5 de junho de 2026

Riscos fiscais podem levar BC a ajustar taxa Selic em 2021

Na ata da última reunião do ano, Copom aponta riscos de curto prazo por conta da pandemia - e que risco fiscal está em alta
Foto: Reprodução

Jornal GGN – A reavaliação dos riscos fiscais levou o Banco Central a cogitar iniciar um novo ciclo de alta dos juros em 2021, como mostra a ata da reunião realizada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na última semana.

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Na ocasião, que foi a última reunião de 2020, o colegiado decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) estável em 2% ao ano. O documento também destacou a ressurgência da pandemia em outros países, com efeitos na atividade econômica no curto prazo.

“No cenário externo, a ressurgência da pandemia em algumas das principais economias tem revertido os ganhos na mobilidade e deverá afetar a atividade econômica no curto prazo”, diz o colegiado. “No entanto, os resultados promissores nos testes das vacinas contra a Covid-19 tendem a trazer melhora da confiança e normalização da atividade no médio prazo. A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração, permitindo um ambiente favorável para economias emergentes”.

Na análise do setor interno, o colegiado afirma que as leituras realizadas para a taxa de inflação se mostraram elevadas e devem permanecer assim em dezembro, por conta da transição para a bandeira tarifária mais elevada na energia elétrica e a apuração dos preços de mensalidades escolares.

“Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente”.

Segundo o Copom, o cenário básico para a inflação envolve riscos – na visão do colegiado, “um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

Ao mesmo tempo, o Copom diz que o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços. “Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional”.

 

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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