compreenda a complexidade das transformações que vêm ocorrendo no campo linguístico atualmente e informe-se sobre estudos fartamente realizados e divulgados a quem quiser se habilitar a discorrer sobre a escrita dos brasileiros e universitários.

      Esse assunto deve ser debatido por aqueles que têm o que oferecer como subsídio aos “problemas” apresentados.

      Então, de posse desses conhecimentos, faça comentários mais qualificados para que estes, afinal, sirvam de argumentação abalizada. Caso contrário …

      Estudos comparativos realizados por décadas a fio com alunos que ingressam na USP, por exemplo, ou com aqueles que fazem as redações para os vestibulares públicos( em SP) dão conta de que os textos, em forma e conteúdo melhoraram significativamente em relação às décadas de 70 e 80 ou aos de épocas anteriores até- ler Maria Thereza Fraga Rocco – por favor .

      Então, com esses conhecimentos, faça comentários para que estes, afinal, sirvam como argumentação considerável. Caso contrário… referir-se ao ENEM como influenciador- digamos assim- de possíveis licenciosidades  na língua é no mínimo….. e no máximo ….. . 

       

      1. evandro condé de lima

        12 de novembro de 2014 12:02 am

        Não sei se notou, mas os
        Não sei se notou, mas os erros (ou o nome que quizer dar) estava incluso em um rol. Eu em minha ignorância ,como bem mostrou, julguei que alguns dos erros cometidos poderiam ou deveriam ter sido corrigidos antes DP ingresso na faculdade. E sinceramente, reforçando minha ignorância, admitir que se escreva como se fala ou soa, é um pouco demais para quem pretende ser um engenheiro, talvez em tua área não seja problema. Ademais, os outros problemas listados, são até mais graves -novamente, para quem pretende ser engenheiro.

        1. evandro condé de lima

          12 de novembro de 2014 1:35 pm

          …”estavam inclusos…”

          …”estavam inclusos…” estava digitando no celular.

  7. altamiro souza

    11 de novembro de 2014 7:11 pm

    a virtude do enem é a

    a virtude do enem é a reflexão abragfente sobre a soceidade…

    mesmo ocom erros gramaticais…

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