No editorial do último dia 18, o jornal paulista afirma que os que foram às ruas contra o golpe, no dia 16, formavam uma “tropa” em busca “de sanduíches de mortadela” e “caraminguás”. Isso mostra a simpatia, a cordialidade e a sensibilidade do jornal em relação às classes populares e movimentos sociais. E a educação com que encara o debate público. Até fiquei tocado com os argumentos! Quase deixei de apoiar as medidas contra a redução da miséria.
Mas aí veio a revista científica Foreign Affairs, que não é propriamente um veículo progressista, e traz o artigo abaixo, para a primeira edição de 2016. Nele, o editor Jonathan Tepperman afirma que o Brasil tem, surpreendentemente, algo a ensinar ao mundo em relação à desigualdade.
O editorial agressivo e descortês termina assim “Dilma … parece …inclinada a permitir que estes grupelhos interessados em arruinar de vez a economia do país, em nome de uma ideia de justiça social que pereniza a pobreza em vez de erradicá-la, ditem a agenda da Presidência”
A propósito: não vamos olhar para O Estadão, comparativamente ao prestígio do veiculo americano, como o caderno da família Mesquita olha para os mais pobres. Talvez fosse humilhante demais. Até pela sua irrelevância. Afinal, precisamos sempre manter a cordialidade nas relações divergentes.
***
(É preciso se registrar para ter acesso à integra. Mas vai aqui uma palhinha)
1. Nos anos recentes, a expectativa com relação a questões de desigualdade tem se intensificado no mundo inteiro. O que explica, por exemplo, o sucesso do trabalho de Thomas Piketty, economista francês.
2. Programas como os da Índia (uma nota: lembram do festejado “banco dos pobres?”) são burocráticos demais para dar certo, e propostas de taxação de riquezas, como a do autor francês, encontram resistência entre os mais ricos.
3. A boa notícia é que soluções radicais podem ser evitadas, e nos últimos anos foi o Brasil que apresentou uma ideia relativamente simples e amigável ao mercado: o Bolsa Família.
4. Não muito tempo atrás, até o Haiti era mais igual que o Brasil. Por isso, há alguns anos a ideia de que o Brasil poderia vir a ensinar ao mundo alguma coisa sobre redução da desigualdade soaria como uma piada.
5. Mas ensinou.
Deixe um comentário