À Polícia Federal, ex-presidente afirmou que se fosse comprar o triplex da OAS, pagaria as custas da reforma. “Porque se você compra uma galinha, e ela vale dois contos, e quando você vai [ver], ela está com três pintinhos, ela vai valer mais”

Foto: Reprodução
Jornal GGN – Em março de 2016, quando foi conduzido coercitivamente ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para prestar depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente Lula foi incisivo ao negar a posse do apartamento triplex que a Lava Jato atribui a ele como pagamento de propina da OAS.
O petista admitiu que tinha uma cota no empreendimento, adquirida em 2009 por Marisa Letícia, e vendida pela OAS em 2014. Antes de recorrer à Justiça para obter o ressarcimento, Lula buscou outra unidade no mesmo projeto para não perder o investimento. Foi quando Léo Pinheiro decidiu agendar a visita de Lula ao triplex.
A PF perguntou a Lula se na segunda visita de dona Marisa ao imóvel, a OAS já havia finalizado a reforma e comprado itens de decoração para a cozinha e quartos. Lula respondeu que não, que sua esposa – falecida no início de 2017 – havia relatado que não tinha nada pronto. “E se ela presenciasse, se tivesse alguma coisa pronta, se eu tivesse que comprar [o triplex], eu teria que pagar a diferença. Eu quero saber aonde está o maldito crime”, disparou Lula. “Porque se você compra uma galinha e ela vale dois contos e quando você vai ela está com três pintinhos, ela vai valer mais”, completou.
O GGN resgatou e expõe abaixo outros trechos do depoimento de Lula à PF sobre o triplex:
“Eu tenho conhecimento [de que Marisa tinha comprado uma cota do empreendimento no Guarujá, em 2009], eu estou lhe entregando aqui o original onde está relatado tudo, quando foi comprado, quando foi declarado. Na verdade, quem deveria estar prestando depoimento aqui não era eu, era o procurador [de São Paulo] que disse que eu sou dono do apartamento. [Ele] tem que provar que é meu.”
“Você sabe que as pessoas que estão me acusando, estão me acusando porque se fosse o pai deles que fosse presidente, talvez tivessem feito o que eles pensam que eu fiz. Talvez se estivesse no meu lugar, eles teriam feito o que eles pensam que eu fiz.”
“Quando eu fui a primeira vez [visitar o triplex], eu disse ao Léo [Pinheiro, ex-presidente da OAS] que o prédio era inadequado porque além de ser pequeno, um triplex de 215 metros é um triplex ‘Minha Casa, Minha Vida’, era pequeno, muito pequeno, os quartos, a escada muito, muito… Eu falei ‘Léo, é inadequado para um velho como eu, é inadequado’. O Léo falou: ‘Eu vou tentar pensar um projeto pra cá.’ Quando a Marisa voltou lá não tinha sido feito nada ainda. Aí eu falei para Marisa: ‘Olhe, vou tomar a decisão de não fazer [a compra], eu não quero’. Uma das razões é porque eu cheguei à conclusão que seria inútil para mim um apartamento na praia, eu só poderia frequentar a praia dia de finados, se tivesse chovendo. Então eu tomei a decisão de não ficar com o apartamento.”
“Eu acho que eu estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque tenho um apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que eu paguei. Um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu, a Polícia Federal inventa a história do triplex que foi uma sacanagem homérica. Inventa a história de uma offshore do Panamá que veio pra cá, que tinha vendido o prédio, toda uma história pra tentar me ligar à Lava Jato, toda uma história pra me ligar à Lava Jato, porque foi essa a história do triplex. Ou seja, aí passado alguns dias descobrem que a empresa offshore, não era dona do triplex, que dizem que é meu, mas era dono do triplex da Globo, era dono do helicóptero da Globo. Aí desaparece o noticiário da empresa de offshore. A empresária panamenha é solta rapidamente, nem chegou a esquentar o banco da cadeia já foi solta porque
não era dona do Solaris que dizem que é do Lula, ela é dona do Solaris que dizem que é do Roberto Marinho, lá em Parati. E desapareceu do noticiário. E eu fico aqui que nem um babaca respondendo coisas de um procurador, sabe, que não deve estar de boa fé, quando pega a revista Veja a pedido de um Deputado do PSDB do Acre e faz uma denúncia. Então eu não posso me conformar. Como cidadão brasileiro, eu não posso me conformar com esse gesto de leviandade.”
“Não, 2009 consta aí, foi o seguinte: quando houve o Termo de Ajuste de Conduta [TAC] entre o Ministério Público e os cooperados, e a Bancoop deixou de mandar boleto, como a gente estava num ano eleitoral – a minha preocupação era eleger a nossa Dilma Roussef presidenta da República – eu estava pouco me lixando para Bancoop.” (Sobre o porquê não decidiu, em 2009, se continuaria com a cota parte do empreedimento e pagaria uma diferença à OAS ou se venderia a cota).
“Se tem alguém que pode me processar é a OAS, ela falava o seguinte: ‘Eu estou tendo prejuízo com o apartamento, você vai pagar.’ Agora, eu quero o apartamento agora, alguém vai me dar, ou o Ministério Público vai me dar, ou a Veja vai me dar, ou a Globo vai me dar, mas eu preciso do apartamento agora e quero saber quem vai pagar essa porra desse apartamento. Eu quero saber.”
“A Bancoop na verdade, coitada, a Bancoop tinha quebrado, por isso que os cooperados, com a assistência do Ministério Público, fizeram o acordo pra contratar a OAS pra fazer a obra.”
“Eu queria ver se tinha outra noutro bloco qualquer, quando falaram desse apartamento [triplex] eu fui ver.” (Sobre ter decidido usar a cota da Bancoop para comprar outro apartamento da OAS)
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Neste depoimento à PF, Lula:
– Entregou documentos sobre a compra da cota parte do edifício que veio a ser o Solaris, após concluída a obra pela OAS.
– Negou que tenha atuado na transferência do empreendimento da Bancoop para a OAS.
– Disse que nao sabia se Léo Pinheiro tinha conhecimento das “modificações” no triplex, mas que admitiu que o empresário prometeu fazer um “estudo” para adequar o imóvel.
A íntegra está em anexo.
Leia mais: O que pesa contra e a favor de Lula no caso triplex

MarFig
10 de maio de 2017 8:32 pmSábado conversei com minha
Sábado conversei com minha irmã e disse a ela que o apartamento sempre esteve em nome da OAS que inclusive o usou em garantia de empréstimos e ela ficou espantada achando que eu estava doido. Porém o que a deixou mais espantada é saber que o tal triplex é menor do que a cobertura que ela mora aqui no Buritis um bairro de classe média média. E que essa tinha sido a melhor “prova” que o juiz da globo achou de que o Lula é o chefe do maior esquema de corrupção da história da galáxia.