4 de junho de 2026

O jornalismo preguiçoso. Ou apenas vagabundo

O estranho caso da suposta herdeira do banqueiro suíço que prometeu doar uma bolada para que o ex-presidente Lula possa tocar a sua vida, já que a “Justiça” brasileira quer privá-lo de qualquer meio de subsistência enquanto não o trancafia numa cela, demonstrou, de maneira inequívoca, que o jornalismo brasileiro é o mais preguiçoso, irresponsável e vagabundo do universo.

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A moça pode até mesmo ser o que diz que é, embora existam, como levantou o jornalista Luis Nassif, enormes suspeitas de que ela seja tão somente uma impostora, ou então alguém que sofre de algum transtorno psicológico, como a mitomania, mas isso é o que menos importa.

O triste de toda essa história é constatar que a imprensa brasileira, com raríssimas exceções, não observa nem as mais básicas e elementares regras do jornalismo.

Uma delas, que qualquer “foca” conhece, é checar as fontes de informação, para que não se dê crédito a lunáticos, malucos, napoleões de hospício, ou mesmo a espertalhões, pilantras e picaretas em geral, que adoram usar a imprensa para atingir seus propósitos.

O jornalismo brasileiro, já se sabe há algum tempo, virou uma grande agência de publicidade, que trabalha dia e noite para preservar os imensos e seculares privilégios da classe social dos donos das empresas de comunicação, ou seja, dos endinheirados que mandam e desmandam neste país.

Mas eles bem que poderiam fazer este trabalho sujo com um pouco mais de competência.

Do jeito que está, fica fácil aparecer mais umas tantas “herdeiras” para engabelar esses jornalistas de meia pataca que se acham os tais.

O caso da moça me fez lembrar de uma história ocorrida lá pelo ano de mil novecentos e oitenta e pouco, no falecido jornal “Jundiaí Hoje”, quando começaram a ocorrer algumas coisas estranhas: as notícias mais interessantes de esportes estavam saindo também num dos concorrentes. 

Não podia ser coincidência, atestava o saudoso Ademir Fernandes, mestre em jornalismo e em bom humor, que tocava, praticamente sozinho, a editoria – Ademir, para quem não o conheceu, foi um dos mais profícuos e respeitados profissionais que passaram pelo “Jornal da Tarde” e Agência Estado.

Pois bem, ele desconfiava que o jornal estava sendo vítima de um “vazamento” – claro que a palavra, naquela época não estava tão em voga quanto hoje. A suspeita recaía sobre uma digitadora de texto cujo marido era repórter esportivo do concorrente. 

Assim, armou a armadilha: escreveu uma matéria com alguns detalhes que inventou – nada que comprometesse a veracidade da história.

Não deu outra: no dia seguinte, lá estava a notícia no concorrente, igualzinha. A tal digitadora acabou confessando seu “crime”. Levou uma bronca daquelas e a vida continuou. 

O estratagema inventado pelo Ademir foi simples e eficaz. Desmascarou a impostura de maneira incontestável. 

E mostrou uma face detestável do jornalismo, essa marcada pela negligência, preguiça e “esperteza”.

Dói saber que pouca coisa mudou de lá para cá – e se mudou, foi para pior.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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