4 de junho de 2026

A Dilma já pagou sua bolsa?

Rapaz, tá difícil hein. Hoje tive incorporado nas classificações do meu eu político a palavra parasita. A contextualização deu-se na arena mais frequente dos tempos atuais: facebook. Certo inominável garante que fui comprado pelo PT por meio de bolsas de estudo e, por isso, não quero que o PT saia para não perder a mamata. Sim, a ma-ma-ta.

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Tentei argumentar que a pessoa poderia ter tido as mesmas oportunidades que eu, bastava fazer um esforço intelectual a mais. Isso porque na minha visão o que difere nós que gostamos de estudar daqueles que dizem não gostar é apenas o nível de paciência para fazer entender determinados assuntos.

Contudo, confessei que sim, fui comprado pelo PT. Disse que o PT obrigou-me a estudar por mais de 10 anos consecutivos para atingir pós-doutoramento, e assim obter as benesses que só um verdadeiro parasita estatal tem. Foi fácil, eu me vendi por muito pouco, apenas educação e instrução. Mas que louco é esse se vende por coisas tão poucas? Que não se mergulha no ódio contra o Petê? Que defende bandidos de alta periculosidade aos moldes do maníaco de Lousiana, como Zé Dirceu e Genuíno?

Educação é bandeira defendida por 99% dos que habitam nossas fronteiras. É engraçado, mas assistindo ao filme left behind (2014) com o Nicolas Cage, uma das cenas fez resumir o paradoxo brasileiro com respeito à educação e de novo traz à baila a hipocrisia tupiniquim.  No longa, após o sumiço de todos os tementes a Deus, a mulher busca por sua filha e mãe na igreja protestante da cidade e lá encontra o pastor, sim o pastor. Ela então pergunta o porquê de ele também não ter sido chamado ao paraíso como os outros fiéis no processo do “arrebatamento”? A resposta foi taxativa: “além de saber a Palavra é preciso acreditar nela, minha filha”.

Batata! É isso mesmo! Apesar de o brasileiro em geral dizer aos quatro cantos que a educação é importante ele não acredita nisso fielmente. Estou exagerando? Estou generalizando? Então peço que alguém diga em que outro país do mundo professores, em busca de melhores condições salariais, são chamados de vagabundos por boa parte da população apenas porque isso guarda relação com as bases do Governo odiado? Em que pais do mundo cientistas são chamados de parasitas estatais e pelegos por não serem abduzidos pela cólera recorrente dos pregadores da CBN?

Ser chamado de bolsista é, na cabeça dos odiadores, um xingamento capaz de causar urticária e vergonha. Não é só apenas o Bolsa-Família. Todos nós que somos remunerados pelo Estado somos automaticamente relegados a uma condição vergonhosa, na cabeça dos anti-Dilma e anti-PT. Somos todos defensores da “boquinha”.

Não dá para entender esse povo que tece loas à educação e à ciência, mas que não entende um palmo na frente do nariz e da importância das ações estatais na ciência e inovação para curar e antecipar problemas que nós mesmos criamos. Alimento de mais qualidade, menor queima de combustíveis fósseis, etc.

Por isso está dando pena do território Brasil. O Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do Sérgio Porto, costumava contar a famosa piada sobre o porquê de Deus não atribuir furacões e terremotos a essa terra chamada Brasil, onde Deus respondia: é que você não sabe os políticos que eu vou colocar por aqui.

É preciso revisar tal anedota, pois não cabe mais a projeção dos nossos defeitos. Deus deveria dizer: você não sabe os patrícios que habitarão por aqui. Se eu pudesse, volta no tempo e implorava a Deus se havia como nos trocar por um Hurricane. Muito verde, muito mar, tamanho continental e um povo tão mesquinho. Pobre Brasil.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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