O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mantido uma margem confortável nas pesquisas eleitorais para presidente, mas a vitória não está totalmente garantida, como explica o jornalista e pesquisador Bruno Carazza.
Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, na TV GGN, Carazza usa como exemplo alguns dados que podem ser consultados na última pesquisa Ipespe que precisam ser avaliados pela equipe de campanha de Lula.
“O (presidente Jair) Bolsonaro subiu sete pontos percentuais no segmento até dois salários mínimos da última pesquisa até agora”, diz. “Um dos pontos fracos da campanha dele (Bolsonaro) é a população mais pobre, mas ele subiu de 18% para 25%, foi o segmento que ele mais cresceu”. Como apontado pelo jornalista Marcelo Auler, esse avanço é efeito do Auxílio-Brasil.
O jornalista também lembra que Bolsonaro avançou o mesmo número percentual entre homens e mulheres, o que pode ser considerada uma mudança de tendência ao que foi visto anteriormente.
“Bolsonaro muito mal entre as mulheres, não conseguia fazer a avaliação dele melhorar entre as mulheres. E nessa pesquisa melhorou da mesma forma que melhorou entre os homens”, diz o colunista do jornal Valor Econômico.
Apesar desses dados, a candidatura de Bolsonaro continua apresentando uma série de fragilidades – e uma das mais destacadas é o seu fraco desempenho na região Nordeste.
“Nessa última pesquisa, ele (Bolsonaro) melhora no Sudeste e no Sul, principalmente, mas ele ficou totalmente estabilizado no Nordeste, onde ele tomou uma lavada do Lula”, diz Carazza.
Por conta disso, Bolsonaro tem despejado recursos a rodo para a região via orçamento secreto e, como lembra Carazza, “usando o cargo para fazer viagens praticamente toda semana” ao Nordeste. “Se ele começa a ganhar cinco pontos aqui, dez pontos ali no Nordeste, essa diferença que tá confortável para o Lula agora começa a estreitar”.
Resgate do eleitor que virou a casaca
Em meio a disputa do eleitor no Nordeste, o grande objetivo da equipe de Bolsonaro é reconquistar o eleitor perdido em meio à crise de gestão durante a pandemia de covid-19 e os problemas econômicos.
“O objetivo maior do Bolsonaro e do Centrão é resgatar o eleitor que votou no Bolsonaro em 2018, criticou a postura dele na pandemia, na gestão da economia, flertou com candidaturas de terceira via, mas que eventualmente em um cenário em que a eleição está parelha entre Lula e Bolsonaro, ele volta para o Bolsonaro”, diz Carazza.
Uma das estratégias da equipe bolsonarista para reconquistar o eleitor perdido é relembrar casos problemáticos da gestão petista. “À medida que a eleição começa a ficar emparelhada, a diferença começa a cair, todo aquele discurso de corrupção, de Petrolão, de Mensalão, de Dilma, de crise econômica, isso vai aflorar”, diz Carazza. “Então, eu não dou como certa essa vitória tranquila do Lula no quadro eleitoral”.
Veja mais sobre a análise de Bruno Carazza na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!
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3 – O exorcismo dos fantasmas da política econômica de Lula, por Luis Nassif
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