4 de junho de 2026

Graças à dissonância cognitiva de Paulo Guedes o desempenho da economia não foi pior em 2019, por Albertino Ribeiro

Guedes esperaria uma reação automática da economia que, segundo a teoria econômica clássica, viria após a completa precarização do trabalho e com a atividade abaixo da camada do pré sal.
Divulgação Planalto

Graças à dissonância cognitiva de Paulo Guedes o desempenho da economia não foi pior em 2019

por Albertino Ribeiro

O banco central divulgou na sexta-feira, 14/02/2020, o IBC – Br (índice de atividade econômica do banco central). Segundo o índice, que é uma prévia do PIB, o crescimento da economia brasileira em 2019 ficou em 0,89%.

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Segundo reportagem do site Isto é dinheiro, o índice está dentro do intervalo projetado pelos analistas de mercado financeiro, que esperavam resultado entre 0,80% e expansão de 1,00%.

O cenário só não foi pior porque o governo, embora ultraliberal, utilizou-se de políticas Keynesianas para impulsionar a atividade econômica, dentre elas, a liberação de saques do FGTS e do PIS/PASEP que injetaram R$ 32 bilhões na economia.

Contudo, alguém pode apressadamente dizer: mas a redução da taxa de juros ajudou também. Repondo que não! Utilizando um aforismo de Keynes, a política monetária é como um barbante, serve para puxar, mas é ineficaz para empurrar a atividade econômica.

Quanto pesou para Guedes abrir mão do seu fundamentalismo em prol da intervenção do estado na atividade econômica? Sabemos que se dependesse das crenças do ministro o dinheiro do FGTS, ao invés de ir para o bolso do trabalhador, seria utilizado para abater a dívida pública (aquela história de dar mais confiança ao mercado, entende?).

Ademais, Guedes esperaria uma reação automática da economia que, segundo a teoria econômica clássica, viria após a completa precarização do trabalho e com a atividade abaixo da camada do pré sal.

Não é fácil tomarmos uma decisão que vai de encontro aos nossos princípios, inclusive, se estes tornaram-se crenças centrais em nossa mente, o que é muito comum na cabeça de um economista de Chicago.

Segundo a teoria da dissonância cognitiva de Festinger (1957), quanto maior o número de cognições inconsistentes com uma determinada decisão, maior o conflito antes da decisão e maior a dissonância cognitiva.

Dissonâncias a parte, o importante é que a decisão foi benéfica para boa parte da população que pôde consumir e pagar suas dívidas, ajudando a gerar emprego e renda na economia, ainda que timidamente.

Albertino Ribeiro
Economista e Analista de informações do IBGE

Redação

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