A atual crise entre Rússia e Ucrânia é um desdobramento dos confrontos por território que tiveram início em 2014, quando a Ucrânia conseguiu anexar o território da Criméia e fortalecer sua autonomia perante os russos.
Em artigo publicado no jornal Washington Post em 2014, o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger lembra que o verdadeiro teste político não é a forma como ele começa, mas como termina.
“Com demasiada frequência, a questão ucraniana é apresentada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao Oriente ou ao Ocidente. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser o posto avançado de nenhum dos lados contra o outro – deve funcionar como uma ponte entre eles”, apontou Kissinger.
O ex-secretário de Estado dos EUA afirmou que o Ocidente deve entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca poderá ser apenas um país estrangeiro, e que sua história remete a um longo período de conflitos.
“A política externa é a arte de estabelecer prioridades”, dizia Kissinger, ressaltando que a política ucraniana pós-independência mostra que a raiz do problema está concentrada nos esforços dos ucranianos de imporem sua vontade a regiões que se identificam como russas.
Além de defender a não adesão da Ucrânia à OTAN e o direito do país de escolher suas associações econômicas, Kissinger considerava o anexo da Criméia pela Rússia como algo “incompatível com as regras da ordem mundial”, mas que o tema deveria ser debatido de forma menos tensa.
“A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo”, diz Kissinger, citando a postura adotada pela Finlândia – que colabora com o Ocidente em diversas pautas, mas evita hostilidades institucionais com a Rússia.
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Antonio Uchoa Neto
27 de fevereiro de 2022 10:02 am“A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo”. Extraordinário, estou comovido, em prantos.
Não sou, naturalmente, chileno, vietnamita, cambojano, laosiano, timorense. Tampouco sou africano, ou muçulmano.
Henry Kissinger, ‘the depopulation man’. Para isso, serve tudo: guerra, pandemia, fome. Tudo no território dos outros, naturalmente. Principalmente se for abaixo dos pireneus.
Que asco.