A janela partidária encerrada na última semana de março foi um sinal do poderio político dos caciques que estão por trás da campanha do presidente Jair Bolsonaro, como explica o jornalista e pesquisador Bruno Carazza.
“O que a gente observou nessa janela de negociações partidárias foi uma demonstração de força dos caciques do Centrão que estão no comando da campanha de Bolsonaro”, disse Carazza em entrevista a Luis Nassif, na TVGGN, na noite de quarta-feira (06/04). Assista abaixo.
“A situação do Bolsonaro é muito diferente daquele Bolsonaro de 2018, que se elegeu no zap sem apoio de partidos. Agora, o jogo é diferente e ficou claro que essa campanha tem sido conduzida por Ciro Nogueira, por Arthur Lira (ambos do PP), por Valdemar da Costa Neto (PL), pelo Marcus Pereira do Republicanos (ligado à Igreja Universal do Reino de Deus)”.
Segundo o articulista, a janela partidária “é um período realmente de negociações, em que os principais partidos usam de todo seu poderio para tentar atrair o maior número possível de puxadores de voto e apoiadores”.
A busca desses políticos, que serão responsáveis pelo trabalho junto à população, traz a ideia das dobradinhas – “candidatos à presidente, deputados, governador, vão se aliando e isso tem potencial de chegar na base via cabos eleitorais no eleitor final”.
Apoio político não é apoio eleitoral
Contudo, Bruno Carazza lembra que apoio político não quer dizer apoio eleitoral. “Um exemplo claro disso é o (ex-governador Geraldo) Alckmin em 2018, que todo esse Centrão fechou com Alckmin. Ele tinha dinheiro, ele tinha tempo da TV, tinha tudo”.
“Como ele não deslanchou nas pesquisas, ele (Alckmin) foi abandonado pelo Centrão, que entrou no barco apoiando Bolsonaro. Acho que o primeiro ponto é nessa linha”.
Embora o panorama nas pesquisas ainda seja confortável para o ex-presidente Lula, o pesquisador lembra que ainda não se pode dar a batalha eleitoral como ganha.
“Acho que não é hora de acomodação do lado do PT se ele quer derrotar o Bolsonaro. Primeiro ponto: Bolsonaro 2022 não é Alckmin 2018, porque o Alckmin em 2018 não tinha a chave do cofre, não tinha o poder da caneta, não tinha o orçamento secreto”.
Na visão de Carazza, todos os políticos do Centrão que estão entrando na barca do Bolsonaro têm apostado na perspectiva de que a reeleição é melhor para eles, por conta da continuidade ou mesmo aprofundamento dos esquemas criados no atual governo.
“Bolsonaro ainda tem muita bala na agulha para gastar em termos de orçamento, medidas populistas, até o final do governo. E isso é um ponto de atenção”, diz Carazza.
Veja mais sobre a análise de Bruno Carazza na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!
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daniel gorte-dalmoro
7 de abril de 2022 12:15 pmO pessoal que estamos apoiando Lula precisamos lembrar de FHC em 1985: tem gente já discutindo a nova decoração do Palácio do Planalto, insistindo pro Lula sentar logo para a foto, mas a eleição ainda não ocorreu e, portanto, não está ganha: pesquisa de opinião não é voto! E falta a campanha começar pra valer – e vai ser suja, pesada, violenta.
Dada a rejeição ao Bolsonaro, é bastante factível que a estratégia do atual presidente vai ser de muita publicidade desestimulando o voto: vamos ver crescer mais e mais a conversa anti-política, reportagens de desalento, e que nada há para fazer. Parte da esquerda vai achar que a estratégia está gasta, porque Bolsonaro já não consegue mais se apresentar como anti-político (fora dos meios mais lobotomizados que o seguem), mas a questão não é conseguir votos: é tirar eleitores da urna. Afinal, mesmo que perca a eleição, se a diferença for pequena, ele tem álibi para tentar um golpe. Ou seja, vai ser uma campanha forte de desmobilização por parte de Bolsonaro, cuja mídia corporativa vai poder participar ativamente sem assumir a pecha de bolsonarista, ou de uma escolha ‘muito difícil’, deixando isso para o eleitor chegar à conclusão com a ‘própria’ cabeça, depois de ter lançado todas as premissas do silogismo aparentemente lógico, mas falho.
Já passou da hora do povo todo que se mobilizou no vira voto do segundo turno de 2018 repetir o feito e ir pra rua. Ou vamos esperar a água bater no nariz pra tentar aprender a nadar?