4 de junho de 2026

Sérgio Moro e a maldição do enforcado (uma história realmente infantil)

Apesar de fazer pose e se mostrar sofisticado, Sérgio Moro começa a padecer da maldição do enforcado. Li esta história infantil há mais de quarenta anos, mas só guardei seu sentido. O nome do autor eu não lembro. Eis minha versão transportada para o presente.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 

“Na entrada de um pequeno povoado pelo qual passou a caminho da fortaleza Rus, em Kiev, um juiz viajante viu um cadáver pendurado pelo pescoço.

Ele perguntou ao morto:

– Por que você foi enforcado.

Reluzindo sob o sol, a carcaça nada respondeu. Ele repetiu a pergunta e ouviu o morto dizer baixinho:

– Eu era um juiz e fui morto pela língua!

Apavorado, o juiz viajante resolveu investigar o caso. 

Ele foi até o povoado, se instalou na estalagem e começou a indagar os locais sobre o que havia acontecido. 

Quando lhe disseram o que ocorreu ele ficou horrorizado.

A condenação do seu colega havia sido absurda. 

Ele passou o resto do dia na taverna bebericando, beliscando petiscos e criticando abertamente aqueles que haviam assassinado seu honorável colega.

As palavras dele logo chegaram aos ouvidos do poderoso que havia justiçado seu inimigo de toga.

Na madrugada seguinte, meio dormindo e meio embriagado, o juiz viajante foi arrancado de sua cama à pauladas por um grupo de brutamontes. Arrastado até a entrada da cidade ele foi sumariamente enforcado na mesma árvore em que o outro juiz apodrecia. 

No dia seguinte, os dois corpos reluziam sob o sol quando foram balançados por um moleque traquina. Foi então que a primeira carcaça se virou para o juiz de fora, riu e disse.

-Você queria saber porque eu fui morto e também acabou enforcado na própria língua. Ha, ha, ha…

Apavorado o garoto correu para casa e guardou segredo. Quando estava quase morrendo ele transmitiu a história ao seu filho. Ela só chegou até nós porque seu portador a registrou após ter se mudado daquele povoado.”

 

Sérgio Moro deveria ter exercido sua função com zelo e discrição, com redobrada discrição em virtude da natureza do processo que lhe foi atribuído. Ele preferiu a ribalta e o estrelato, as entrevistas e cerimônias públicas ao lado de líderes políticos que são inimigos políticos do réu. Agora ele também está se enforcando na própria língua.

Cada vez que o juiz da Lava Jato fala ou é obrigado a falar sobre Lula e sobre o processo do ex-presidente sua independência (da imprensa) desaparece e sua imparcialidade (para julgar o caso) se desfaz nas páginas de jornal, nas revistas semanais, nas telas de televisão, nas redes sociais e nos blogues jornalísticos.

Pobre menino rico! Sempre que o galã togado da Rede Globo dá entrevistas ou se dirige aos seus apoiadores fico com a impressão de que o pai de Sérgio Moro não preencheu a infância dele com bons livros. 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados