Os números da epidemia apresentados pela Itália têm sido óbvia e grosseiramente manipulados, o que se constata de imediato ao se observar os gráficos de novos casos da doença, e de mortes.
De acordo com o Worldometer (um site muito bom):
“O número real de casos de COVID-19 na Itália pode ser de 5 milhões (em comparação com os 119.827 confirmados), segundo um estudo que entrevistou pessoas com sintomas que não foram testados e até 10 ou 20 milhões após considerar casos assintomáticos, de acordo com Carlo La Vecchia, professor de estatística médica e epidemiologia da Universidade Statale di Milano.
Esse número ainda seria insuficiente para alcançar a imunidade do rebanho, o que exigiria que 2/3 da população (cerca de 40 milhões de pessoas na Itália) tivessem contraído o vírus.
O número de mortes também pode ser subestimado em 3/4 (na Itália e em outros países), o que significa que o número real de mortes na Itália pode estar em torno de 60 mil.
Se essas estimativas forem verdadeiras, a taxa de mortalidade por COVID-19 seria muito menor (cerca de 25 vezes menor) do que a taxa de mortalidade de casos, baseada apenas em casos e mortes confirmados por laboratório, uma vez que estaria subestimando os casos (o denominador) por um fator de cerca de 1/100 e mortes por um fator de 1/4.”
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A Itália vem forjando seus números, tanto para evitar histeria e pânico tendentes a piorar o problema, quanto, deduzo, por envergonhamento pela inundação descontrolada de casos ocorrida em seu território.
Embora a correção dos números (que a maioria das pessoas tem apenas uma vaguíssima compreensão) possa ser apresentada de maneira assustadora, dada a ampliação dos valores de quase todos os parâmetros tratados, a redução de 25 vezes na letalidade estimada do vírus sugere conclusões relativamente tranquilizadoras.
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Mais que analisar os dados, eu queria ressaltar a influência do modo como os dados são apresentados sobre as conclusões que deles deduzimos:
A suposição de que 20 milhões de italianos tenham contraído po COVID-19, em contraposição aos pouco mais de 100 mil admitidos nos números oficiais, pode parecer estrondosamente alarmante, dada a imensidão da população atingida.
Observada sob outro ângulo, no entanto, a mesma suposição de que 20 milhões de italianos tenham sido infectados – ou, mais realisticamente, 10 milhões –, pode se revelar, em certo grau, tranquilizadora, dada a consideração de que, individualmente, para a massa dos infectados, o mostro não seja tão feroz.
Tem me causado uma enorme perplexidade a forma francamente alarmista com que a Organização Mundial de Saúde vinha tratando a epidemia, no que foi acompanhada pelos meios de comunicação. Tendo o alarmismo garantido o consenso relativo às medidas restritivas de liberdades e direitos, permitiu-se, nos últimos dias, certa disposição tendente ao sentido contrário, de tranquilização da população. A maquiagem de dados apresentada pela maioria dos países europeus parece fazer parte da estratégia tranquilizadora necessária, agora, para contrabalançar mentira oposta anterior.
A maquiagem agora implementada tende a induzir, em quem não compreende os números, a sensação de ter-se chegado a um platô estacionário, interpretado como prenúncio da atenuação da epidemia decorrente do confinamento. O embuste tem como meta induzir a crença de que o estado de sítio deva perdurar apenas por poucos meses. A farsa numérica, no entanto, não se sustentará, e logo exigirá que novas tramoias a reforcem.
O conjunto de tramoias tendentes à manipulação da opinião pública tem-me induzido uns péssimos pressentimentos.
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