10 de junho de 2026

Presente de Mandetta ao Brasil, capitã cloroquina recorre ao STF para silenciar na CPI

Mayra Pinheiro entrou no governo Bolsonaro após vaiar médicos cubanos. Ela distribuiu cloroquina pelo Brasil e defende "autonomia médica" na pandemia

Jornal GGN – “Uma vida inteira dedicada a medicina, são mais de 30 anos de estudos, mestrados e doutoramentos até chegar ao Ministério da Saúde (sic)”. É assim que a doutora Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”, se apresenta em uma rede social. Ela é um presente ao Brasil deixado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, atraído pelo barulho que Mayra fez contra o programa Mais Médicos. Ela aparece em registros fotográficos de manifestação que recepcionou com vaias e xingamentos os médicos cubanos em Fortaleza, ainda em 2013.

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Filiada ao PSDB, influente em entidades representativas de classe e candidata virtual ao Senado, Mayra assumiu a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (STGES) do Ministério da Saúde a convite de Mandetta antes mesmo de Jair Bolsonaro tomar posse como presidente da República. Na pandemia, ela recebeu a missão de distribuir o chamado Kit Covid por estados e municípios aliados do bolsonarismo, com destaque especial para o Amazonas, que recebeu o kit poucas semanas antes da capital viver uma grande crise de falta de oxigênio. Ela responde a uma ação de improbidade administrativa pela crise no sistema de saúde do Amazonas.

Mayra terá de explicar esse papel de “capitã cloroquina” na gestão desastrosa da pandemia, que já tirou a vida de mais de 430 mil de brasileiros, à CPI da Covid no Senado. Seguindo os passos do general Eduardo Pazuello, sucesso de Mandetta, a médica bolsonarista fanática recorreu ao Supremo Tribunal Federal em busca de um habeas corpus, para garantir o direito ao silêncio em questões em que ela pode se auto-incriminar.

Professora universitária, Mayra é quem ajuda Bolsonaro a pregar a “autonomia médica” como argumento para respaldar a distribuição de medicamentos que não têm eficácia comprovada no tratamento para coronavírus. Nas redes sociais, ela posta imagens defendendo incitando médicos a tomarem a coragem de decidir pelo “tratamento precoce”, desde que o paciente dê autorização.

No começo da pandemia, em março de 2020, ela compartilhou nas redes sociais uma peça de propaganda com o logo do Ministério da Saúde, não recomendando o uso de máscaras.

Mandetta, então líder da bancada de médicos na Câmara, viu em Mayra uma voz estrondosa no ataque ao programa Mais Médicos. Provavelmente a bolsonarista será questionada sobre isso na CPI. Essencialmente contra a atuação de cubanos nos rincões do Brasil, ela insiste que o programa tinha “distorções”. Foi incumbida por Mandetta de providenciar uma legislação nova para o programa, que “contempla a formação médica, o ensino nas universidades, especialização de profissionais e o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).”

Pediatra, Mayra também foi presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará. A entidade emitiu uma nota em apoio a Bolsonaro, que vem sendo chamado de genocída por políticos e cientistas brasileiros, além de setores da comunidade internacional. Para Mayra, a culpa pela tragédia humanitária no Brasil, contudo, é de governadores e prefeitos que não “dificultaram” a entrada do tratamento precoce em suas regiões.

Segundo dados do jornal O Globo do último final de semana, Bolsonaro enviou 1,3 milhão de comprimidos de cloroquina até dezembro de 2020 a estados e municípios, sendo 80% deles para aliados. Os estados que mais receberam o medicamento foram Minas Gerais, Santa Catarina, Amazonas e Roraima. Eles ficaram 646 mil comprimidos distribuídos pelo Ministério da Saúde apenas entre setembro e dezembro de 2020.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Jossimar

    17 de maio de 2021 3:12 pm

    30 anos dedicados ao estudo e não aprendeu porra nenhuma.
    não nega ser bolsonarista.

  2. Rodrigo

    17 de maio de 2021 3:20 pm

    Favor corrigir de 430 milhoes para 430 mil.

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