5 de junho de 2026

A crise de abastecimento e as decisões unilaterais do governo paulista

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Jornal GGN – Os jornais desta quinta-feira (6) destacam que Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, anunciou que usará esgoto tratado para abastecimento, por conta da gravidade da crise hídrica que a Região Metropolitana vive em função do colapso dos sistemas Cantareira e Alto Tietê. Questionado sobre a medida, Alckmin disse que não descarta inclusive o uso de água do mar para atender à demanda das milhões de pessoas afetadas.

As decisões de Alckmin em meio à crise tomam ares de unilaterais, uma vez que inúmeras entidades tentam, há meses e sem sucesso, discutir medidas que fundam a preservação dos mananciais – usados à exaustão – e o abastecimento regular de água para a população.

Depois de assistir à relutância do governo em determinar a restrição da retirada de águas do Cantareira e Alto Tietê – os dois sistemas já estão com menos de 12% de sua capacidade, com volume morto em uso -, o Ministério Público do Estado instaurou uma ação civil pública que cita a Sabesp, empresa mista que controla o serviço de saneamento no Estado, DAEE, órgão público que deveria fiscalizar o trabalho da Sabesp, e a Agência Nacional de Águas, que também é responsável pela gestão dos recursos hídricos.

“O Ministério Público se posiciona no sentido de que a severidade da seca que estamos enfrentando implica em redução imediata da retirada de água dos sistemas. A recomendação do MP foi que o uso do volume morto fosse reduzido com o objetivo de que em abril de 2015, cerca de 10% dos reservatórios intactos ainda estejam intactos”, explicou ao GGN a promotora do Gaema (Grupo de Atenção Especial de Defesa do Meio Ambiente) da região de Piracicaba, Alexandra Faccioli.

Segundo ela, o ideal seria que a Sabesp regulasse semanalmente essa redução na retirada de água do volume morto do sistema, ajustando-se ao volume de chuvas. O MP também alega, com base em estudos acadêmicos, que a companhia retira mais água dos mananciais em colapso do que a outorga de uso permite. Ainda assim, a Sabesp e o governo do Estado não atendem aos pedidos de restrição. “Me parece evidente que passaremos por medidas de restrição de água para os quais nós não estamos devidamente preparados”, disse Faccioli.

Em julho, o Ministério Público já havia recomendado a Alckmin a adoção imediata de racionamento na Região Metropolitana. O órgão deu 10 dias para a Sabesp manifestar a adoção de um plano de rodízio. Em agosto, a Sabesp respondeu que o racionamento era desnecessário porque “todas as medidas possíveis e adequadas estão sendo adotadas”.

Àquela época, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) também enviou uma carta à Sabesp, ao governo do Estado e à Arsesp, que é a agência reguladora dos serviços de saneamento e energia do Estado. Na carta, a entidade explica que realizou uma campanha junto à população e descobriu que àquela altura, quase 30% das pessoas denunciaram corte de água diariamente. Inúmeros casos foram noticiados pelos jornais. Os técnicos da área hídrica falaram em racionamento velado, para não comprometer a disputa eleitoral, mas a Sabesp negou esse tipo de medida.

Segundo Claudia Almeida, advogada do Idec e responsável pela campanha, “a falta de água tem sido um fato notório e a necessidade de ser declarado o estado de racionamento é imprescindível, pois o abastecimento de água é um serviço essencial e deve ser tratado com prioridade pelo Estado e em total respeito aos direitos que regem a adequada prestação de serviço, como o direito à informação, direito a transparência e tratamento igualitário.”

Recomendações ocorrem desde 2013

Em nota ao GGN, o Consório das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí explicou que o primeiro alerta dado às autoridades do Estado sobre a possibilidade de estresse hídrico no Sistema Cantareira, nas bacias da região e do Alto Tietê, ocorreu em 19 de dezembro de 2013.

“Naquela época, a entidade já solicitava que municípios, empresas e setor rural iniciassem imediatamente a racionalização do consumo de água para podermos enfrentar os meses críticos para a disponibilidade hídrica que viriam durante o ano de 2014”, disse. No primeiro semestre desse ano, protestos e recomendações foram promovidos pela entidade.

“Teremos um 2015 ainda mais severo que 2014. Esse ano, os reservatórios do Sistema Cantareira entraram na estiagem com 30%. Em 2015, caso tudo ocorra bem e as chuvas acontecerem na média, a expectativa é que eles estarão abaixo do percentual de 2014. A decisão de como reduzir o consumo, se será por meio de racionamento, ações socioeducativas, manobras operativas, ou a junção de todas essas medidas é uma autoridade dos serviços de água e dos municípios operados por eles.”

Enquanto as autoridades responsáveis pela gestão hídrica tomam suas decisões no estilo “top-down”, sem atender ao apelo por um plano de racionamento amplo e transparente, os setores que serão radicalmente afetados pela crise já se preparam.

Setor privado se prepara para prejuízos

O setor privado, por exemplo, está sendo alertado por especialistas sobre a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos provocados pela seca. Segundo o advogado especialista em contencioso cível e sócio Rodrigo Setaro, todos aqueles que se sentirem prejudicados devem entrar com pedido de dano material contra o responsável pela falha na prestação do serviço, mas para isso, deverão comprovar os prejuízos e a relação deles com a omissão ou ação do agente, o que se chama, juridicamente, de nexo de causalidade.

“Em primeiro lugar é  importante ressaltar que antes de iniciar um processo judicial é necessário verificar qual ente estatal é o responsável pela manutenção do complexo que serve aquele prejudicado. Além das concessionárias de água e da Agência Nacional de Águas”, também poderá ser responsabilizada a União, o Estado ou o Município, observando-se os artigos 29 a 31 e 64 do Código de Águas (Decreto nº 24.643/1934).

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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16 Comentários
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  1. nilo walter

    6 de novembro de 2014 9:16 pm

     
    Sobre uso de água do mar é

     

    Sobre uso de água do mar é só conversar com os chineses que já estão implantando esse método .

  2. Claudio Antunes

    6 de novembro de 2014 9:21 pm

    Perguntinha ao Nassif….

    Luis Nassif, apenas não compreendo qual a responsabilidade da União nessa crise. Durante a entrevista de  Ricardo Boechat na BAND com a presidenta reeleita, essa questão da crise da água foi realçada e a resposta foi clara e direta, ou a presidenta está mentindo que dúvido pois nenhuma reação ao que afirmou naquela entrevista foi manifestada pelo governador de São Paulo, ou acredito que a União tomou todas ás ações de sua competência constitucional permitia. Partiu da autoridade máxima do Estado de São Paulo a recusa do auxilio federal apenar de aceitar de bom grado os 2 bilhões oferecidos pelo governo federal. Esses desncontros de informações apenas ajudam a não responsabilizar os irresponsáveis por ter colocado em risco o mais rico, populoso Estado do Brasil.

    1. Claudio Antunes

      6 de novembro de 2014 9:28 pm

      Essa oferta de ajuda federal

      Essa oferta de ajuda federal a São Paulo segundo a presidenta Dilma se deu no ínicio do ano de 2014, logo após se constatar que a temporada de chuvas foi abaixo do necessário. É apenas assistir essa entrevista para confirmar que a opção feita ocorreu unilateralmente do governador de São Paulo.

       

      1. Lucinei

        6 de novembro de 2014 11:55 pm

        Neste instante o alckmin e a

        Neste instante o alckmin e a miriam leitão estão naquele bate papo sobre o governo federal. No primeiro bloco ele, como todo tucano, passou a responsabilidade pra união dizendo que ela não desonera a água do pis/cofins. Chhegou a dizer que a sabesp é uma “arrecadadora de impostos pra união”…

        É muita cara de pau, né?

        AAgora a Miriam leitão pergunta se ele, ao chamar de a dilma de “presidenta”, não denota que ele tem espírito conciliador. Que fofo, né? É óbvio que ele falou que bom é deus que está no céu; ele só faz “a parte dele” pro bem do povo…

        Ai, ai… E ainda tem gente que leva a sério essa máquina de propaganda…

  3. Gilson AS

    6 de novembro de 2014 9:33 pm

    Vão beber água de cocô

    Vão beber água de cocô reciclada, mesmo assim continuam amando o seu governador Alkimin.

    Povo culto é outro papo !

  4. Luiz Antonio Antunes Machado

    6 de novembro de 2014 9:41 pm

    Blindagem

    E a blindagem continua ? No futuro, seja qual for o desfecho desta crise, não haverá como os responsáveis culparem a imprensa cartelizada, nunca vi lealdade maior (ou cumplicidade maior) na história da mídia brasileira.

  5. peregrino

    6 de novembro de 2014 10:21 pm

    de repente, quem sabe…

    estado que nunca fez questão de ter uma coexistência harmônica com o governo federal por opção político-partidária, tem mais é que passar por esse sufoco mesmo para aprender a dar importância às ofertas de colaboração

    optou e ficou aguardando, mas quem sabe exatamente o quê?

    de repente, quem sabe, talvez, a primeira oportunidade para acusar Dilma de estar querendo substituir a autoridade competente local, estadual, de forma inconstitucional e condenável

     

  6. drigoeira

    6 de novembro de 2014 11:12 pm

    O trem tá feio…

    Nem reutilizando 100% do esgoto tratado vai resolver o problema.

    Fazer o tratamento do esgoto é o mínimo exigido para se ter uma saúde de qualidade.

    Tem que chover o dobro histórico para resolver o problema.

    A Lei de Murphy está aí para dar outra lição na população de SP.

  7. nosde

    6 de novembro de 2014 11:23 pm

    Não entendo pra que tratar o

    Não entendo pra que tratar o esgoto . . . . toca assim mesmo, se não vai ficar muito caro, tem que ter choque de gestão . . . . . . 

  8. Ricardo Cesar

    6 de novembro de 2014 11:44 pm

     Principal usina de

     Principal usina de reciclagem de esgoto ficará na marginal Pinheiros, na sede da abril! 

    1. DUDE

      7 de novembro de 2014 12:44 am

      Desta água, eu não tomo nem que tussa!

      Ricardo

       

      Pelo amor de Deus.

      Desta água eu não bebo “nem que tussa”!

      Agora, é um lodo.

      No futuro…

      “Que Sera Sera,
      what ever will be, will be;
      The future`s not ours to see.
      Que Sera Sera,
      What will be, will be”

       

    2. saulogeo

      7 de novembro de 2014 2:02 am

      O Ricardo encontrou a solução….

      O problema está resolvido.

      Matéria  prima é que não vai faltar……

      Será que é por isso que o Tietê continua desse jeito, mesmo após tantos investimentos?

      Afinal, o esgoto da Abril vai direto para o Tietê…….

  9. Ricardo Cesar

    6 de novembro de 2014 11:46 pm

    É ou não é um alquimista:

    É ou não é um alquimista: primeiro ele contratou aviões para bombardearas nuvens para fazer chover, depois foi as usinas de tirar água do ar, depois do esgoto, agora do mar! Esse garoto vai longe!

    1. Mario Siqueira

      7 de novembro de 2014 12:35 am

      A cartada

      A cartada definitiva e salvadora vai ser a nomeação do Cacique Cobra Coral para gestor da crise hídrica.

      1. Sergio SS

        7 de novembro de 2014 2:13 am

        E logo no início de 2015, o

        E logo no início de 2015, o desgovernador, a Dilma da Sabesp e o A. Goldman, conselheiro desta ex-estatal, farão danças da chuva toda semana, as quais serão estampadas nos jornais como exemplo de esforços e trabalho em equipe.

        E em abril, na avaliação de 3 meses do Datafolha, Alckmin obtém 95% de aprovação popular…

  10. Sergio SS

    7 de novembro de 2014 2:23 am

    Usar água do mar é uma

    Usar água do mar é uma burrice sem tamanho. Mas na lógica tucana tem explicação.

    Antes do mar tem a Serra do Mar, produtora de água em abundância, tanto em sua vertente voltada ao planalto, como naquela voltada à baixada litorânea. O problema é que a região de serra é um parque estadual, e teria que fazer licenciamento, pagar a outorga daquela bacia e pagar por serviços ambientais prestados pelo parque, algo como umas boas dezenas de milhões, dinheiro este que sairia da Sabesp e entraria numa conta obrigatória de investimentos ambientais do Estado. 

    A chance disto acontecer? Zero.

     

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