Apesar de fazer pose e se mostrar sofisticado, Sérgio Moro começa a padecer da maldição do enforcado. Li esta história infantil há mais de quarenta anos, mas só guardei seu sentido. O nome do autor eu não lembro. Eis minha versão transportada para o presente.
“Na entrada de um pequeno povoado pelo qual passou a caminho da fortaleza Rus, em Kiev, um juiz viajante viu um cadáver pendurado pelo pescoço.
Ele perguntou ao morto:
– Por que você foi enforcado.
Reluzindo sob o sol, a carcaça nada respondeu. Ele repetiu a pergunta e ouviu o morto dizer baixinho:
– Eu era um juiz e fui morto pela língua!
Apavorado, o juiz viajante resolveu investigar o caso.
Ele foi até o povoado, se instalou na estalagem e começou a indagar os locais sobre o que havia acontecido.
Quando lhe disseram o que ocorreu ele ficou horrorizado.
A condenação do seu colega havia sido absurda.
Ele passou o resto do dia na taverna bebericando, beliscando petiscos e criticando abertamente aqueles que haviam assassinado seu honorável colega.
As palavras dele logo chegaram aos ouvidos do poderoso que havia justiçado seu inimigo de toga.
Na madrugada seguinte, meio dormindo e meio embriagado, o juiz viajante foi arrancado de sua cama à pauladas por um grupo de brutamontes. Arrastado até a entrada da cidade ele foi sumariamente enforcado na mesma árvore em que o outro juiz apodrecia.
No dia seguinte, os dois corpos reluziam sob o sol quando foram balançados por um moleque traquina. Foi então que a primeira carcaça se virou para o juiz de fora, riu e disse.
-Você queria saber porque eu fui morto e também acabou enforcado na própria língua. Ha, ha, ha…
Apavorado o garoto correu para casa e guardou segredo. Quando estava quase morrendo ele transmitiu a história ao seu filho. Ela só chegou até nós porque seu portador a registrou após ter se mudado daquele povoado.”
Sérgio Moro deveria ter exercido sua função com zelo e discrição, com redobrada discrição em virtude da natureza do processo que lhe foi atribuído. Ele preferiu a ribalta e o estrelato, as entrevistas e cerimônias públicas ao lado de líderes políticos que são inimigos políticos do réu. Agora ele também está se enforcando na própria língua.
Cada vez que o juiz da Lava Jato fala ou é obrigado a falar sobre Lula e sobre o processo do ex-presidente sua independência (da imprensa) desaparece e sua imparcialidade (para julgar o caso) se desfaz nas páginas de jornal, nas revistas semanais, nas telas de televisão, nas redes sociais e nos blogues jornalísticos.
Pobre menino rico! Sempre que o galã togado da Rede Globo dá entrevistas ou se dirige aos seus apoiadores fico com a impressão de que o pai de Sérgio Moro não preencheu a infância dele com bons livros.
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